Notas iniciais
Na cidade de Atlântida, o sismo foi sentido de forma diferente. Tudo caiu ao chão. Menos os edifícios erguidos com “metalponita”, um material trazido do mundo de “L de BETA”, que era indestrutível. Mas, várias goteiras no teto dessa cidade começaram a pingar. Os construtores tamparam, isolaram, examinaram, e chegaram à conclusão que em mais 30 dias essa cidade estaria cheia de água. Fissuras do fundo do mar abriram espaço, e as águas começaram a tomar conta das depressões e a fazer pressão interna na cidade.

A chegada de Aruma em Lemúria foi realmente sensacional.

Amon-rá e Peter estavam ao lado de Adão, e Fernando Júnior estava de regresso, filmando tudo com uma câmera no ombro, e com sua esposa Nohiki abraçada nele.

Aruma desceu da nave caminhando, e sorriu.

Além de Fernando Júnior, todos ali eram baixinhos. Até seu sogro e seu cunhado. Sorriu mostrando seus dentes perfeitos, e abraçou com emoção a família de sua mulher. Sensibilizado. Tratavam-no com o maior carinho, e ninguém estava furioso com ele. Só os homens maias, em redor falavam a palavra:- “Incrível!”, no idioma deles, cujo significado ele ainda não sabia. Colocou um medalhão no peito, e com isso entendeu o que todos falavam. Nossa! Sabia escutar em todos os idiomas, responder, e todos o entendiam sem dificuldades.

Foi levado para um dormitório cujos alunos eram maias, aborígenes da América como ele. Deixou na sua cama o pouco que trazia. Seu arco e flecha, suas roupas, e foi a um jantar em família. Eva preparou um banquete para o genro, no seu apartamento, e convidou Abel e Isabela, Fernando e Mônica, Fernando Júnior e Nohiki, Amon-rá e Noemi, Peter e Miriam. Todos curiosíssimos em saber detalhes do casamento. Aruma tirou a pena do nariz, pois os maias diziam que isso era nojento. Colocou-a no buraco da orelha, e foi nesse jantar.

Depois de meia hora na casa de Eva, Adão ria até as lágrimas, com os relatos do genro. Ele contava, com censura, como havia conquistado Diana, o que dava na mesma. Todos liam os detalhes escabrosos na cabeça dele, principalmente quando Diana caiu no buraco, numa arapuca feita por ele mesmo.

Amon-rá o abraçou rindo e lhe disse:

— Cara, você tem meu respeito. Você é um homem digno da minha irmã. Se alguém falar o contrário, pode arrebentar-lhe a cara.

Depois foi abraçado pelo sogro, pelos amigos, sem entender o motivo porque gostavam tanto dele.

Pegou o garfo, a faca, cortou um pedaço de pastelão, e comeu como sua esposa havia-o ensinado. Recusou a cerveja, o vinho, e só aceitou suco de guaraná.

Dali em diante, Aruma começou a estudar.

Como Diana já o havia ensinado no sumeriano, a língua mãe da terra, no tempo livre ia para biblioteca, lia, escrevia, pois o sumeriano era usado em tudo. Também escrevia cartas para sua mulher, que o pombo-correio levava todos os dias. Diana lhe enviava frutos da Amazônia, bolos de fubá, e cartas onde contava as novidades da vida na selva.

E o tempo rolou.

Aruma viajou com Adão para a Índia conhecer Inês e Rama, para o Egito ver a grande pirâmide, e para Atlântida. Também foi para a nova cidade de Olímpia, que estava sendo construída numa Ilha grega, no Mar Mediterrâneo. Adão lhe explicava que quando a cidade embaixo do solo ficasse pronta, eles iam desintegrar a Ilha, e ela ficaria desconhecida para o mundo. Aruma entendeu o porquê de Diana ter feito a mesma coisa na selva. Ficar despercebido era a melhor forma de se proteger contra assassinos.

E foi assim que ele decidiu ser construtor.

Mas Aruma queria ser um mestre como Abel, que cortava pedras com o olhar, empilhava-as com levitação, misturava areia e argamassa com a força do pensamento. E quem lhe ensinou tudo sobre o poder da mente foi Eva, sua querida sogra.

Mas se a família de Diana o tratava com respeito, seus melhores amigos continuavam a falar:- “Incrível!”, e a mexer a cabeça. Ele ria e perguntava o que havia de tão incrível, afinal.

— Você! Como é possível, que a Deusa de Lemúria, que derreteu o coração de dois homens ricos, lindos, foi se apaixonar por você, cara...

— Homens? Mas ela era virgem. Nunca teve outros homens...

— Mas Fábio a beijou! Eu notei isso...

— Mas quem é Fábio?

— Um cara loiro, olhos cor do céu, maior que você, eu acho que ele te matava...

— E cadê ele? Eu não tenho medo...

— Hum, se mandou para outro mundo... Coitado. Ele chorava quando se foi. Eu vi...

— E o outro, onde está?

— Esse ali deve estar no Japão com uma dúzia de mulheres levantando um castelo para seu pai...

— Era inteligente?

— Nossa! Era uma fera, cara. Um campeão de esgrima. Só a Diana tinha coragem de se medir com ele...

E foi por causa desses amigos fofoqueiros, que Aruma mudou sua vida de vez.

Aruma passou a estudar luta com seu sogro, seguindo à risca os seus conselhos. Pouco a pouco, foi se medindo com campeões, e ganhando algumas brigas. Seus amigos maias gritavam que nem porcos nas arquibancadas, pois nessa Escola os chineses, japoneses e cretenses eram os únicos campeões. Depois, aprendeu esgrima, vestido de branco, máscara no rosto, o que foi moleza. Acostumado a carregar marretas pesadas, matar alguém com algo tão leve era brincadeira de crianças. Adão então o ensinou a lutar com as espadas japonesas, pesadas, curvas, que se carregavam com duas mãos.

Infelizmente, isso trouxe a admiração de muitas mulheres. Como na terra a poligamia era comum nas tribos, Aruma era paquerado sem trégua. E os amigos maias, desta vez começaram fazer planos.

— Aruma, nos faz um favor... Tem uma cretense e eu sou amarrado nela. Conquista-a para mim...

— Mas, como vou fazer isso?

— Leva-a para o mato, e depois deixa comigo, eu a desmaio com uma pancada, estupro, e quando ela acordar vai ter que ser minha mulher. Simples.

— Eu não faço essas coisas...

— Mas vai ser só um passeio, cara. Eu até posso te dar uma surra, lutamos, tu desmaias, o que achas?

— Vocês são loucos... Mas, eu vou ensinar uma coisa melhor e bem simples... Uma arapuca. Ela cai no buraco, aonde não há como sair, e a seguir tu pulas junto...

E essas armadilhas começaram a ficar famosas.

Nas férias de fim de ano, nas Ilhas do Pacífico, vários namoros começaram dentro de um buraco no chão.

Enquanto isso, na selva amazônica nascera Anahí, filha de Aruma e Diana, que nunca falou nada, para não impedir essa viagem.

Quando viajou para passar as férias de fim de ano na Amazônia, Anahí estava com três meses de idade. Morena, como o pai, olhos verdes como Amon-rá. Ele chorou abraçado nas duas, se perguntando se voltaria ou não para essa Escola. Como os meninos guaranis voltaram com ele, convertidos em homens cheios de conhecimentos, Diana lhe falou que dali para frente estaria sempre junto. Durante o ano em Lemúria, para ele continuar estudando, e nas férias voltaria para ver os amigos. Também prometeu visitar a tribo Ianomâmi, no outro lado do rio, para conhecer seus sogros.

E foi assim que cinco anos se passaram.

Aruma se formou construtor, foi campeão de esgrima, armas primitivas, box, karatê, e Diana teve mais um filho que chamaram de Aruma Júnior. Um garoto enorme como o pai, moreno, olhos profundos, com a doçura própria dos homens da selva amazônica.

Os melhores rivais de Aruma nas brigas corpo a corpo foram seu sogro e seu cunhado, e seu filho foi seu maior fã desde que nasceu. Seus amigos maias, que nunca foram campeões em nada, casaram com as cretenses e viajaram com elas para o outro lado do mundo.

Abel também terminara a Cidade de Olímpia, onde muitos atlantes passaram a viver.

E quando tudo era só felicidade, a desgraça chegou, com toda sua crueldade.

Foi no meio do ano, que Adão notou algo errado.

Todos os bichos de Lemúria haviam desaparecido. Fugido. Até os felinos de Eva cruzaram em disparada ao mato, em direção ao norte da América Central. Correu aos sismógrafos e deu um grito telepático para todos os Atlantes. Abel voou para a Base da Lua, subiu na nave gigante, e viajaram às pressas com todos os raios brancos acesos. Posicionou-se sobre Lemúria, no momento em que a terra começava a tremer. Todos os alunos foram levitados, junto aos mestres, e todos os nativos da Península do Iucatã. Depois, olhares arregalados, contemplaram um terremoto grau 10, que varreu com Lemúria, cujas edificações caíam ao chão como caixas de papel. O grande Ginásio partiu-se em dois, como um bolo gigante, e finalmente a terra abriu, e os edifícios foram sugados para as profundezas, num espetáculo macabro. Ondas gigantes de mais de 30 metros adentraram no Continente deixando a América Central menor. Um terço da Península do Iucatã cedeu, aumentando o tamanho do Mar das Antilhas e cujas águas passaram a formar o “Golfo de Honduras”.

Na cidade de Atlântida, o sismo foi sentido de forma diferente.

Tudo caiu ao chão. Menos os edifícios erguidos com “metalponita”, um material trazido do mundo de “L de BETA”, que era indestrutível. Mas, várias goteiras no teto dessa cidade começaram a pingar. Os construtores tamparam, isolaram, examinaram, e chegaram à conclusão que em mais 30 dias essa cidade estaria cheia de água. Fissuras do fundo do mar abriram espaço, e as águas começaram a tomar conta das depressões e a fazer pressão interna na cidade. Mais cedo ou mais tarde, ficariam esmagados pela força das rochas, que se moveram, e saíram do lugar com o sismo.

Todos os lemurianos abandonaram Atlântida às pressas, transportando a bicharada, que deixaram cair na Ilha de Cuba. Depois carregaram as mobílias, os livros, instrumentos médicos, tudo que trouxeram de seu mundo. Por último, Eva e mais 40 demolidores de alta potência, desintegraram a matéria, para que o mar tomasse conta. Uma cratera de mais de mil metros abaixo do fundo do mar, ficou como uma mancha escura, assinalando um buraco gigante.

Depois todos eles acamparam na Ilha de Cuba, sem saber o que fazer.

A grande nave esticou suas patas metálicas, e ficou fazendo companhia aos homens. Todos os robôs, que sabiam ler as vontades humanas, percorreram a Ilha em busca de cocos frescos, bananas, mangas, melancias, melões, pois essa Ilha estava cheia de delícias. Depois desceram barracas de lona, e levantaram na beira do mato um acampamento, como faziam sempre nas épocas de férias, na Papua Guiné.

A diferença era que nas férias nas Ilhas da Nova Papua Guiné, os alunos chegavam rindo, correndo, dançando, pois os nativos os recebiam com os braços abertos. Agora estavam numa Ilha com tribos assassinas e “comedoras de homens”, sem casas, sem comidas, sem roupas, sem nada. Todas as mulheres choravam. As da terra e as de Atlântida. Eva se apertava contra Adão, tentando encontrar coragem no abraço. Mas Adão também chorava, Amon-rá mais ainda, junto ao Peter e Fernando, pois um sonho havia sido enterrado pela mãe natureza.

Abel, o mais calmo entre os homens, fazia cálculos rápidos.

Ao lado de 50 construtores, debruçados num mapa da Terra, discorriam sobre o futuro. Possuíam na Base Lunar material de construção suficiente para levantar mais três cidades. A um ritmo normal as construíam uma a uma no prazo de mais 30 anos. Em Olímpia, entravam todos os homens de Atlântida. O único problema era onde levantariam outra escola. Na Ilha de Olímpia podiam levantar casas simples para continuar com Alfabetização. Mas, teriam que interromper o Ensino Superior pelo menos durante 15 anos.

Diana e Aruma estavam nas Aldeias Ianomâmis quando o cataclismo aconteceu. Diana elevou as ondas telepáticas, e ficou horrorizada. Subiu na sua nave com Aruma e seus filhos e chegou correndo na Ilha de Cuba para abraçar a família. Aruma abraçou os homens, e em pouco tempo chorava que nem eles.

Um grito telepático vindo da Lua tirou Adão da lamúria.

Ele beijou Eva, subiu na nave de Diana, e voou para a Base Lunar. Entrou no templo onde estava o “Espelho falante”, e a imagem de seu irmão Nestor lhe apareceu nítida. E Nestor foi direto:

— Quantos morreram?

— Ninguém, seu palhaço!

— Então para que sofrer tanto, cara. Acalma-te. Pensa com a cabeça e não com o coração... Os sonhos não acabaram.

— Tens razão. Fala, qual é tua oferta?

— Todas. Estudos Universitários numa cidade maravilhosa recém-construída. Todos aqui ficarão felizes com a chegada de teus alunos e dos lemurianos...

— Obrigado, cara.

— De nada. Deixa contigo apenas os construtores e envia toda a galera com Diana e Amon-rá comandando essa viagem... Areti e Caim vão enlouquecer com a notícia...

— Nossa! Estou condenado a ficar sem filhos...

— Não sejas dramático. Ainda não descobriste que o Peter e a Nohiki são teus filhos? Se bem que foi naquela época quando todos eram bem cabeludinhos...

Adão começou a rir. Seu irmão tinha o poder de lhe tirar a dor com piadas. E lhe diz:

— Algum conselho sobre geologia?

— Examina as montanhas com mais de 5.000 metros. Elas são fortes, gigantes, para que se construa dentro delas. São mais seguras do que embaixo do mar...

— Tenho um pico nevado com 8.850 metros no Himalaia...

— Perfeito, cara. Vai poder levantar edifícios com 500 andares. Vai ser um Paraíso, dentro de uma montanha que nunca vai ser escalada por ninguém...

— Te prepara, pois eu vou enviar todo mundo. Necessitas de alguma coisa?

— Tambores africanos. Dançar como índio é a última moda neste mundo...

E mais uma vez, Adão caiu na gargalhada. Viu seu irmão desaparecer no “Espelho falante” e sorriu. Difícil ia ser contar tudo isso para sua mulher.

Adão congregou todos os professores da Escola, todos os construtores, e convidou seus filhos e seus netos. Reunidos no salão da nave gigante, Abel deu seu relatório e Adão expôs o oferecimento de seu irmão. Depois fechou os olhos, pois todos ficaram em silêncio. Todas as famílias ficariam divididas. Abel ficaria sozinho, com alguns professores, e todos os construtores. Partiriam os filhos, os netos, e pela frente só haveria trabalho.

Amon-rá falou:

— Mas, calma ali, gente. Temos as férias escolares. Podemos ir e voltar de um planeta ao outro, sempre que der. Eu topo em deixar meus filhos irem...

Adão falou:

— Você também vai, seu malandro... Tens que comandar essa viagem com Diana...

Diana foi tomada de surpresa e disse:

— Eu, pai? Topa, meu amor? Viajar comigo para esse outro planeta? Só uns tempos. Voltamos em mais uns dez anos... Né, pai?

Aruma a abraçou, e falou:

— Eu vou, sogro... Meus amigos cruzaram a terra atrás das cretenses, então eu cruzo o universo atrás de minha mulher!

Enquanto Diana dava um show de beijos em público, Fernando Júnior falou:

— Eu fico, pois tenho que filmar essas montanhas do Himalaia junto com o pai... Não contem comigo...

Enquanto Fernando ria aliviado, o Peter falava:

— Eu também fico. Posso tomar conta da Escola de Alfabetização em Olímpia...

E a discussão foi longa.

Velhos e jovens navegariam rumo a outro mundo, jovens e velhos ficariam trabalhando. Mas seria só por alguns anos.

Os jovens da terra, que partiriam, foram levados até suas famílias para pedir autorização e navegar rumo a outro planeta. Os que obtiveram bênção paterna inscreveram seus nomes com Amon-rá, o Comandante oficial dessa viagem. Ele os colocava dentro da nave, e Diana se encarregava de levá-los para suas suítes, mostrar o lugar dos refeitórios, dos cinemas, das piscinas, das danceterias, pois essa viagem seria uma farra entre as estrelas.

Depois de um quarenta dias, a nave estava lotada, enquanto a ilha de Olímpia se enchia de alunos e mestres em casas levantadas às pressas. Dentro da cidade subterrânea, se acomodaram os construtores, Adão e Eva, Fernando e Fernando Júnior com as esposas, Peter e Miriam, recém-casados, iniciando um novo ciclo na vida de todos eles.

E o grande dia da partida finalmente chegara. Todos se abraçaram, choraram, beijaram, e subiram para uma viagem interestelar.

Diana e Amon-rá subiram lentamente, enquanto todos acenavam desde as janelas, no maior berreiro generalizado. Deram uma volta pelo mundo, rastejando baixo para que as famílias da terra os vissem partir, e finalmente se perderam rumo às estrelas.

O maior transtorno ficou na Ilha de Cuba, pois havia nelas tribos bárbaras de alta periculosidade. Os robôs faziam ronda de dia e noite protegendo os maias, cujo povo não queria voltar a viver na Península do Iucatã. Por esse motivo então, Adão percorreu o mundo com os chefes da tribo em busca de num lugar ideal para levantar um novo Império. Percorreram todo o Norte da América, o Sul, e finalmente terras desconhecidas, como as altas cordilheiras do atual Peru.

Quando os maias viram as montanhas do Matchu-Pitchu, riram encantados. Se os tibetanos construíam no Himalaia, era ali que eles levantariam mais uma vez uma grande cidade. Adão lhes deixou 50 robôs, para os ajudarem, e os evacuou um a um, pois esses homens eram inteligentes. Sabiam levitação e demolição. Suficiente para cortar pedras, e levitá-las como bolhas de sabão para onde bem quisessem.

Se na Terra tudo era tristeza, confusão e trabalho, em “V de BETA” tudo era alegria. Areti organizava uma farra de boas-vindas com Natália e Zezé, se atropelando, rindo, cantando, e Caim chegava junto para receber as visitas.

Fábio recebeu a notícia sorrindo. Estava casado com uma loira exuberante, mais linda ainda do que Diana, e um filho adolescente que era seu vivo retrato. E se perguntava a si mesmo como seria o homem que conseguiu derreter o coração de Diana. Com certeza o rei da beleza.

A chegada dos homens da Terra finalmente aconteceu.

A nave esticou as patas metálicas por sobre um aeródromo gigante, como campo de futebol, abriu as comportas e todos se lançaram ao vazio, flutuando na luz como folhas ao vento. Areti assim que viu Amon-rá correu e se abraçou ao pescoço gritando que lhe mostrasse sua irmã Diana.

Quando foram apresentadas, ambas caíram na gargalhada, pois ambas não se pareciam sequer na curva das orelhas.

Mas Anahí, filha de Diana era idêntica a Areti, até parecia sua gêmea. E uma filha de Amon-rá também era parecida com elas. Nestor estava ainda mais emocionado. Diana era seu vivo retrato em tudo, e dois filhos de Amon-rá também o eram. Os abraçou a todos, sem poder evitar uma lágrima, emocionado. Enquanto isso, Ana abraçava a outra filha de Noemi, de cabelos vermelhos cor do fogo. Ana, Noemi e a pequena, todas uma ao lado da outra pareciam irmãs trigêmeas. Era uma família das mais diversas cores. Um carnaval, como falava Adão. E quando Caim apareceu com três filhos gigantes, a folia ficou completa. Caminharam para uma festa ao ar livre, onde havia mesas com sucos, frutas, e no centro um palanque com batuques, que começaram a alegrar o encontro.

Toda a família sentou junto, formando um clã.

Enquanto os mais jovens gritavam, os mais velhos preferiam a telepatia. Amon-rá fazia um resumo de tudo para seu tio, e Nestor lhe falava que ele estava cheio de planos. Caim estava construindo uma Base Espacial com telescópios, robôs vigias, e estava preparando homens em demolição mental. E Nestor queria que Amon-rá entrasse junto.

Amon-rá respondeu-lhe:

— Tio, nisso você e meu pai são idênticos. Colocam-me sempre a trabalhar... Eu nunca tive férias desde que cheguei à Terra, tio...

— Hum... Férias? Um ano... Depois você toma conta desses demolidores...

— Mas, qual é o grilo, afinal?

— Proteção. Já ouviu falar da Oitava Dimensão?

— Já! Mas esses assassinos estão bem longe daqui, ou não?

— A maioria, mas Caim descobriu um planeta muito desenvolvido, bem pertinho de nós. Enorme. E estão iniciando viagens espaciais...

— Com a força da mente?

— Não. Com máquinas pensantes e energia atômica... Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Usar o átomo para gerar força. Já pensaste no perigo que isso representa?

— Eles são uns imbecis. Trabalham com inteligência artificial, obedecendo à máquina em tudo, e dependendo dela.

— E é ali que está o perigo. Com dados do computador e telescópio atômico, um dia nos descobrem...

— Então, pode contar comigo, tio...

No meio da festa, Fabio abraçou Diana, e lhe apresentou sua esposa e seu filho, rindo para dentro, pois jamais vira homem mais feio do que o marido dela. Nossa. Um colosso negro. E era o único. Somente o monstrinho, filho dele, era sua cara. Ele só não percebeu que seu filho Fábio Júnior ficava sem fala, estátua, frente de Anahí, a filha do feioso. Diana, pela sua vez, ria aliviada. Helena, a mulher de Fábio, era belíssima. Linda e amava esse gigante até a medula dos ossos. Eram felizes, tanto quanto ela com Aruma. Soube, naquele instante, que seriam grandes amigas dali em diante. E começaram a falar de mil coisas, enquanto os maridos só falavam de esportes. Fábio era professor de Box na Universidade, e necessitava um mestre em espadas. Aruma aceitou encantado. Queria trabalhar, e ser professor era um ótimo desafio. Respirou muito aliviado. Fábio no fundo era um bom homem, mas numa briga a socos, ele o derrubava.

Enquanto isso, a juventude se misturava.

Os quíntuplos, todos solteiros, se deixavam paquerar sem modéstia, enquanto Aruma Júnior, só fazia novos amigos. Os gêmeos Adão e Moisés, filhos de Areti, loiríssimos como Sílvio, embora um pouco mais velhos do que ele, levaram-no a conhecer esse mundo e a fazer amigos. Fábio Júnior copiou a receita e passeou com Anahí ao lado deles.

Dali para frente, todos eles ficaram inseparáveis. Aruma Júnior era o mais novo, porém o mais forte. Entrava em brigas no Ginásio com jovens maiores, onde dava pancadas brutas, levando a galera dos terráqueos ao delírio. Fábio Júnior lutava com ele, de igual a igual, terminavam machucados, mas orgulhosos. Ninguém os derrotava. Só um perdia para o outro.

E os anos se passaram, na doce rotina.

Alguns homens da terra voltaram com sua profissão aprendida, mas, outros ficaram por lá “para sempre”.

Anahí e Fábio Júnior cassaram, enquanto Aruma Júnior se formava como construtor.

Os gêmeos Adão e Moisés não conseguiram se apaixonar por ninguém. Eram solteirões eternos, que nem Aruma Júnior, que nunca olhara para mulher. Os gêmeos iniciaram estudos de astronáutica ao lado de Caim, pois queriam viajar para outro mundo em busca de esposas. Mulheres altas, maravilhosas, num mundo diferente. Como Sílvio lhes dava a maior força, Aruma Júnior começou a estudar as estrelas, ao lado deles, para ir junto, “algum dia” em buscar de uma aventura pelo espaço.

Mas não foram eles os primeiros a viajar.

Numa noite, Nestor teve um pesadelo terrível. Naves invasoras chegavam nesse mundo, e os invadiam matando a todos. Depois os esquartejavam, colocavam em congeladores e levavam para outro mundo cujos homens eram todos canibais. Ana o abraçou, acalmando-o, mas não conseguiu. Saíram no meio da noite, viajaram até essa Base espacial, e olharam nos telescópios e depois no “Espelho falante”. E viram com horror, que realmente o perigo estava lá na frente. Algum dia, essas naves abordariam. E o pior, atingiriam primeiro a Terra, onde Adão não teria nenhuma chance de se proteger.

Depois, a imagem de “00” em pessoa lhes apareceu nítida. Nossa! Até levaram um susto, pois não viam a cara do patrão desde Atalanta, quando os casou e enviou para a carnificina. E sorrindo, Nestor perguntou:

— Pode falar. O que devo fazer?

— Algo que você não imagina nem em pesadelos. Vai ser terrível, desta vez. Estão preparados?

— Vai ter recompensa?

— Vai! Em mais uns 150 mil anos. Nunca mais vou pedir nada, prometo... Vou enviar a todos para “ALPHA”, o Mundo da felicidade eterna... Você e Adão serão felizes pela eternidade com seus filhos, seus netinhos e os amigos. Mas, agora vou pedir algo. Estão prontos?

— Prestíssimo!

— Já formei um exército de “Guerreiros intergalácticos” para deter os invasores canibais. Estão nascendo em “L de ALPHA” mais de 100.000 guerreiros. Enviei a todos os japoneses da Terra, preparados por Adão, e estou catando os melhores lutadores a dedo em todos os cantos do Universo. Só me falta a plana maior. Os comandantes de tropa que vão levar os guerreiros para luta...

— E quem seriam eles?

— Sílvio, Alexandre, Miguel, Aruma e Fábio, com suas esposas...

— Não vai desmaiar meu amor?

— Não... Juro...

— Não poderia ter escolhido melhor... Só não esqueça a recompensa. Promessa é dívida...

Depois que a imagem de “00” desapareceu, começaram a chorar abraçados. Quando a emoção foi controlada, chamaram Adão para dar-lhe um relatório completo.

Notas finais
Numa noite, Nestor teve um pesadelo terrível. Naves invasoras chegavam nesse mundo, e os invadiam matando a todos. Depois os esquartejavam, colocavam em congeladores e levavam para outro mundo cujos homens eram todos canibais. Ana o abraçou, acalmando-o, mas não conseguiu. Saíram no meio da noite, viajaram até essa Base espacial, e olharam nos telescópios e depois no “Espelho falante”.