Afeição

1 Afeição


Notas iniciais

Agora sim, a versão revisada! Peço desculpas a Ana Machado e a Nitsu, por terem visto tantos erros ortográficos... Eh q eu tava meio ansiosa pra postar.

Mas agora tah melhor.

Quando a gente conversa


Contando casos,
besteiras


Tanta coisa em comum


Deixando escapar
segredos


Então é
isso. Encaro meu diploma do colegial, ajeitando meus óculos.


- Kyouya?


- Sim,
Haruhi?


- Estamos te
esperando, é o ultimo dia do Host Club no Ouran...


- Do nosso Host Club, você diz.


- Acha mesmo
que isso vai continuar? -ela questiona, erguendo uma sobrancelha.


- Deu certo
com o Tamaki, não deu?


- Mas o
Tamaki...


Eu não sei em que hora
dizer, me dá um medo


É que eu preciso dizer
que te amo


Te ganhar ou perder sem
enganos


- É uma
pessoa especial. Eu sei. -observo a face dela corar. É realmente muito bonita.


- Ah...
-posso perceber que os corredores nunca lhe foram tão compridos- Você... Gostou
da formatura? Até o Mori e o Honey vieram...


- Foi uma
cerimônia bonita.


- E cara...
Não sei quanto tempo terei que trabalhar para pagar tudo isso. -suspira,
abrindo a porta da terceira sala de música, que está lotada.


- Eu pago
para você.


- Ah, não,
obrigada. -sorri, balançando as mãos em frente ao rosto- Não quero contrair mais
dívidas com o Host Club.


- Me escute!
-perco um pouco a paciência e a seguro pelo braço- Não disse que o Host Club
emprestaria, eu disse que eu pagaria.


- Kyouya...


- Considere
um presente de formatura. -sorrio para ela, e me retiro, ao ver Tamaki se
aproximar com seu inabalável sorriso.


Agora já não importa mais. Por sorte nem ela
nem ninguém percebeu minhas reais intenções quanto a sua dívida. Se não fosse a
interferência, e, por que não dizer, chantagens da Srita.Eclair, Haruhi teria
uma dívida eterna com o Host Club.


Nunca me senti tão aliviado quanto quando ela
manifestou a intenção de continuar conosco. Com excessão, é claro, de quando
conseguimos recuperar Tamaki.


E enquanto Haruhi estivesse conosco, ele
estaria feliz. Demorei para perceber que a felicidade de Tamaki é a unica coisa
que me deixa satisfeito.


Sempre fui calmo e atencioso com todos, por
ter a certeza de que nunca atravessariam a parede de frieza e calculismo que
havia entre mim e o mundo.


Mas Tamaki... Ele destruiu meu mundo e minha
ilusão ao ler minha alma como quem lê um livro. Minha primeira reação foi lutar
contra isso, mas ele destruiu todas as minhas armas com seu riso...


Até o tempo passa
arrastado


Só pra eu ficar do seu
lado


Acreditei
realmente que o que me fazia me sentir assim era o laço de amizade e confiança
que nos unia por termos construído juntos os alicerces do Host Club.


Espontâneo e inocente como uma criança, Tamaki
fez crescer em meu peito uma inexplicável afeição que supera meu senso de
limites.


Por isso cedo a seus desejos mais descabidos.
Até Takashi é mais rígido com Mitsukuni do que eu com Tamaki.


Haruhi é o exemplo vivo. Tamaki está
apaixonado por ela, apesar de ainda não ter percebido. Apesar dele resistir em
aceitar os próprios sentimentos, ela ser a mulher mais lenta que eu já
conhecia, quanto a sentimentos, e os irmãos Hitachiin estarem os “ajudando”,
eles formarão um belo casal.


Enquanto eu puder, darei a eles oportunidade
de ficarem a sós, na esperança de que Tamaki se declare.


Estou o superprotegendo, eu sei. A vida nunca
lhe será difícil, porém, na escola, onde o convívio com tantas pessoas, bem ou
mal intencionadas, pode lhe ser uma ameaça, eu estarei ao seu lado para
isentá-lo de qualquer dor ou responsabilidade.


- Oi!
Kyouya! –abro os olhos e encaro os gêmeos, que falam em uníssono- A festa já
terminou.


- O que
vocês vão fazer agora, Kyou-chan?


Olho de
relance para Tamaki, que permanece estático, olhando para Haruhi. Ela boceja e
murmura:


- Que tal
irmos para casa? Amanhã conversamos pelo telefone.


- É uma boa
idéia, está tarde, não é? Takashi? –boceja Honey, se inclinando sobre a cabeça
de Mori.


- Sim.


-
Ótima ideia filhinha! –ri Tamaki.


-
Hum... Se o Senhor está de acordo, podemos então levar Haruhi para casa! –falam
os gêmeos, pegando Haruhi pelo braço e pela cintura.


-
Já chega. Vamos para casa. –acabo com a confusão e Tamaki sorri para mim.


-
Kyouya, eu poderia dormir na sua casa hoje?


-
Claro, Tamaki. Vamos, venha Haruhi, te deixamos na sua casa no caminho.


-
Vamos Hikaru... –Kaoru choraminga, puxando o irmão de leve. Hikaru lança um
olhar fugaz à Haruhi e cede a pressão do gêmeo.


Mori e Honey sorriem para Haruhi e Tamaki e
também se vão.


Saio na frente até o estacionamento e quando o
motorista abre a porta de trás, puxo eu mesmo a porta do passageiro. Levanto o
vidro da limosine, deixando o casal atrás à vontade.


O
motorista não diz nada, afinal, seria uma indiscrição. Depois de um tempo,
Haruhi desce do carro e Tamaki abaixa o vidro.


-
Kyouya... Tá bravo comigo?


-
Você é muito idiota mesmo... –Não olho para ele, tiro meus óculos e massageio
minhas têmporas- Pelo menos conseguiu dizer a ela?


Você me chora dores de outro amor


Se abre, e acaba comigo


Nessa novela eu não quero ser seu amigo


É que eu preciso dizer
que te amo


Te ganhar ou perder sem enganos


Quase
posso ver o rosto dele atingir um tom avermelhado, bem atrás de mim, e se
desviar da minha direção.


-
Por que vocês falam essas coisas?


Suspiro,
pedindo aos céus para ter paciência com ele.


-
Me diga, Tamaki, por que você veio para minha casa, essa noite?


-
Nós precisamos conversar. –sua voz está séria como raramente fica. Olho para
trás e encaro os olhos azul-anil tentando ler através deles. E eles me dizem
apenasuma palavra: Resolução.


Meneio minha cabeça afirmativamente, e uma inquietude
devora minha alma.


Em algumas horas ele está devidamente
instalado em um quarto de hóspedes
próximo ao meu. Sentado em minha cama, abro alguns arquivos de e-mail e
ele vem até meu quarto, secando os fios loiros recém lavados.


-
Me diga o que há, Tamaki. –fecho o notebook e ponho meus óculos para focalizar
melhor seu rosto, no qual a ausência de um sorriso é preocupante.


-
Kyouya, agora que terminamos o segundo grau percebi que era a hora de nós, de
mim, me tornar mais responsável. –apenas concordo e o deixo prosseguir- Ah,
eu... Estou apaixonado pela Haruhi.


Eu já sei! Já sei disso há três anos! Por que
ouvir isso dele ainda é tão desconfortável???


-
Fico feliz que tenha percebido. –sorrio- O que pretende fazer com relação a
isso?


-
Acha que é muito cedo... Para pedi-la em casamento?


-
Ela pretende ser advogada, como a mãe dela. Acho que casar agora a atrapalharia
um pouco, mas vocês podem namorar antes de noivar, nenhum dos dois vai fazer
nada fora do comum, mesmo.


-
Kyouya, eu vou voltar para a França.


Meu estômago dá uma guinada e sinto o ácido
clorídrico o preencher por completo.


-
Como assim? –ajeito meus óculos e o encaro. Ele se senta ao meu lado.


- Eu
sou um homem agora, Kyouya, e devo agir como um daqui pra frente. Estou
confiando isso a você, porque sei que é o único que me apóia de verdade e...


-
O que... O que você vai fazer?


-
Vou atrás da minha mãe, Kyouya. Vou encontrá-la e apresentar Haruhi a ela.


-
Então voltará em breve.


-
Voltarei para buscar Haruhi. A França é meu lugar, apesar de tudo.


-
Você... VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE ESTÁ DIZENDO?- meus gritos ecoam pela casa- TEM
NOÇÃO DE COMO SOFREMOS SÓ DE PENSAR EM TE PERDER? TEM NOÇÃO DE COMO... De como
eu...


-
Ky...Ouya...


-
Tamaki, não vá para longe! Somos uma família, todos nós. O que uma familia faz
sem seu patriarca?


-
Eu sinto muito.


-
Você sempre sente muito! –está difícil recuperar meu autocontrole. Em um acesso
de raiva jogo meus óculos longe e afundo o rosto nas mãos ao som de vidro
quebrando- O que vai ser de mim sem você, Tamaki Suoh?


Eu já não sei se eu tô misturando


Eu perco o sono lembrando cada gesto teu


Qualquer bobeira


As palavras escapam de meus lábios antes que
eu possa as implodir. Meu estômago retorce, inundado pelo ácido.


- O que você disse? –seus olhos estão levemente
arregalados e sua face, avermelhada.


- Eu não tenho propósito... Em ficar no Japão... Sem
você, Tamaki.


- Mon ami...


Por que ele insiste em segurar meu rosto cansado em
suas mãos? Por que você tem que ser tão inocente a ponto de me fazer sofrer,
Tamaki?


- Esqueça. –o empurro levemente- Estive sendo
ridículo. Vá para a França, encontre sua mãe, case-se com Haruhi e seja feliz,
Tamaki. Nos vemos por aí.


Me levanto, o
deixando em meu quarto, e vou até o banheiro tomar um antiácido. Depois de ler
a bula e ter certeza de que não há contra-indicações, engulo também um remédio
para dormir.


Me arrasto até um quarto de hóspede e tenho uma noite
de sono pesado e sem sonhos.


Para minha surpresa, quando me levanto meio dia, a
casa está vazia. Tamaki, é claro, deve ter ido embora, mas os empregados ainda
deviam estar por aí...


Por sorte a
gastrite do ontem amenizou minha fome hoje, senão eu ficaria realmente irritado.


Uma nota musical, seguida de outra poucos minutos
depois, chama a minha atenção. Sigo o som, curioso, chegando a sala de estar.
Tamaki me olha como se pedisse perdão, me fazendo estremecer, e se volta para o
piano, tocando a musica mais linda que eu já o ouvi tocar.


Novamente a
represa que existe dentro de mim racha na extremidade, e meus olhos já embaçados
pela ausência dos óculos se enchem de água.


Tenho que me
conformar em perdê-lo, eu sabia desde o início que esse dia chegaria. A música
para e o sinto me abraçar, suas lágrimas molhando minha camisa.


- Nunca vou esquecer vocês. Você estará sempre comigo,
mon ami, aonde eu for. Em meu coração.


- Você... Sempre será parte de mim, Tamaki.


- Aprendemos muito um com o outro.


- Sim, -sorrio para ele, de forma sincera desta vez-
Tamaki...


-Hã? –ele atende meu chamado, desfazendo o abraço.


- Você já disse isso tudo a Haruhi?


Vejo as pupilas dele retraírem e me contenho para não
rir.


- Eu...


- Vamos, eu te levo lá.


- Sua irmã dispensou os empregados hoje...


- Eu já tirei carteira de motorista, sabia? –vou até
uma escrivaninha e retiro de uma caixa de lentes de contato.


- Mas eu não sei como ir daqui à casa da Haruhi, e...
–ponho minhas lentes enquanto ele fala.


- Entre no carro e deixe comigo.


Vamos em silêncio até a garagem e de lá, até o
apartamento de Haruhi. Vagas para estacionar são mais raras hoje em dia, então
começamos a andar até lá.


- Kyouya, eu estou tão nervoso...


- Tamaki, você é o Rei do Host Club, nunca foi tímido
nem nada do genêro, por que isso agora?


- Tenho medo. Medo de me precipitar, medo de não ser
quem ela gostaria que eu fosse...


Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira


É que eu preciso dizer
que te amo


Te ganhar ou perder sem enganos


- Tamaki, todos gostamos de você do jeito que você é. –ele sorri para
mim.


Por um descuido grande de nossa parte, o sinal abre.
Puxo Tamaki pela cintura, para a calçada, segundos antes de um carro passar a
toda. Meu coração dispara.


- Você está bem?


- Foi só o susto. –ele apóia a cabeça em meu ombro,
enquanto esperamos o sinal fechar novamente.


- Prete atenção, idiota! –ralho. Acabo atravessando a
rua com ele e tocando a campainha do apartamento de Haruhi.


- Pois não? Kyouya? Tamaki? –percebo a face de Tamaki
ficar cada vez mais ruborizada- O que fazem aqui a esta hora?


- Ah, é mesmo, a hora! –emendo- Estou atrasado.
Haruhi?


- Sim?


- Cuide desse rapaz para mim, não deixe que sua
imaginação incoerente e suas distrações o machuquem, está bem? –ela concordou,
sorrindo, e eu empurro Tamaki em sua direção- Ele está em suas mãos agora.


Ela cora, eu ponho as mãos nos bolsos e me vou.


Meus
sentimentos são confusos demais e eu não sou egoísta a ponto de estragar a
felicidade de Tamaki. Vou guardar essa afeição só para mim, junto as boas
lembranças que tenho em meu peito, e quando eu tiver certeza, quem sabe,
arriscarei.


Afinal, eu
sempre arrisquei tudo por ele.


Eu preciso dizer que te amo...


Tanto.

Notas finais

Gente, qndo disseram q o novo editor html era ruim, eu não imaginei q fosse tanto! Aí está, algo q eu escrevi faz uns dois meses, mais soh agora postei. Por favor, deixem reviews, nem que seja pra me xingar... Ah, mas ficou kawaii, não ficou?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!