After Ever After-Interativa
28 Chapter XXVI-Coisas Estranhas Que Sempre Acontecem
Notas iniciais
Não sei exatamente se devo me sentir chateada quando, ao chegar no refeitório, encontro Aria sentada com dois garotos e Freddy com o que parecem ser novos amigos, enquanto Matthew não pode ser visto em lugar algum. Suspiro. Eu era novamente a loba solitária.
Pego o meu lanche dentro da mochila, um sanduíche de pasta de amendoim com geleia de morango. Fincado nele, um palito segura um bilhete de minha mãe: 'tenha um bom dia, Cat! Te amamos muito!'. Ler ele me faz rir internamente. Aquilo era tão a cara da minha mãe.
Me sento numa mesa no fundo do refeitório, a única vaga, sozinha. Começo a comer meu pão de forma e beber o suco de laranja que eu tinha trago no cantil, distraída em meus pensamentos sobre Física Mágica, quando quase consigo sentir que alguém vem em minha direção. Na tentativa de não parecer uma esquisita ultra-perceptiva, continuo a olhar para meu lanche como se nada estivesse acontecendo até que me cutuquem no ombro.
–Ei- diz a menina que me cutucou, uma de longos cabelos castanhos e olhos claros. Ela vem com dois garotos, ambos morenos, um sendo um bocado maior do que o outro, embora o segundo seja mais corpulento e tenha feições árabes. A garota aponta as cadeiras à volta da mesa -Eu estou na sua turma de Literatura. Azaleh Haddock.
–Ah, claro- eu respondo, depois de engolir o que tinha na boca -Eu sou Catelyn Bjorgman.
–Eu sei- Azaleh sorri, e aponta os garotos -Estes são James e Nahan.
–É um prazer- tento sorrir, embora esteja meio perdida -Querem se sentar?
–Seria um prazer- o garoto árabe, Nahan, me sorri docemente enquanto pega o lugar à minha frente. Caramba, muito docemente -Você disse que é Catelyn Bjorgman?
Assinto.
–E suponho que você seja um Ali?- pergunto de volta, deixando o meu sanduíche de lado para pegar o suco enquanto eles se acomodam. Azaleh traz uma bandeja do lanche que a escola oferece, mas Nahan tem uma vasilha com algum tipo de comida árabe e James abre sua sacola de papel para achar dois pedaços de brownie e uma pêra.
–Como sabe?- o outro garoto me pergunta.
–Não existem muitos árabes em Encantia- eu explico, e Azaleh meneia a cabeça em minha direção como que concordando -Mas nem todos têm pais famosos como Aladdin, creio eu.
–Exagero de sua parte. Nem todo mundo é como Branca de Neve- o árabe me corrige, começando a comer -E eu sei quem são seus pais, Catelyn. Você é sobrinha de Elsa De Arendelle, filha de Anna e Kristoff.
–Fala como se fosse grande coisa.
–Toda linhagem é grande coisa, Catelyn- Azaleh diz -É importante respeitar seus ancestrais.
–Ah, eu respeito. Acredite em mim. trolls de pedra são ótimos, embora eu não possa dizer o mesmo de uma avó estranha com uma irmã louca. Eu realmente amo minha linhagem- eu digo, brincando com gelo em meus dedos -Mas não é como se minha mãe fosse uma princesa guerreira celta e meu pai um cavaleiro de dragões.
A garota só se vira para seu lanche novamente, parecendo meio inconformada, mas os dois outros ainda não desistiram.
–Se é assim, muito prazer. Eu sou o filho do ladrão e da princesa que todos os príncipes odiavam- o árabe me estende a mão, e eu descongelo a minha antes de apertá-la.
–Já chegou na vez do filho do ladrão e da princesa que passou dezoito anos trancada numa torre o que faz de uma das minhas avós uma psicopata total e completa?- James replica, mordendo a pêra.
–Tá, que seja. Vocês ganharam- admito, guardando a vasilha e a garrafa de suco, ambas vazias, em minha mochila antes de me virar para Azaleh -Eles são assim o tempo todo?
–Nahan é assim desde que nasceu. O James eu conheci antes de ontem, mas acho que ele nasceu prematuro porque o útero não aguentava mais a chatice- ela considera, simplesmente, ainda olhando para seu prato quando James faz cara de ofendido.
–Você não me conhece, Haddock.
–E ainda assim já consegui te descer um tapa e ficar com a razão.
–Ora, Azaleh, você realmente é uma-
–Antes que você pergunte- Nahan me diz, mais baixo para que eles não ouçam -, sim, eles só falam desse jeito um com o outro desde o momento em que se falaram.
Rio fracamente. Talvez ter uma vida social valesse a pena.
–Você e o James se conhecem faz quanto tempo?
O árabe franze a testa, o que me faz querer rir um pouco, mas eu seguro.
–Quase tanto tempo quanto eu conheço Azaleh- ele afirma -Acho que nos tornamos melhores amigos aos treze anos.
–Doze- o outro discorda, voltando automaticamente para sua discussão com Azaleh.
–Há divergências- Nahan pontua -Mas faz uns cinco ou seis anos.
–Legal- eu comento, realmente admirando. Eu mal conhecia manter uma conversa por cinco minutos, que dirá cinco anos -Eu certamente não tenho amigos de tão longa data.
–Ah, não?- ele pergunta, fazendo outra careta. Expressivo -Eu vi você com um pessoal na feta dos Montgomery, eu acho. A menina que pegou fogo?
–Minha irmã- explico, e ele abre a boca para continuar -E os Frost são meus primos.
–Mas como você pode simplesmente não ter amigos? Você não é tão má assim.
–Obrigada, eu acho- eu devo ter feito uma careta desta vez -Mas, bom, vocês viram que eu estava sentando sozinha. Além do mais, digamos que eu sou um pouco...
–Fria?- ele adivinha, e aponta minha mão com uma pequena bolinha de neve dentro -Acho que posso entender.
–Não sei, não.
–Tenho de tentar.
–À vontade.
–Quer saber? Eu tenho de ir olhar os clubes- Azaleh irrompe de sua discussão com James, se colocando de pé subitamente. Vejo o garoto fazendo cara de desafio do outro lado da mesa, e suponho que ela deva ter ficado tentada à descer um tapa na cara dele. Como que para compensá-la por sentar comigo, direciono meu dedo para ele por debaixo da mesa e um raiozinho de gelo faz com que ele gema finamente. Azaleh sorri, maliciosa, para min, enquanto ele xinga baixo coisas que não posso repetir aqui -Quer vir comigo, Catelyn?
–Seria um prazer- devolvo e me ponho de pé, a mochila nas costas.
–E acabaram seus dias de loba solitária- Nahan disse, como que se despedindo. Mesmo com os três por perto, tudo o que consigo pensar é 'hahah-não'.
–Do que ele estava falando?- a garota ao meu lado me pergunta, e eu dou de ombros.
–Eu é que vou saber?- replico, e rolo os olhos -Garotos.
–Uma dica? Entra pro curso de teatro- a morena brinca, o que me faz dar uma risadinha.
–Em quais você pretende entrar?
–Ah, hm, isso depende- Azaleh me responde, enquanto paramos em frente ao quadro com as folhas. Corro o olho pela excessividade de informações, e fico meio surpresa. É realmente um planejamento bem completo.
–Olha! Não é seu pai aqui?- eu aponto a folha da aula de desenho, com cinco linhas.
–É, é sim- ela sorri e começa a procurar uma caneta na mochila -Hiccup Haddock.
–Bom. Acho que vou me inscrever- eu digo, constatando haver uma segunda voz na frase e reparando que Azaleh e eu havíamos dito a mesma coisa. Sorrio -Parece que somos colegas de classe.
Ela me devolve o sorriso, só que com uma cumplicidade muito maior. Do tipo: 'Gostei dela. Vai ser minha amiga.'
O que era mais do que eu recebera de desconhecidos em uma vida inteira.
É. Parece que ainda havia esperança para Catelyn Bjorgman.
Eu dei bastante sorte nos horários. A maior parte deles batia ou com os de Matt, ou com os de Rose, ou com os de Rosie. Naquele quarto horário, depois do intervalo, por exemplo, eu tinha aula de Química Encantada com o Chapeleiro Maluco. Felizmente, Rosetta estava na minha turma.
Matt me acompanhou até lá, sendo minha sala a D04 e a dele a D12, e eu vi Rosetta em uma das mesas assim que entrei na sala. Pela primeira vez em muito tempo, ela não tinha o nariz enfiado em um romance durante seu tempo livre.
–Ei, Rose- cumprimento-a, sentando-me ao seu lado -Que que é isso?
–Ah, esses papéis? São informações sobre os clubes e meu horário, e os horários da Academia Li e o revezamento de tarefas de casa.
Ela diz tudo de uma vez, sem tirar o olho da papelada, e eu a observo morder uma ameixa.
–Isso é seu lanche?- pergunto, surpresa, colocando os livros na mesa. Minha amiga limpa o sulco.
–Essa é a terceira.
–Sabe, Rose, os papéis não vão fugir. Pode comer com calma- eu brinco, mas Rosetta não responde -Rose?
–Ah? Oi, Pearl- ela finalmente levanta a cabeça e me acena, só para voltar à papelada imediatamente após fazê-lo.
–O que é tão importante, afinal?
–São os afterschool clubs- minha amiga diz -Eu quero me inscrever em vários, mas os horários não batem.
–Então tire um tempo pra pensar, ué.
–Não dá. E se as vagas acabarem?
–Rose...
–Não posso correr o risco- ela me corta -Tenho de entregar isso após essa aula.
–Mas, Rosetta...
–Senhorita Pontus- o professor me chama, e eu viro a cabeça bruscamente -Poderia nos dizer qual é a composição química de um chá de camomila?
–E-eu não sei, senhor- respondo, gaguejando -Me desculpe.
–Alguém saberia compensar a falta de atenção da senhorita Pontus?- ele pergunta para a classe, e eu vejo uma mão subindo.
–Senhor, você nunca nos disse qual era a composição- ouço a voz de meu amigo Tristan, duas carteiras atrás, e sorrio para mim mesma. Eu tinha de agradecê-lo mais tarde.
–Eu não falei?
–Não.
–Mesmo assim, é o chá. Vocês deveriam saber. O mundo deveria saber a importância do chá e-
Ele obviamente continuou discursando sobre a importância do chá e seu papel na sociedade, mas eu não prestei muita atenção. Principalmente depois de ver a cara que Moony Willd, a namorada de Tristan, fazia para mim. Eu, hein? O que aquela menina estava pensando? Eu tinha namorado, e Tristan era meu amigo desde sempre. Parece que realmente existe gente estranha nesse mundo.
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