After Ever After-Interativa
32 Chapter XXX - Sobre Líderes e E.T.'s
Notas iniciais
Sinto alguém bater no meu ombro violentamente por trás, soltando em seguida:
– Vê por onde andas, ó extraterrestre! – Não reconheço o rapaz, mas o empurrão quase me deitou ao chão de tão forte.
Excelente, Pelekai. Dois dias na escola nova, e já tens a tua fama arruinada.
Ok, eu sei que foi estúpido da minha parte levar o Babyfier às escondidas para a escola no primeiro dia de aulas, mas eu estava com medo de me sentir sozinha! Pelo menos assim teria a companhia dele sempre que fosse ao escaninho no intervalo. Não tenho a certeza de como descobriram que ele lá estava, mas foi uma sorte não ter chegado aos ouvidos da diretora. Assim, em vez de um castigo, recebi o título de extraterrestre.
Continuo o meu caminho para a biblioteca da escola para procurar o livro sobre genética que tio Jumba me tinha pedido.
– Hey! – ouço alguém chamar, mas julgo que não é para mim já que o corredor estava cheio de gente. – Hey, Kailani!
Viro-me para trás reticente, até perceber que quem me chama é Azaleh Haddock e não novamente alguém a querer comparar-me com um E.T.
– Hey! – Cumprimento feliz por finalmente ver alguém simpático.
– Vais para a biblioteca? – pergunta a morena andando comigo.
– Sim, preciso de um livro.
– Vou contigo então. Tenho de esperar até às cinco para apanhar carona do Finn.
Como não sei o que devo responder limito-me a acenar.
– Então, como está a correr o novo ano? – pergunta.
– Tudo bem – minto. Não está nada bem. Esta deve ser a conversa mais longa que tive nos últimos dois dias.
– Tenho de admitir que está a ser bem melhor do que eu esperava – diz – Quer dizer, é um bocado exigente, mas os afterschool clubs são maneiros. Inscreveste-te em algum?
– Não, ainda não.
– Por quê?
– Ah, não sei, não acho que seja coisa para mim. – digo enquanto me sento numa das mesas da biblioteca vazia.
Azaleh encolhe os ombros e solta:
– É pena, gostava de ter alguém conhecido no clube de teatro. Pelo menos seria mais fácil de aturar a Destiny Snow e a sua necessidade de atenção. – dou um sorrisinho a esta última observação. Por alguma razão parece que os Haddock têm um ódio particular pela Destiny. Não percebo bem porquê, daquilo que eu vi na festa dos Montgomery ela parece-me ser alguém totalmente normal. Apenas mais bonito e altivo que a maioria.
– A que horas é que os teus irmãos chegam? – pergunto para evitar o silêncio.
– Hum, Finn sai do basquete às quatro e meia, e o jornal fecha por volta das cinco, por isso a Lanna vem ter conosco por volta dessa hora. E tu quando é que tens de ir?
– O meu ônibus só passa às seis e meia, por isso fico cá até essa hora.
– Meu Deus, tão tarde! Queres uma carona? Tenho a certeza que o Finn não se importa de te deixar em casa.
– A-a- Pode ser, obrigada – Espero que não pareça que me estou a aproveitar deles, já que já será a segunda vez que me dão carona mal me conhecendo.
Azaleh sorri. O telemóvel dela toca, rendendo-nos um olhar de censura do bibliotecário, o Sr. Orloge. Apesar disso, ela atende o telemóvel como se nada se passasse:
– Finn? Já saíste?... Ok... Estou na biblioteca com a Kailani... A propósito podes dar-lhe boleia? Ok... Sabes da Lanna?... – Por esta altura relembro-me que é falta de educação ouvir as conversas dos outros, então decido fazer aquilo que me trouxe à biblioteca em primeiro lugar.
Dirijo-me à prateleira de livros científicos e procuro qualquer coisa que me pareça ter a ver com genética e vida artificial. Leva-me alguns minutos a encontrar o que quero, pois a biblioteca é bastante grande e a secção que procuro não está propriamente evidente.
– Hey! – Diz uma voz por trás de mim, pregando-me um susto enquanto eu me esticava para tirar um livro das prateleiras de cima. Obviamente que o susto me faz vacilar e quase levar com a massa de papel em cima se não fossem o reflexos rápidos de Finn, que aparentemente foi quem me cumprimentou. – E ainda dizem que os livros são uma fonte segura de conhecimento – brinca ele, analisando a capa do livro. –''O ABC da Genética''? – pergunta estranhando o título.
– Não é para mim – explico, estendendo as mãos para que me devolva o livro.
– Ok, agora só falta a Lanna – diz Azaleh, enquanto chega perto de nós, também ela com um livro em mãos.
– Preciso de falar com ela – começa Finn – A equipe de basquete precisa de angariar interessadas para serem líderes de torcida.
– Achas mesmo que a Lanna está interessada? – pergunta Azaleh a rir-se.
– Por que não? Ela gosta de dançar não gosta?
– Torcida e dança não são a mesma coisa. E que tipo de irmão és tu? Queres que a tua maninha mais nova ande por aí a fazer piruetas com roupas minúsculas? – Finn parece pensar mais um pouco sobre o assunto, e devo admitir que Azaleh havia feito seu ponto.
– Não é assim tão mau – digo, deixando-os visivelmente espantados – Quer dizer, eu fui líder de torcida durante uns meses na minha antiga escola e até era engraçado. E as roupas não são assim tão curtas. Têm até shorts por baixo.
Azaleh continua descrente, mas Finn está agora a sorrir para a irmã com cara de: ''Vês? Eu disse-te''.
– Agora que já temos a primeira recruta nem faz diferença a Lanna querer ou não – diz ele.
– Mas... ah... eu não sei... eu não sei se posso. – digo, totalmente apanhada de surpresa.
– Qual é o problema? Se já tens experiência ainda será melhor. – Ok, não é uma má ideia, mas detesto ser pressionada.
– Vou pensar nisso. – desconverso.
– Finn, não sejas chato, ela não é obrigada a ser líder de torcida agora só porque já o foi antes. – Diz Azaleh em minha defesa – E para além disso já vai estar ocupada com o clube de teatro.
Olho estupefata para ela, pronta a desmentir o que acabou de dizer mas não chego a fazê-lo porque Alanna entra de rompante na biblioteca, roubando toda a nossa atenção, assim como a do Sr. Orloge – que inclusive voltou a dar um daqueles seu olhares de repreensão à forma como Alanna bateu a porta.
– Podemos ir! – Diz a ruiva chegando perto de nós – Hey Kailani! – cumprimenta animada ao ver-me, e eu correspondo com um ''olá''.
– Ok, só temos de pedir a requisição do livro – diz Azaleh, apontando para o livro em suas mãos.
Sigo-a até a secretária de Sr. Orloge e uns muitos depois estamos já fora da biblioteca, andando em direção ao carro dos Haddock – que desta vez não era uma picape, logo nada de viagens ao ar livre na traseira do carro.
Enquanto Azaleh e Lanna discutem por quem é que vai no lugar da frente ao lado do condutor, eu dirijo-me à porta de trás para ir entrando, mas Finn abre a porta antes de eu conseguir fazê-lo. Sorrio-lhe em agradecimento e ele retribui com uma piscadela discreta. Azaleh é quem acaba por se dar por vencida e dá a volta ao carro para se sentar a trás comigo.
Assim que que Finn liga o carro, Sif (como Alanna pediu para lhe chamar) liga o rádio e revira todas as estações à procura de algo para que lhe agrade até que para finalmente e se ouve:
''Yo I'll tell you what I want, what I really really want,
So tell me what you want, what you really really want''
– Não! – grita Finn, tentando desligar o rádio e prestar atenção à estrada ao mesmo tempo.
Alanna mantém as mão dele afastadas, enquanto canta junto com Azaleh:
''I wanna, I wanna, I wanna, I wanna, I wanna really
Really really wanna zigazig ha.
If you want my future forget my past,
If you wanna get with me better make it fast,
Now don't go wasting my precious time,
Get your act together we could be just fine.''
Eu não consigo fazer mais nada do que rir descontroladamente tanto da cara de sofrimento de Finn como do modo exagerado como elas cantam só para irritar o irmão.
– Vá lá, Kai! – diz Alanna de joelhos no banco, virada para trás numa posição totalmente perigosa – Eu sei que tu sabes!
Oh, meu Elvis, perdoa-me por isto!:
''I'll tell you what I want, what I really really want,
So tell me what you want, what you really really want,
I wanna, I wanna, I wanna, I wanna, I wanna really
Really really wanna zigazig ha.''
Cantei alto com Sif e Azaleh até ao final da música (para infelicidade de Finn), fazendo desta viagem de carro o melhor momento que tive nos últimos dias. E quando vinte minutos mais tarde o carro parou mesmo em frente a minha casa, nem um mergulho no mar me fazia querer sair.
– Obrigada! – agradeço pela terceira vez, mas tia Nani sempre diz que educação nunca seria demais.
– De nada, sempre que precisares – diz Finn – Fica perto de nossa casa de qualquer forma – dá novamente uma das suas piscadelas.
– Não te esqueças que amanhã almoças comigo para irmos juntas para o auditório – relembra Azaleh do banco de trás. Nem me lembro de quando aceitei entrar para o grupo de teatro, mas paciência, acho que neste momento a minha adoração por esta família me tornou incapaz de pensar em condições. E, num segundo plano, eu secretamente considerava tentar a equipe de líderes de torcida também.
Aceno em concordância para Azaleh e despeço-me acenando enquanto o carro se vai afastando.
Talvez, quem sabe, as coisas comecem a ser melhores agora.
Festus havia chegado em casa morto de felicidade naquela tarde, enquanto Max parecia levemente chateado. Meu irmão mais novo começou a gritar pelos meus pais no momento que entrou, enquanto o mais velho parecia querer chutar alguma coisa, o que me fez rir de leve. Do meu lugar no sofá, assistindo a última temporada disponível de Supernatural, ouço Festus contar, extremamente eufórico, para Will e meus pais que ele havia sido escolhido co-capitão do time de basquete alado da escola. Levanto as sobrancelhas e grito um "Boa, Fest!", em reconhecimento ao menino, mas Max me olha feio de seu lugar ao meu lado.
– Que foi? – pergunto, embora saiba exatamente o que era – Só estou parabenizando nosso irmão. É uma grande conquista para ele.
– Muito engraçada – ele ironiza, ainda jogado no sofá – Era para ser minha conquista. Sabe que eu precisava disso pro último ano.
– Para ganhar uma bolsa integral pelo basquete em Wonderland e sair de casa, blá-blá-blá – interrompo-o, sabendo que o enervaria, mas não ligando – Eu sei, Max. Mas olha, o mundo não gira em volta de você.
– Verdade, gira em volta de William e Festus.
– Deixa de ser dramático. Até tu tens de admitir que Fest é o que tem mais qualidades de liderança dentre nós quatro – continuo – Ele provavelmente mereceu.
– Mas ele ficou de armador e co-capitão! – meu irmão reclama – E eu fiquei só de escolta, como se fosse um pedaço de nada!
– O escolta é muito importante, sabes disso.
– Humph. Eu queria mesmo era ser armador or pivô, e tu sabes disso.
–O mundo não gira em volta de tu, maninho, e tu deveria saber disso – brinco, mas ele me fulmina – Quem é que ficou de pivô? – desconverso.
– Finn Haddock – ele diz, um pouco de desfeita na voz – O garoto é bom. Tem potencial, mas...
– Mas você se acha melhor – o completo, o que me rende um olhar fuzilante – É a verdade.
– Pelo menos não sou eu que vou ter a cara quebrada por meninas e bolas de vôlei amanhã – meu irmão devolve, antes de se levantar e sair abruptamente da sala.
– Espera, o que é que queres dizer com isso? – pergunto, mas ele já está saindo – Max! Volta aqui!
Ele me ignora, como de hábito. Momentos depois é Will que entra na sala.
– Vês? É por isso que prefiro você à ele – reclamo, e meu irmão ri baixo.
– Não, Royal, não prefere.
– Tá, talvez não – admito, rindo – Mas ainda é uma companhia melhor.
– Se serve de consolo, você é a melhor irmã que tenho – ele se ri, e eu mostro língua – Vês? É isso que recebo por ser gentil. Acho que é por isso que Max não é.
– Ha. Ha. Ha – ironizo – É isso que você ganha por ser um idiota, Will.
– Que seja. Pelo menos sou um idiota que sabe do que Maximillian estava falando – retorque, antes de sair andando porta afora.
– Ei, Will! Calma, não vai! – grito, mas é inútil. Por mais opostos que parecessem, os gêmeos tinham muitas atitudes parecidas. Só as intenções por trás é que eram diferentes.
Festus, minha última esperança, se joga no sofá, radiante de felicidade. Eu olho para meu irmão, séria, e ele engole em seco.
– O que houve? – pergunta, se sentando propriamente. Eu seguro seu pulso, e seu semblante mostra medo e confusão – Royal? Me solta.
– Sem essa – continuo segurando seu pulso.
– Royal, você tá me assustando – ele insiste, os olhos arregalados – Me solta.
– Não antes de você me falar sobre o quê Max e Will não quiseram contar.
– O quê? Como eu vou saber das coisas de Will e Max?
– Max me disse algo sobre não ser ele a ter a cara quebrada pelas meninas do vólei amanhã.
Ele engole em seco mais uma vez.
– Royal, me solta. Vai ficar roxo – tenta desconversar, e dou meu sorriso mais perverso.
– Você sabe o que é.
– Royal, me solta.
– Festus, me conta.
– Eu prefiro que você me machuque amanhã, Royal – opina, assentindo várias vezes rápido. Festus tinha essa energia nervosa dentro dele, e eu via que ele começava a tremer – Sério. Eu preciso da mão para jogar, escrever, etcetra.
– Festus O’Crown, por que raios eu vou querer te agredir seriamente?
– Royal, sério, solta meu braço.
– Festus – eu digo, tentando atrair sua atenção – Essa é a última vez que eu vou perguntar, ou chamo a mamãe. Por que eu vou ficar enervada amanhã?
Ele engole uma grande porção de ar, e finalmente foca seu olhar em mim. Quase senti quão ruim seria antes de ele falar.
–x-x-x-
– Como assim, cheerleading? – uma garota ruiva, que eu concluo ser Alanna Haddock pelo nome no uniforme, pergunta enquanto sobe seus meiões – Você está dizendo que os meninos do time de basquete alado vão pedir que a gente faça cheerleading nos jogos deles?
– Não é tão ruim quanto parece – Apple opina, mas a maioria parece discordar – Olhem bem, vai ser divertido. E vamos ter uniformes legais.
– Legais? Eles são ridículos – Charlotte Montgomery a contradiz.
– Charlie, não são tão maus assim – sua irmã devolve – E eles vestem bem. Além do que só precisaríamos usar nos jogos.
– Desculpa, Rosemarie, mas eu preferiria nunca ter de usá-los – uma garota oriental, Mei Lin, fala.
– Eu só faria isso se desse crédito o bastante para que perdêssemos aulas para treinar – Catelyn se pronuncia – Não que eu goste da idéia mais do que Mei.
– Olha, eu lhe garanto os créditos – o treinador Olympia apareceu, Finn e Festus ao seu lado – Se quiserem mesmo, eu falo com a diretora e podemos ajeitar tudo para que percam as aulas de Educação Física.
– Mas é minha aula favorita! – Mei e Charlotte reclamam, quase que em uníssono.
– Eu posso ensinar os fundamentos da ginástica, se quiserem, embora seja pouco provável que consigamos algo avançado na nossa faixa etária – Apple comenta, e eu quase rio.
– Isso não pode ser sério – digo, arregalando os olhos, meio exasperada. Cheerleading? De jeito nenhum.
–Considerem bem – Festus coloca, enquanto Finn Haddock mantém uma postura de apoio – São créditos para passar em Educação Física, uniformes e pompons legais desenhados especialmente para cada uma de vocês, viagens para vários lugares no intuito de acompanhar os jogos e os meninos do nosso time ainda ficam devendo uma para todas vocês.
Um silêncio cai sobre o lugar quando meu irmão se cala, mas o treinador faz questão de quebrá-lo.
– Todas a favor?
Rosemarie e Apple rapidamente levantam as mãos, e são lentamente seguidas por Catelyn e Mei Lin (insira pontos de interrogação aqui). Alanna e o irmão conversam rapidamente com o olhar, e posso ver que ele está quase que suplicante quando a ruiva levanta a mão. Meio contrariada, Charlotte segue a irmã, me deixando como a única contra aquele ultraje.
– Estão cometendo um erro – comento, mantendo meus braços cruzados.
– Se seis de sete estão cometendo um erro, ele deve ter um fundo correto – Apple sorri de leve, provavelmente feliz por ser líder de torcida. O pensamento, porém, me enoja. Um silêncio cai, sobre nós, mas Mei Lin o quebra, apontando para meu irmão em postura de desafio:
–E não pensem que escaparão. Iremos cobrar o favor – diz, o que não surpreende meu irmão. Pelos quinze anos de convivência com Festus, dava pra praticamente ler sua alma: ele adorava aquela menina.
Finn também sorria, feliz por terem conseguido seu time de líderes, mas olhar para eles me dá vontade de jogar a bola em minhas mãos direto na testa do meu irmão. Se ele queria jogar esse jogo sujo, iria descobrir em breve que eu era uma exímia jogadora.
x-x-x
Depois de um dia inteiro de aulas, a cena na quadra de vôlei e a prática logo depois daquilo, eu me sentia exausta o suficiente para chegar em casa, tirar Festus abruptamente do banho, tomar minha ducha fria e fazer bind-watching de qualquer série até dormir. Mas, como a vida era difícil, tinha de esperar que William acabasse o papo com um garoto do clube de teatro para que ele me desse carona até em casa.
Era como se o mundo estivesse contra mim.
Então eu estava sentada na fonte do jardim frontal da escola, ouvindo música no volume máximo, logo após Ray se despedir de mim e entrar para o clube de culinária. Raymond McFrog era um dos únicos amigos que eu tinha (por ser o único que me aturava), embora ele se parecesse muito com William. Eu o conhecia havia algum tempo, e ele era legal. Me entretinha e não reclamava de mim, o que bastava.
Então esse garoto, que eu nunca tinha visto, se sentou ao meu lado. Ele tinha um cabelo negro como o ébano, os olhos pequenos e a pele de um tom oliva. Se vestia como eu, completamente de preto, e o gorro em sua cabeça era da mesma cor que o meu. Ele provavelmente era uma versão masculina e morena de mim mesma. Olhei para sua mão, que batia no ritmo do que ele ouvia (estava de fones), e constatei que, muito provavelmente, estávamos ouvindo a mesma coisa.
– Não brinca – disse, fazendo com que ele olhasse para mim, obrigando-o a tirar um dos fones.
– Disse algo? – ele perguntou, estranhando.
– Você também gosta de My Chemical Romance? – perguntei, meio eufórica.
– Não brinca – ele me devolveu – My Chemical Romance é a-
– Melhor banda de todas – eu o completei, os olhos arregalados.
– Meu nome é Sebastian Skellington – ele se apresentou, estendendo a mão, e pude reparar na luva de dedos cortados antes de apertá-la.
– Sou Royal O’Crown – apertei-a, sentindo a energia que eu notara em Festus no dia anterior percorrer meu corpo. Ele sorriu, embora parecesse meio sinistro sorrindo.
– É um enorme prazer, Roy-
– Ollie! Bora, ainda temos de ir na concessionári- uma menina ruiva apareceu de dentro do prédio, gritando e interrompendo o garoto –Eu interrompi de novo?
– Sem problemas, Tine – ele sorriu para ela, e se pôs de pé – Irmã mais nova, tenho de ir.
– Bom, foi um prazer, Sebastian Skellington – eu digo, me colocando de pé também ao ver William e Tristan Smith saindo pela mesma porta de onde a ruiva viera, e sorrio.
Ele faz o mesmo, colocando um dos fones.
– Igualmente, Royal O’Crown.
E foi embora. Simples assim, aquele garoto havia feito meu dia.
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