Afire Love
15 Capítulo 15
Notas iniciais
P.O.V. Daryl
Nós estávamos quase prontos agora. Faltam apenas três dias para guiarmos o bando para bem longe daqui e eu recuperar a minha liberdade. A pior coisa sobre tudo isso é que quando não estou trabalhando no muro, estou preso aqui dentro. Rick e eu combinamos que ninguém mais sairia, é arriscado demais, mesmo quando tenho que caçar tento ser breve.
Nos últimos dias eu tenho tido o pressentimento de que alguma coisa está errada, não sei dizer exatamente o quê, mas meus instintos me dizem que algo não vai acontecer como o planejado e não consigo parar de pensar nisso. Não acho que o problema seja Carter ou o bando de imbecis que o segue, nós agora estamos os observando bem de perto. Mas sinto que algo não está certo.
Meus pensamentos são interrompidos quando a vejo passar na frente da minha casa com Aaron, eu estou na varanda limpando minhas flechas e posso vê-la perfeitamente daqui. Sophie me nota e acena vigorosamente para mim, eu apenas dou um leve aceno com a cabeça como resposta. Ela parece não estar satisfeita e então ironicamente bate continência, arrancando de mim um esboço de um sorriso. Aaron apenas ri de nós e eles continuam seu caminho.
Eu quase não a vi nesses últimos dias, nós dois estamos trabalhando sem parar na organização do desvio e sei que ela tenta se ocupar de toda forma quando está aqui, mas sempre sorri quando nos cruzamos e eu tento retribuir. Ela também me garantiu que nos informaria se Carter estivesse planejando algo contra nós, mais um motivo que me deixa tranquilo em relação a ele.
Já estava escuro quando vejo Rick voltando para casa, agora ele passa um bom tempo com a loira com quem ele está se envolvendo, Jessie. Ele encosta próximo ao peitoril da escada da varanda e nós vemos Spencer e alguns outros passarem pela rua.
— Acha que podemos mesmo confiar neles? — pergunta ele. — Isso é muito grande, não pode haver erros.
— Acho que todos sabem o tamanho disso.
Desde o desentendimento com Carter, Rick tem se preocupado cada vez mais com o andamento do plano e eu o entendo, se isso der errado nós perdemos tudo mais uma vez. De toda forma, eu quero confiar que todos estão cem por cento comprometidos e se eles não estiverem nós vamos fazer com que fiquem.
— Eu estou contando com você, você sabe — Rick continua. — Sua parte é fundamental, não podemos deixar desgarrados ou que o bando vá na direção errada, eu confio em você. Você confia nela? Na garota?
— Sophie? — ele confirma com a cabeça. — Confio.
— Eu não tenho certeza, você sabe que eu não posso arriscar. Abraham vai com ela.
— Rick isso não é…
— Já está combinado — diz ele e eu sei que não é a hora de insistir, além disso, isso pode ser bom. Então apenas concordo e Rick vai para dentro de casa me deixando sozinho na varanda mais uma vez.
[...]
— Você demorou.
Diz Abraham assim que me apoio no batente do seu quarto. Ele estava juntando alguns lençóis e travesseiros pelo que eu podia ver. Até onde sei, ele e Rosita não estão exatamente se entendendo, mas isso não é da minha conta.
— O que? — pergunto.
— Nada, diz aí o que você quer? — curto e grosso, bom, eu prefiro assim.
— Rick me disse que já falou com você.
— Já falou, sim. E eu imagino que vá me pedir um favor.
— Se algo der errado e se precisarmos nos separar, você…
— Eu vou trazer ela de volta — eu apenas aceno para ele em agradecimento e saio dali.
Não consigo deixar de pensar na segurança dela. Não falamos mais sobre o beijo e não aconteceu de novo, mas sempre que estamos juntos ela faz com que eu me sinta bem. É difícil de explicar, mas ela acredita no melhor de mim. Eu achei que ela tivesse me dito que eu era forte e não estava quebrado apenas para ser legal, mas quando escutei ela conversando com o Abraham eu soube que Sophie acredita mesmo em todas aquelas palavras, então, quando ela me perguntou se eu iria fugir de novo, eu tive que mostrar que estava certa em acreditar. Eu não fugiria dessa vez. Costumo agir com meu instinto e meu instinto me disse que era a coisa certa a se fazer.
Vou para a cozinha preparar algo para comer e encontro Carol fazendo o que deve ser mais um agrado para os moradores desse lugar. Já tem algum tempo que estamos aqui e ela não abaixou nem um pouco a guarda, ela não sai do personagem de dona de casa indefesa nem por um segundo e isso me preocupa. Não tenho dúvidas de que Carol é a mais forte de nós, mas tenho medo do que isso pode estar custando a ela.
— Como está se sentindo? — ela me pergunta quebrando o silêncio. — O grande dia está chegando.
— Não está chateada por ficar de fora?
— Não, eu prefiro cuidar das coisas por aqui. Além disso, se eu me mostrar útil demais, todo o personagem vai por água abaixo.
— Isso é mesmo necessário?
— Você baixou a guarda rápido demais, Daryl. E é sempre bom ter uma carta na manga.
— Eu estou disposto a tentar, se isso der errado nós partimos pra próxima. É o que sempre fazemos, desde o acampamento.
— Bom, eu não vou deixar com que aconteça de novo.
— Se você diz.
Eu sempre lidei mal com as perdas, mas Carol está levando ao extremo. Eu sei da culpa que carrego sobre todas as pessoas que não fui capaz de proteger e sempre vou carregar isso comigo. Mas com Carol é diferente, parece que ela tenta compensar tudo, sem admitir erros dessa vez e eu tenho medo de onde isso pode levá-la. Nós costumávamos ser parecidos, mas eu quero tentar ter uma vida aqui e talvez isso envolva assumir alguns riscos.
— No que está pensando? — pergunta ela.
— Nós podemos ter uma chance de verdade aqui, você sabe.
— Então agora você gosta desse lugar?
— Nossa família está aqui, não é?
— É só por causa disso? — eu confirmo com a cabeça e ela ri. — Você não me engana Daryl. Está escrito na sua cara.
— O que tá escrito na minha cara? — pergunto procurando pelo resto dos esquilos que eu havia caçado dias atrás.
— Nada, deixa isso aí, eu faço alguma coisa pra você comer.
— Diga.
— Você gosta da garota, eu te conheço melhor do que ninguém, vejo como procura ela com olhar e vejo como olha pra ela, faz parecer que ela é um anjo e que você está louco para ser salvo. Só te peço para que não esqueça do que realmente importa.
— E o que realmente importa?
— Sobrevivermos.
— Só continua valendo a pena por causa das pessoas.
— Apenas pense nisso e não baixe a guarda.
[...]
Antes do amanhecer decido sair um pouco para caçar, por uma hora que seja, me ajuda a colocar os pensamentos em ordem. Quando abro a porta da frente encontro Rick e Sophie conversando.
— Não acho que deva se preocupar — ela dizia e então me vê. — Bom dia, Dixon.
— Daryl — Rick me cumprimenta com um aceno de cabeça. — Vai sair?
— Vou caçar por uma hora, volto a tempo de ajudar com tudo — respondo.
— Se importa se eu for junto? — pergunta Sophie me pegando de surpresa.
— Quer caçar? — pergunto.
— Quero sair, me dê dois minutos para pegar meu arco. Te encontro no portão — diz ela. — E Rick, nos dê algum crédito.
— Vai caçar com a namorada? — pergunta Rick sorrindo depois que Sophie nos deixa sozinhos.
— Não enche. Contou a ela que Abraham vai junto?
— Não, estávamos falando sobre o grupo que vai nos acompanhar.
— Achei que não confiava nela.
— Ainda não descobri se confio.
— Preciso ir, ela não gosta de atraso — digo sem pensar e Rick ri com gosto.
— Está mesmo na coleira — diz ele e eu apenas sigo para o portão.
Sophie já estava lá quando me aproximo e estou pronto para ouvir ela reclamar que me atrasei, mas ela não fala nada então deixamos Alexandria e entramos na floresta em silêncio.
— Não vai falar nada? — pergunto depois de algum tempo.
— Achei que era necessário ficar em silêncio para não assustar os animais — responde ela e está certa, não sei o que está acontecendo comigo. É a primeira vez que ficamos sozinhos depois daquela manhã.
Passado quase uma hora havíamos pegado apenas alguns pequenos animais e decidimos que está na hora de voltar para a comunidade.
— Está preocupado? Com o que estamos prestes a fazer? — ela finalmente rompe o silêncio.
— Sempre há riscos. Você está?
— Já tinha me visto calada desse jeito antes? — brinca ela. — Só quero que tudo dê certo, mas não sei, sinto que há algo errado.
— Tenho sentido o mesmo.
— Promete que vai tomar cuidado?
— Vou tentar.
— Eu vou estar com você então vou ficar de olho. Além disso, se voltar inteirinho vai poder me beijar de novo — e mais uma vez sou pego de surpresa. — Não falamos sobre isso e não precisamos, apenas volte e… apenas volte, Daryl.
A essa altura já havíamos chegado no portão e quem abre é Spencer. Quando percebe que somos nós, ele fecha a cara e revira os olhos.
— Algum problema? — pergunto.
— Nenhum.
— Ótimo — digo me aproximando até ficar cara a cara com ele. — Se tiver algum problema comigo, é só me falar que nós resolvemos.
— Daryl, vamos já está quase na hora — chama Sophie.
Lanço um último olhar a Spencer e saio de lá com Sophie. Não esqueci que ele gritou com ela e não gosto da atitude dele.
— Por favor, caçador, não compre minhas brigas.
— Tenho meus próprios problemas com ele.
— Que problemas?
— Ele gritou com você — respondo ainda com raiva e ela ri.
— Você não tem ideia do quanto me diverte. Obrigada, Daryl, pode me chamar de novo quando for caçar, você é melhor nisso do que eu e gostaria de aprender mais. Te vejo daqui a pouco.
Ela me deixa sozinho e vou para casa. Todos estão certos, eu gosto dela.
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