After Ever After-Interativa
26 Chapter XXIV-O Primeiro Dia
Notas iniciais
A escola era tão grande quanto um castelo, e provavelmente fora inspirada em um. É sério. A arquitetura lembrava muito a do antigo castelo do Príncipe Thomas e Cinderella, embora as árvores e os jardins me lembrassem bastante a torre de minha mãe. Era uma mistura enorme de várias coisas, e me pegou um pouco de surpresa. Eu provavelmente teria ficado ali, encarando o prédio com cara de idiota, se Uriah não tivesse me cutucado.
–James. Você está parecendo um idiota.
–Costumam falar que nos parecemos mesmo, Uri- eu sorrio para meu irmão, que faz uma cara cética.
–O que fazemos agora?- Uriah pergunta, me ignorando.
–Siga-me. Por sorte, seu irmão mais velho entende uma coisa ou outra sobre escolas novas.
–Cherish te ensinou?
–Aprendemos juntos, na verdade. Quando fui ajudar ela a se mudar para Magina.
–Que seja. Mostre-me, ó mestre de toda a sabedoria.
Rolo os olhos e começo a andar, meu irmão nos meus calcanhares. Eu não havia mentido: realmente sabia uma coisa ou duas sobre escolas novas. Pergunto à um anão (literalmente um anão) nas portas onde estava o quadro de horários, ao que ele sorri com maldade.
–Finalmente alguém fazendo as perguntas certas- ele diz -Entre e siga direto até o final do corredor. Vai achar os seus horários, as salas e até uns mapas.
–Você é o...
–Grumpy. Sim- o anão corta meu irmão -Só entrem logo.
Dou de ombros e puxo meu irmão para a parte de dentro da escola. Seguindo as instruções de Grumpy, eu e Uriah achamos um grande pátio no meio do prédio, que é um quadrado oco. Várias mesas estão dispostas pelo lugar, e cada uma tem pelo menos uma pessoa atendendo sete ou mais. Uma faixa branca acima de cada indica a primeira letra dos nomes que podem ser ajudados naquela mesa, o que apesar de ser útil me obriga a me separar de Uriah. Meu irmão mais novo me encara, os olhos verdes arregalados.
–Ei, cara. Relaxa- eu digo, colocando a mão em seu ombro -Vamos fazer assim: eu vou para o J e você para o U. Você vai acabar antes de mim, obviamente, então você vem até o estande e eu te ajudo a encontrar Alanna.
Ele engole em seco. Uriah podia dizer que Alanna era ansiosa, mas ele tinha pego um pouco da ansiedade dela depois de tantos anos colados.
–Tá bom- Uri finalmente responde -Mas não sai de lá.
–Para onde eu iria?
–Só... Fica lá- meu irmão diz, antes de sair andando para a mesa(quase vazia. Além dele, agora, só um menino filho da Úrsula, Uther) da letra U. Rio fracamente de meu irmão e me viro. Eu tinha lá meus próprios problemas.
Como um estande cheio de gente. Jasper, James, Joseph, entre outros, eram nomes muito populares por esses dias. Infelizmente.
Suspiro e ando até o lugar, segurando a mochila com as duas alças sobre o mesmo ombro. Entro na fila que só aumenta, sendo mais ou menos o quinto, e observo o edifício à minha volta enquanto espero. Até o menino à minha frente dizer alguma coisa:
–É estranho, né?
–Desculpa?
–A arquitetura, eu quero dizer. Parece uma mistura de contos de fada tradicionais com os modernos. Tipo Cinderella e Rapunzel- ele se explica.
–Eu falei a mesma coisa pro meu irmão faz dez minutos- digo, meio sem-jeito, e estendo minha mão -James.
–Bezerra. Claro. Você é idêntico ao sei pai- o garoto diz, apertando -Sou Jasper. Jasper Charming-Snow.
–E fala de mim- eu rio -Está no décimo, Jasper?
–Pode apostar. Ainda estou pra fazer quinze- o garoto diz -Décimo segundo?
Dou de ombros.
–É. Perto de me livrar disso tudo- considero -Mas meu irmão está no décimo.
–Ah, sério?- Jasper sorri -O nome dele seria..?
–Uriah. Uriah Bezerra- respondo, passando a mão na parte de trás do meu cabelo -Mas ele é mais parecido com a minha mãe.
–É aquele ali atrás?- ele pergunta, apontando algum lugar atrás de mim. Olho e vejo Uri vindo apressadamente para onde estou.
–Ele mesmo.
–Perdão, qual é o seu nome?- a fada na mesa pergunta, o que chama a atenção de Jasper -Ah, Jasper. Claro.
Ele sorri tenramente enquanto ela fuça os arquivos.
–Senhora Fauna- Jasper cumprimenta -Sempre um prazer te ver.
–Eu adoraria conversar, querido, mas estamos correndo hoje- ela explica, colocando uma pasta em cima da mesa -Aqui você vai achar seus horários, acompanhados do nome de seus professores e o número da sala. Ali no cantinho tem um mapa e...
Para de ouví-la quando Uri me cutuca.
–Quem é esse?- meu irmão pergunta.
–Jasper. Charming. Snow- eu respondo, só me lembrando dos sobrenomes depois de fechar a frase -Ele está no seu ano. Talvez tenham alguma aula junta.
–Bom, a minha primeira é Literatura, PA- meu irmão diz, e eu bagunço seu cabelo.
–Nerd. Não pegou com Lanna, então?
–Lanna? Literatura? PA?- ele pergunta -Sem chance. Fora História Mágica, Lanna nunca pegou ou vai pegar outra PA.
–Eu peguei duas- Jasper diz, se virando para nós -Meu primeiro período é Literatura, PA.
–Jasper, esse é meu irmão. Ele também tem Literatura, PA, agora.
–Eu sei onde é a sala, quer me fazer companhia?- o Snow pergunta para Uriah, que dá de ombros.
–Mal não vai fazer- Uri responde e eles começam a andar -Até, James.
Antes que eu posso acenar, a fada à minha frente limpa a garganta. Eu viro minha cabeça rapidamente e sorrio o mais docemente que consigo. Ela me encara, ríspida.
–Seu nome, mocinho?
–James Flynn Bezerra.
–Um Bezerra. Por favor, deixe todas as minhas coisas comigo- a fada diz, o que me dá nos nervos, enquanto fuça mais um pouco tudo. Uma coisa que me talha o sangue é ouvir as pessoas falando da nossa família assim.
–Pode deixar- eu respondo, entredentes, mas tentando sorrir. Ela coloca o arquivo na mesa e o abre, me apontando as coisas enquanto fala.
–Aqui temos seus horários, acompanhados dos professores, e as salas em que você terá a aula. Na próxima folha, o nome do seu orientador psico-pedagógico, que você tem de consultar no mínimo uma vez por mês, e aqui atrás as opções de TCC- ela para e respira por um segundo, enquanto eu absorvo a informação -Aqui você tem as matérias eletivas, que vão começar amanhã, o que quer dizer que você tem até o final do dia para se inscrever em matérias o bastante para completar sua carga horária. E nas últimas folhas temos informações sobre os espaços da escola e sobre os clubes que em breve serão abertos. A folhinha aqui em cima está com o número dos seus escaninhos: um no corredor principal e outro no ginásio. Se houver algo errado, procure seu orientador pisco-pedagógico.
–Muito obrigado, senhora Fauna- pego o arquivo, tentando soar o mais educado possível.
–Tenha um bom dia, senhor Bezerra.
Me viro de costas rapidamente, tentando escapar o quanto hoje da fada verde e azeda, mas isso faz com que eu trombe em outra pessoa e deixe minha pasta e a dela cair. Abaixo-me rapidamente, pegando tudo o mais rápido que eu posso enquanto me desculpo; mas a cabeça da pessoa bate na minha indicando que ela também tentou pegar tudo. Olho para frente e acho dois olhos claros debaixo be uma cortina escura me encarando, o que só me deixa uma conclusão. O nome no arquivo, inclusive, confirma o que eu pensava.
–Azaleh- eu digo, depois de suspirar, a entregando o que eu havia pego e me pondo de pé.
–James- ela me devolve, fazendo o mesmo.
–Me desculpa.
–Foi minha falta de atenção.
–Não, eu tenho certeza que fui eu.
–Em todos os casos, estamos bem. Pelo menos não perdemos nada- ela considera -Ah, hm... Qual é seu primeiro período?
–Ótima pergunta. Eu estava indo olhar quando nós trombamos- rio baixo, abrindo a pasta e procurando o primeiro período da semana -É Álgebra. Álgebra PA.
–Meu Odin, PA em Álgebra?- Azaleh se surpreende -Como essa matéria pode sequer existir?
–Ué. Algumas pessoas são boas nisso- me defendo -É o tipo de coisa que, se você aplica a fórmula certo, já cai em Posicionamento Avançado.
–Não, é o tipo de coisa que se você foi um gênio de memória fotográfica acontece.
–Não é não. E eu vi os PA's em Biologia, História Mágica e Geografia no seu horário- levanto uma sobrancelha, o que parece irritá-la um pouco -Você claramente não pode falar de alguém que tem menos PA's que você mesma.
–É aptidão. Tenho facilidade em Humanas e Biológicas- ela recua.
–Gente. Essa discussão vai levar vocês de lugar nenhum para perto de nada- alguém se coloca no meio de nós dois. Nahan -E bom dia, aliás. Finn me deve dez majs, Azaleh, lembre ele disso.
–Pode fazer isso você mesmo, Amir- a Haddock devolve -Qual é seu primeiro período?
–Álgebra PA- meu melhor amigo diz, simplesmente, o que me faz cair na risada. Só faltava Azaleh ficar com fumaça saindo pelas orelhas de raiva -Qual é a graça?
–Nenhuma- a garota responde -Seu amigo ali tem a mesma matéria que você. Se divirtam.
Ela dá as costas para nós, o que faz eu segurar a risada.
–Ei, DunBroch!- eu a chamo, e ela se vira uma última vez -Seu armário é o 357?
–Stalker- ela resmunga, mas assente -Por quê?
–356- levanto o arquivo -Até o intervalo.
Ela bufa alto e sai pisando duro para o outro lado da escola. Eu rio mais um pouco antes de me virar para Nahan, que também sorri. Meu melhor amigo me encara e coloca a mão no meu ombro.
–Eu vou ser padrinho.
–Você é um idiota- imito seu tom.
–Um idiota que te conhece faz mais de dez anos- ele considera -E sabe quando você está a fim de alguém.
–Não estou a fim de Azaleh- me defendo novamente -Ela só é bonita. E inteligente, e legal e irritável.
Meu amigo sorri, como um idiota que se acha com razão.
–Você está caído por ela. Só... Não sabe ainda.
–Vamos chegar atrasados.
–A sala é a C20. Terceiro andar, quarta parede.
–Você é inteligente para um idiota.
–E você é legal pra um chato- Nahan devolve, antes de sair andando -Mas anote minhas palavras. Você e Azaleh vão se casar e ter um filho chamado Amir.
–Mesmo que eu me cassasse com Azaleh Haddock, o que já não vai acontecer, meu filho não se chamar Amir.
–Pode anotar.
Reviro os olhos. Nahan podia ser um idiota, mas que era um idiota persistente, ele era.
Fale com o autor