After Ever After-Interativa

8 Chapter VII-Conhecemo-nos uma vez, num sonho


Notas iniciais
Hey, Hey, Hey! A Catnip está a postar um capítulo! Aposto que ninguém esperava esta :p Este cap vem com considerável rapidez, pois quis esforçar-me para escrever algo para a fic, e com a ajuda da Luuh, saiu isto :3 Eu queria pedir desculpas pera enorme demora em postar o cap anterior. Eu basicamente prometi à Lady que escrevia, e depois nunca mais dei notícias :s Mas aqui está um começo para a minha redenção ^.^ Espero que gostem e boa leitura!

Kailani Laina Pelekai

Ando pela feira à procura de algo que me interesse. Adoro feiras de antiguidades. Parece que tudo o que compramos tem um passado interessante por trás. Nada comparado àqueles produtos do shopping, onde é tudo pré-fabricado e não sei mais o quê.

Encontro uma banquinha um pouco afastada das restantes, que julgo pertencer à velhinha desdentada e de pele escura que descansa na cadeira de balanço ali ao lado. Tem uma mesa de madeira com vários artigos bizarros (e quando eu digo bizarros é porque são mesmo bizarros) expostos, e ao lado um caldeirão enorme de uma sopa qualquer a borbulhar.

O grande ronco que solta dá-me a certeza de que está num sono profundo. Aproveito e analiso a banquinha de bugigangas estranhas. Encontro um colar particularmente interessante decido pegar-lhe para ver melhor. As contas fazem um barulhinho delicado quando lhe toco, quase como guizinhos.

Infelizmente não tenho tempo de examinar melhor o colar porque de repente lá a está a velhinha a gritar:

– Por Evangeline, a minha sopa! — levanta-se de um salto e percorre a curta distância até à panelona da sopa. Mexe a mão por cima da mesa como se estivesse à procura de algo mas não a conseguisse ver.

– Mas que raio! Jiji, A minha colher?! — pergunta exasperada.

Por esta altura já me apercebi de que a pobre só pode ser maluquinha, mas decido que não a posso deixar neste desespero por saber como está a sua sopa. Pego a concha por cima do balcãozinho do caldeirão e estendo-a até que toque na mão da senhora. Ela aceita o objeto e mergulha-o na sopa, e faz uma careta feia. Em seguida estende-me a colher de volta deixando-a perto dos meus lábios.

– Prova, moça! — e bem, eu provo.

Para uma velhinha, ela é bem rápida. Num segundo está ao pé de mim com a colher estendida e no outro já largou tudo no meio do chão para agarrar a minha mão e me puxar com ela para perto da banquinha de colares expostos.

– E que tal este? — pergunta, quase forçando-me a engolir o colar de tão perto que me mostrava.

– Ah, é bonito, mas...

– Sabia que ias gostar! — grita interrompendo-me — Ora, onde está — começa a fazer os mesmos gestos de procura que há pouco, e me ocorre que ela pode ser cega.

– Desculpe, eu...Eu tenho de ir. Tenha um bom dia sim? — digo, tentando esquivar-me.

– Jiji? Jiji, és tu? Onde puseste a minha...- Afasto-me.

Credo, de louca já basto eu.

Volto para perto da banquinha da minha tia Nani. Junto a ela Angel e Baybifier dormem, enroladas no chão.

– Ainda falta muito para irmos? — pergunto.

– Estava só à espera que voltasses — diz minha tia desencostando-se da cadeira de praia onde estava sentada — Acho que por hoje já deu o que tinha a dar.

Tia Nani começa a arrumar tudo, e eu ajudo-a pegando os poucos artigos que não tínhamos conseguido vender e colocando de volta na caixa de cartão em que vieram.

– Encontraste algo que tivesses gostado? — pergunta.

– Nem por isso. Mas por alguma razão estou com vontade de comer sopa.

Coloco as caixas na bagageira do jipe, e acordo Angel e Babyfier, para que subam para o carro. Eu entro também. Tia Nani senta-se do meu lado e olha para mim:

– Tudo bem? — Pergunta.

Aceno afirmativamente, mas sem grande convicção.

– Então, quando quiseres contar o que se passa, sou toda ouvidos — Dá partida no carro e seguimos pelo caminho ainda longo de volta a casa.

A casa da minha mãe fica no limbo entre a cidade e a praia, mas minha tia Nani mora mesmo junto ao mar, daí o caminho ser mais longo. Pode parecer estranho para as outras pessoas, mas meus tios são apaixonados por surf, por isso uma casa na praia faz mais sentido.

– Lilo volta amanhã — diz minha tia entrando na estrada nacional — Falei com ela por telefone quando foste ver as outras bancas.

Sinto-me como se fosse o meu aniversário. Não vejo a minha mãe desde o início do verão, quando embarcou no Pequena Sereia. O destino era uma das maiores colónias extraterrestres do reino, e Capitão Eric pediu que a minha mãe comparecesse para ajudar na comunicação.

Enquanto mamãe está fora, fico em casa da minha tia, já que meu pai morreu antes mesmo de eu nascer. E, como ela vive perto do mar, passar lá o verão pode ser bastante agradável

– Oh não ouço-a — dizer do meu lado.

– O que se passa?

– Acho que temos um pneu furado diz, parando o carro.

Bem me parecia que todos aqueles solavancos não eram normais.

Saímos do carro, e analisamos as rodas à procura de indícios de furo.

– É este — diz tia Nani, perto do pneu dianteiro esquerdo.

– Pronto, agora é só trocá-lo.

– Mas o de reserva também está furado.

– Como assim? Qual é a lógica de carregar um pneu de reserva furado?

Tia Nani senta-se no chão e esfrega os olhos cansada:

– Aconteceu o mesmo no mês passado começa David trocou os pneus e colocou o velho no local de reserva para depois deitá-lo fora. Mas nunca aconteceu. E o meu celular não tem bateria.

Bufo e sento-me no chão também.

– Resta esperar que alguém apareça. Já está a ficar tarde. Devem estar prestes a vir embora também.

Espero uns minutos e decido que não o consigo fazer por mais tempo.

– Vou voltar a pé — digo levantando — Acho que passámos por uma cabine telefônica.

Tia Nani não se opõe. Pego no meu blusão jeans que estava dentro do carro, e visto-o, pois, começa a esfriar.

– Se não encontrares nada em quinze minutos voltas para trás — Diz-me. Dou-lhe um beijo na bochecha e dou a mão a Angel que ao que parece quer ir comigo. Babyfier enrosca-se no colo da minha tia e ronrona como um gato. Covarde.

Ando pela beira da estrada durante uns minutos. Felizmente ainda é horário de verão e às sete da noite ainda pouco escureceu. Ando mais e mais, e as minhas pernas começam a pesar.

Felizmente, a sensação não tem de se prolongar. Avisto uma pick-up, e reconheço uns cabelos ruivos esvoaçantes que só podem ser de Merida Dunbroch, a famosa rainha do arco e flecha. Começo a esbracejar, como que a pedir que parem o carro. E, graças aos céus, o fazem.

O vidro do condutor é baixado, e vejo três cabeças curiosas olharem fixamente para mim da parte de trás do veículo. Na frente Hiccup e Merida olham para mim também, obviamente á espera que eu diga algo.

– Eu...Desculpe incomodar — digo a meio a medo — Eu e a minha tia voltávamos há pouco da feira de antiguidades, mas tivemos um furo no pneu, e não tínhamos bateria no celular há alguma chance de nos poderem ajudar?

– E o teu nome é? — pergunta Hiccup.

– Oh Ah, desculpe vossa alteza — digo atrapalhada. Isto não são modos para falar com descendentes de grandes líderes! — Sou Kailani Pelekai — digo, e faço uma reverência toda desengonçada.

Do lado de Hiccup, a ruiva Merida solta uma gargalhada estrondosa e vejo que os passageiros de trás também não se contêm. O próprio Hiccup está com um semblante divertido.

Ainda que pela minha pele morena não se note muito, sinto que coro até ficar da cor de um tomate.

Merida abre a porta e sai do carro, vindo ter comigo e dando-me um abraço de urso.

– Merida Dunbroch — diz ainda abraçada a mim — E quem é esta criaturinha?

– Angel — diz ela, e acena com a pata. Merida abraça-a também.

– Talvez tenhamos algo que vos possa ajudar. Onde está o carro?

– Acho que um ou dois quilômetros à frente.

– Okay então. Finn! – Diz olhando para a traseira da pick-up — Ajuda a Kailani e Angel a subir.

Agradeço com um aceno modesto a Merida e dirijo-me à parte de trás. Num momento estou no chão, pronta para subir, e no outro o meu corpo é içado por duas mãos fortes para dentro do veículo.

Sento-me desengonçadamente, com as costas encostadas à porta e os joelhos junto ao peito. Angel é colocada à minha frente, mas depressa agarrada pela ruiva. Esta, que parece ser a mais nova, estende-me a mão em cumprimento:

– Sou Alanna Haddock- diz com um sorriso branco e sincero — E estes são Azaleh e Finn, como já deves ter percebido — ambos sorriem. Diferente do que eu havia imaginado, se tratando de Merida DunBroch, a maior parte das crianças é morena. Os cabelos de Azaleh são longos e cascateantes, de um castanho escuro; enquanto os de Finn são mais claros e penteados para cima, deixando um belo e bem-angulado rosto visível.

– Kailani Pelekai — digo de novo, desta vez menos nervosa. Não sei bem porquê, já que me encontro a bordo de um carro de desconhecidos. Mas há de correr tudo bem.

Observo os mais velhos compartilharem um sorriso ao som de meu sobrenome, mas prefiro não perguntar. Vai saber o que se esperar de gente da realeza.

Ao contrário do que esperava, Finn não se senta como imagino que estava antes. Mantém-se em pé, agarrado à grade da carroceria, e de costas para nós, mesmo depois de o carro ter voltado a andar. E digo-vos, não vamos a baixa velocidade.

– Costumamos fazer à vez — diz-me Azaleh, ao reparar que olho desconfiada para o rapaz. — Podes tentar se quiseres.

– Acho que não, obrigada — devolvi. Não gosto particularmente de descargas de adrenalina.

Uns minutos depois avisto o jipe. Tia Nani está sentada na estrada, provavelmente a espera de que algum carro passe e ela possa fazer sinal. Ela pegou seu moletom também, e cobriu Babyfier com alguma outra coisa. O experimento está praticamente desmaiado no colo de minha tia, e ela já não está longe disso.

A pick-up para ali perto, e Nani se põe de pé em um salto-literalmente. Baby cai no chão de supetão, e começa a chorar como um, bom...um bebê. Enquanto estacionamos, minha tia, se abaixa e nina o alien, metendo a chupeta em sua boca para que se cale de vez.

Aceno para tia Nani, para que me note. Um minuto depois já todos descemos do carro, e Merida está aos abraços novamente.

Hiccup, que aparentemente é muito habilidoso com ferramentas, rapidamente se põe ao trabalho, usando um pneu que apareceu sabe-se lá de onde. Alanna, que se entreteve conversando com Angel durante o caminho, está agora apaixonada por Babyfier, e canta-lhe uma cação de embalar com uma voz carinhosa.

– Então — começa Azaleh, no que acho ser uma tentativa de quebrar o gelo — soubeste da festa de aniversário que os Montgomery vão dar?

– Sim. — sorrio, tentando ser amigável — Recebi o convite há uns dias respondo Mas achei estranho já que não conheço um único elemento daquela família.

– Pelo menos sabemos que não somos os únicos — diz Finn, que até então eu nem sabia que estava a prestar atenção na conversa — A minha mãe é a única que conhece Aurora, e acho que nem se dão muito bem.

– Só espero que não seja como aqueles bailes chatos, tipo o Baile anual de Inverno dos Snow — resmunga Alanna — Os meus ouvidos doem só de pensar que tivemos de ouvir as cantorias da Destiny uma noite inteira.

– Não pode ser assim tão mau — defendo ingénua.

– E não é — diz Azaleh — Lanna só está com dor de cotovelo porque não a deixaram cantar quando ela pediu.

Alanna faz uma cara de indignada e parece estar pronta para contestar, mas é interrompida por Merida:

– Hora de ir! Pneu trocado, jantar atrasado! — exclama.

Dá um abraço a tia Nani, que ao que parece ainda não se cansou de agradecer, e vem em direção a mim também, e dá-me outro abraço de urso. De seguida vêm Azaleh, Alanna, Finn e por fim Hiccup.

Vou deixar de dizer a palavra abraço em relação a esta família já que sinto mais como se um trator me tivesse passado por cima.

Mas, hm, de um jeito bom.

– Agora a sério, avó Elinor vai matar-me se nos atrasarmos mais que meia hora apara o jantar de domingo — insiste Merida dirigindo-se rapidamente para dentro a pick up, desta vez para o lugar do condutor.

– Querida, o que estás...

– Nem comeces! Pareces a Mama Odie a conduzir. Agora é a minha vez!

Hiccup encolhe os ombros como se soubesse que não há nada a fazer, e dirige-se ao lugar do passageiro.

O carro arranca, com toda a família Haddock a dizer adeus entusiasticamente. E eu e tia Nani, devolvemos da mesma forma.

– Que saudades que tinha deles. Já não nos víamos há imenso tempo — ela comenta casualmente.

– Como assim?! Já se conheciam? — não entendo isso: minha família é quase antissocial, de tão afastada da comunidade que sempre viveu.

– Eu conheço pessoas para além do Pleakley e Dr. Jumba sabias? — diz — Para além disso, achavas mesmo que iam dar carona a uma completa desconhecida?

– Então eu também os conheço?

– Não, mas és igualzinha à tua mãe.

Por estúpido que pareça, sinto como se tivesse descoberto que a minha família trabalha para a CIA ou algo do tipo.

– Está na hora de ir para casa — diz por fim.

Pego em Angel e Babyfier, e entro no carro.

– O que se oferece de presente a uma pessoa que não conhecemos? — pergunto quando já estamos a caminho.

– Sei lá. Algo impessoal. Como um porta-retrato ou uma blusa — responde minha tia — Isso é por causa da festa?

Aceno em concordância.

– Já sabes o que vais usar?

– Ainda não tinha pensado nisso — e esse pensamento me preocupa. O que vou usar?

– Só não peças ajuda ao Pleakley. De resto deves sair-te bem.

– É um bom conselho- concordo, rindo, e seguimos em direção ao oceano.

Notas finais
Então, então? Espero sinceramente que tenham gostado! Digam-me se houver muitas repetições de palavras ou erros. Tenho alguma dificuldade em avaliar aquilo que escrevo. Cada vez que leio prece estar pior :P Não me lembro de mais nada para dizer, mas sei que depois de postar vão surgir-me imensos recados para dar >.< Enfim. Fico esperando as vossas opiniões. Até lá... Beijinhos ^.^