Afire Love - Cobrina
2 Capítulo 2
Notas iniciais
P.O.V Cobra
Um pouco antes do Lobão ser preso, ele vendeu o QG pro Gael, sem saber que este era o real comprador. Tenho que admitir que o mestre Gael foi muito astuto ao usar um procurador para negociar com Lobão em seu nome. O Lobão se tornava displicente diante de dinheiro, ainda mais se colocado em uma maleta na sua frente, e nem reparou nesse detalhe até ser tarde demais para desfazer o negócio.
Após todo o desencadeamento do processo de paternidade da Karina ser resolvido e o Lobão ser preso, eu coloquei meu “rabo no meio das pernas”, como dizem, e pedi para que o Gael aceitasse que eu treinasse novamente em sua academia. Duca pareceu não gostar nem um pouco da ideia e foi manifestamente contra, mas no dia o mestre apenas olhou para trás de si, onde sua caçula me olhava com um sorriso torto nos lábios, e disse que sim. Aceitou que eu treinasse em sua academia, mas me alertou que ficaria com os dois olhos bem abertos para qualquer deslize ou outras intenções que eu pudesse ter.
Entendi perfeitamente o que ele quis dizer com 'outras intenções'. Era uma tradução perfeita para “fique longe da minha filha”. Mas a Karina me fazia tão bem, ela era tão boa e me entedia perfeitamente. Era a única pessoa em que eu podia confiar, minha única e melhor amiga. Então, assim que o Mestre foi para o escritório, eu olhei para a loira na minha frente, coloquei um sorriso torto na cara e abri os braços. A marrenta veio correndo até mim, se jogando em meu pescoço, eu a abracei pela cintura, sentindo o cheiro dela, e a rodopiei. Ela me disse algo como 'Bem vindo de volta, maluco! Agora vamos treinar', e tudo que eu consegui como resposta foi uma gargalhada.
Assim, com Gael como meu “mestre/chefe”’, eu só tinha o domingo de descanso pra poder fazer o que eu quisesse. Acordei imaginando que hoje o dia estava ótimo para ir a praia, até que ouvi batidas na porta e me deparei com a minha linda e gostosa namorada, Jade. Ela entrou no QG e tratou logo de despejar seus planos pra cima de mim, sem nem um ‘Bom dia’.
– Vagabundo, hoje teremos um almoço na minha casa com alguns amigos importantes da minha mãe e você tem que ir! – disse sorrindo para mim, mas com um tom incisivo e ênfase na palavra 'tem'.
Ótimo! Tudo o que eu mais queria era passar meu dia de descanso servindo de cobaia de entretenimento para os amigos famosos da Lucrécia. Às vezes eu acho que a Jade pensa que eu sou uma marionete que ela pode controlar o tempo todo.
Retribuí com um sorriso debochado, ocultando o desgosto que eu sentia por aquela situação.
– Claro, minha dama, tudo o que você quiser. – disse isso já a puxando pela cintura e selando nossos lábios em um beijo.
Já que eu ia ter que sofrer a tarde inteira para agradar a mamãezinha dela, o mínimo que ela pode fazer é me recompensar agora com uma sessão de sexo selvagem.
E esse pensamento se concretizaria se a “dama” não tivesse outros planos. Quando já tinha conseguido aprofundar o beijo, ela colocou a mão no meu peito e me afastou dela.
– Chega, por enquanto, “vagabundo”! Tenho que voltar pra casa ajudar a Dona Lucrécia a arrumar a porcelana e prataria. Além disso, tenho que ficar mais linda ainda! Parece que uma das amigas da mamãe, é casada com um diretor de novelas que está trabalhando na Rede Globo! Essa é minha grande chance Cobra! Eu vou ser a maior estrela que a Ribalta já teve. – disse isso se afastando e virando de costas para mim, fazendo gesto teatral com as mãos conforme pensava no próprio brilhantismo.
Abri um sorriso torto, enquanto pensava em como aquela garota era mesmo pretensiosa, acreditando veementemente ser melhor que qualquer um. Sorrateiramente, fui me aproximando dela novamente, cheguei próximo ao seu ouvido e permiti que ela sentisse o calor da minha respiração em seu pescoço antes de dizer:
– Espero que tenha espaço para um certo lutador nesse plano, Jade. Ou melhor, na sua cama. Duvido que aqueles atorezinhos vão conseguir satisfazer uma mulher igual você. Talvez eles até prefiram competir com você, ao invés de por você – disse isso soltando um riso baixo em seu ouvido, terminando com uma mordiscada no lóbulo da orelha.
Juntei o corpo dela com força ao meu, a segurando pela cintura, e comecei a beijar sua nuca. Pude ver os pêlos naquela região se eriçarem e que ela tencionou os músculos, tombando a cabeça levemente para o lado oposto para me dar mais acesso. A “dama” estava a minha mercê e eu só precisava distraí-la mais um pouco para poder lhe guiar para minha cama. Fui me movendo lentamente ao redor de seu corpo, para ficar frente a ela, distribuindo beijos por toda a região de seu colo e roçando minha barba em seu pescoço. Já começava a forçar o corpo da bailarina para trás, para guiá-la até meu quarto, quando, pela segunda vez naquela gloriosa manhã, sinto duas mãos me empurrarem para trás.
Ela me afastou, e eu fiquei puto, enquanto ela sorria sedutoramente dizendo:
– Mais tarde a gente termina isso, “vagabundo”! De preferência, para comemorar meu acordo com o diretor da Globo.
Me deu um selinho rápido nos lábios e saiu do QG, tão rápido que eu não tive nem tempo de processar direito o que ela havia dito. Ela simplesmente saiu e me deixou lá, parado no meio do estabelecimento, frustrado. Depois eu ia mostrar pra ela quem é que mandava nesse relacionamento, isso não ia ficar assim.
De que vale todo o meu esforço em agradar a mãe dela se eu nem posso aproveitar daquele corpo quando eu quero?
Com isso em mente, eu resolvi aniquilar um pouco daquela frustração, não da forma que eu queria, com sexo, mas com socos e chutes no saco de areia. É, não tá fácil pra ninguém mesmo.
Já estava cansado e suado quando ouço o barulho de batidas na porta de vidro do QG. Dou um último soco e me abraço ao saco de areia para pará-lo e recuperar um pouco de minha respiração, antes de me dirigir a frente do estabelecimento. A Jade deve ter se arrependido de “negar fogo” e voltado pra me agradar, certeza. Só que ao olhar pra fora, me deparo com Karina.
Sorri ao pensar que aquela loirinha não descansava nunca, aparentemente. Até em domingo essa menina acordava cedo pra treinar e, pelo estado em que estava, devia fazer tempo. Ela estava um pecado, na visão de um retardado como eu, vestia um shorts de ginástica largo e curto, deixando as pernas torneadas a mostra pra qualquer marmanjo ficar babando, com uma blusa soltinha de regata, que permitia ver apenas o início de seus seios, apertados dentro do top. Seus cabelos estavam todos molhados e ela tinha um forte rubor em seu rosto. Senti meu pau latejar e, se eu não conhecesse a Karina, diria que ela tinha acabado de sair de uma transa selvagem, antes fosse comigo! Para idiota, Karina é sua amiga! Tudo culpa da Jade, que foi embora depois de ter me deixar atiçado, droga.
Abri a porta e a pequena entrou mais rápido que um furacão, vociferando um oi de maneira seca e sem me olhar nos olhos. Foi direto para o saco de areia, colocou umas luvas minhas que estavam no chão e começou a socá-lo histericamente. Eu ainda estava atordoado pela forma rápida com que ela passou por mim. Eu ainda segurava a porta aberta, tentando assimilar o que estava acontecendo.
Recobrei meus sentidos, fechei a porta, sem trancá-la, e me dirigi até Karina. A observei por algum tempo em silêncio, até que ela pareceu se incomodar com isso e me encarou de volta. Eu observava cada centímetro dela, tentando entender pela leitura de seu corpo o que a mente dela parecia gritar. Ela tinha raiva, tristeza e alguma coisa mais que eu não consegui identificar nos olhos, paixão talvez. Sua respiração estava descompassada e ela abraçava o saco de areia, descansando sua cabeça nele. Sua boca estava rosada e entreaberta, para que fosse possível uma maior entrada de oxigênio e, eu não consegui parar de olhá-la. Aquilo pareceu lhe incomodar, pois ela umedeceu os lábios, depois os fechou e desviou o olhar de mim. Com isso, cruzei meus braços, fazendo com que ela me olhasse novamente e voltei minha atenção para seus olhos, levantei uma sobrancelha para que ela entendesse o que eu queria lhe perguntar: “O que você está fazendo aqui e o que aconteceu agora?”
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