After Midnight
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Eu paralisei quando vi ela. Izzie me olhou e seu olhar era diferente do que eu me lembrava. Era independente, adulto. E um filme se passou diante dos meus olhos. Mas uma voz chamava meu nome e ficava mais intenso quando ia me livrando dos devaneios.
–Alex!! -Me livrei completamente deles e Izzie me chamava continuamente, olhando pra mim com aquele bebe miúdo em suas mãos -Alex!!
–oque?
–leva ele pra neonatal, prematuro de 26 semanas
Peguei uma compressa e coloquei sobre minhas mãos, peguei o bebe e o encostei em mim, com certeza sujou meu jaleco mas eu não me importei.
–Lexie fica ai. Titio já vem
–Bebe... -Disse ela apontando pro neném que eu estava segurando
–é, o bebe. Fica ai que eu já venho! Izzie fica com ela -falei apressado. Sai com o bebe e fui pra neonatal.
(Izzie)
–Porque não me deixaram ver meu bebe? -perguntou a mulher aflita
–Ele é muito novinho, precisamos ver se os pulmões estão completamente desenvolvidos e daqui a pouco você já pode velo-lo
–Ta bom... Obrigada doutora -disse ela com uma voz aliviada. Eu sorrio e ela perguntou -e meus sobrinhos?
–as crianças que estavam no carro com você? Eu tenho que confirmar mas se não me engano eles estão em cirurgia. Quando eu tiver informações eu te passo -ela concordou com a cabeça e olhou pra Lexie que estava de braços cruzados no canto do quarto. Acho que ela tava nervosa -é sua filha?
–Quem? a Lexie? Não... Ela é filha da minha amiga que esta em cirurgia
–Ah me desculpe. Eu tenho certeza que ela vai ficar bem -disse a mulher tentando me confortar e eu ri
–Não... A minha amiga é a cirurgiã que esta operando
–Ataa! -Disse ela -ela esta operando meus sobrinhos?
–eu tenho duas amigas que estão operando seus sobrinhos. E não se preocupe, elas são as melhores!! -dava pra perceber no rosto da mulher o alivio dela e resolvi mudar de assunto -seu marido esta la fora? Quer que eu chame ele? -e o semblante dela mudou totalmente
–Não é nem marido, é namorado e ele nem sabe que eu estava gravida. Agente só morava junto, dai eu surtei e fugi e não tive mais coragem de voltar -e em segundos eu literalmente congelei. Eu já ouvi casos de pacientes que contava seus problemas e eram justamente oque os médicos estavam passando, mas nunca havia acontecido comigo. Agora sei como é.
–Você deve estar achando que eu sou louca né? -ela deu uma risada nervosa
–Não, não. Eu... Eu vou ver se seus sobrinhos já saíram da cirurgia. Vem Lexie! -Falei pegando na mão da pequena mas ela era muito lerdinha pra andar então a peguei no colo. Fui andando a principio em direção as salas de cirurgia mas uma residente loira estava vindo em minha direção. Ela parou na minha frente e foi falando
–Izzie Stevens? -Olhei pra ela com uma expressão de "te conheço?" e ela continuou falando -O dr. Karev esta te chamando na UTI neonatal com urgência
–Ta... Fica com a Lexie -falei entregando a menina e fui indo não correndo mas rápido o suficiente pro lado oposto as salas de cirurgia
–Dra! -chamou a residente -a neonatal é pro outro lado
–Eu já sabia... -Falei pra dar uma disfarçada e fui andando pro lado que ela havia dito. Cheguei na UTI neonatal e vi Alex do lado de um dos bercinhos. Me aproximei acelerando o passo.
–Oque houve?
–o pulmão esquerdo entrou em colapso e as vias respiratórias ameaçaram a fechar. Apliquei 3 ml de amedazil
–Porque não entubou ele?
–poque não precisa e pode acabar machucando a traqueia dele –peguei o estetoscópio do pescoço de Alex e auscultei os pulmões do bebe
–As vias respiratórias dele fecharam!! Ele precisa ser entubado
–Ameaçaram fechar e não, ele não precisa
–Você vai esperar elas fecharem?
–não vou entubar um bebe sem necessidade e ainda com risco de danos na traqueia! Ele não vai ser entubado até que realmente precise –disse ele com a voz dura
–Alex você vai esperar ele parar de respirar pra entuba-lo? Para de ser teimoso!!
–ele não vai parar de respirar!! O pulmão voltou ao normal e ele ta respirando bem!
–Eu tinha esquecido o quão cabeça dura você é!! –falei olhando pra ele e logo depois pedindo a enfermeira um tubo infantil, ela se abaixou pra pegar mas Alex protestou
–você não vai pegar!! Até onde sei é o meu nome que esta no prontuario desse paciente, é eu que trabalho aqui, eu sou o médico desse bebe, então eu que decido se ele vai ser entubado ou não!! –disse ele completamente nervoso, e aumentando a voz cada vez mais, até que quando ele acabou de falar todos que estavam ali olharam pra gente
–ta bom Alex! Faça oque achar melhor –falei colocando o estetoscópio dele em cima do monitor que mede a oxigenação e os batimentos –se alguma coisa acontecer com esse bebe não ouse colocar o meu nome no meio — Sai da UTI neonatal e fui andando sem nem saber exatamente onde estava indo. Eu sabia que aquela ceninha que agente acabou de fazer ali não foi totalmente na questão de entubar ou não entubar, o Alex sabe que aquele bebe não vai aguentar sem uma entubação e mais cedo ou mais tarde ele vai fazer isso, mas aquela briga se tratou mais da nossa situação, ele apenas descontou uma porcentagem da raiva que ele sente por mim e eu sabia que as coisas iam continuar assim até ele descontar tudo.
(Alex)
Eu realmente estava com raiva, muita raiva. Me veio a tona toda raiva que sentia por ela e que eu achei que já havia esquecido. Sai da neonatal tirando o avental e o jogando fora, eu nao sabia pra onde ia, mas não dava pra exercer medicina desse jeito. Fui pra for do hospital onde tinha um banco em cima de um pequeno gramado, um lugar bem tranquilo. Fiquei sentado ali por minutos ou horas, não faço ideia de quanto tempo fiquei, mas foi tempo suficiente pra me convencer a esquecer que a Izzie estava aqui no hospital. Voltei pra dentro indo pela entrada principal, passei pelo balcão e vi a residente que tinha mandado atras da Izzie, ela estava mexendo no computador e parecia estar bastante concentrada, provavelmente estava pesquisando algo, me aproximei e me debrucei sobre o balcão
–a Lexie ficou com você? –perguntei logo de cara, ela olhou pra mim e de concentrada passou para meiga
–ficou sim... –ela olhou pra baixo onde tinha um colchão pequeno e Lexie dormia como um anjo
–olha, se você conseguiu fazer a Lexie dormir, ela deve ter gostado muito de você –falei sorrindo e ela rio fraco
–eu costumo me dar bem com crianças. Eu gosto delas e elas de mim –disse ela sorrindo e logo depois estendeu a mão em minha direção –Emma Campbell, ultimo ano de residencia –a cumprimentei com um aperto de mão
–Alex Karev, staff
–eu meio que percebi –disse ela no final dando um risinho fofo
–ultimo ano? Sabe que as provas estão chegando né?
–é... eu sei e estou muito nervosa!!
–escolheu qual especialidade?
–pediatria
–jura? Bom, se precisar de ajuda pra estudar sabe onde me encontrar
–pode deixar... obrigada –disse ela sorrindo. Um sorriso puro e meigo
–bom, acho que vou levar a Lexie, ela já deve ter te dado trabalho demais –falei me agachando do lado do colchão
–como eu disse, eu gosto de crianças –sorri e peguei Lexie no meu colo e me levantei
–foi um prazer –falei olhando pra ela
–igualmente –completou Emma sorrindo e eu fui andando com Lexie.
As vezes o passado aparece em nossas vidas pra nos mostrar que estamos na hora de enfrentar novas experiencias
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