After
4 Chapter 3 - Attempt
Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida.
Augusto Cury
Uma música qualquer começou a tocar. Eles se entreolharam e John lembrou de seu telefone. Tirou ele do bolso e viu de quem era.
–É o George.
–Ele é seu pai. — disse Alice.
–E eu não quero falar com ele.
–Por que? — perguntou Ryan.
–Porque não. Ele provavelmente quer me culpar pela morte do Micheal.
–Ele não quer isso.- contestou a garota ao ver que ele rejeitava a ligação.
–De certa forma, ela está certa. Ele pode ou não. Você nunca vai saber se não atender.
–Foi o que ele fez com o Micheal. Ele arruinou a vida do meu irmão.
–Ele não sabia. Estava confuso!
–Confuso, Ryan? O Micheal se torturou o suficiente. Sem ter culpa! O que ele poderia ter feito era consolar o filho!
–Era o mínimo que poderia ter feito. — completou Alice.
–Não, esse não era o mínimo. — corrigiu John – O mínimo que ele poderia ter feito era nada.
–Como pode dizer isso, Johnny?
–É um fato, Ryan. — parou por um momento, esperando uma resposta deles. Ela não veio – O Micheal estava mal. Muito mal. O que ele poderia fazer? Nada. No mínimo se omitir, deixar ele sentir a dor dele. Ou então poderia consolar ele. Dar apoio, aliviar um pouco a culpa e a pressão, mas não! Ele preferiu humilhar o Micheal até o garoto não aguentar! Ele cansou e… — nesse ponto ele já estava com os olhos marejados de lágrimas — E eu fui o culpado.
–John, não. — tentaram consolar ele.
–Droga. Deve ser o George de novo. — ele pegou o celular e não reconheceu o número. Hesitou por alguns segundos e atendeu – Quem é? Oh… Marco. Sim, sim. Eu não quero… Ah, certo, certo. Passe pra ele. Ah! Oi, sim, George. Ok, fala, pai.
–John, queria me desculpar.
–Pelo o quê, exatamente? — retrucou friamente. Alice e Ryan ficaram em silêncio durante toda a conversa.
–Pelo meu péssimo comportamento.
–Qual deles? Comigo? Com o Micheal?
–Com você. Com os dois.
–Estou ouvindo.
–Eu agi muito mal com você.
–Só comigo? — interrompeu John.
–Com todos. Onde você está? Podemos conversar pessoalmente?
–Fala que eu estou ouvindo.
–Certo, John. Eu queria dizer que errei. Eu não deveria ter agido daquele jeito com seu irmão.
–Agido como um bruto, quer dizer.
–Por favor. Não piore as coisas pra mim.
–Pra você? Realmente estou piorando as coisas pra você?
–Sim, John. Eu estou mal.
–Ah claro! Você matou seu filho e…
–Eu não matei ele! — cortou George, aos berros.
–Então como chama o que você fez?
–Eu fiquei muito triste pela morte da Vic.
–E o Micheal mais ainda. Ele a viu morta. Ele morreu se sentindo responsável.
–E ele foi.
–Você me ligou pra acusar o meu irmão?
–Eu não quis dizer isso.
–Mas disse.
–Ele também era meu filho.
–E como você lamentou? Se embebedando?
–Eu não sabia o que fazer.
–Oh… Cale-se! O que mais você fez?
–Você não tem falado com sua mãe. Por que?
–Não interessa. O que você… — John parou por um momento – Depois nos falamos. Tenho que desligar agora.
–Não, John. Espera!
***
–Desligou. — disse George, entregando o telefone para o amigo.
–A conversa não foi como você esperava.
–Não, Marco. Eu não sei o que posso fazer. Eu cansei disso.
–Pelo o que ouvi, você tem uma parcela de culpa, George.
–Eu errei. Mas estou tentando consertar.
–Dê um tempo pra ele.
–Eu não sei. Eu preciso sair.
–Não, você fica, George.
–Você não pode me obrigar.
–Posso, na verdade. — ele se levantou – Mas eu não quero. Por favor, fique. Se não quiser voltar pra casa, fique aqui. Passe a noite. Eu vou pra casa da minha namorada.
–Pareço precisar de caridade? — disse, arrogante.
–George. — suspirou – Você não precisa ficar. Mas sua esposa não quer ver você.
–Eu sei.
–Seu filho, adotivo, mas seu filho, não quer falar com você.
–Sim, sim.
–Você realmente quer perder seu amigo?
–Me desculpe. — e abaixou a cabeça.
–Não precisa. Só não seja idiota outra vez.
–Certo. — disse, com um sorriso desanimado.
–Vou no mercado, quer alguma coisa?
–Ah não. Obrigado. Posso ir com você?
–Claro. — e saíram.
***
–O que foi isso que ouvi? — disparou Alice quando ele guardou o celular.
–Acho que me estressei um pouco.
–Um pouco? Você começou uma conversa e terminou aos berros com seu pai. — falou Ryan.
–Ele não fez o que deveria.
–O que seria isso? — perguntou o amigo.
–O que seria, Ryan? Se desculpar. Ele não teve a decência de se desculpar.
–Pelo o que ouvimos, ele tentou.
–Alice. Ele… Ele culpou o Micheal novamente. Ele foi um idiota. Preciso ir para casa.
Eles saíram e rapidamente chegaram lá. A mãe dele estava em casa, sentada no sofá.
–Mãe. Deus do céu. Mãe, o que houve com seu rosto? — ela tinha uma marca roxa ao redor do olho.
–Nada. — e sorriu para o filho – Que bom você ter voltado, Johnny.
–Mãe, foi o George?
–Ele é seu pai, assim como sou sua mãe.
–Foi ele?
–Sim.
–O que ele fez?
–Nós brigamos, na noite retrasada. Ele me deu um tapa.
–E deixou isso?
–Não. Isso foi na hora que caí. Ele me deu dois tapas. Um deles me derrubou e bati com o rosto no encosto do sofá.
–Desculpe eu não estar aqui.
–Você não tem culpa.
–Eu tenho, mãe.
–Não, Johnny.
–Mãe. Eu tenho. Por que o George te bateu?
–Eu agi errado e…
–Eu não perguntei se você agiu errado ou não, quero uma resposta.
–Nós brigamos. Ele chegou de madrugada em casa e… Eu me irritei com ele. Eu não devia.
–Você está assim por causa do George não ter gostado de ouvir umas verdades? Eu vou matar ele.
–John, não. — Alice segurou ele pelo pulso.
–John, ele queria fazer as pazes. Queria uma trégua. — disse Ryan, quase implorando – Deixe pra lá. Ele não fará de novo.
–Certo. Certo.
***
George se separou de Marco durante o caminho, indo direto para um bar próximo. Ele não ficaria, iria apenas comprar uma cerveja, pois era mais barato. Mas se surpreendeu ao encontrar os homens com o qual jogou antes.
–Hey, Mark. — disse Ralph.
–Olá, Ralph. Vim aqui rapidamente. Não posso jogar agora.
–Nem uma partida? — Stu e Marvin se aproximaram dele e o puxaram para uma mesa. Ralph jogou cartas na mesa – Sabe jogar Blackjack?
–Eu não vou jogar. — e ia se levantar, mas o homem tocou o ombro dele.
–Fique. Por favor. Uma pequena aposta.
–Eu não vou apostar. Eu não vou jogar.
–Cem. — e tirou uma nota de cem, colocando sobre a mesa. Marvin e Stu o acompanharam. George parou. Ele passou por uma breve luta interna, apostava ou não?
–Droga. — ele tirou uma nota do bolso e jogou sobre a mesa – Só tenho cinquenta.
–Ótimo. Que o jogo comece. — e deu um leve sorriso pelo canto da boca. Um sorriso de triunfo.
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