Afire Love
7 Capítulo 7
Notas iniciais
P.O.V. Sophie
Assim que Daryl abre a traseira de um dos caminhões todos os outros se abrem de uma vez só e de lá saem mais e mais dezenas de zumbis. Daryl e eu corremos por entre os caminhões na esperança de alcançar o portão e sair daquele lugar, porém tudo acontece muito rápido e antes que pudéssemos fugir o local já havia sido tomado.
— Por aqui — chamo Daryl quando eu estava entrando debaixo de um dos caminhões, mas somos alcançados pelos zumbis.
— Vamos — diz ele pegando uma corrente que estava jogada no chão e saindo debaixo do caminhão pelo lado oposto ao qual havíamos nos enfiado lá.
Assim que Daryl e eu saímos de baixo do caminhão eu o vejo usar a corrente para acertar a cabeça de três zumbis de uma só vez. Não posso negar que ele é impressionante.
Nesse momento um zumbi alcança minhas costas e agarra a minha mochila, Daryl o puxa e o acerta com sua faca. Eu apenas aceno com a cabeça em forma de agradecimento e nós corremos abrindo caminho no meio da horda até que avistamos um carro no meio do pátio e corremos em direção a ele. Daryl chega primeiro e abre o carro me puxando para entrar junto e eu fecho a porta atrás de mim. Logo em seguida vários zumbis se juntam em volta de nós batendo nos vidros na tentativa de nos alcançar. Ainda é um pouco assustador vê-los tão de perto, sedentos por um pedaço de carne.
— O vidro não vai segurá-los, não é?
— Talvez — responde Daryl olhando para os lados tentando encontrar uma saída. — Talvez haja algo que possa nos esconder. Em algumas horas alguma outra coisa vai aparecer e eles vão atrás, deve haver algo aqui que bloqueie a visão deles para que nos esqueçam.
Então começamos a procurar por qualquer coisa que nos esconda dentro do carro e acabo encontrando um pedaço de papel jogado embaixo do porta luvas.
— Vamos cortar os bancos — diz Daryl, alheio ao que eu havia encontrado.
— Armadilha, pessoas más vindo, não fiquem — leio em voz alta o que estava escrito no papel.
E então nós ficamos parados nos encarando, sabemos o que isso significa e eu vejo a preocupação em seu olhar. Como nossa única perspectiva parece ser a morte, eu acabo dando uma boa olhada em Daryl. Ele é um homem bonito, seria mais bonito se não fosse tão carrancudo. Daryl acaba desviando o olhar e começa a observar os zumbis do lado de fora.
— O que foi? — pergunto a ele. É difícil decifrar o que ele pensa.
— Eu vim para cá pra não me sentir preso lá. Mesmo agora, eu me sinto melhor aqui do que em Alexandria.
Sei o que ele quer dizer, também me sentia assim quando eu cheguei em Alexandria. Não conseguia lidar com o que achava que era uma falsa sensação de segurança, achava que as coisas iam ruir a qualquer momento. Ainda carrego um pouco disso comigo, mas ao invés de fugir, decidi que trabalharia para manter aquele lugar.
— Você tentou dar uma chance? — pergunto.
— Eu precisava.
— Sabe, Daryl, mesmo que você não goste de se sentir preso, nós precisamos de pessoas como você em Alexandria. De pessoas como vocês — corrijo e ele fixa o olhar em mim novamente. — São sobreviventes e aquele lugar está cheio de boas pessoas que em algum momento precisarão ser protegidas ou ao menos aprender a se proteger. E você estava certo sobre o homem com o poncho vermelho, deveríamos ter continuado. Nenhum lugar dura para sempre e Alexandria é segura agora, mas vai chegar um momento em que os muros não serão mais o suficiente e nós precisaremos de pessoas como você e os seus amigos.
— Precisa de mim? — pergunta ele com um leve vestígio de humor na voz.
— Vá para o inferno, Daryl Dixon — digo sorrindo. — Não acredito que isso foi tudo que você absorveu. Mas sim, é claro que precisamos de você, é um ótimo rastreador. Quem te ensinou essas coisas?
Ele faz uma longa pausa antes de responder.
— Tive que aprender sozinho, eu tinha que ir pra floresta caçar caso quisesse ter o que comer — responde ele tentando soar indiferente.
— Eu sinto muito — e realmente sentia, eu estava criando uma certa empatia pelo caipira. É difícil ficar preso com uma pessoa dentro de um carro enquanto a morte bate na sua janela e não criar nenhum vínculo com ela. — Sei porque Aaron gosta de você, espero que não pareça uma ofensa, mas você parece ser um sobrevivente mesmo antes de tudo isso, faz parecer que seria o último homem de pé com tanta pose. Ele imaginou que eu estaria segura com você.
Nós dois não falamos mais nada por um bom tempo até que ele acende um cigarro.
— Eu vou — diz ele quebrando o silêncio. — Vou atraí-los e você corre para a cerca.
— Não, não, não, Daryl Dixon. Isso foi culpa minha — eu não vou deixar que ele saia sozinho e acabe morrendo, fui eu que nos coloquei nessa situação.
— Não foi uma pergunta e a decisão não é sua — diz ele e dá uma tragada. — Não é culpa de ninguém. Só vou terminar o meu cigarro.
— Não, você não vai afastá-los — insisto. — Nós vamos lutar e vamos para a cerca juntos. Conseguindo ou não, iremos juntos. Você não vai fazer isso sozinho, Daryl.
Mais uma vez ele dá uma longa tragada antes de me responder.
— Está bem — diz se dando por vencido. — Está pronta?
— Estou.
— Vamos no três — diz ele puxando a faca e virando-se para a porta. — Um, dois...
Nessa hora vejo através da minha janela um zumbi cair e logo em seguida a porta é aberta por um homem segurando uma espécie de lança. Eu saio do carro seguida por Daryl e nós três abrimos caminho por entre os zumbis e corremos até o portão. Daryl é o primeiro a alcançá-lo e assim que estamos os três do lado de fora Daryl o fecha.
— Isso foi... — digo sem ar tentando recuperar o fôlego. — Muito obrigada. Eu sou Sophie, esse é Daryl.
— Morgan — diz o homem limpando a lança.
— Por quê? — pergunta Daryl. Aparentemente a resistência de Daryl a estranhos também se estende àqueles que acabaram de salvar sua vida.
— Por quê? — repete Morgan. — Porque toda vida é preciosa, Daryl.
— Quem fez aquela armadilha está vindo — digo lembrando do bilhete dentro do carro. — Mas temos boas notícias pra você, Morgan. Nós temos uma comunidade não muito longe daqui. Se quiser se juntar a nós...
— Eu agradeço, mas estou indo para outro lugar — diz Morgan e eu ergo uma sobrancelha. — O fato é que estou perdido. Se puderem me dizer onde estamos — diz entregando um mapa a Daryl.
— É seu dia de sorte — diz Daryl encarando o mapa, eu me aproximo e vejo uma mensagem escrita no pedaço de papel "Desculpe, fui um babaca venha para Washington, o novo mundo vai precisar de Rick Grimes”. — Nós vamos te levar até Rick Grimes.
— Rick Grimes? O policial? — pergunto a Daryl que apenas assente com a cabeça. — É melhor irmos logo, o carro não está muito longe e eu não quero dar de cara com quem quer que tenha armado isso.
— Muito obrigada — diz Morgan me seguindo até onde havíamos deixado o carro e a moto.
Morgan vai no carro junto comigo e Daryl vai a nossa frente pilotando a moto. Nenhum de nós diz muita coisa durante a viagem, não o conheço e não quero dar muitas informações além do essencial sobre Alexandria, afinal eu também tenho uma certa resistência a estranhos. Quando chegamos me deparo com Spencer no portão, ele parecia assustado. Assim que entramos ele fecha o portão e eu posso ver pelo seu olhar que há algo errado.
— O que aconteceu? — pergunto após descer do carro e abraçar Spencer. — Está tudo bem?
— O portão estava aberto, eles entraram, os zumbis, eles entraram. Eu estava na reunião por causa do Rick e...
— Rick? — pergunta Daryl.
— Sim, ele enlouqueceu e...
— Onde? — pergunta Daryl interrompendo Spencer novamente.
— Na minha casa — diz Spencer.
Daryl e eu começamos a correr em direção a casa seguidos por Morgan. Assim que chegamos vejo Rick e Deanna cobertos de sangue, ela no chão ao lado do corpo de Reg. E Rick, que estava com uma aparência assustadora, apontava uma arma para a cabeça de Pete e sem notar nossa presença ele dispara fazendo o corpo de Pete cair sem vida no chão.
— Rick? — diz Morgan ao meu lado.
O que está acontecendo aqui?
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