After Happily Ever After
1 Capítulo I
Notas iniciais
Boa leitura!
Nos fundos do castelo distante e sombrio da Madrasta Má, ouve-se uma conversa:
— Desculpa-me, Espelho, mas tu não me és mais útil. – ela profere sem compaixão.
— Só podes estar a brincar, minha Rainha. Estive contigo desde sempre. Sei tudo sobre ti, não podes fazer isto! – o Espelho fala com certo desespero e decepção.
— Nada tens a opinar.
— Mas... disseste que fui teu melhor servo. – ele agora comenta desolado.
E com este comentário, o pobre Espelho é arremessado na rua de pedra, ignorado pelos transeuntes, apenas observando a Rainha virar-lhe as costas e sair da vista de quem quer que passasse. A tristeza que sentia era tanta, pois jamais esperou ser tratado tanto desprezo.
Alguns anos depois, com esforço e, há quem diga, um bocado de sorte, o Espelho consegue rearranjar sua vida na modernidade: tornou-se um psicólogo.
Em uma bela noite, num consultório simples, porém arrumado, com um divã e luz baixa, estava o Espelho a esperar seu próximo cliente.
- Doutor Espelho Mágico, a princesa Rose chegou.
A princesa entra, com seu jeito delicado e seu olhar forte e determinado, e deita-se no divã.
- Boa noite, Rose, estou feliz em finalmente conhece-la. – o Espelho comenta com ponderação – Desculpa-me não poder ter ido ao teu casamento.
- Oh, tudo bem... Já faz dois anos.
- Algum filho?
Ela sorri com certa tristeza brincando nos lábios:
- Não que eu saiba.
- Eles são uma bênção, verás.
Um silêncio curto se segue até que ele comenta:
- Então, o que te traz aqui? Onde está James?
- Ele está quase chegando, eu espero.
- Atrasado?
- Não! Quer dizer, sim. Nós brigamos. – ela explica desanimada.
- Uma briga, certo. Elas são comuns?
- Bem... de certo modo, sim. Temos brigado assim já faz alguns meses.
- Não existe nem um modo de um dos dois ceder e se desculpar com o outro?
- Ele é teimoso! Sempre dormindo ou brincando, eu costumava amá-lo dessa maneira. Oh, Espelho... não quero perde-lo.
- Rose, ele não vai a lugar algum, mas é normal que as pessoas caiam na rotina. Diga-me, quando foi a última vez que saíram juntos?
Do lado de fora do consultório, escuta-se uma voz masculina apressada. Era James. Ele entra na sala já pedindo desculpas por seu atraso.
- Olha, me desculpem mesmo. – ele gesticula com dramaticidade.
- Olá, James – o Espelho o cumprimenta.
- Olá, Espelho, não te vejo há tempos, cara! – o príncipe se senta ao lado de sua esposa, beijando-lhe a testa.
- Por que demorou tanto? – Rose pergunta a James.
- Ah, eu e o Tapete... É uma história engraçada.
- Não quero ouvir. – ela responde virando a cabeça.
- Bom, que pena. – ele rebate.
- James. – o Espelho diz.
- Sim?
- Rose estava prestes a me contar o porquê de os dois estarem aqui.
- Então, continue, Rose...
- James ainda é o mesmo cara que me pediu em casamento!
- Onde? – o profissional pergunta interessado.
- No céu. – ela pensa no momento à medida que fala ao Espelho, e começa a levantar-se e a andar pelo consultório.
James está no teto do palácio, diante do Tapete Mágico.
- Tudo bem, Rose! Você pode vir.
Ela se senta no tapete.
- Um piquenique. Eu teria trazido algo se vo-
- Shhh, não se preocupe, nós daremos um jeito se algo faltar. Quer segurar minha mão, senhorita?
O tapete começa a flutuar lentamente.
- Está se mexendo! Como isso é possível?
- É emprestado, relaxe. Tente aproveitar o voo.
- Voo?
Assim, o tapete decola noite adentro.
- Para onde está nos levando?
- Você vai ver. – James sorri confiante.
- É seguro? – ela pergunta olhando para baixo, vendo os detalhes do reino e segurando-se ao braço do príncipe.
- Bem, espero que sim...
- Está me dizendo que nunca voou em um desses trecos? – ela disse assustada.
- Não é tão difícil... Só é preciso dizer: “Tapete, mais alto!”.
O tapete eleva a altitude ao entender o comando.
- Não o mande mais alto!
- Tapete, estabilize.
Mais calma, Rose fala baixinho:
- Bem melhor.
Ela se encosta em James e sem que ela veja, James tenta retirar do bolso um anel.
- Sabe o que eu gosto? – ela fala subitamente, assustando-o.
- O quê? – ele pergunta um pouco sem ar.
- Como você traz magia à minha vida.
- Como assim?
- Sabe quando a vida de alguém está repleta de mágica? Convivendo com fadas, tendo um gênio, morando no mar e tal... E eu não tenho nada especial, a não ser você.
- Sendo assim, estou feliz que trouxe esse assunto à tona. – ele se prepara para falar.
- Por quê? – Rose indaga com curiosidade.
- Porque existe algo que venho querendo te dizer. Rose, nada é mais mágico do que você. Eu nunca tive uma vida de sortilégios. Eu conheço várias pessoas que tiveram e eles viram tantas coisas tão fascinantes, mas você... – ele exibe a aliança – Você é mais especial do que mil lâmpadas mágicas. Estou pedindo para que você seja minha magia para sempre. Você quer ser minha princesa? Hein?
- Eu vou cair do Tapete se disser não? – ela fala com humor e emoção.
- Definitivamente, não. – ele responde no mesmo tom – E então, qual sua resposta?
- Sim. Com certeza, sim.
Então, Rose termina de falar com um sorriso nos lábios, encarando o chão.
- Isso é lindo – o Espelho diz – O que vocês gostam de fazer?
- Para ser honesto, nós não saímos para fazer algo legal já faz um tempo. – James responde, refletindo.
- Bem, vocês devem lembrar que ainda existem coisas para aprender um sobre o outro, certo? Não escondam nada um dou outro, além de tudo, vocês também são amigos.
- Eu sei. – Rose comenta.
- Façam valer os dias seguintes a este, porque eles valem. – o Espelho articula.
James e Rose saem do consultório e ao passarem pelos assentos de espera, onde outros casais amigos estão, uma conhecida os fala. É Cinderela.
- Cinderela! Não acredito que é você! – Rose comenta animada.
- Nem me diga!
- Ei, Cindi! Onde está o Encantado? – James pergunta.
- Bem, ele está... meio ocupado com...
Cinderela afunda o rosto no peito de James, chorando. Ele afasta cabeça dela e a põe no colo de Rose.
- Ah, querida, sente-se aqui. – Rose a abraça.
Os três andam até as cadeiras e sentam.
- Eu sou tão tola! Eu... eu já devia saber. O Encantado está me traindo.
- O quê?! – Rose e James falam ao mesmo tempo, surpresos com a revelação da amiga.
- Com minha própria meia-irmã!
- Espera, como? O Encantado? Na real, você não pode estar falando sério! – Rose fala indignada.
- Eu estou! E não me chame de Nara Leão!
- Mas eu o conheço! Isso deve ser um erro. Me diz, como você descobriu? – James tenta defender o amigo.
- Bem, eu estava olhando as coisas dele quando encontrei um sapatinho de cristal! Ele nunca me compra nada... – ela responde.
- Nunca? Que pão-duro! – James pensa alto.
- Continue – a miga pede, querendo saber mais.
- Ontem eu vi minha irmã usando o sapatinho. Acredita? O traidor deu-o a ela.
- Tem certeza? Encantado não faria tal coisa, eu o conheço. – Rose tenta mudar a opinião de Cinderela.
- Ah, Rose, todos os homens são iguais. Desculpa-me, James, mas é verdade. A Fera deixou a Bela porque ela não tinha o mesmo corpo depois que o filho deles nasceu.
- O quê? Ele?
- Não só ele, todos são assim.
Cinderela se aproxima de Rose e comenta:
- Eu não sei por que você está aqui, mas deve ter sido algum problema com seu casamento. Outros casais estão no mesmo barco. Escuto todo tipo de histórias, tipo-
- Senhorita Cinderela e Príncipe Encantado, podem entrar. – A assistente do consultório chama.
- Parece que tenho que ir. Por favor, amanhã estou dando um jantar, passem por lá. – Cinderela informa e vai à sala.
Notas finais
Me digam a opinião de vcs, pls!!
Beijinhos :B
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