Afire Love
9 Capítulo 9
Notas iniciais
P.O.V. Sophie
— Como entrou para o grupo? — pergunto ao Daryl.
— Nós nos juntamos na estrada — diz ele dando outro gole em sua bebida. — No começo eu estava com meu irmão, mas ele desapareceu e eu não tinha pra onde ir então apenas os segui.
— Eu sinto muito pelo seu irmão, mas fico feliz que esteja aqui.
O canto do seu lábio se levanta levemente e ele relaxa a expressão. Gosto mesmo da companhia dele, além disso, Daryl queria salvar minha vida quando saímos e eu aprecio muito isso.
Me levanto do chão e vou em direção ao aparelho de som e coloco para tocar o álbum Goodbye Yellow Brick Road do Elton John.
— E você, o que aconteceu com sua família? — pergunta ele enquanto eu me sento ao seu lado e tomo mais um gole da minha bebida.
— Mortos — digo. — O que trouxe seu grupo para D.C.?
Ele pensa um pouco antes de me responder.
— Eugene achava que existiam mais chances de existir alguma coisa aqui e não tinha mais nada para nós na Geórgia — diz ele sem se aprofundar no assunto. — Por que resolveu ser uma recrutadora? Você não deve gostar de ficar lá fora quando tem tanto conforto aqui.
— Quando Aaron me encontrou eu não estava bem, eu estava sozinha e cansada, não acreditava que ainda pudessem existir pessoas boas, até que ele apareceu e me fez perceber que eu estava errada, viver ainda pode ser bom. Eu quero poder fazer o mesmo por alguém. Além disso, eu gosto da liberdade de estar lá fora e eu não posso me esquecer de como o mundo real ainda é. Admito que temos muito conforto aqui, mas não me brilha tanto os olhos quanto os muros altos e as pessoas que podem proteger esse lugar. O que deixou pra trás na Geórgia?
Digo tudo num fôlego só. Tenho a sensação de que Daryl ainda tem uma ideia um pouco errada sobre mim e quero que ele me conheça melhor assim como também quero conhecê-lo.
— Nós tínhamos um lugar, não era chique como esse, mas era nosso, nós conquistamos. Um grupo inimigo acabou destruindo tudo que construímos. Tivemos algumas perdas e tinha essa garota que eu deveria ter protegido — diz ele olhando fixamente para o chão. — Por que deixou a Inglaterra?
Percebo que ele não se alonga no assunto, mas achou importante mencionar essa perda dessa garota e isso acaba despertando o meu interesse
— Depois que meus pais morreram eu vi que não tinha mais motivo pra ficar lá. A morte deles não foi nada trágico, eles já eram idoso, mas eu achei que merecia um recomeço, um novo lugar. Escolhi vir para Washington, achei que eu teria um futuro promissor aqui — digo. — Essa garota, era sua namorada? Ela parece importante pra você.
— Não — diz ele sem me olhar nos olhos. — Ela era... diferente. Me fez ver que ainda existia algo de bom no mundo, mesmo com tudo o que a gente estava passando. Me ajudou a encarar umas coisas que eu estava carregando. Ela foi levada, e eu não consegui protegê-la. Deveria ter sido diferente. Por que você está tão interessada nisso?
— Você me intriga, Daryl, e isso parece ser algo importante pra você. Tenho certeza que deu o seu melhor, é um bom homem — digo e ele finalmente passa a me encarar e penso em uma pergunta pra mudar a direção daquela conversa. — Qual foi a última vez que fez sexo, Daryl Dixon? — pergunto fazendo-o ficar sem jeito e acabo rindo com gosto. Provavelmente junção do álcool com o fato de ver ele tão envergonhado. — Faz tanto tempo assim?
— Antes disso. Você? — pergunta ele e essa é a minha vez de ficar envergonhada e ele parece satisfeito por extrair essa reação de mim.
— Antes de tudo começar? Isso é muito tempo — digo antes de respondê-lo. — Não faz tanto tempo quanto você, foi um pouco depois que eu cheguei em Alexandria para falar a verdade — respondo evitando dar mais informações.
— Com quem? — droga. Suspiro e tomo mais outro gole de whisky antes de respondê-lo.
— Aiden — ele parece surpreso. — E eu me recuso a responder qualquer pergunta depois disso.
— Aiden? Sério? — ele continua sem parecer acreditar. — Não tinha ninguém pior? Você aceita muito pouco.
— Eu havia acabado de chegar, tinha passado muito tempo sozinha na estrada e ainda não tinha tido tempo para perceber quão babaca Aiden era. E ele até que tinha um certo charme quando estava calado — digo e assim que termino de falar começa a tocar Bennie and The Jets. — Eu amo essa música — digo e começo a cantar. — Hey kids, shake it loose together. The spotlight’s hitting something that’s been know to change the weather.
Daryl me lança um olhar estranho quando eu começo a cantar. Posso quase dizer que ele está escondendo um sorriso.
— Qual é? É Bennie and The Jets — digo e ele continua me encarando. — Não vai me dizer que você não conhece, é uma das melhores músicas já feitas. Eu salvaria a vida do Elthon todos os dias só por ter nos dado essa música.
— Você não é deste mundo — diz ele e finalmente sorri. — E eu percebi que Aiden era um imbecil no momento em que coloquei os olhos nele
— E você é desse mundo? — retruco. — E admito que talvez meu julgamento sobre as pessoas não seja tão bom quanto o seu, mas esse é um dos motivos pelos quais Aaron queria que estivéssemos juntos.
— Eu pertenço mais a esse mundo do que você imagina e você canta muito mal.
— Eu acho que você pertence bem menos a esse mundo destruído do que você pensa. Você passa uma primeira impressão horrível — digo e abro um sorriso. — Mas sabe, até que foi bom conhecer você. Uns 70% bom. Seria 75% se não tivesse criticado minhas habilidades de canto.
Ele não diz nada mas o sorriso continua lá. Fico tão satisfeita em ver ele com uma expressão mais suave, então acho que passamos para 75%.
— Existe alguma coisa que me faz querer gostar de você — me animo completamente desinibida pelo álcool. — Não vou mentir, no começo era por causa da propaganda que fizeram de você, mas agora eu realmente sei apreciar sua companhia irritante.
A essa altura a bebida definitivamente já estava fazendo efeito, mas percebo um olhar estranho novamente e acho que posso ter falado demais.
— Desculpa, eu…
— Eu sou irritante? — ele me interrompe. — Eu?
— Você não tem ideia — acabo rindo de sua indignação. — Você julga demais, acaba tirando conclusões precipitadas e é por isso que nós acabamos brigando. Não acho que você faz por mal, mas dá vontade de descer o cacete em você.
Daryl acaba rindo do meu comentário e nós ficamos em silêncio. Ele fica muito bonito assim, mas ainda não bebi o suficiente para começar a elogiar a sua boa aparência. Tenho que me policiar ou em duas doses eu vou estar falando dos seus braços fortes.
— Acho que nenhuma outra pessoa daqui teria coragem de me dizer isso — ele quebra o silêncio.
— Você é muito convencido — digo. — Não é tão amedrontador quanto imagina.
— Além de irritante eu sou convencido? Olha só quem fala.
— Eu não sou convencida.
— Na segunda vez que nos encontramos você me disse que eu iria querer trabalhar com você porque é gostosa.
— Não foi, não. Isso aconteceu na terceira vez em que nos encontramos — me defendo. — E foi o Abraham quem disse e não eu. Além disso, ele estava mentindo?
— O que?
— Eu não sou gostosa?
— Eu não disse isso.
— Então você me acha gostosa Daryl Dixon? — pergunto rindo.
— Você gosta de ser irritante, né?
— Desde a primeira vez que te vi e você foi um grosso — digo. — Mas fique tranquilo, eu gosto muito mais de você agora.
Voltamos ao silêncio e nos encaramos no escuro. Não consigo decifrar o seu olhar, Daryl deve ser um ótimo jogador de poker.
— Acho que já tá na minha hora — diz ele se levantando e eu o acompanho.
Daryl me segue até a porta e ficamos nos encarando, nenhum de nós fazendo menção de abri-la. Ele tem sido uma boa companhia, é genuinamente uma boa pessoa e o azul dos seus olhos é hipnotizante. Eu quero beijá-lo. Quero saber como é estar em seus braços, quero saber como é o seu gosto.
Não consigo nem acreditar que estou tendo esse tipo de pensamento sobre Daryl Dixon, mas nesse instante os lábios dele parecem tão convidativos e nós tivemos uma noite tão boa.
Acho que ele percebe o que eu estava fazendo porque, a não ser que eu esteja ficando completamente louca, eu acho que ele estava fazendo mesmo. E então eu saio do transe.
— Eu tenho que ir — diz ele sem me olhar e então vai embora.
E eu fico aqui paralisada e completamente atraída por Daryl Dixon.
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