Afire Love
5 Capítulo 5
Notas iniciais
P.O.V. Daryl
Ainda era bem cedo e eu estava no quarto limpando minhas flechas quando Carol entra sem bater. É difícil me acostumar com todo esse conforto que nós temos agora, então continuo tendo dificuldades pra dormir e vivo desconfortável por estar aqui apesar de tudo.
— Tem uma garota te esperando na sala — avisa. — Não demore, nós já vamos sair — diz ela e então desaparece no corredor.
Garota?
Pego a besta e desço as escadas encontrando Sophie na sala conversando e rindo com o Rick. Aaron já havia falado comigo sobre ir lá fora encontrar pessoas, como ele e o Eric fazem. O problema é que eles me avisaram que eu teria que ir com ela, parece que ele está preocupado com a segurança da garota e eu tenho cara de babá. Assim que notam minha presença eles se despedem e Rick nos deixa sozinhos na sala.
— Espero que eu não tenha te acor...
— Não acordou — interrompo.
— Não sei se o Aaron já fa...
— Já — interrompo novamente.
Nós havíamos conversado uns dois dias atrás. Ele me perguntou se eu estava disposto a ir lá fora e eu disse que sim, mas então ele disse que seria com essa garota petulante. Então eu disse que precisava pensar. Apesar de estar louco para poder voltar à ação lá fora, não sei se vale a pena o sacrifício de ter uma dessas pessoas como companhia. Não a conheço direito e não quero ser responsável por uma dessas pessoas que não fazem a menor ideia de como é se virar lá fora.
— Meu Deus, será que você pode me deixar terminar uma frase? — diz ela se irritando.
— Eu não disse pra ele que eu tinha aceitado.
— Ah — agora ela parece um pouco sem jeito. — Ok.
— Agora se você puder ir embora — digo seco.
— Nossa, mas você é muito bronco mesmo — diz ela aborrecida e então anda pisando forte em direção à porta de entrada, antes de abrir ela para e deixa uma garrafa de vinho no aparador próximo. — Para você.
E então ela sai me deixando sozinho feito um grande idiota na sala. Tenho que reconhecer que foi um gesto inesperado, não sei o que pensar sobre essa mulher.
Quando finalmente decido sair vejo Rick com Carl e Judith.
— Vão dar uma volta? — pergunta Rick e Carl afirma. — Tome cuidado e não confie nessa gente.
— Isso é mesmo necessário? — pergunta Carl. — Aqui é um bom lugar para nós, pode dar certo.
— Falamos sobre isso depois — diz o Rick e então caminhamos lado a lado para o portão. — A garota saiu brava, o que aconteceu?
— Nada — não quero falar sobre isso.
Rick não insiste e eu fico grato por isso. Mas não consigo parar de pensar. O que será que ela queria com aquele presente, afinal? Seria uma tentativa de resolver as coisas? De ser amigável? Não importa, o que quer que fosse, eu estraguei.
Também não consigo tirar as palavras de Carl da cabeça. Ele acredita que as coisas podem funcionar aqui. Rick, mesmo com suas desconfianças, está tentando viver nesse lugar, construir algo para as crianças. Enquanto eu continuo apenas existindo e sendo um grande inútil. Tudo isso faz com que a ideia de Aaron, de sair pra recrutar volte a minha mente. Se Alexandria é a nossa chance então eu preciso fazer a minha parte e talvez isso signifique engolir o meu orgulho e ser a babá da ruiva. Talvez ela não seja tão ruim assim, vi ela lá fora quando nos encontramos na floresta e pode ser que ela não seja totalmente incapaz. Essa é a minha chance de ser útil.
[...]
— Escolha — diz Carol tirando as armas que havia roubado de dentro da bolsa.
Nós três estávamos no meio da floresta, usamos a desculpa de que estávamos ensinando Carol a usar uma arma pra sairmos de Alexandria sem levantar suspeitas. Algumas noites atrás ela invadiu o arsenal sem que ninguém percebesse a pegou algumas das armas para que pudéssemos nos precaver.
— Eu andei pensando, nós precisamos mesmo disso? — digo e Rick e Carol me encaram.
Estive pensando sobre o que Carol me disse uma vez, no que andei conversando com Aaron e no que fiz a Sophie essa manhã. Eu estou agindo na defensiva e não estou dando nenhuma oportunidade para que as coisas possam ser menos piores nesse lugar, estou jogando fora minha melhor oportunidade de estar aqui sem prejudicar minha família. Se é aqui que eles querem ficar então eu tenho que dar um jeito de tornar isso mais suportável. E tornar mais suportável para mim significa passar menos tempo em Alexandria, isso quer dizer que eu já tenho uma resposta para dar ao Aaron e provavelmente um acordo de paz com a ruiva irritante.
— Se as coisas desandarem, beleza, nós faremos o que for preciso. Mas é como você disse antes — digo encarando Rick. — Não precisamos.
— Agora não precisamos — diz Carol tentando me convencer a pegar a arma.
— Queria que eu tentasse, certo? — digo. — Estou bem.
Rick pega uma das armas da mão de Carol e a esconde na parte de trás da sua calça.
Nós caminhamos de volta para Alexandria em silêncio o que me dá tempo para pensar. Eu vou fazer a coisa certa e vou fazer o que Aaron me pediu. Isso significa que vou voltar atrás e agir certo com a garota. Aaron é uma boa pessoa, não acho que ele me colocaria numa situação ruim. Se ele acha que essa garota e eu podemos trabalhar juntos, então talvez ela não seja tão ruim.
Assim que passamos pelos portões cada um segue um caminho diferente. Eu planejava voltar para casa quando a vejo. Ela estava equilibrando uma pilha de caixas maior do que ela, mais alguns passos e eu tenho certeza de que tudo iria cair. Então eu vou até ela e pego a maior parte das caixas.
— Obrigada — diz Sophie e então me vê. — Ah é você.
— Eu vou — digo e ela me olha confusa. — Eu vou lá fora com você.
— O que te faz acreditar que eu quero ir a algum lugar com você?
— Pra onde eu levo as caixas? — pergunto e ela indica uma espécie de galpão alguns metros à frente.
Quando chegamos ao galpão eu deixo as caixas em uma mesa e após fazer o mesmo Sophie apoia as mãos na cintura e me olha como se estivesse esperando alguma coisa.
— Você veio até aqui, esperta.
— O que? — pergunta ela confusa.
— Você me perguntou o que me fazia acreditar que você iria a algum lugar comigo — digo e após certa resistência ela ri.
— Inacreditável — diz ela ainda sorrindo. — Nós saímos em dois dias. Mas Daryl...
— Dixon.
— Mas Daryl Dixon eu juro que se você me destratar mais uma vez está tudo acabado.
Confirmo com a cabeça. Não acredito que estou mesmo entrando nessa, mas é a minha melhor alternativa e fico grato que ela não tenha dificultado as coisas. Pergunto para que são as caixas e ela me conta que são materiais para as crianças que passarão a ter aula no galpão.
— A garagem onde eles estudavam está ficando pequena demais para acomodar a todos. Isso é bom né? Quer dizer que temos mais crianças. Isso não poderia me deixar mais feliz, sabe? Num mundo como esse.
Mais uma vez apenas confirmo com a cabeça e espero ela voltar a falar. Ela até que não é tão ruim, pelo menos não parece ser tão estúpida, talvez recrutar, como eles chamam, não seja um sacrifício tão grande. Também gosto de como ela fala das crianças.
— Por que mudou de ideia?
— Acho que se for pra ser útil então eu prefiro estar lá fora.
— Entendo —diz ela sentando na parte de cima da mesa. — Eu costumo ficar entediada quando passo muito tempo aqui. De manhã eu estava ajudando na construção, agora estou carregando caixas para a Olivia e mais tarde vou pedir para trocar a vigia com alguém.
— Achei que você tinha acabado de voltar.
— Eu fico entediada muito fácil — diz ela rindo. — Foi assim que conheci boa parte do seu grupo. Mais cedo Abraham me disse que você ia mudar de ideia quando percebesse que eu sou gostosa.
Eu não digo nada, porém acabo a “avaliando” como ela mesma disse naquele dia na floresta. Abraham não está errado, mas eu não vou dizer isso. Além disso, não foi esse o motivo que me levou a mudar de ideia de qualquer forma. Ela percebe o que estou fazendo e acaba rindo.
— Os outros falaram bem de você — explica ela. — Menos o Rick, eu só o conheci esta manhã e ele riu da ideia de você trabalhar comigo.
Isso explica porque eles estavam tão felizes mais cedo. Ela me conta que além de Abraham e Rick, ela também conheceu Maggie e Glenn e que ela também estava relutante quando Aaron sugeriu que fossemos uma dupla, que ela também prefere estar sozinha e que não foi muito com a minha cara. Mas as pessoas a fizeram ter uma opinião melhor sobre mim. A única pessoa que não ajudou na minha reputação fui eu.
Ela não é tão ruim quanto eu imaginava, o que acaba me despertando um certa curiosidade. Definitivamente não é a pior entre toda essa gente, mas ela continua sendo um deles, não uma de nós.
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