After Ever After-Interativa
21 Chapter XIX-A Festa, Parte Dois
Notas iniciais
Admito que Catelyn teve de arrastar para a festa. Literalmente. Embora ela provavelmente esteja certa. Afinal, se dependesse de mim, eu ficaria trancada em casa pro resto das férias. Se conseguisse convencer meus pais, na verdade, eu ficaria trancada em casa pelo resto da vida tendo aula com tutores.
Eu já era quieta normalmente, mas acho que tudo piorou depois de o meu melhor amigo/crush dizer em alto e bom tom que me acha estranha. Quero dizer, meu ex-melhor amigo.
Eu tenho de começar a me lembrar do ex na frente, principalmente porque Cat quase congela o cômodo inteiro só de ouvir eu falar em Sean. A única coisa que realmente impede isso de acontecer é o calor que eu emano-embora, às vezes, seja só o fogo literal mesmo.
Aria, você está desviando. De volta ao assunto. E não o assunto normal, Aria, a festa.
Enfim, a festa do menino Montgomery. O irmão de Rosie.
Assim que chegamos lá Freddy e Matt praticamente nos sequestram da mesa da família para perto do bar. Embora eu queira muito agradecê-los, acho que tia Elsa e meu pai achariam um pouco inadequado, então só ando ao lado de Freddy até o balcão onde eles servem os coquetéis. Nos sentamos em quatro bancos que estão lado a lado, o que me coloca entre meus primos, e cada um pede uma batida sem álcool de algo diferente.
–Matt- minha irmã o chama, e ele vira para sua esquerda –Cadê a Pearl? Não vai me dizer que ela não foi convidada para a festa dos Montgomery, vai?
–Na verdade, ela está vindo- meu primo diz, meio sem-jeito, enquanto encara a tela de seu celular.
–Sério?- seu irmão pergunta, ao meu lado –Porque o S-
–Frederick- Cat o chama baixo, e concluo que eu provavelmente havia abaixado a cabeça. Don’t let them in, don’t let them see, repito para mim mesma.
–Porque a Ariel está ali atrás- Freddy se corrige.
–Ela está pegando carona com Tristan e Moony- Matt continua –Parece que ela passou o dia o ajudando com o terno e os pais de Moony vão se atrasar.
–Ah, certo- minha irmã devolve –Eu tinha me esquecido de que eles são amigos.
–Eu também- Matt engole em seco antes de dizer –Mas acho que foi porque nós passamos as férias fora.
–Deve ter sido- eu concordo –Acho que Arendelle nos deixa meio desligados.
–Com certeza- ouço uma voz atrás de mim e me viro para ver Rosemarie -Parece que você nem tem telefone, Aria.
–Rosie- eu sorrio -Acabou seu trabalho de recepcionista?
–Engraçadinha- minha amiga diz, irônica -Mas sim, acabou. Parece que já veio todo mundo.
–Quer se sentar conosco?- Freddy pergunta, por pura educação.
–Somos a melhor família nesse lugar- Matthew o completa, sorrindo.
–E eu te garanto que os boatos de que somos frios são pura mentira- Cat brinca, o que não lhe é exatamente usual, e Rosie ri alto.
–Na verdade, eu adoraria- ela diz, sorrindo largamente -Mas eu tinha outra ideia.
–Qual?- pergunto, numa cara de dúvida, e ela me estende a mão.
–Vai ter de vir comigo pra descobrir.
–Tem certeza de que é o único jeito?
–Ou você pode ficar sentada aí e prestar atenção na música- Rosie dá de ombros e coloca os braços para trás num sorriso travesso, ao que eu faço questão de aguçar os ouvidos -Essa deveria ser sua nova filosofia de vida, para te ser bastante sincera.
"She's driving the truck!"
"Gimme that!", ouço, o que põe de pé no mesmo segundo. Nas próximas palavras, sem nem mesmo saber como, eu já estou na pista com Rosemarie. "He let her drive the truck? He never let me drive the truck!"
–This is so messed up– uma voz diz atrás de Rosie, o que faz com que nós duas olhemos naquela direção.
–Sean- eu digo, segurando minhas próprias mãos.
–Sean- Rosie diz, com mais ceticismo -Eu te disse pra ficar longe.
–Sean- minha irmã e primos aparecem do nada, e os três falam com certa raiva na palavra(o que só é enfatizado pela crosta que se forma em volta do punho de Cat). Matthew, porém, é o único que continua -Você vai ficar em pedaços.
–Aria- ele ignora todos os outros e estende sua mão em minha direção. Recuo um passo, e isso é o bastante para que ele entenda que não quero que ele me toque. Na verdade, que não quero ver ele de jeito nenhum. Sean recolhe a mão, colocando ambas em seu bolso -Podemos conversar?
–Não- eu devolvo, embora minha voz saia meio falhada.
–Por favor, Aria. Você não vai conseguir me evitar para sempre- Sean insiste -Por favor.
–Eu posso tentar- devolvo, percebendo que minha respiração começa a ficar irregular e engulo o nó em minha garganta(ou tento).
–Sabe que não- ele me garante, o que quase literalmente me inflama de raiva -Por favor, loira. Dois minutos.
–Ela já dis- minha irmã começa, mas eu a interrompo.
–Eu não quero nem vou falar com você, Sean- digo, tão firme quando eu posso, sentindo um calor leve percorrer minha pele. Por algum motivo, as pessoas começam a me olhar de um jeito estranho -V-vai embora.
Ele fica estacionado à minha frente, me encarando como o resto das pessoas, por alguns segundos antes de Festus e Jasper pegarem seus braços e levarem o amigo para longe. Assim que eles saem de perto eu me viro para minha família, que também me olha estranho.
–O que houve?- pergunto, a respiração ainda falhando -P-por que estão me olhando assim?
Matt é o primeiro a sair do transe.
–É sua roupa, A- ele revela -Ela... Mudou.
Olho para meu próprio corpo, tomando um susto que inflama minha mão por dois segundos antes de eu controlar. O vestido tomara que caia azul com pedras e acessórios prateados, que davam a sensação de frio já comum à nossa família, fora trocado por um longo degradê amarelo e laranja. O colar, os brincos, o anel, a pulseira e até mesmo os saltos haviam saído do prata para o dourado; e eu nem mesmo havia visto o que aconteceu.
Um burburinho começou à nossa volta, e eu senti a adrenalina que me atacara a ponto de eu interromper Cat me deixar de uma vez só. Tento mais uma vez engolir o nó em minha garganta e novamente falho, o que resulta em um soluço alto mas sem lágrimas. Acho que eu sem querer evaporei todas.
Subo o olhar para os três à minha frente e vejo os braços abertos de Matt. O abraço com força e ele faz o mesmo, o que literalmente esfria minha cabeça. Freddy e Cat rapidamente se juntam à nós, ao passo que Rosie fica em pé ao nosso lado.
–Sabe o que eu acho?- minha irmã diz, pegando minha mão, quando nos afastamos após Pearl chegar -Acho que eu sei do que você precisa.
–E isso seria?- eu devolvo.
–Diversão- Rosemarie declara, e Cat assente -Vou pedir algumas músicas e já volto.
Miro Pearl, que parece ter acabado de ser inteirada por Matt. A ruiva me olha com compaixão e me oferece suas mãos.
–Vocês, Arendellenses, oficialmente tem permissão pra descer a mão no meu irmão- ela brinco, e me abraça -Vai dar tudo certo, Aria.
–Eu sei que vai- eu devolvo, a abraçando de volta -Só que certo talvez... Talvez não envolva Sean.
Volto a prestar atenção na música assim que Pearl volta a conversar com o namorado, me lembrando o quanto eu amo essa música com Cat ao meu lado. Minha irmã dá um sorrisinho ao me ouvir cantarolando aquilo e olha para mim no último verso.
–Just another picture to burn– eu canto, tentando com toda minha força de vontade me convencer do que eu digo. E, embora eu não consiga, Rosie provavelmente estava certa: essa música deveria mesmo ser minha nova filosofia de vida.
Mas que belo pé na bunda. Eu realmente não sabia quando Aria ficara tão corajosa ou poderosa.
Não que ela não fosse.
Ou será que era?
Será que era e eu que não percebia?
Enfim. O que eu quero dizer é que Aria estava mudada.
Ela não era mais a menina que iria engolir sapo por mim. Ela sabia se virar- como o que ela fizera com o vestido -e ela viveria sem mim. Ou foi o que ela disse
Eu acho que nunca levei um não mais inteligível que aquele. Ainda mais no momento que eu menos precisava dele, provavelmente na minha vida inteira.
Eu havia perdido minha melhor amiga. A pessoa que esteve do meu lado nas horas boas e ruins. A pessoa que andava comigo não importa o que os outros falavam, a pessoa que eu deixei na mão por mais de uma vez. A pessoa que significava mais que tudo pra mim.
E, ainda assim, eu havia feito a besteira de perdê-la.
–Sean Pontus, você realmente merece o prêmio de idiota do ano- Festus diz, assim que nos afastamos o bastante, e então suspira -Como você conseguiu isso?
–Aria sempre fez de tudo pra você. E você sabe disso- Jasper apontou-me -Ela estava ali sempre que você precisava. Absolutamente sempre.
–E não basta você ir se afastando dela e andando com os populares- Festus o continua -Você ainda tem de dar essa mancada.
–Eu já sei, ok?- chispo, e então percebo que devo ter sido duro demais -Desculpa.
–Está tudo bem- Jasp me garante -Pelo menos você não disse para uns populares que nós somos estranhos.
Ai. Essa doeu.
–Olha, gente, eu já disse que não queria ter dito aquilo. Que eu não me orgulho. Que eu sinto muito- eu explico -Vocês sabem que, se eu pudesse, eu voltaria no tempo e desfaria isso.
–Não é assim que funciona, Sean- Festus sorri de leve.
–Não dá pra contar com magia pra resolver seus problemas- Jasp continuou -Ela sempre tem um preço.
–Eu daria minha alma por isso.
–Além do mais, vai custar muito mais que sua alma pra tudo voltar ao normal- Festus me ignora -Se é que vai voltar.
–Se eu fosse Aria, eu nunca mais iria querer olhar na sua cara- Jasper admite -Mas eu realmente preferiria abordar assuntos mais felizes.
–Isso é uma festa- Festus diz, sarcástico.
–É, mas ainda assim temos um amigo na bad, uma menina que pegou fogo e por aí vai- eu relato e Jasper me aponta.
–Vê? Precisamos de assuntos felizes- o Snow fala, ao passo que Festus arregala os olhos e parece estudar algo ao longe.
–Tenho uma sugestão- ele diz, e sai andando apressadamente pela multidão. Jasper olha para mim rapidamente antes de seguí-lo e eu vou atrás dos dois.
Festus parece se direcionar à Charlotte Montgomery, nossa amiga de infância, e os dois que acompanham ela. São um par de asiáticos- irmãos, eu diria -que conversam animadamente com a loira. Jasper balança a cabeça e eu tenho certeza de que ele sussurrou um 'ah não' embora não tenha se virado para trás.
Ótimo. Primeiro Aria pegando fogo e me afastando, agora seja lá o que fosse com esses gêmeos. A noite realmente só melhorava.
Fale com o autor