Afire Love
17 Capítulo 17
Notas iniciais
P.O.V. Daryl
Eu estava na moto atraindo o bando enquanto Sophie e Abraham estavam no carro ao meu lado. Não sei qual a utilidade dele aqui já que não parece focado no plano, desde que nos encontramos sempre que olho para os dois dentro do carro eles estão rindo de alguma coisa, ele não deveria estar aqui para ficar de olho nela? Nós estamos atraindo centenas de mortos e tudo pode dar errado a qualquer momento, como aqueles dois podem estar se divertindo?
Por que isso me incomoda tanto? Desvio o olhar, apertando o guidão. Preciso parar com isso. Preciso me concentrar. Mas a imagem dela rindo com o Abraham fica na minha cabeça, me queimando por dentro.
Era para ser apenas um ensaio, mas as coisas dificilmente acontecem da forma que planejamos. Parece que esse mundo está sempre nos testando, como se os mortos nos perseguirem atrás da nossa carne já não fosse o suficiente. Enquanto isso, os dois continuam felizes dentro do carro. Não estou confortável com isso, sei que Abraham e Rosita não estão em um bom momento e não gosto de ver como ele tem divertido Sophie ao longo de todo o percurso.
Sou tirado do meu raciocínio por uma buzina estridente que começa a tocar sem parar, vindo da mesma direção em que fica Alexandria e devido ao barulho, grande parte dos zumbis que estávamos atraindo sai da estrada a começa a caminhar em direção à buzina, direto para a comunidade. Metade da minha família está lá, Bravinha está lá.
Isso não pode acontecer, não agora, eu tenho que dar um jeito. Sophie e Abraham parecem ter entendido a gravidade da situação. Minha primeira reação é chamar Rick no rádio e tentar entender o porquê dessa merda estar tocando.
— Rick! — chamo e ele me responde no mesmo segundo.
— Estou aqui.
— O que está acontecendo aí?
— Metade se separou. Foram em direção a Alexandria — olho pra dentro do carro e meu olhar se cruza com o de Sophie e pela primeira vez ela parece assustada, ela também tem pessoas esperando por ela.
— Na sua direção? — ouço Abraham perguntar a Rick através do rádio.
— Estamos na frente — Rick responde ofegante. — É uma buzina alta, vinda do leste. Não para.
— Vou acelerar e voltar — digo a Rick e o olhar assustado de Sophie se direciona a mim.
— Está sob controle. Prossiga — diz Rick.
— Precisarão da nossa ajuda — digo, não posso ficar aqui enquanto os outros correm perigo e tenho certeza de que vou ser mais útil lá do que aqui, Sophie e Abraham podem dar conta da situação. Eu não queria deixá-los, mas precisamos de um lugar para o qual voltar.
— Temos que manter a horda em movimento.
— Não quando dá errado — insisto.
— Se o resto da horda virar vai piorar tudo — diz Rick pelo o rádio, mas eu preciso ajudar. — Daryl? — ele está esperando por uma resposta.
— Eu escutei — digo, mas não estou convencido.
Nós andamos por mais algum tempo sem mais notícias e eu decido que é melhor eu dar a volta e tentar atrair os zumbis que desviaram para a comunidade, preciso pensar nos que ficaram. Não posso ficar aqui esperando. As pessoas com quem me importo, elas precisam que essa comunidade fique de pé
— Já fizemos oito quilômetros? — pergunto a Sophie e Abraham através da janela.
— Mais ou menos por aí — responde Abraham. — Por que a pergunta?
— No próximo cruzamento vou dar a volta e retornar — digo.
— O plano é prosseguir mais vinte e dois quilômetros — protesta Sophie.
— Vou mudar o plano. Oito vão ter que dar — insisto.
— O número mágico é trinta. É a missão — dessa vez quem protesta é Abraham. — Assim eles vão mastigar guaxinins doentes pelo resto de suas vidas e não a gente.
— Se quiser voltar, nós não podemos te deter — diz Sophie dividindo a atenção entre mim e a estrada. — Mas sem você eles podem nos deter, Daryl.
Ela olha pra mim esperando por uma resposta, mas eu tenho que ir. Abraham e eu temos um acordo, ela vai ficar bem.
— Se precisarem me chamem no rádio, eu confio em vocês — digo e acelero a moto, antes de me distanciar ouço os protestos de Sophie e Abraham.
Isso não é apenas pelas pessoas que ficaram, é por ela também.
[...]
Eu estava quase completando a volta de moto para encontrar a metade desgarrada quando Rick me chama no rádio.
— Estou aqui — respondo.
— Não vai demorar, eles estão quase aqui. Vou levá-los novamente na direção de vocês.
— Gostou dessa, Daryl? Ele vai vir na nossa direção — diz Sophie dando ênfase na palavra nossa. Rick não sabia que eu estava voltando, mas isso não importa agora. Vou apenas encontrar Sophie e Abraham e continuar com o plano.
Rick nos avisa que há um tiroteio na comunidade e começa a fazer um discurso sobre como voltar seria estupido e que nós temos que seguir em frente por aqueles que ficaram em Alexandria, pois se tivéssemos voltado isso teria sido por nós.
— A horda já deve estar chegando — Rick anuncia e então não diz mais nada.
Dou meia volta e acelero a moto o máximo que consigo, se Rick conseguiu controlar a situação, não há nada que me impeça de voltar para onde eu deveria estar e seguir com o plano.
Encontro Sophie e Abraham novamente após alguns minutos e posso afirmar com toda a certeza que a cara deles não é nada boa. Bom, problema deles, pelo menos eles finalmente parecem estar levando isso a sério, eu fiz o que achei que tinha que fazer. Sendo assim, nós conduzimos a horda pelos quilômetros restantes sem maiores problemas. Em momento algum Rick nos encontra e volto a ficar preocupado preocupado com o que pode ter acontecido em Alexandria, se Rick não conseguiu os conduzir de volta então uma hora dessas a comunidade deve estar cercada. É melhor voltarmos de uma vez por todas.
— Tentem me acompanhar — digo a Sophie e Abraham pelo rádioenquanto acelero a moto.
— Daryl, você já deu uma boa olhada nesse carro? — Sophie pergunta. — Acredite, nós também queremos voltar para casa, mas não há muito o que fazer nessa lata velha.
Eles aceleram o carro o máximo possível, mas como ela disse, não há muito o que fazer num carro daqueles. Se fossemos só nós dois ela poderia voltar comigo na moto e deixar esse carro para trás.
Não vejo a hora de voltarmos para casa.
— Acha que algo deu errado? — grita Abraham pela janela. — Rick não está respondendo.
— Nenhum deles está — diz Sophie.
— Nós já vamos voltar para casa — digo.
Mas como que por ironia do destino, algo sempre tem que dar errado quando se trata da gente. Eu já estava até sonhando em encontrar aqueles muros novamente quando um relâmpago de dor irrompe no meu braço. Um tiro. Perco o controle da moto e saio da estrada, perco o equilíbrio e vejo o chão se aproximar com a certeza de que as coisas haviam acabado de ficar muito, muito piores.
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