Notas iniciais
Gente, Sei que demorei séculos para postar, desculpa! Mas eu não sabia que rumo gostaria que a fanfic seguisse, então pensei e escrevi milhões de hipóteses, rs. Bom, eu simplesmente AMEI os comentários do capítulo anterior, me deixaram extremamente feliz por saber a opinião de vocês, espero continuar recebê-los. Sobre o rumo da fic, eu alterei me baseando nos comentários, então conto com vocês para seguir com a estória. Espero que gostem!

P.O.V. Cobra

Levantei da cama e já pude perceber a “zona” que estava o QG. Meu corpo inteiro doía, como se eu tivesse sido atropelado por um caminhão. Conforme fui caminhando, percebi que havia suplementos no chão, assim como a “cortina” de correntes que separava meu “quarto” da loja. Um “furacão” parecia ter passado pelo lugar, mas eu sabia muito bem quem tinha feito aquilo tudo. Eu.

Me deparei com Mestre Gael travando a mandíbula e os punhos, tentando se controlar. Pensei seriamente em não abrir a porta e voltar para minha cama. Eu até faria isso, se não acreditasse que ele iria arrebentar o vidro e esfolar minha carne. Acho que ele faria a segunda opção de qualquer maneira, então melhor encará-lo de uma vez.

Destranquei a porta e lhe dei passagem para que ele adentrasse. Ele grudou meu corpo na parede, com as duas mãos em punhos fechados abaixo do meu queixo, segurando minha camisa. Rezei aos céus para sair daquela conversa vivo e o encarei.

– O que você fez com a minha filha, seu marginal? – ele estava com o rosto vermelho e sua respiração estava descompassada, demonstrando toda a sua raiva.

Que eu saiba ele ainda não podia ler mentes e eu só tinha encostado na Karina em sonho. Aquele maldito sonho gostoso. Respirei fundo e coloquei minhas mãos em seus pulsos, tentando acalmá-lo.

– Mestre, eu não fiz nada com a Karina, o senhor sabe que eu jamais machucaria ela – olhei em seus olhos e deixei que ele visse a sinceridade daquelas palavras nos meus. Eu não sei o que aquela menina tinha, mas eu não conseguiria fazer mal a ela, eu sentia que devia proteger e cuidar daquele sorriso e daqueles olhos brilhantes. Droga, quando foi que eu me transformei nesse otário?!

Gael me soltou e se sentou em uma das cadeiras em frente aos computadores, respirou fundo algumas vezes de olhos fechados e depois me encarou novamente.

– Então eu posso saber, senhor Ricardo Cobreloa, e é bom que haja uma excelente justificativa, por que minha filha está chorando em casa e o que aconteceu para que eu esteja encontrando a minha loja nesse estado deplorável? – Engoli em seco e respirei fundo. É, eu não ia sair vivo daqui mesmo.

– Mestre, eu vou arrumar tudo isso hoje. Amanhã a loja já vai estar em perfeito estado para atender aos clientes e, se houver algum prejuízo o senhor pode descontar do meu salário – falei tudo muito rápido, abaixando a cabeça e passando a mão na nuca, o nervosismo já tomava conta de minhas ações.

– Ah, mas isso você pode ter certeza de que eu vou fazer mesmo. E é bom que o que aconteceu aqui não tenha a ver com a Karina chorando, Cobreloa – o tom ameaçador deixava claro que ele ainda esperava uma justificativa para o que havia acontecido com sua filha.

Como se a culpa fosse minha que ela tivesse escolhido o namorado ao invés de mim! Tencionei os braços e fechei os punhos tentando conter novamente aquela raiva que se formava toda vez que eu relembrava o que havia acontecido mais cedo. Fechei os olhos, respirando e inspirando várias vezes, até me forçar a abri-los e encarar Gael novamente.

Ele analisava meus movimentos, como se esperasse que eu fosse ter outro ataque de fúria a qualquer momento, e tentando decifrar o que havia acontecido.

– Mestre, eu não tenho nada a ver com isso. Ela deve é ter brigado com aquele namoradinho dela – Respondi irritado. Se ele quisesse saber o que havia acontecido, então que perguntasse para aquele guitarrista idiota e não para mim. Me virei e comecei a recolher alguns suplementos do chão. Grande erro.

Gael levantou-se rápido e me prendeu em um “mata leão”, forçando minha cabeça contra seu braço e fazendo com que eu não conseguisse respirar e gritou.

– O “capirotinho” não tem nada a ver com isso, dessa vez. Bianca disse que Karina chegou em casa assim após ter saído daqui e você espera que eu acredite em quem vendo o estado que está o QG?

Eu já sentia meu rosto ficando vermelho pela falta de ar e ouvir aquilo era tudo o que eu precisava para finalizar esse dia feliz. Bati levemente em seu braço para sinalizar que não conseguiria responder com ele me prendendo e ele soltou um pouco a força de seu braço. Respirei fundo, tentando recobrar o ar que me faltara e sorri amargamente. A Karina não ia abrir o bico para o pai dela, então é claro que ia sobrar pra mim.

– Eles brigaram porque aquele moleque não gosta de me ver perto dela, então ela veio aqui me avisar que não podia mais ser minha amiga – finalizei, travando a mandíbula para conter a raiva e a vontade de chorar que parecia me perseguir toda vez que eu lembrava daquilo.

– Ah, agora isso aqui faz sentido – Gael me soltou e continha um sorriso maroto enquanto abria os braços e indicava a bagunça em que se encontrava o QG – Cobra, eu espero que você não tenha machucado a Karina durante seu ataque de fúria – ele disse de forma sombria e parecia estar se controlando, odiando ter que falar sobre a vida amorosa da filha. Bom, ele não era o único, pensar na K com aquele babaca era inervante – Eu sei que no fundo você é um bom rapaz, mas a Karina é só uma menininha, seria muito nova e diferente para você. Além disso, ela ama o Pedro e eu espero que você respeite a decisão que ela tomou.

Como se não fosse ruim o bastante eu saber que ela não era pro meu bico, ainda por cima eu tinha que ouvir isso do pai dela? Tá bom que eu nunca fui santo, mas nem eu merecia ficar ouvindo isso. Eu e a Karina éramos apenas amigos, ela cuidava de mim e eu cuidava dela. Qual é o problema nisso? Eu sabia que ela não era pra mim, então pra que me privar da companhia dela? Eu ficava feliz só de saber que ela estava bem.

– Eu nunca faria nada que machucasse ela – minha voz saiu tão baixa e cansada que duvidei que ele tivesse ouvido.

– Eu já sei disso – Gael parecia medir o que diria em seguida – mas essa amizade de vocês incomoda muita gente, o Pedro principalmente. A Jade também não gosta nada, então vai ser melhor se vocês – ele foi interrompido pela voz de Karina.

– Pai, chega! Vamos embora?

Ela estava parada na porta do QG, o nariz vermelho e o olho inchado indicavam que ela havia chorado. De qualquer jeito, eu já sabia como terminava a frase do mestre “se afastassem” era o que ele iria dizer. Ninguém gostava que eu ficasse perto dela, também, quem é que iria querer um vagabundo como eu perto de uma menina boa como ela? Desviei meu olhar daqueles olhos azuis e virei de costas para ela, catando mais suplementos para organizá-los no balcão.

– Eu já fiz o que tinha que fazer aqui – Gael respondeu para Karina – E você decorou, né Cobreloa? Amanhã cedo espero que essa loja esteja em ordem.

– Sim, mestre – ouvi os passos dele saindo e presumi estar sozinho, soltei a respiração pesarosamente. Quando é que aquele dia ia acabar?

– Cobra?

Karina. Ela ainda estava ali? Senti meu corpo tensionar e minha postura se enrijecer. Como é que ela fazia isso comigo?

Notas finais
E então? Opiniões? O que vai acontecer agora? =)