Adão e Eva, numa galáxia distante
7 Cap. 7. Caim, filho de Adão
Notas iniciais
Carlão dirigiu essa nave até chegar ao "Mundo dos guerreiros" e visualizar o Comandante no "Espelho". Joana, parada ao lado dele, com um vestido amarelo-claro, levou um susto, pois o rosto de Adão lhes apareceu nitidamente. Caim e Adão eram parecidos ao máximo, praticamente iguais. O mesmo perfil, a mesma testa, corpo musculoso e forte, vestido de branco da cabeça aos pés, com um cinto na testa e um colar de pérolas no peito com a graduação de Comandante Supremo. Ele deu-lhes as boas-vindas ao “Mundo de L” falando em latim, e deu-lhes as coordenadas para pousar num aeroporto em meio de uma cidade, nos desertos de “L”. Em seguida, a imagem desapareceu e o espelho ficou negro.
Só depois disso Carlão falou para sua mulher:
— Querida, ele será filho, ou ele é o pai do Adão? Das vidas anteriores?
—Só pode ser filho... Algumas encarnações atrás do pai. Eles só vão ser pai e filho em vidas futuras, onde quer que “00” os envie. Com certeza estas missões são para colocá-los a ambos num mesmo patamar.
—Eu nunca fui muito bom em vidas passadas. Tampouco entendo porque eu nunca gostei de mulher, até ver Evita na TV.
—Ela foi apenas uma isca. Algo assim como um aviso para você ir a buscar a esposa perdida.
—Você já foi minha?
—Acho que sim. Eu fui cega frente aos homens até aquele dia no hospital. Isso é Cármino. Foram os Anjos que o trouxeram para mim, depois que a gente se perdeu de encarnações em encarnações...
—De onde será que somos, meu amor?
—Acho que estamos voltando para casa, meu querido...
—Para salvar os nossos tataranetos? Nós fomos chimpanzés? Ou fomos macacos- pregos?
—Mais parece um bugio... Você adora me seduzir em pé...
—Verdade... Macaquinha gostosa...
— Não começa... Temos que fazer a aterrissagem...
— Hum... Acho que daqui em diante nossa lua de mel terminou...
— Eu o recompensarei...
O enorme mundo “L de BETA” era um planeta cheio de cidades colossais, com edifícios imensos em todo lugar. Havia cidades em sistema de palafitas, por cima da selva virgem, sustentadas por pilares altíssimos. Também existiam urbes nas encostas das montanhas nevadas, outras flutuando por cima dos Oceanos, como flutuam os navios, e nas profundezas dos abismos marítimos.
Num deserto de areias coloridas, com o verde brotando ao redor das cidades, como uma auréola, se erguia o aeroporto interestelar, em cujo lugar chegava os viajantes de outros mundos. O aeroporto era redondo, com sinais de luz vermelha, para ser visualizado desde as alturas.
Quando um raio verde surgiu do chão dessa cidade, Carlão se posicionou por cima e parou os motores. O raio os puxou para um túnel subterrâneo, descendo lentamente. Depois eles foram desinfetados e condicionados ao ar dessa cidade, um pouco poluída para quem vinha chegando de mundos superiores, com cidades menores.
Após a desinfecção, receberam roupas frescas, adequadas para o clima externo, óculos pretos para o Sol, e saíram a enfrentar o calor que queimava na pele e deixava uma mulher como Joana morena antes do meio-dia.
Caim, um homem grande e imponente, deu-lhes um abraço caloroso, e depois os convidou a percorrer essa cidade cujas árvores haviam sido plantadas pelos próprios homens. Uma por uma. Caim explicava que os navios aéreos sugavam nuvens por cima dos mares, e as deixavam cair sobre o deserto em forma de chuva, todos os dias, durante a noite. Dessa feita o verde das cidades desérticas continuava verde, refrescando a cidade, e dando-lhes legumes suculentos para alimentação de todos os homens.
Orgulhoso do árduo trabalho realizado durante toda uma vida, Caim mostrou-lhe as naves construídas para a futura missão em “V de BETA”, verdadeiras montanhas de “metalponita”, um material artificial, inventado especialmente para essa incumbência. E convidou-os a conhecer a nave principal. Subiram através de um raio de luz, entraram na parte superior, onde ficava o grande telescópio e a sala de pilotagem.
Com o mapa universal estendido sobre a mesa, Caim marcou a rota até “V de BETA”, e o lugar exato, entre a segunda e terceira Dimensão, onde cruzariam o túnel escuro. Depois lhes perguntou:
—E o Comandante Nestor, como é ele?
—Autodidata... Somente “00” sabe o que ele tem dentro dos miolos... Não me pergunte nada sobre ele, pois o homem é uma parede telepática. Você não entra nele nem com hipnose. Aliás, quando é que ele foi confirmado?
—No dia em que vocês atravessavam “C de BETA”. Houve tentativas de dar-lhe a notícia, mas, o robô respondeu que vocês estavam muito ocupados...
—Nossa! O Universo é pequeno... Nestor já recebeu a medalha?
—Já! Eu gostaria de partir agora, mas “00” quer esperar... Vai dar mais uma chance aos homens desse mundo, antes da varredura geral. Eu não sei qual é essa chance, pois “00” não explica muita coisa. Acho que você já sabe dos testes atômicos nesse planeta selvagem...
—Sei! Algum conselho para desativar uma bomba?
—Desintegração total. Elas são apenas lataria fraca. O seu problema vai ser descobrir onde estão os depósitos de bombas e os laboratórios onde são inventadas... Aconselho usar óculos verdes numa altura de 1000 m de altitude. Onde aparecer um ponto vermelho é sinal de radiação. Desintegre tudo num raio de mil km.
—Está sabendo alguma coisa sobre o planeta “Z DE BETA”?
—Só uma. Chegou um cargueiro espacial com um mostruário completo desse mundo, e gostaria de saber para quem enviar...
—Para seu pai! Adão da cidade de Atalanta, irmão de seu tio Nestor...
—Poxa! Finalmente encontrei o velho... Como ele está?
—Acho que vinte anos mais novo do que você. Ele é completamente diferente do Nestor, algo assim como uma “Enciclopédia ambulante”. Ele tem conhecimentos completos. Ele é iluminado diretamente desde o Centro do Universo. Todos acham que fala com “00” sem necessidade de ir ao templo...
—Então não mudou nada... Tomara que ele seja novamente meu pai... E espero que esteja casado, com minha mãe, Evita...
Joana interrompeu sem pedir licença:
— Casado ainda não, mas estão namorando e ela é minha irmã, o que faz de você o meu sobrinho...
Os três começaram a gargalhar com gosto.
Depois se abraçaram e desta vez como membros de uma mesma família, e falaram de Adão e de Evita por longo tempo.
No “Mundo de L” todos os homens eram dedicados ao trabalho.
Caim contava para Carlão que ele havia-se formado Engenheiro com seis anos de idade. Depois havia sido campeão de todos os esportes, e que havia entrado na construção das naves como Estagiário. Estava com 50 anos e ainda não conseguia sequer tempo para ir atrás de uma mulher. Sua última chance era hipnotizar uma solteira, e acordá-la frente a “00” obrigando-a a casar-se com ele. Para o cúmulo Caim falava que era um péssimo conquistador, não sabia dançar, só sabia trabalhar.
Enquanto Carlão falava para Caim que as coisas com ele haviam acontecido de forma parecida, e que casara no último suspiro, Joana preferia olhar a paisagem desde as janelas. Os edifícios eram interligados com avenidas aéreas, jardins suspensos que caíam como cascatas para o vazio, intermináveis, maravilhosos. Nos terraços dos telhados, havia pomares com bichos, piscinas, parque para passeios e para receber o Sol matinal.
Horas mais tarde, voando alto para conhecer a cidade completa, perceberam que as flores dessa cidade formavam figuras, contornos de peixes, águias, pessoas se beijando, como quebra-cabeças de brinquedo. Quando começaram a descer, viram que as maravilhas eram intermináveis em matéria de arquitetura. Todos os edifícios dessa urbe eram módulos embutidos, em cujos espaços abertos os carros atravessavam voando, ou desciam para pousar em outras ruas aéreas, que se retorciam num emaranhado fantástico. E por todos os lados as plantas penduravam-se e as flores brotavam. As frutas caíam de parreiras, de goiabeiras, laranjeiras, enfileiradas nas beiras de sacadas com jardineiras, ou balcões com piscina, mostrando sua beleza diversificada.
Quando chegaram ao apartamento de Caim, onde beberam sucos de frutas deliciosos, Joana viu que havia passarinhos minúsculos e coloridos dentro e fora do apartamento. Eram tantos, mas tantos, cujos voos invadiam os complexos, ficavam por cima dos móveis, sujavam os tapetes, e depois saíam voando como quem era dono de tudo isso. Depois ela viu que nas sacadas, junto aos vergéis, as pessoas colocavam pratos com sementes para esses pássaros, e rações especiais para cobras, lagartos, morcegos, e águias gigantes.
Mas subir no carro de Caim e passear pelas ruas em velocidade lenta, para não matar um bicho, foi encantador.
Às vezes havia que interromper, e esperar pacientemente que um gambá ou um macaco atravessasse com a ninhada de um lugar para outro. Caim ria alto e explicava do porquê a maioria preferia voar em lugar de conduzir nas rodovias aéreas. Depois de cursar 5 ruas, detiveram o veículo numa parada. Caminharam por um corredor para o interior de um edifício e chegaram a um restaurante onde os homens comiam, conversavam, e dançavam ao som de uma orquestra, composta por músicos de “F de BETA”, cuja visita a esse mundo era para mostrar seus talentos.
Em poucos minutos, os guerreiros solteiros rodearam o Comandante, para conhecer Carlão e Joana, dois estrangeiros estranhos, e que tinham despertado a curiosidade em “L”. Afinal, os homens de “L” mediam entre 2,10m e 2,20m e Carlão, um homem considerado alto em seu mundo só media 1,85m e Joana 1,75m. Mas se eles eram “baixinhos”, em compensação Carlão era belíssimo, e Joana era uma boneca de porcelana, rosto perfeito, cara de anjo, cabelos cujos cachos caíam pelas costas, além da cintura, como cascatas douradas. E além de lindos, cada um sabia de cor os idiomas de “A” a “L”, e Carlão era campeão em dialetos primitivos de tribos selvagens. Caim, rindo às gargalhadas, explicava que em “L” o medalhão na testa que os soldados usavam era para disfarçar a ignorância e entender o que os estrangeiros como eles falavam.
Carlão, que falava péssimo o latim, iniciou sua conversa em grego, enquanto Joana preferia mudar para o aramaico. E sem problemas no idioma, riram com as piadas, conversaram, e até dançaram nesse lugar encantador.
Carlão e Joana ficaram nesse local, conhecendo os homens de “L”, até a madrugada chegar, quando o último bailarino foi embora.
Caim e meia dúzia de guerreiros os escoltaram até o aeroporto e os ajudaram a fazer a decolagem com a energia mental. A nave de Carlão foi empurrada para cima como uma bala, rumo à escuridão, e o gigantesco mundo de “L de BETA” ficou do tamanho de uma ervilha em poucos minutos.
A nave de Carlão estava maior desta vez.
Haviam colocado nela um cargueiro na parte posterior com as 50 cápsulas, que continha uma estação pronta para ser armada. Cada cápsula abriria como um guarda-chuva, e 10 robôs a colocariam para funcionar.
Fale com o autor