After Dawn - Alvorecer
19 Ciclos
“ Eu corria pelo campo de flores, minhas patas dianteiras pousavam sobre uma grama macia e confortante, a minha frente a garota corria saltitante com passos tão leves que parecia flutuar entre as flores – Jacob você é lento – Disse ela com um largo sorriso em seus lábios em um tom de zombaria, porém eu não me ofendi com a provocação, apenas corri tentando alcança-la mas ela se afastou.
De repente os raios de sol foram cobertos pelas nuvens negras anunciando uma tempestade, seguida do forte vento que arrancava as flores as fazendo voar em diversas direções – Jacob! Gritou a garota tentando fugir na direção oposta ao vento que a puxava – Jacob me ajude! Gritou novamente me estendendo a mão, mas eu não estava mais em minha forma de lobo.
— Renesmee! Gritei correndo na mesma direção da tempestade tentando alcançá-la, mas a medida que eu me aproximava ela parecia se afastar ainda mais – Jacob...Gritou mais uma vez – Jacob....
— Jacob...
— Jac...
Meus olhos se abriram. Senti o toque suave das mãos de Renesmee sobre meu rosto, “Você estava tendo um pesadelo?” perguntou ela em minha mente e eu suspirei forçando um sorriso e mostrando que estava tudo bem.
— Eu acho que cochilei – Respondi tocando carinhosamente a sua mão sobre meu rosto, um sorriso se abriu nos lábios da menina, o sorriso de covinhas que eu tanto amava.
— Na verdade você dormiu – sibilou ela com sua voz doce – Você está dormindo a mais de um dia.
Sorri com o canto dos lábios – Sou um péssimo enfermeiro!
— Eu concordo – Disse a gêmea de cabelos azuis passando pela porta com uma bandeja nas mãos – O pior de tudo é que você ronca!
Renesmee ergueu as sobrancelhas olhando para a irmã – Seth também ronca e eu não a vejo reclamar.
— Wow – murmurei tirando carinhosamente a mão de Renesmee de meu rosto e me levantei do chão, a ultima memoria antes do meu apagão era a de ter sentado no chão ao lado de Renesmee e então não lembrava do que havia ocorrido depois – Não precisam brigar meninas – Falei em um tom divertido e em seguida olhei para Renesmee tocando carinhosamente seu queixo – Você está melhor?
— Sim, vovô Carlisle disse que em alguns dias estarei curada – Respondeu ela.
Um pequeno alívio preencheu meu corpo, não que vê-la bem diminuísse a minha culpa, essa culpa eu carregaria por toda a minha vida, mas o alívio de vê-la recuperada.
Rosalice aproximou-se da cama deixando a bandeja sobre a mesma, em seguida caminhou até uma penteadeira que mais parecia de uma casa de bonecas e retornou com uma escova de cabelos nas mãos sentando-se ao lado de Renesmee, então carinhosamente começou a escovar as madeixas ruivas da irmã.
— Você deve estar com fome, dormiu um dia inteiro – Disse Renesmee empurrando a bandeja para mim, sorri com o canto dos lábios e me abaixei olhando em seus olhos cor de chocolate.
— Não se preocupe comigo pequena, você é quem precisa se alimentar.
— Tem certeza? Insistiu ela pegando uma maçã da sua bandeja e a oferecendo para mim, dei um sorriso e abaixei meu rosto na direção da fruta fingindo ir mordê-la, mas ao invés disso beijei seus dedos, Renesmee riu baixinho.
— Ah qual é, eu não nasci para vela! Reclamou Rosalice.
Renesmee levou a fruta a boca a mordendo enquanto eu erguia meu corpo olhando na direção da porta, Rosalie estava parada encostada na porta com os braços cruzados – O fido ainda está aqui? Não sei como Bella e Edward permitiram isso – murmurou a loira mal humorada.
Sorri com o canto dos lábios, para ser honesto não ligava para a forma com a qual a vampira loira me tratava, para mim tudo que importava era estar com Renesmee, ignorei a provocação de Rosalie e olhei novamente para Renesmee — Eu preciso ir para casa, mas prometo vim ver você mais tarde, certo?
Ela concordou com a cabeça – Tudo bem Jake!
Me aproximei novamente da cama e curvei meu corpo dando um beijo demorado na testa de Renesmee inalando seu cheiro, em seguida me afastei caminhando na direção da porta, a vampira loira se afastou entrando no quarto e se colocando ao lado da cama junto com as meninas – A propósito – Falei parando diante da porta e virei meu corpo olhando para Renesmee e Rosalice – O que a loira disse quando não encontrou mas pão francês na padaria?
A vampira loira me lançou um olhar de fúria enquanto as gêmeas sorriam – Não faço a menor ideia – Respondeu a gêmea de cabelos azuis.
— E você, sabe pequena?
Renesmee negou com a cabeça.
— Ela se perguntou se teria que ir a França comprar o pão ou pediria entrega por Sedex! Respondi.
As gêmeas riram juntas e eu saí do quarto antes que ocorresse uma tragédia.
Desci as escadas de forma apressada, Esme estava na sala folheando uma revista – Você já vai Jacob – Perguntou a vampira desviando os olhos da sua revista para mim – Não quer comer alguma coisa? Você dormiu nas últimas setenta e duas horas.
— Obrigado Esme – Respondi de forma gentil – Mas eu preciso dar notícias.
— Claro – Respondeu a vampira dando um sorriso, por mais incrível que possa parecer também haviam covinhas no rosto de mármore da sanguessuga, não tão fofas e lindas quanto as de Renesmee mas haviam, sorri timidamente dando as costas para a mulher, seria o imprinting algo tão transformador capaz de me fazer começar a ter simpatia por todos eles?
Sai da casa e corri na direção da floresta tirando a camisa e o short jeans surrado deixando o grande lobo rasgar minha pele e corri na direção de La Push.
Os pelos do gigante lobo balançavam com o vento, me sentia livre, em paz, feliz, como se não houvessem mais preocupações no meu novo mundo, agora eu tinha meu ponto de paz, a menina de sorriso angelical com covinhas e olhar doce, por alguns segundos lembrei de quando Bella engravidou e todos desejamos matar o mostro que crescia dentro dela, monstro? Ri baixinho em meus pensamentos, meu pequeno monstrinho do lago, minha Nessie.
Ao me aproximar de casa voltei a forma humana, coloquei o jeans sujo e surrado porém não vesti a camisa, dei passos largos me aproximando da entrada da casa e pude ouvi o gargalha de Billy, o carro da polícia estacionado próximo a casa denunciou a visita de Charlie.
A porta estava aberta, empurrei com uma das mãos e me abaixei para passar pela mesma, Charlie lançou um olhar curioso sobre mim — Dallas ou New England? Perguntei em um tom animado de voz.
— A quanto tempo Jacob – Disse Charlie ao me ver passar entre ele e Billy em nossa pequena sala – Você a cada dia está maior, você só tem vinte e um anos e está enorme, não está tomando nenhuma porcaria está?
Meu pai baixou a cabeça rindo de forma divertida.
— Não! Respondi – São apenas as mudanças causadas por coisas anormais, coisas as quais já está ciente.
Charlie grunhiu pegando sua lata de cerveja e tomou um gole – Que bom – disse ele após engolir o líquido alcoólico – Independente de qual anormalidade você tenha se tivesse tomando eu prenderia você, tenho balas de prata na gaveta da sala.
Rolei meus olhos e Billy Black gargalhou, Charlie sabia ser um bom comediante.
Fui para o meu quarto ignorando as provocações de Billy e Charlie, tirei o short surrado e após enrolar a toalha na cintura fui para o banho, passei alguns minutos debaixo do chuveiro e retornei para meu quarto me jogando na cama ainda molhado, me levantei da cama e após vestir algo limpo meu estomago reclamou por comida, sai do quarto indo para a cozinha.
Abri a geladeira pegando as sobras do almoço e as joguei no micro-ondas ouvindo o pequeno debate entre Billy e Charlie sobre o fim do jogo, peguei duas latinhas de refrigerante e o pote de sorvete colocando sobre a mesa esperando o pequeno bip do aparelho, quando finalmente o som esperado saiu retirei a comida do forno e sentei a mesa, o som da cadeira de rodas de meu pai se misturou ao som da TV, Billy parou próximo a geladeira — Não sabe o quanto me preocupei com você, mas estou vendo que tudo terminou bem – disse ele pegando algumas latas e colocando sobre suas pernas.
— Me desculpe – murmurei após engolir um grande pedaço de bife, apesar de ser adulto eu compreendia as preocupações de meu pai.
— E a menina? Sussurrou ele.
— Nessie está bem – Respondi dando um tímido sorriso levando a lata de refrigerante a boca e tomando um gole.
— E você? Perguntou ele girando sua cadeira de rodas na direção da entrada da cozinha.
— Estou feliz – Respondi.
— Já esperava essa resposta – Disse Billy dando um sorriso, em seguida arrastou sua cadeira de volta para a sala.
Sorri com o canto dos lábios e me levantei cuidando das louças e após deixar a cozinha organizada, apesar do desejo inicial de retornar para a casa dos Cullen e ver minha pequena controlei meus impulsos, eu ainda tinha assuntos mal resolvidos para finalizar, um desses assuntos era Lucy.
Pela empolgação da conversa Charlie não sairia tão cedo de casa, como de costume ele sairia apenas quando Billy estivesse bêbado, Charlie não bebia quando vinha a nossa casa assistir jogos com meu pai, ele era um exemplar policial o que o impedia de dirigir bêbado. Passei pela sala ignorando a provocação do meu pai sobre eu estar perfumado demais e sai de casa pegando a rua que dava para a casa de Emily.
Durante a pequena caminhada lembrei do olhar de Lucy quando nos encontramos na entrada da casa dos Cullen, apesar de já havermos tido uma conversa eu precisava daquela conversa, a conversa sem culpas ou ressentimentos, eu desejava o bem de Lucy e ela sempre seria especial na minha vida mesmo nosso destino não sendo juntos.
O nervosismo me dominou ao avistar a casa, enquanto me aproximava da porta as gargalhadas e vozes misturadas a risos denunciaram a presença da matilha de Sam – Hey Jacob – Disse Quil assim que me viu passar pela porta.
— Olha só o alpha sobreviveu a 72 horas na casa dos sanguessugas – Disse Embry em tom de zombaria.
— Já está chamando Edward Cullen de papai?
— A qual é? Murmurei sorrindo e me sentei a mesa com eles, Emily aproximou-se com um prato nas mãos o colocando sobre a mesa.
— Jake que bom ver você – Disse ela como sempre em um tom gentil de voz.
O silencio tomou conta do espaço quando Lucy apareceu com uma tigela nas mãos, sua primeira reação ao me ver foi de surpresa, porém em seguida ela sorriu – Oi Alpha – Disse ela ao se aproximar da mesa e deixar a tigela de macarrão, Embry pegou um garfo com a intenção de se servi porém o tapa dado por Lucy em sua mão o fez parar – Seus irmãos estão a caminho, espere por eles – Disse ela em um tom de irritação.
— Sam e Jared podiam não se atrasar – reclamou Quil.
Lucy afastou-se indo até o balcão, imediatamente me levantei me encostando no balcão próximo a ela – Podemos conversar?
— Claro – Respondeu ela pegando os pratos e deixando sobre a mesa, em seguida olhou para Emily – Eu não demoro – Disse ela caminhando até a porta, imediatamente a segui.
Saímos da casa juntos e caminhamos por alguns minutos em silêncio um ao lado do outro – Como está Renesmee? Perguntou Lucy quebrando o silêncio entre nós dois.
— Está melhor – Respondi me sentando em um tronco de arvore coberto de musgo onde sempre nos reuníamos para conversar, Lucy se sentou ao meu lado e sorriu timidamente.
— Que bom que ela está bem.
— Ela se cura de uma forma um pouco mais “rápida” que um humano, acho que deve ser como os lobos, ainda a estou conhecendo – respondi.
— Que bom que você aceitou as coisas como são Jake – murmurou Lucy olhando para frente, apesar do suave sorriso em seus lábios eu podia sentir sua tristeza.
— Me perdoe por isso – murmurei – Acho que enquanto eu viver eu vou me sentir...
— Não tenho o que perdoa você Jake – Disse ela me interrompendo-As coisas simplesmente aconteceram, porque tinha que acontecer, hoje, amanhã, daqui a dez anos, quando você a encontrasse aconteceria.
Olhei para sua mão que estava ao lado do seu corpo sobre o tronco e a segurei, o olhar de Lucy se direcionou para mim, levei sua mão aos meus lábios dando um beijo suave – Eu desejo do fundo do meu coração Lu que seja feliz.
— Eu sei – disse ela tocando meu rosto – Eu vou ser, assim como você está feliz Jake.
— Obrigado – sussurrei colocando uma mecha de seus cabelos atrás da sua orelha.
— Pelo que? Me perguntou ela com um olhar curioso.
— Por não me odiar, por não fazer eu me sentir o pior dos homens.
— O que eu ganharia fazendo isso Jake? Perguntou ela com um sorriso descontraído em seguida suspirou – Ontem quando eu sai da casa dos Cullen eu estava muito desesperada, então eu busquei conselhos com os idosos, o velho Quil me disse que nada é por acaso e que se ela foi a escolhida é porque existe uma grande razão por trás de tudo isso – Lucy sorriu e tocou suavemente minha bochecha com a ponta do seu dedo indicador – Não se torture por mim Jake, eu estou bem.
Dei um sorriso e passei um dos braços em volta dos seu corpo, Lucy deitou a cabeça sobre meu ombro – Você é maravilhosa Lucy – sussurrei.
— Ao menos nossa história teve um final diferente da história de Sam e Leah – disse ela olhando para mim com o canto dos lábios.
— Sim – respondi – Sempre seremos amigos.
Lucy concordou coma cabeça, lentamente saiu de meus braços e se levantou – Melhor eu ir, eu tenho fugido das minhas tarefas ultimamente e Emily anda uma fera.
Baixei a cabeça e ri me levantando em seguida – Eu também preciso ir.
— Eu imagino que sim – disse ela ainda sorrindo – Boa sorte Jake e traga a ruivinha para nos visitar.
— Pode deixar – Respondi concordando, Lucy deu as costas para mim e caminhou apressada de volta para a casa.
A observei por alguns minutos e suspirei, não é fácil lidar com o fim de um ciclo, não importa qual seja e o que ele tenha provocado, eu havia fechado definitivamente o ciclo Lucy e agora tinha uma nova vida.
Decidi ir para casa e pegar o meu Rabitt.
Era hora de voltar para o único lugar o qual eu desejava agora estar, para lado da minha pequena Nessie.
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