After Midnight
2 Oi, Blutbad!
Fiquei perto da mesa de comidas e peguei um sanduíche, enquanto observa as pessoas passarem e imaginei quais criaturas, ou, quer dizer, wesens elas seriam, vi um menino encostado no canto da parede e imaginei que ele deveria ser Mauzhertz, ou talvez, quem sabe, um Seelengut, depois outro que eu nem precisa perguntar, ele com certeza era um Nuckelavee, mas depois parei o olhar num garoto que não parava de olhar pra mim, e uma coisa que eu achei muito incomoda por que eu já havia visto ele na escola, o que eu fiquei impressionada, poucos wesens adolescentes costumam ir à escola, por que às vezes o seu interior acaba interferindo no seu comportamento, eu nunca tinha realmente prestado atenção nele, ele era realmente bonito, tinha o rosto quadrado e os olhos levemente puxados, descendente de asiáticos, suponho, uma cabelo muito preto com um penteado que ele deve ter ficado meia hora fazendo, o que não parecia importar por que ele passava a mão no cabelo toda hora, vestido uma jaqueta de couro com mangas longas puxadas até o cotovelo, e uma blusa listrada por baixo, com uma cauça escura e um sapato que eu poderia jurar ser um Sneakers, mas o negocio é que ele não parava de me encarar, e eu não conseguia saber que wesen ele poderia ser, pensei que talvez um Hexembiest, mas eu não tinha certeza.
Em um momento de coragem insana, eu decidi tomar à dianteira, ir até ele, e perguntar qual era a dele, e foi isso que eu fiz. Fui andando muito confiante até ele enquanto ele me acompanhava com os olhos todo o trajeto, parei na frente dele e perguntei:
_ Você esta com algum problema comigo?
Ele deu um leve sorriso torto olhando pro chão do jeito mais encantador possível, e todo incomodo que eu estava sentindo por ele estar me encarando se desvaneceu.
_Não, não, nenhum – ele respondeu voltando a me olhar com aqueles incríveis olhos negros semi puxados .
_ Então pode me dizer por que estava me encarando? – perguntei e agora eu já sorria
_ Por que você é bonita, e já faz um tempo em que eu parei de me negar aos pequenos prazeres da vida – eu fiquei meio confusa, já tinha ouvido aquilo – e também por que eu já te vi na escola.
_ Leu A Culpa é das Estrelas? – perguntei lembrando da onde eu já tinha ouvido aquilo.
_ Li sim, mas acho que não é exatamente assim, mas eu gostei da filosofia do Augustus.
_ E você tem uma metáfora como ele também?
_ Não, isso não – ele olhou em volta – então, qual wesen você é?
_ Adivinha? – desafiei
_ Pelo jeito que você me enfrentou e pelo tanto que você é bonita, diria que você é uma Musai – ele disse eu dei risada
_ Passou meio longe viu, na verdade eu sou uma Hexembiest – falei fazendo a cara mais malvado-sedutora que eu conseguia.
_ Huumm, uma bruxinha – ele disse passando a mão no meu cabelo. Olhei pra mão dele com o toque inesperado – deveria saber – ele tirou a mão – é verdade sobre a coisa da mancha na língua? – abri a boca e mostrei pra ele, o que não foi uma atitude muito inteligente, por que a mancha era um coisa um tanto estranha – Ah, sempre quis saber, obrigado
_ Se eu fosse uma Musai, eu já teria te cumprimentado com um beijo – falei, do jeito mais pretensioso possível.
_ Não precisa ser nenhuma Musai pra fazer os garotos te perseguirem, disso eu aposto – ele respondeu retribuindo a pretensão.
_ E então, e você?
_ Eu o que? – ele fez uma cara confusa
_ Que wesen você é? Dãã
_ Ah sim, claro, desculpe, eu sou meio lerdo – ele diz o que fez ele parecer fofo – acho que você nunca vai adivinhar, então tenta.
_ Hum, ok, pelo seu jeito eu não sei exatamente, mas levando em conta o fato de como me atraiu até você, acho que você é um Klaustreich.
_ Acha que esta sendo seduzida por mim por causa do meu interior wesen? – ele sorriu
_ Quem disse que eu estou sendo seduzida por você? – sorri de novo – e além do mais você achou que eu era uma Musai, não é?
_ Mas, não, não sou um Klaustreich, foi por um quase, sou um Blutbad – fiz uma cara de espanto e ele mudou apenas o olho pra um vermelho muito vivo, depois ele piscou demoradamente e os olhos estavam de novo normais
_ Huumm, um lobo mal então – fiz uma cara maliciosa, parece que tudo que eu dizia flertava com ele, o que não era exatamente bom, eu nem conhecia ele direito – eu acho que nunca saberia.
_ É complicado – ele explicou
_ Aposto que sim – confirmei – Então, somos os únicos da escola aqui? – perguntei por que eu raramente me lembrava das pessoas da escola, só se eu as visse com freqüência.
_ Não, ta vendo aquele bando ali? – ele disse apontando pra um seis garotos fechados numa rodinha, até a postura deles era agressiva – São da escola também, mas ficam sempre em cantos isolados, não é difícil adivinhar o que eles são.
_ Coyotlé? – perguntei surpresa, eles são criaturas extremamente desagradáveis, são umas das espécies que eu nunca imaginaria que iria a escola.
_ 1 ponto pra você, aliás, qual o seu nome mesmo?
_ Ah, claro, que grosseria, meu nome é Paloma Blake
_ Samuel Tsui, mas pode me chamar de Sam – sorri em concordância – tudo bem, continuando, aquelas ali – ele continuou dessa vez apontando pra um monte garotas sentadas em umas cadeiras.
_ Seelengut, com certeza, grupos grandes demais. – respondi
_ Elas vão a escola também
_Parece que tem mais wesens na nossa escola do que eu poderia imaginar.
_ Mas agora vamos falar da Hexembiest aqui, nunca conheci uma Hexembiest antes – ele disse me olhando nos olhos como se quisesse me decifrar
_ Eu não sou uma pessoa interessante, eu só estou no segundo ano e leio muitos livros e tenho um irmão, que também é um Hexembiest, é tudo que você precisa saber de mim, por hora, agora me fala de você.
_ Ta eu estou no terceiro ano, moro sozinho, e eu leio às vezes.
_ No terceiro ano e mora sozinho? – perguntei um pouco espantada
_ Blutbaden costumam ter uns problemas, ainda mais os meus pais, que não faziam nem um pouco a linha vegetarianos, e eu tenho 18 anos.
_ Você faz a linha vegetariano?
_ A bruxinha não pratica magia?
_ Eu perguntei primeiro
_ Ok, não exatamente, não como pessoas, mas animais não estão fora do meu cardápio – de algum jeito isso não era nem um pouquinho estranho
_ Ok, eu pratico alguns feitiços às vezes, mas é só pra manter a Hexembiest viva dentro de mim, mas assim como você, o interior wesen da minha mãe, acabou a matando.
_ Sinto muito – ele disse fazendo uma cara de quem meio que não sabia o que dizer
_ Não sinta – respondi para que ele relaxasse
_ Mas pelo menos temos uma coisa em comum, além de termos lido a culpa é das estrelas.
_ Ah, eu ainda não terminei.
_Oh... Então... – ele não teve tempo de terminar antes que um cara subisse num palanque e começasse a falar.
_ Bem vindos, a todos os novos wesens aqui, a nossa sociedade convive pacífica há muito tempo em Portland, e vocês, são a continuação dessa sociedade – olhei pras janelas pra ver se ninguém estava espiando ou ouvindo – se seguirem a linha, poderemos continuar assim por quanto tempo mais nos restar – parei de prestar atenção a partir daí, e eu só dava leves olhadas pro Sam, num meio tipo de comunicação visual, mas minha atenção voltou pro homem quando ele disse – Sendo assim, façamos uma roda — Olhei pro Sam um pouco perdida.
_ Pra que? – perguntei e ele sorriu
_ Todos os novos wesens, tem que sentar numa rodinha e dizer o nome a idade e o que são – ele respondeu
_ Já fez isso antes?
_ Fiz sim, agora é a sua vez, vai lá – ele disse colando a mão no meu ombro e me empurrando levemente.
Uma roda de cadeiras já havia sido formada por algumas pessoas que eu achei serem funcionários do evento, me sentei em uma delas, com duas cadeiras vagas dos lados, na esperança de que Pâmela e Priscila chegassem, mas uma das cadeiras foi ocupadas, antes que Priscila chegasse, Pâmela chegou abrindo a porta de supetão, acenei pra ela e ela se sentou.
_ Ufa! – ela disse – cheguei antes das apresentações, a Priscila não vem
_ Já era de se esperar – falei olhando pro circulo de pessoas, Sam havia ido pro outro lado da sala, mas ele não se sentou por que já havia passo por isso dois anos atrás, só ficou em pé encostado na parede para provavelmente me ver woge pra Hexembiest, Pâmela percebeu que ele me encarava.
_ Aquele garoto esta encarando você – ela disse como se eu não soubesse.
_ O nome dele é Sam, ele é um Blutbad e tem 18 anos – falei
_ Ele é da escola não é? – ela disse surpresa
_ É sim.
_ Um veterano! Agarre-o, antes que a oportunidade fuja — olhei pra ela com uma cara azeda, mas deixei pra lá.
Um homem deu a volta na roda de cadeiras e deu um tapa no ombro de um menino que estava a umas três cadeiras a minha esquerda, acho que aquilo significava que era ele quem começava, não lembro o nome dele, mas sei que ele disse que era um Stangebär, e quando ele mudou lembro que foi uma onda de reações alternadas.
Passaram as três pessoas e daí foi minha vez, me levantei e disse da maneira mais cordial possível.
_ Meu nome é Paloma, tenho 16 anos, e sou uma Hexembiest – todos me olharam ansiosos e então eu mudei e uma onde de “oooh” foi ouvida, sentei de novo e olhei pro Sam ele sorria, depois a Pâmela foi e eu ouvi alguma coisa que mais parecia sons de como quando você vê alguma coisa muito fofa, e era exatamente o que ela parecia.
As outras pessoas foram passando e havia vários tipos, os mais exóticos foram uma Scharfblicke, um Skalengeck e uma menina que me fez ficar um pouco preocupada por que ela era uma Spinnetod, mas ela fez questão de esclarecer que não irá matar nenhum homem, e que vai simplesmente envelhecer mais rápido do que deve, senti pena dela depois disso, mesmo que fosse errado. Também tinha um Balam e o pior de todos foi o Lebensauger, ele disse que não queria mudar, mas o homem insistiu e disse que não devemos negar a nossa natureza, mas sério, eu preferia que ele tivesse ficado do jeito que ele estava, ele não era exatamente feio, mas na forma wesen, eu senti vontade de gritar e sair correndo, a maioria de nós, inclusive eu, ficou tão espantado com ele que nós mudamos involuntariamente, o que não acontece comigo com freqüência, mas ele voltou á forma normal tão rápido quando woge, o que foi um alivio. Depois que todo mundo passou eu percebi que eu era uma das raras por que eu era a única Hexembiest ali, depois que as cadeiras sumiram tão rápido quando apareceram e o homem disse pra nós confraternizarmos, Sam voltou pra mim e eu me adiantei em dizer:
_ Essa é minha amiga Pâmela
_ Ah sim, a Fuchsbau, prazer, Sam, Blutbad – ele disse estendendo a mão pra ela. Eu não gostava de apresentações assim, por que parecíamos pessoas com algum tipo diferente de câncer.
_ Prazer – Pâmela respondeu – Bom, acho que eu vou falar com o outro Fuchsbau que estava na roda, te vejo depois – e saiu
_ Então, o que você ia dizer antes do cara te interromper? – perguntei
_ Ah sim, só ia dizer que quando você tiver terminado o livro, você pode me ligar – ele responde estendo um papel pra mim com o numero de telefone dele...
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