After Midnight
5 Capitulo 5
Notas iniciais
(narrador: Alex)
Respirei fundo e prestei atenção na bebezinha ali deitada e dormindo como um anjinho, passei a mão no cabelo pensando em como iria falar pra Meredith. Porque coisas assim acontecem com pessoas boas? Ela nunca fez mal a ninguém, e o marido dela morreu a deixando viúva com três filhos pra criar e uma delas com um problema cardíaco. Sai nervoso do quarto e chutei uma maquina de exame que tinha no corredor e algumas pessoas pararam e olharam pra mim
–oque foi? –perguntei em um tom grosseiro e as pessoas voltaram a andar como se nunca tivessem parado. Pensei em ir pra sala de trauma mas acho que os enfermeiros e médicos não tinham deixado ela lá
–onde esta Meredith Grey? –perguntei chegando ao balcão
–a dra.Grey?
–não sei, quantas Meredith’s Grey estão aqui? É claro que é a dra.Grey -falei nervoso e a enfermeira olhou pra mim de uma forma estranha –eu to nervoso... –expliquei
–percebi... –respondeu ela discretamente olhando pro computador –ela esta no quarto 3 da maternidade e ainda esta dormindo
–ta... –falei saindo dali e andando olhando umas plaquinhas nas paredes informando os setores, segui pro da maternidade e finalmente achei o quarto em que estava a Mer, entrei e como disse a enfermeira ela estava dormindo. Me sentei na poltrona do lado da cama e fiquei esperando, um tempo depois ela acordou e quando me viu já veio perguntando da filha. Quando a vi acordando me levantei
–Alex cadê minha filha? –perguntou ela com uma expressão aflita olhando pra mim. Me sentei na beirada da cama e olhei pra ela
–não me diz que ela... –continuou Mer
–não! não, ela não morreu não, lembra que sou o deus da cirurgia pediátrica? –falei dando um sorrisinho pra tentar aliviar a tensão mas foi totalmente em vão –olha, primeiramente sua filha é linda, tem os seus olhos e... –nem terminei de falar e ela me interrompeu
–vai direto ao ponto Alex
–ta. Sua filha tem cardiomiopatia –falei com cautela, temendo a reação da Meredith. Ela arfou e passou a mão no cabelo levando os poucos cabelos que estavam em seu rosto pra trás.
–quanto tempo ela tem?
–pra nossa sorte ela reagiu muito bem ao aparelho do D.A.V. se ela continuar assim tem uns anos mas... –e ela me interrompeu de novo
–ela não vai poder tirar os aparelhos –completou Mer
–isso. A menos que consigamos um coração pra ela. A Cristina já deve ter colocado ela na lista de transplante –terminei de falar e ela estava com uma expressão estranha, até então não sabia se ela estava com raiva, triste ou com as duas coisas, mas tive certeza quando uma lagrima desceu pelo rosto dela mas ela logo a enxugou e foi ai que eu entendi oque estava acontecendo
–Meredith, temos uma coisa em comum, sabe oque? Não somos de chorar, porque achamos que o choro é uma fraqueza e temos que ser fortes, afinal, somos médicos e temos que aprender a simplesmente engolir as coisas porque não podemos chorar na frente dos pacientes. –falei colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha- As vezes estamos morrendo por dentro mas colocamos um sorriso no rosto e ninguém sabe que estamos mal, mas sabe, isso não é bom e a paciente aqui é você então, chora vai. Pode chorar. –parei de falar e ela ficou me olhando uns segundos, depois me abraçou a começou a chorar muito, passei a mão pelos cabelos dela. Depois de uns dois ou três minutos no máximo e me soltou do abraço e enxugou o rosto
–obrigada –agradeceu ela olhando pra mim –posso vê-la?
–a bebe? Claro –falei me levantando, fui até o corredor e peguei uma cadeira de rodas e trouxe pro quarto
–pra que isso? Eu posso ir andando –disse ela se levantando
–ah não vai mesmo, pode sentar aqui –respondi em um tom de brincadeira, ela se sentou e eu a levei pra UTI neonatal e de longe vimos a bebezinha naquele suporte cardíaco, as enfermeiras já tinham colocado nela uma touca rosa claro e com cobertorzinho cobrindo o corpinho dela. Ao vê-la Meredith levantou da cadeira e foi até a caminha que estava a bebe e eu me aproximei junto
–ei amorzinho... –disse Meredith passando o dedo levemente pelo rostinho da filha, no mesmo instante vi Cristina passando pelo corredor e falei com a Mer que eu já voltava . Fui até o corredor rápido e segurei Cristina pelo braço
–oque acha que ta fazendo? –perguntei agressivamente mas um pouco baixo pra me certificar de que a Mer não estava ouvindo
–resolvendo umas coisas –disse ela tentando voltar a andar mas a segurei de novo –oque você quer?
–oque eu quero? Cristina acabamos de descobrir que a filha da Mer precisa de um transplante de coração e você simplesmente desapareceu! Que tipo de amiga você é?
–acha que eu sou uma amiga ruim? Sabe oque eu estava fazendo? Estava ligando pra todos os hospitais que conheço pra tentar burlar a lista do transplante e conseguir o coração mas eu podia fazer isso mais tarde, mas preferi fazer agora porque eu não ia aguentar ver minha melhor amiga chorando por causa da filha!! Eu não ia aguentar ver a Mer chorando de novo! Então vai e me chama de uma amiga ruim porque eu não conseguiria ver ela chorar e não me desmanchar junto com ela. –Ela parou de falar e a essa altura eu já tinha soltado o braço dela e olhei pra dentro da maternidade e vi a Meredith sentada em uma das cadeiras de balanço com a bebe no colo e Cristina seguiu meu olhar
–vem... –falei tomando partida e entrando e ela veio atrás de mim e paramos em frente a elas
–ela já tem um nome? –perguntou Cristina e Mer balançou a cabeça que sim, ela estava sorrindo parecendo não se lembrar de nada de ruim que a tinha acontecido
–tem sim –respondeu ela olhando pra gente
–e qual é? –perguntei por fim
–Lexie –respondeu ela com um meio sorriso e voltando a olhar para a filha
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