Afire Love

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Oi oi. Boa leitura!

P.O.V. Sophie

Estava bom demais pra ser verdade. Assim que a expressão de Daryl relaxa, nós escutamos os errantes se aproximando. Armo meu arco com a flecha e Daryl tira a crossbow das costas. Saem três zumbis detrás das árvores, eu acerto o primeiro e Daryl o segundo, ele ainda armava a besta quando acerto o terceiro e então ele me lança um olhar curioso.

— O que foi? — pergunto. — Você pode ser um excelente arqueiro, mas é um atirador muito lento.

— Petulante — diz ele e volta a caminhar.

— Por que Carol não fala meu nome? — pergunto andando ao lado dele.

— O que? — diz ele pego de surpresa.

— No dia em que eu fui até sua casa e me apresentei ela mudou de expressão, desde então eu percebo que ela só me chama de querida. Pode ser só coisa da minha cabeça, mas eu não pude deixar de notar, imaginei que pudesse ser alguma dificuldade dela em se aproximar — explico. — Ela destoa um pouco de vocês, às vezes eu me pergunto se não é um personagem.

— Longa história.

— Eu tenho tempo — digo e ele suspira, os ombros levemente caídos como se o peso da lembrança o atingisse.

— Ela tinha uma filha — ele começa. — Nós estávamos na estrada quando uma horda apareceu e ela acabou fugindo para a floresta. Estávamos procurando por ela até que Carl levou um tiro desse cara chamado Otis, que nos levou até a fazenda do pai da Maggie onde acabamos ficando acampados. Otis acabou morrendo numa busca e nós continuamos procurando pela garota, eu continuei, mas o tempo todo ela estava presa no celeiro da fazenda, ela havia se transformado, Otis antes de morrer havia colocado ela lá junto com outros zumbis.

— Ela esteve o tempo todo lá? — pergunto e ele apenas acena positivamente com a cabeça, o assunto parece incomodá-lo.

— A garota se chamava Sophia.

Posso apenas imaginar o quanto isso deve ser difícil para a Carol. Perder um filho é uma dor que imagino ser quase insuportável. O desaparecimento, a esperança de que ela pudesse ser encontrada viva, tudo isso deve ter tornado essa tragédia muito pior.

— Eu sinto muito — digo. — Não desistiu dela não é? — ele apenas confirma com a cabeça novamente.

— O que te faz pensar isso? — ele para de andar para poder me encarar.

— Cara, você pode até ter esse jeito badass que não se importa com as coisas, mas duvido que você teria desistido da garota, isso não parece com você, você não desistiu do homem do poncho quando saímos. Além disso, Maggie e Glenn me contaram essa história por alto, mas eu não sabia que era a filha da Carol.

— Ela me lembrava como eu era. Só um garoto perdido na floresta — diz ele, voltando a caminhar. — Você disse “cara”?

— Sinto muito que você tenha que ter passado por isso. E qual o problema de dizer “cara”?

— Já passou. E “cara” não combina com seu sotaque esnobe.

— Meu sotaque não é esnobe, eu só falo da maneira… quer saber? Deixa pra lá — digo quando percebo que ele está só tentando me tirar do sério.

Continuamos andando por mais alguns metros até que chegamos na estrada onde o grupo se encontrava, assim que saímos detrás das árvores Morgan, Michonne e Abraham ficam em posição de ataque e Rick nos aponta uma arma.

— Nós nos rendemos — digo com as mãos levantadas e eles relaxam.

— O que estavam fazendo? — Abraham pergunta com um sorriso malicioso, afinal nós havíamos sumido por um bom tempo e saímos do mato de repente.

— Não é da sua conta — diz Daryl e Abraham continua sorrindo agora sendo acompanhado por Rick e Michonne.

Para evitar mais constrangimento saio de lá e volto a cavar buracos. Não quero virar motivo de piada e sei que se eu não me afastar Abraham vai continuar me atormentando.

Passo o resto do dia envolvida na construção da cerca e vejo Daryl passar por mim algumas vezes com um carrinho de mão, me lançando um olhar ou outro de vez em quando. Abraham passa o resto do dia me olhando com um sorriso malicioso e eu apenas reviro os olhos. O Sol já estava se pondo quando nós encerramos o trabalho e voltamos para Alexandria. Eu havia acabado de passar pelo portão quando Aaron se aproxima.

— Sabe, eu não fico nada surpreso por vocês dois estarem dando uns amassos no meio da floresta — diz ele sorrindo. — Na verdade, você parece ser do tipo que faz atrás da moita.

— Eu não acredito que tô ouvindo isso — rio. — E nós não estávamos dando uns amassos.

— Você pode me contar esse tipo de coisa. Eu apoio o quer que esteja acontecendo.

— Não aconteceu nada entre nós, eu te contaria se tivesse acontecido.

— Uma vida amorosa não te faria mal.

— Você está sugerindo uma vida amorosa com Daryl Dixon? — pergunto. — Você enlouqueceu de vez.

— Ele é uma boa pessoa e honestamente eu adoraria ver isso acontecer.

— Não adoraria. E eu tenho quase certeza que ele me odeia metade do tempo.

— Vocês combinam — ele insiste. — Você tem que concordar comigo nisso. E eu vi a troca de olhares entre vocês depois que voltaram da aventura na mata.

— Não vai acontecer, Aaron. Eu não estou atrás disso e ele com certeza tem outras prioridades. Ele não é essa pessoa.

— Ok, mas eu mantenho o que eu disse — diz ele se afastando. — Ainda vou ver isso acontecendo e vou fazer questão de dizer que eu avisei.

Eu apenas reviro os olhos e então Aaron segue seu caminho enquanto eu vou pra casa. Nós resolvemos nossas pendências e pra mim isso é tudo. Não imagino que vá acontecer alguma coisa, eu vi o quanto isso incomoda a Daryl, não importa o que Aaron pense. Eu quis sim beijá-lo, mas isso foi só por alguns segundos, não deveria existir nenhuma chance de eu estar realmente interessada em Daryl Dixon.

[...]

Após tomar um longo banho me visto e vou para a cozinha preparar alguma coisa. Após devorar um delicioso sanduíche saio pelas ruas de Alexandria e vejo Carl passeando com Judith, não me contenho e vou até eles.

— Quer segurá-la? — ele me pergunta sorrindo. — Nunca vi pessoas que gostassem tanto de bebês — diz ele ao me entregar aquela fofurinha.

— Não víamos um bebê há muito tempo. Ela é irresistível.

Começo a brincar com Judith no meu colo enquanto converso com Carl. Ele é um garoto bastante maduro pra idade dele, mas como não crescer rápido nesse mundo? Não consigo nem imaginar o tipo de responsabilidade que ele teve que assumir no meio de todo esse caos.

Brinco com Judith até que ela começa a estender os braços para alguém atrás de mim e quando me dou conta Daryl estava a roubando do meu colo.

— Ele é irresistível — diz Carl me fazendo sorrir.

Essa definitivamente era uma cena pela qual eu não estava esperando.

— Ela gosta do tio Daryl — diz o Dixon com a expressão leve me fazendo sorrir ainda mais.

Fico encantada vendo Judith segurar a mão de Daryl com seus dedinhos minúsculos. Ele é mais fácil de gostar do que se imagina quando age assim, sem se preocupar com a sua pose de odeio a tudo e a todos.

Talvez ele seja mesmo irresistível.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijoos!