After Midnight
5 Vamos tentar
Mas eu não o fiz... Passei a mão no cabelo dele, pra não parecer tão rude ou qualquer coisa por não ter feito o que eu realmente deveria, e não era meio por obrigação, eu queria, e ele também, mas não parecia à hora.
_ Eu amei, você canta muito bem, a musica é incrível... Você é incrível – ele só sorriu, colocou o violão de lado sentou mais perto de mim, depois ele segurou minha duas mãos e falou:
_ Não estamos indo rápido demais não é?
_ Não, não estamos – respondi chegando perto dele e fazendo nossas testas e narizes se encostarem – foi um bom dia, gostei muito dele, mas agora eu preciso ir.
Ele me levou até a porta, eu estava entrando no carro quando ele me chamou.
_ Que foi? – perguntei
_ Só queria um ultimo vislumbre dos seus olhos – eu sorri e entrei no carro, o bilhete ainda lá.
...
Quando eu cheguei a minha casa ainda estava em estado de êxtase, mas meu irmão quebrou isso gritando na hora que eu entrei
_ CHEGOU, FINALMENTE – Ele estava de roupão parecia que tinha acabado de acordar, nem deve ter dado a minha falta o dia inteiro – Como passou o dia?
_ Bem, eu comprei os livros – falei tirando os livros da sacola, escondendo o bilhete entre um deles para que Brad não visse e sai apressada pro quarto.
Entrei lá e prendi o desenho que Sam havia me dado no quadro de anotações, e tudo que eu queria era que essa sensação durasse pra sempre
...
Acordei no outro dia com uma disposição descomunal pra ir pra escola, afinal era a ultima semana, o tempo ainda continuava frio então a minha disposição continuou e me vesti feliz para ir à escola, mas o meu cérebro resolveu travar quando eu lembrei que o Sam estaria lá e que ele é veterano, e eu corria um leve risco dele falar comigo, daí em diante eu não sabia mais o que usar, eu troquei de roupa umas três vezes até o meu irmão bater na porta.
_ Você vai se atrasar – ele falou
_ Eu sei já estou indo – respondi e resolvi ficar do jeito que eu estava com uma jaqueta preta com bolsos, uma calça cinzenta, uma sapatilha preta com laçinho e um cachecol com caveiras e sai, mal tomei café e fui pra escola.
Cheguei lá eu fiquei o que parece ser um longo momento dentro do carro, até eu ver alguém bater na janela, eu abri e Priscila disse:
_ Vai ficar ai dentro pra sempre?
_ Eu ia só por um tempo – respondi saindo e trancando o carro e fomos pra nossa rotineira mesa.
Ficamos lá um tempo falando de nada em especial até o Alex, namorado da Priscila, chegar com a cara de quem estava com dor no rim ou coisa assim, ele nos cumprimentou e sentou.
_ Priscila, eu preciso falar com você – ele disse sem ladainha o que eu achei estranho por que o garoto é mais tímido que tudo, um nerd/fofo/lindo/... Sem duvida alguma. Com lindos olhos verdes e um cabelo castanho dourado, cursando o terceiro ano, embora ele seja um wesen Balam, você nunca suspeitaria.
_ Ta, então fala – Priscila respondeu, ela é o que eu classifico de uma quase Bad Girl, a do tipo em que não é a Bitch Bad Girl que pegam todos os garotos, pisa nas pessoas e se acha melhor que todo mundo (essas garotas não são más de verdade) ela é só Bad Girl das que quebram coisas, e pixam paredes, mas faz isso quando não tem muita gente por perto, pelo simples fato de detestar ser um wesen frágil.
_ Que tal a gente ir pra outro lugar? – ele sugeriu
_ E que tal a gente ficar aqui, e você falar logo – Priscila retrucou
_ grossière – adverti a ela, nós usamos algumas palavras em francês que é uma das línguas que eu falo (Por que minha mãe me obrigou a começar a estudar quando eu tinha uns 10 anos e depois que ela morreu resolvi continuar, por que meu professor dizia que eu tinha aptidão e eu tomei certo gosto pelo idioma) como códigos, por exemplo, quando a pessoa foi rude demais usamos a palavra “grossière” que significa grosseiro.
_ Ta bem – Alex respondeu e eu ia me levantar pra sair, mas Priscila segurou meu braço e me fez sentar de volta – Eu não posso mais fazer isso – ele continuou e eu por reflexo coloquei a mão na boca em total espanto – Eu achei que você poderia ser diferente, mas nós não nos damos bem juntos
_ Ta terminando comigo? – Priscila disse visivelmente alterada – Como assim? Por quê? Você me conheceu assim e do nada não pode mais fazer isso?
_ São muitas perguntas numa mesma frase – tentei falar, mas ela me lançou um olhar fulminante
_ É só que... – Alex vacilou um minuto – Na minha vida eu tinha a meta de fazer algo bom, e eu achei que essa coisa boa era trazer você ao seu lado bom, mas acho que isso esta além das minhas capacidades, eu achei que você era só um fase, mas não estou mais tão certo disso
_ Era isso que eu era pra você só uma meta na sua vida? – se tem uma coisa que eu sabia que o Alex realmente odiava, era fazer um dialogo com teoria e explicação e a pessoa não entender, acontecia freqüentemente com a Priscila, e eu adivinhei que essa situação se estabeleceu agora, por que o Alex virou a cabeça e respirou fundo do jeito que sempre fazia quando isso acontecia.
_ Eu não disso isso, eu realmente gosto de você, mas poxa... Nós não temos nada a ver, eu queria ficar em casa e ler pra você, mas você quer sair por ai e botar fogo numa lixeira depois de comer num restaurante qualquer, eu agüentei isso tempo demais e esse não sou eu – ele continuou
_ Então por que você não falou pra mim? – a raiva na voz dela não estava mais tão visível – Eu gosto de fazer as coisas que eu faço, mas quem sabe posso gostar de fazer as coisas que você faz também – o Alex era a única pessoa que fazia a Priscila ceder, normalmente ela sempre montava um grande dialogo fazendo a pessoa ser a culpada no final.
_ Eu não sei – ele pestanejou – eu quero... Quero... Alguém como a Paloma, sabe?
_ EIN?! – respondi involuntariamente
_ Eu ouvi o que eu ouvi? – Pâmela chegou já se metendo na conversa e sentando
_ Você pegou o bonde andando, xiu – Priscila indagou
_ Mas... Alex... – gaguejei meio sem ter certeza se aquilo era uma declaração ou o que era
_ Não que eu queria você, exatamente, mas alguém como você que goste de ler junto e ficar em casa pra jogar vídeo game, e ir a cafeterias ao invés de lanchonetes com maquinas Jukebox – ele completou fazendo uma boa definição do que eu gostava de fazer
_ Você não me contou a parte do vídeo game – Sam falou vindo de trás de mim e dando a volta na mesa pra se sentar
_ Ai não, mais um – Priscila disse
_ Quem é esse garoto? – Alex perguntou olhando desconfiadamente pro garoto ao lado
_ Ah, meu nome é Samuel Tsui, mas pode me chamar de Sam, sou do quarto ano – ele se apresentou
_ Ele é o Blutbad – Pâmela sussurrou
_ A gente se perdeu na conversa, galera – Priscila falou – voltando, Alex... Nós podemos tentar – ela mordeu o lábio – se você quiser, é só que eu nunca achei que você se incomodava, e quem sabe você possa me converter – ela sorriu
_ Ta bem – ele falou fechando os olhos e respirando fundo – vamos tentar de novo – ele pegou na mão dela e os dois ficaram sorrindo.
_ É terrível pegar diálogos em seus conflitos finais – Sam disse. Sério! Ele disse bem assim
_ Eu não sei por onde você veterano anda, mas aqui nessa mesa usamos o termo “Pegar o bonde andando” – Pâmela falou
_ Eu não uso esse termo – falei
_ Bem eu nunca entendi exatamente os ditados populares – Sam disse – Mas acho que isso não é interessante
_ Eu acho que é – falei – eu também nunca entendi
_ Deve ser interessantíssimo, mas não agora – Priscila falou – Então Sam, é do quarto ano né? Então esta na sua ultima semana de aula, ultima parada antes da faculdade
_ É, pois é – ele falou – Veteranos. Ultima semana. Agitação. Baile... – ele pestanejou na ultima palavra.
_ Você deve estar no paraíso, uma ultima semana de aulas, antes de se esbaldar na faculdade, pra qual você vai? – Pâmela disse e eu fiz uma careta com a expressão “esbaldar”
_ Vou fazer, mitologia grega na Yale – ele respondeu sorrindo, mas por algum motivo aquilo era engraçado, e todo mundo riu, mas eu não saquei a graça.
_ O que é tão engraçado? – perguntei
_ O fato de você ser uma criatura e estudar sobre criaturas fictícias – Alex respondeu
_ Eu tenho uma teoria sobre isso, antigamente talvez as pessoas simplesmente não conhecessem os Wesens, e achavam que eram monstros, o Minotauro, por exemplo, talvez ele só fosse um Taureus Armenta – Sam retrucou
_ Faz sentido – falei e todos concordaram
_ Mas qual “criatura” você é? – Sam perguntou dando ênfase a palavra criatura fazendo aspas no ar.
_ Ah eu sou um Balam, e ela uma Seltenvogel – Alex respondeu apontando para a Priscila – a Pâmela e a Paloma acho que você já sabe
_ Interessante, um Balam e uma Seltenvogel – Sam sorriu – Mas voltando ao assunto baile...
_ Que assunto baile? – Pâmela interrompeu – Não me lembro de termos falado nada sobre baile – lancei um olhar fulminante pra ela
_ Bom eu ainda não tenho par pro baile e seria uma honra se a bruxinha aqui pudesse me acompanhar – Sam propôs a mim e o por um momento eu refleti sobre a situação
_ Esta falando do baile de inverno? – Pâmela interrompeu de novo – É a três meses daqui, esta perdido no tempo? Ainda temos as férias e as festas pra passar, e ai quando estivermos no final do inverno, prestes a voltar ás aulas, temos o baile, sacou? – todos estavam encarando a Pâmela
_ Eu acho que você não simpatiza muito comigo – Sam quebrou o silencio – mas eu não estou falando desse baile, estou falando do meu baile de formatura...
Eu pestanejei por um instante uma menina no segundo ano num baile dos veteranos, não parecia certo
_ Esta a uma semana do baile e não tem par? – Alex perguntou
_ Ninguém parecia certo – Sam perguntou
_ Isso é um tanto inesperado – falei um tanto séria – mas eu adoraria ser seu par – sorri dessa vez, que mal poderia fazer?...
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