After Human Race.
3 Capítulo 3 - Leigh Ann.
Notas iniciais
Os olhos violeta se fecharam batendo os delicados cílios. Não demorou mais de cinco minutos para que Leigh Ann dormisse profundamente e sonhasse com os dias que mais lhe atormentavam.
Leigh se viu pequenininha, magricela e frágil, com doze anos de idade. Ela se encontrava em uma sala escura, quase negra, e havia apenas um foco de luz, e estava logo acima de sua cabeça. Leigh estava sentada com a cabeça apoiada nos joelhos observando um espelho a sua frente, até que coisas estranhas aconteceram a ela.
Os cabelos que antes era pretos e brilhantes como piche, perdiam a coloração por completo. A medida que ela passava as mãos pelos cabelos, o preto saía mais rápido, dando espaço pra um branco tão alvo que chegava a reluzir. Os olhos azuis céu de tornaram violetas, e Leigh Ann podia ouvir a voz calma de sua mãe ecoar. "É hereditário, querida." Ela dizia mas não estava na sala.
"Bruxa, você é uma bruxa, filha."
"Algumas pessoas são abençoadas com talentos especiais."
"Fica a seu critério para o que vai usá-los."
"Sempre soube que podia esperar grandes coisas de você, querida."
A voz de sua mãe, vinda de não se sabe onde, dizia.
Leigh Ann passou as mãos pelos olhos e viu um tom azulado sair em suas mãos. Ela chorou, e então a cena mudou.
Agora Leigh se encontrava na arquibancada do campo de futebol americano da antiga escola. Ela usava uma blusa branca e um shorts vermelho, o qual era uniforme de educação física. Haviam duas garotas cochichando sobre ela ao seu lado direito. Leigh Ann respirou fundo e ouviu a morena perguntar:
– Onde comprou essas lentes, Leigh Ann?
Leigh ignorou-as. Ouviu a ruiva comentar algo sobre achar a atitude de Leigh Ann uma falta de respeito, e a sentiu se aproximar, ficando muito perto de Leigh. Ela disse:
– Hey, Leigh Ann! Olhe aqui um instante!
Quando Leigh Ann se virou para encara-la, a menina enfiou o dedo indicador em seu olho direito. A ruiva retirou o dedo rapidamente, vendo Leigh cair de joelhos no chão, colocar as mãos sobre os olhos as apertando na região. Leigh Ann urrou de dor e começou a chorar alto, muito alto, de uma forma que todos pararam o que faziam para ver o que havia ocorrido. As duas meninas se afastaram, e então Leigh Ann se levantou sozinha, sem a ajuda de ninguém, com os olhos vermelhos e então uma energia tomou conta de seu corpo, fazendo com que os olhos virassem luz branca.
Leigh Ann acordou em um pulo, suando forte e com Amelia a abraçando e dizendo:
– Leigh, calma! Acorda!
Kaily as olhava assustada na cama que se encontrava a frente da porta do quarto. Leigh Ann sentia sua respiração falhar, e então Amelia se levantou e pegou Kaily pela mão. A menina se assustou e balançou a cabeça. Amelia riu.
– Pode vir, querida.
Kaily se levantou e acompanhou Amelia. Leigh viu Amelia a levar até o pequeno armarinho de cristal que ficava atrás da cama de Leigh, e pegar alguns potes com ervas dentro. Ela os colocou no chão e apontou para eles dizendo para Kaily:
– Kaily, aqui nós temos tipos diferentes de ervas de tratamento, criados por nos duas mas aulas de alquimia. Quero que você passe suas mãos sobre todos eles e decida qual é melhor para nervosismo e ansiedade.
Kaily franziu o cenho e disse:
– Está me pedindo para escolher um remédio?
Amelia sorriu balançando a cabeça em afirmação. Kaily deu de ombros e pensou: "Ok... Vale a pena tentar, né?". Amelia riu e disse:
– Isso mesmo!
Kaily riu e decidiu parar de pensar e fazer logo o que ela pedia. Leigh Ann olhava para a parede a frente de sua cama, algumas lágrimas escorriam e ela respirava com dificuldade. Kaily passou as mãos por um pote pequenininho com mistura amarelada e que parecia ser meio viscoso, fechou os olhos e sorriu.
– Polpa de maracujá! — Ela disse sorridente. — Onde conseguiram? Só se acha em países tropicais e aqui é muito caro!
Amelia sorriu e disse:
– EU SABIA! Kaily, todos esses materiais você consegue na aula de alquimia. E se for boa aluna, Cornelia te fornece coisas a mais.
Kaily sorriu segurando o pote e vendo Amelia a chamar para se sentar na cama de Leigh se levantou e a seguiu. Amelia explicou a ela que ela devia aplicar a mistura no ponto exato onde iria fazer efeito. Kaily estremeceu e olhou Leigh Ann. A menina chorava baixo e respirava com dificuldade, parecia loucura porque Kaily pensava que não tinha habilidade nenhuma para curar ninguém, então ficou segurando a mistura por um bom tempo e olhando Leigh Ann analisou sua fisionomia. Ela tinha um físico meio esportivo, as pernas eram malhadas no ponto certo, os braços também, Leigh Ann era malhada, mas não igual aquelas mulheres bombas que você vê em comercial de vitaminas e equipamentos de ginástica. Ela olhou o colo e então decidiu que era ali mesmo que deveria passar a mistura. Meio sem graça, perguntou:
– Eu posso...?
Leigh Ann cedeu sem pensar duas vezes. Sentiu os dedinhos de Kaily passarem a mistura em seu colo. A respiração foi se acalmando aos poucos, até que Leigh Ann caiu dura na cama. Kaily deu um pulo para trás e Amelia riu. Kaily franziu o cenho e viu Amelia fazer sinal para que Kaily se sentasse na cama da mesma.
– Leigh Ann tem problemas de ansiedade e nervosismo. Toda vez que fica mais nervosa sua respiração falha e ela tem uns pequenos espasmos, é trauma de infância. — Amelia respirou. — Quando aplicamos o medicamento ela dorme como uma pedra. Me desculpe o susto.
Kaily riu.
– Tudo bem...
Amelia olhou o despertador e viu que eram três da manhã.
– É melhor dormirmos, temos muito para conversar, mas de manhã, ok?
Kaily afirmou e sorriu indo se deitar.
A uma da tarde Leigh Ann saiu aula de matemática no terceiro andar e desceu para o almoço. Desceu as escadas meio saltitando, passou o andar dos dormitórios e chegou no térreo. Passou pelo escritório de Cornelia, onde, por incrível que pareça, ela ouvia Chandelier da Sia. Leigh Ann sorriu e andou para a sala onde ao todo vinte e uma meninas almoçavam sentadas em todos os cantos da sala, algumas almoçavam fora, no caso Amelia, Kaily e mais cinco amigas. Leigh Ann foi até a cozinha e pegou um prato. Cumprimentou Joanna, a cozinheira, se serviu com macarronada e salada, pegou o copo de suco de laranja e saiu para a varanda frontal, ou de entrada, como preferirem. Lá ela via Amelia, Kaily, Adrianne, Sia, Isabella e Louise almoçarem. As seus conversavam e riam sentadas em uma mesa de madeira. Sia viu Leigh e a abraçou.
– LEIGH! — A morena de olhos verdes a olhou passando as mãos pelos cabelos azuis e roxos de Leigh Ann. — Soube do ocorrido!
Leigh Ann sorriu e disse tímida:
– Está tudo bem.
Sia a pegou pela mão e se sentou na mesa. Kaily riu e disse:
– Tudo bem, quem são vocês, de onde vieram e como chegaram aqui?
As meninas riram, exceto Leigh Ann que deu um sorriso fraco e estremeceu. Sia começou a falar:
– Okay! Meu nome é Sia Andrija, sou da Croácia. Eu tenho dezesseis anos e possuo telecinese, aquela que você movimenta coisas com o pensamento, sabe? Bem, eu cheguei aqui com dez anos porque joguei um giz na cabeça de uma menina que me irritava. A professora acho estranho o giz ter se voluntariado a parar na cabeça da menina, e ligou para minha mãe, americana nata, que se mudou pra Croácia em condições de trabalho. Ela estudava aqui, e quando viu que não dava mais pra continuar em meio aos humanos, eu vim pra cá.
Kaily sorriu.
– Que história interessante! — Ela disse vendo Sia dizer algo em Croata. — Sua vez Isa!
A mais baixa de todas sorriu e prosseguiu:
– Bem, meu nome é Isabella Bartollini, e eu sou americana, não se enganem, por favor. — As meninas riram. — Meu pai é bruxo italiano, e veio pra Nova York abrir um restaurante chamado Carmine, perto da Times Square. Já a minha mãe é bruxa filha de imigrantes italianos. Eu possuo o dom do fogo, e as pessoas fazem piada disso quando fico nervosa. Cheguei aqui com catorze anos por colocar fogo na escola sem querer.
As meninas riram, e Leigh Ann continuou calada comendo. Amelia a observou.
Adrianne levantou as mãos e disse:
– Minha vez! Meu nome é Adrianne Howl, e eu vim parar aqui por que eu consigo fazer transmutação. Meus primos me chamaram de bruxa por trapacear durante um pega-pega, e aqui estou eu. Sou do norte da California.
As meninas riram, e foi a vez de Louise.
– Bem, meu nome é Louise Girould, eu sou americana, nascida em Washington, e minha mãe é francesa. Eu apareci aqui porque usei o concilium, o controle da mente, para fazer com que uma pessoa de batesse na cara durante uma briga. Resultado: Minha diretora caçadora de bruxas me achou.
As meninas arregalaram os olhos e se viraram para Leigh Ann. Ela engoliu seco e olhou para o chão. Amelia se virou para ela e disse:
– Leigh... Não precisa falar, okay?
Leigh Ann assentiu e disse:
– Meu nome é Leigh Ann Romênestî... Bem, minha família é romena, e eu possuo o dom da divination, assim como a Amelia, sou clarividente. Eu vim parar aqui porque com doze anos eu... Eu perdi a cor do cabelo, que passou de preto para branco, e meus azuis dos olhos viraram violeta, a partir dai minha mãe achou melhor eu vir pra cá, porque as pessoas começaram a me pressionar devido as mudanças. É...
As meninas ficaram caladas, até que Amelia disse:
– Bem, eu sou Amelia Landau, eu sou de Los Angeles, bem pé na areia mesmo. — As meninas riram todas agora. — Eu fui descoberta quando li os pensamentos do meu professor de matemática, que jurava que não sabia porque virara professor e nos amaldiçoava mentalmente. A partir dai, minha mãe percebeu que minha divination havia se aflorado, eu comecei a ver e ouvir gente morta, ela achou melhor e vir pra cá.
As meninas gargalharam. Amelia olhou Leigh Ann, que sussurrou um: Obrigada. E as duas sorriram.
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