After He Returned
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Doña Ana pov:
Senti-me incômoda com Don Octávio entre minhas pernas. Ele passava algum tipo de pano áspero e úmido entorno de minha intimidade. O produto que deixava o pano úmido fazia com que a dor da minha virilha se transformasse em um ardor profundo e agudo.
Olhei em volta e percebi que estava em nossa casa, em nossa cama. Era quase reconfortante. Quase, pois meu marido e minha filha não estavam aqui. Fiquei inquieta e Don Octávio viu que eu estava acordada.
– Ana! Graças a Deus! – Ele disse com alívio. Eu queria me levantar e ir até Juan e Anita aonde quer que estivessem. Então mexi minha perna e a dor e ardência em minha virilha foram quase imediatas. – Calma Ana. Deixe que eu termine de te tratar, tudo bem?
– Sim, Don Octávio. – Eu falei baixo e ainda fraca. – Mas... onde está... Juan?
Don Octávio sai do quarto em um átimo. Logo eu o ouço dizer “Juan! Ana está acordada!”. Ele parece gritar da porta da frente. O que meu marido estaria fazendo lá fora? No frio? E só? Ouço passos como quem corre e ele aparece na porta de nosso quarto de repente. Lindo, assustado, angustiado e aliviado. É quase um milagre quando o vejo.
– Ana... – Ele fala quase inaudível. Aproxima-se e se senta na cama muito próximo a mim. – Ana. – Ele repete, e eu sinto seu hálito quente e suave em meu rosto. Ele disse quase como uma reverência.
Juan toca meu rosto com sua mão esquerda e eu me sinto confortável novamente. Como voltar para casa. O lugar ao qual pertenço: Seus braços. Eu o olho profundamente. Não consigo deixar seu olhar. A morte seria nada comparada à não ter Don Juan. Ele vem até mim e envolve seus braços em torno delicadamente. Eu ponho meus abraços em suas costas e minha testa em seu pescoço. É o paraíso sentir o cheiro que a pele de Juan produz. Não existia nada. Nada além de nós. Mas como um asteroide, um nome me atinge.
– Anita... – Falo e meus lábios tocam Juan. Ele arrepia com o contato de meus lábios frios em sua pele tão quente e eu o sinto sorrir em meu cabelo.
– Ela está bem, mi vida. Está con Doña Lucinda. A deixei lá antes de lhe procurarmos. – Ele sussurrava em meu ouvindo, tranquilizando-me. O alívio me invade e eu relaxo um pouco mais.
Juan afasta sua cabeça – sem me soltar – para me olhar. Ele examina cada centímetro de meu rosto. “Como está se sentindo” eu penso que ele tenha sibilado isso. A visão de Juan tão perto de meu rosto, olhando-me com precisão, me faz esquecer momentaneamente minhas dores. Segurei o rosto de Juan e o trouxe para mim e nossos lábios se conectaram. Eu precisava sentir aquilo para saber se era real. De uma forma estranha, eu ainda achava que estava morta afinal. Nos beijamos com carinho, delicadeza e com amor. Don Juan me beijava com afeto e necessidade e quando me mexi, não pude conter o gemido de dor que veio de minha intimidade e rompi o beijo.
– Ana, você ainda está muito machucada e eu tratei o melhor que pude de seus cortes. – Diz Don Octávio, fazendo-me perceber sua presença. Cortes? – Você tem de se mover o mínimo possível, ok?
Juan não tira os olhos de mim nem se quer um segundo quando respondo:
– Sim, Don Octávio. – Minha voz sai um pouco menos fraca.
– Certo. Bem, eu vejo que está se recuperando agora que seu remédio chegou. – Ele diz com humor, se referindo á Juan. Sem dúvida ele era a minha cura. – Então vou indo para casa. Amanhã voltarei para ver como você está.
Relutante, Juan me deixa, se levanta e vai até Don Octávio.
– Juan, cuide dela, tudo bem? Os cortes devem ser bem limpos e secos. Certifique-se disso, ta bom? – Diz Don Octávio com preocupação. Ele era como um anjo em nossas vidas.
– Claro, Don Octávio. Vou eu mesmo cuidar disso, não se preocupe e muito obrigado. Por tudo. Mesmo. – Juan enfatiza cada frase agradecendo Don Octávio.
– Não por isso meu amigo. Mas por termos Ana de volta. Viva. – Ele retribui e sorri com satisfação.
– Muito obrigada Don Octávio. Serei-lhe eternamente grata. – Eu falo pausadamente. – E dê um beijo de boa noite em Anita por nós. Por favor.
– Pode deixar, Ana. Descanse, querida. Anita está segura, não se preocupe. Boa noite. – Ele se despede me tranquilizando mais uma vez. Eu aceno e Juan e ele saem pela porta.
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