After Ever After-Interativa
14 Chapter XIII-Cachorros, Irmãos e Celulares
Notas iniciais
Quando Jasper disse que iria sair pra correr com Festus, eu decidi que tinha de sair de casa também. Ficar em casa sozinha com Destiny e Max O'Crown definitivamente não era uma opção de como usar meu dia.
Então eu obviamente fui até a casa dos Radcliffe, minha melhor opção de distração quando não podia ficar com minhas amigas. Levou apenas algo como dez segundos do momento em que eu bati na porta até o que a senhora Radcliffe abriu. Assim que ela o fez, sorrindo e quase gritando "Apple!", Patch praticamente pulou em mim, me lambendo no rosto.
–Ei, garoto- eu o cumprimentei, passando a mão em sua cabeça depois de acalmá-lo -Senti sua falta.
–Oh, Apple, me desculpe por Patch. Ele só estava com saudades, não é, Patch?- Anitta pergunta, também acariciando seu cachorro -O que faz aqui, minha querida Apple?
–Meu irmão saiu com um amigo e não quis ficar sozinha em casa com minha irmã, dona Anitta. A senhora sabe bem como ela é- disse, fazendo uma pequena careta para a senhora -Então tinha a esperança de poder passear com a senhora e os cachorros. Há alguma possibilidade?
–Ah, sim- ela devolve, meio sem-jeito -Eu acabo de voltar de minha caminhada, Apple, e realmente não deveria andar mais. Essas cadeiras- apontou sua coluna -já não são tão boas como quando conheci Roger. Se quiser levar Patch e Lucky pra uma caminhada, porém, você os conhece. Nunca ficam sem energia, ainda mais se forem juntos.
Sorrio enquanto assinto e ela diz que vai pegar as coleiras. Patch e Lucky eram o melhor exemplo de que rivais podem se tornar melhores amigos, dentre todos os existentes. Eles eram irmãos, certo, mas enquanto Lucky era adorado por ter semi-morrido e podia parecer meio arrogante; Patch sempre foi do tipo que se arrisca por uma aventura e era bastante atrapalhado, além de viver na sombra dos irmãos. E eles passavam sempre a metros de distância um do outro, pelo menos até crescerem e começarem a ficar grudados. E, bom, aqui estão eles: rolando um com o outro aos meus pés.
Em questão de minutos eu já estou a caminho do parque, caminhando com as duas coleiras na mão direita enquanto os cachorros andam alegremente à minha frente. Em algum ponto da caminhada, viro à esquerda e entre num lugar específico para correr com os cachorros, que é quando eu realmente coloco meus fones e começo a correr de verdade. Havia um bom tempo que eu não fazia isso, mas ainda mantive a forma, embora Lucky e Patch ficassem me puxando mais e mais rápido. Dálmatas e sua fonte de energia infinita.
Contanto, eles param bruscamente do nada, me fazendo quase tropeçar nos dois. Olho pra frente, procurando uma explicação, e vejo um menino oriental com um cachorro e uma menina, que parece ser sua irmã. O cachorro era um labrador, grande e preto, que rangia os dentes para os dálmatas que me acompanhavam. Lucky e Patch faziam o mesmo, e eu previ que eles iria. Se atacar se ficássemos parados esperando.
–Lucky! Patch!- eu me abaixo, ficando agachada entre eles e fazendo com que os irmãos me olhem -Bons garotos não brigam, se lembram? Nada de brigar com esse labrador. Vão ser bons garotos ou eu nunca mais ando com vocês.
Lucky meio que suspira e arrebita o nariz, e Patch me encara com uma cara de 'acabou com a diversão, tia'. Eu reviro os olhos e me ponho de pé, soltando os dois no parquinho para cachorros enquanto vou falar com o dono do labrador.
–Ei!- o chamo, acenando -Menino do labrador!
Ele se vira rapidamente, aparentemente cortando a fala de sua irmã, e acena para mim de volta.
–Eu sou a passeadora dos cachorros que seu labrador queria arranjar briga com- explico -Meu nome é Apple. O de vocês seria?
–Eu sou Syaoran, mas costumam me chamam de Sy ou Shun- o menino explica, sorrindo, e aponta a menina ao seu lado. Ela acena animadamente -Essa é Mei Lin, minha gêmea. E o garotão aqui- ele acaricia seu labrador -é o Yuan.
–É um prazer conhecê-los- eu sorrio -E, Yuan... É chinês? Redondo?
O rosto da menina se ilumina.
–Você fala chinês?
–Não- eu digo, tentando ser suave, mas vejo sua expressão desfalecer e rapidamente acrescento -Só algumas palavras.
–Ah. Legal- ela diz, tendo perdido toda a sua animação -Por que fala algumas palavras?
–Há alguns anos essa família chinesa decidiu se mudar de vez pra Encantia, sabe?- eu pergunto retoricamente -Minha mãe conhecia a mãe da família e disse que nós poderíamos ajudar na adaptação deles. Mas, bom, a mãe da família e minha mãe não se dão extraordinariamente bem ou algo assim, então ficou só por isso.
–Não fala assim- o menino balança a cabeça -Ela gosta da sua mãe. Só a acha...
–Sem sal. Mamãe acha ela meio sem sal- a menina diz, brusca, e eu dou uma risadinha -Qual é a da risada?
–Não é nada, me desculpem- eu digo, engolindo o riso -É que todo mundo diz que minha mãe é sem sal e que não passa de uma empregadinha do meu pai até conhecê-la de verdade.
Os dois fazem uma careta de confusão.
–Como assim?- dizem, juntos.
–Bom, eu posso apostar que vocês não sabiam que ela sabe usar um arco como a própria Merida- devolvo, e Mei faz uma cara incrédula.
–Duvido.
–Passa lá em casa qualquer dia que ela te mostra- convido-a -E, bom, a história com a Rainha Má é bem maior do que está nos livros de história mágica. Minha pode não ser uma guerreira, mas teve de lutar muito.
–Já ouviu falar da mulher que se disfarçou de homem e acabou salvando a China?- Mei pergunta, desafiadora -Fa Mulan. Nossa mãe.
–Surpreendente- eu digo -Seria um prazer conhecê-la.
Ela me olhou com uma cara estranha.
–Não vai rebater?
–Perdão?
–Rebater. Lutar contra- ela explicou -Não vai rebater?
–Por que eu rebateria?
–Para provar que sua mãe é melhor?
–Oras bolas, Mei- eu sorrio, querendo rir da cara da garota -Não há necessidade. Minha mãe é a melhor mãe que eu tenho, e eu aposto que a sua é implacável para vocês.
A garota fez uma careta e deu de ombros.
–Que seja.
Meu cellular subitamente treme em meu bolso, e eu o pego. É uma mensagem de Jasper: “Está no parque com Lucky e Patch?”. Digito que sim, e outra mensagem logo chega: “Olhe para trás”, o que, como uma boba, eu faço. Meu irmão está a alguns meros centímetros de minha cabeça, com uma careta, e eu me assusto a ponto de deixar o celular cair. Não sei de onde ele saiu, mas Festus o pega antes de acertar o chão e entrega em minha mão. Eu sorrio.
–Obrigada, Festus- digo, e me viro para meu irmão de olhos arregalados -Nunca mais faça isso!
–Você parecia meio distraída- ele riu da minha cara.
–Jasp, é sério!
–Em minha defesa, eles dois cooperaram!- meu irmão aponta os gêmeos Shun e Mei, que racham o bico de rir. Festus olha para os gêmeos(ou para Mei, sei lá) com uma cara obtusa.
–Quem são eles, por sinal?- me pergunta, depois de engolir em seco.
–Ah, claro. Festus e Jasper, esses são Syaoran e Mei Li- explico, apontando os dois, que fazem um aceno de cabeça enquanto deduzo seu sobrenome -Gêmeos Li, estes são meu irmão, Jasper, e nosso amigo, Festus.
–Vocês são os da família chinesa, né?- Jasp perguntou, e Shun sorriu.
–Pode apostar- o garoto disse -É um prazer conhecê-los.
–Igualmente- Festus afirma, apertando a mão do garoto -Vão para Ever After High?
–Bom, sim- a menina respondeu, soprando um fio de franja que caíra em seu rosto repetidas vezes -Acha que vamos cair na mesma sala?
–Espero que sim- Festus devolve sem pensar, logo depois fazendo uma careta -Quero dizer-
–Fest, deixa comigo- meu irmão brinca, rindo do amigo -Depende. Quantos anos vocês têm?
–Digamos que estamos prestes a completar quinze- Mei devolve.
–O que ela quis dizer é que temos catorze anos mas, ei, faltam três meses para nosso aniversário- Shun completa a irmã -E vocês?
–Eu tenho dezesseis. Vou cair na sala de vocês só quando Zeus resolver descer à Terra e romper as barreiras escolares- eu brinco, e eles dão uma risadinha.
–Mas eu e Fest temos quinze. Provavelmente estudaremos juntos- Jasp sorri para os dois, e Shun devolve seu sorriso sem pensar duas vezes.
–Isso é bem legal. A gente não conhece ninguém além de Alanna Haddock e um pessoal mais v- ele é interrompido pela irmã, que o cutuca e mostra o celular numa cara séria -Lin, mamãe já falou que n-
–Só lê, Syaoran!- a menina perde a paciência, gritando com o irmão. Ele toma o celular e lê o que fosse.
–Ela só pode estar brincando- o menino coloca, cético, sobrancelhas levantadas para o eletrônico.
–O que foi?- pergunto, tentando ser gentil.
–Nossa mãe tem essa escola de Kung Fu da qual somos parte- Sy explica, enquanto sua gêmea amaldiçoa o celular em chinês -E ela está preparando-nos para o concurso anual. Mas surgiu um imprevisto e ela vai precisar que eu e Mei assumamos as turmas de mais novos hoje.
–Vocês dão aula de Kung Fu?- Festus pergunta, olhos arregalados -Wow. Me lembre de nunca mexer com vocês.
–Anotado- Mei dá uma risadinha -Shun, a gente deveria ir.
–Provavelmente- o garoto diz, e segura firmemente a coleira de Yuan -É sempre um prazer, pessoal.
–O prazer é todo nosso- garanto -E, Mei, eu vou esperar aquela visita.
A oriental sorri, travessa.
–Pode contar comigo, sweetie- ela pisca -E sim, eu acabei de fazer um péssimo trocadilho com seu nome. Vamos logo antes que eu me arrependa, Shun.
Festus dá uma risadinha ao meu lado, enquanto os dois correm com Yuan na direção que deve ser a de sua casa.
–Incrível- ele diz, e eu me assusto.
–O quê?
–Eles.
–Acho que são pessoas como nós- Jasp opina, e então abre um sorriso largo e meio debochado para o amigo -Não é, Festus?
Festus sai do transe e encara Jasper com irritação.
–Olha a boca, Jasp- ele diz.
–Certo- meu irmão ri -Quer ajuda com Lucky e Patch?
–Não, tô bem.
–Então vamos até a casa de Fest- Jasper me informa -E, Aps?
–Oi, Jasp.
–Será que eles e os pais conversam em chinês?- meu irmão pergunta, e eu rolo os olhos violentamente.
–Só vai logo, Jasper- eu digo, e ele ri antes de me deixar sozinha com meus fones no parque de cachorros.
Fale com o autor