Notas iniciais
Uma semana depois, nascia Diana, filha de Eva e Adão, loiríssima, olhos negros e profundos, que não se parecia com ninguém. Mais uma vez, Fernando Júnior filmou tudo, pois Eva teve sua menina no Lago, entre peixes, cobras, e alguns lagartos. Com câmara aquática e máscara de oxigênio, Fernando Júnior fez sua melhor curta-metragem, mostrando o nascimento humano ao lado dos bichos. Diana saiu das águas como uma deusa. Respirou, mergulhou, nadou que nem peixe, ao lado do pai e da mãe, que ficaram junto dela fazendo acrobacias.

Na Universidade de Lemúria, enquanto Adão e Eva permaneciam na Índia, Amon-rá fez algumas mudanças. Pediu aos mestres ensinar levitação aos estudantes de construção, pois a Terra só possuía castelos em terras planas. Os homens do Himalaia continuavam a viver em casebres, como os nativos nas Ilhas, pois não sabiam levitar pedras de uma parte para o outro extremo da terra. Amon-rá colocava como exemplos a Grande Pirâmide do Egito, onde haviam voado pelo ar milhares de pedra, para levantar a maior obra de engenharia de todos os tempos. Também mostrava fotos de sua Esfinge, que inventara pessoalmente, empilhando pedras com levitação.

A outra modificação que fez foi com o comportamento dos alunos. Amon-rá lhes fez um discurso, chamando-os de preguiçosos. Os robôs faziam tudo nessa Escola, desde limpar ruas, pintar paredes, cultivar a terra, regar as plantas, e eles além de dar uns pulinhos no Ginásio não faziam mais nada. Fez um calendário de atividades de trabalho, no qual cada aluno devia colocar a mão na massa. Mandou-os para arar a terra, recolher frutos no mato, pintar paredes, construir novos edifícios, e ninguém conseguiu dizer que eram contra. Afinal, o homem fora o rei do Egito. Mudos, mexeram a cabeça em sinal de obediência, e em seguida começaram a trabalhar ao lado dos robôs.

A última transformação ele a fez na sua vida privada.

Ele estava mais uma vez transformado num rei, e sua mulher tinha que obedecer, como uma boa esposa. Caminhou pelas ruas de Lemúria rumo ao seu lar, que ficava nos confins dessa cidade.

Enquanto entrava em casa, desintegrou todas as roupas, dele e de Noemi, e ela como autômato chegou perto dele, sem fazer perguntas. Sentiu algo estranho. Amon-rá massageava seu ventre docemente, enquanto faziam amor. E se amaram sem trégua. Por último entraram na pequena piscina do dormitório, para beber taças de vinho espumante. Na verdade, estavam novamente em lua de mel. Insaciáveis. Na manhã seguinte, Amon-rá colocou o ouvido no ventre de sua mulher e sorriu. Finalmente ia ser “papai”.

Noemi acordou com uma fome terrível.

Olhou para o lado, e viu seu homem empurrando um carrinho, com um banquete culinário, assobiando feliz. Havia de tudo. Ovos mexidos, leite com bananas, pães deliciosos, queijos, marmeladas, sucos de frutas, e como num raio viu que havia algo errado. Olhou para sua barriga, colocou a mão, e soube que estava prenhe.

— Seu malandro, me engravidou sem me perguntar nada de nada.

— Você não me ama?

— Adoro, mas, eu morro de medo de gravidez. Vou ficar enorme, gorda, horrível...

— Muito gorda... Vamos ser pais de 5 meninos...

— CINCO? Enlouqueceu? Acha que sou uma porca que pare filhos em dúzias?

— Não, mas uma gata quente, isso você é...

— Bandido... Prometa que nunca vais olhar para mulher magra enquanto eu fico uma bola...

— JURO! Vou até colocar uma venda nos olhos. Vou entrar na Escola com bengala...

— Palhaço! Como é que vou dar de mamar a 5 filhos?

Sem parar de rir, Amon-rá deu um berro telepático para Adão, que estava perdido no mundo, para voltar urgente para casa, pois Lemúria estava sem diretor. Noemi engravidara e cuidar de sua mulher estava agora em primeiro lugar. Adão deu um grito telepático de volta, contando que ele também tinha que cuidar de Eva, pois estava também prenhe, igual a Noemi. Autorizou-o a colocar na direção dessa Escola a um filho de Atlântida.

Amon-rá reuniu os mestres lemurianos, lhes falou que prestar atenção na esposa grávida estava em primeiro lugar, e queria um voluntário para dirigir essa Escola. Peter, um loiro certíssimo, que estudava e trabalhava sem parar, se ofereceu levantando a mão. Amon-rá o abraçou feliz, e lhe deixou seu apartamento à disposição, pois, dali para frente, ele viveria em Atlântida, onde Noemi teria atendimento médico mais avançado e em cujo lugar os robôs eram telepáticos e serviam os homens na corrida.

Subiram numa nave, carregaram com os pertences pessoais, e na cidade subterrânea foram viver num apartamento vazio com 4 dormitórios. Noemi pediu ajuda a sua mãe para decorar tudo, e assim começar uma nova etapa na sua vida. Percorreram as lojas e os supermercados da cidade em busca de camas pequeninhas, roupinhas miúdas, brinquedos, decoraram com cortinas com estampas de bichinhos, com Mônica emocionada. Ia ser vovó de 5 netinhos que com certeza seriam lindíssimos.

E os meses dessa gravidez se passaram rápido.

Mônica visitava a filha de tempos em tempos, acompanhava-a ao médico, para ver os netinhos através do vidro vermelho, e em seguida chamava Eva com telepatia, para contar-lhe tudo. Enquanto isso, Amon-rá lavava as roupas numa máquina, limpava a casa de um olhar desintegrando a sujeira, regava plantinhas, e até arriscava na cozinha preparar uma omelete. Também fazia sucos com frutas frescas de Atlântida, cujas árvores nunca paravam de alimentar os humanos com maçãs suculentas, peras gigantes, amoras, laranjas, jacas, maracujás, enfim.

Quando Eva e Adão regressaram a Atlântida, Noemi estava a ponto de ter os meninos num parto prematuro e não caminhava mais. Amon-rá a carregava no colo, e quando saíam de casa para um passeio a sentava numa cadeira com rodinhas.

Adão tomou imediatamente conta dela como médico. Colocou-a numa banheira com óleos especiais, pois sua barriga estava ganhando estrias. Depois deu massagens, para recuperar a elasticidade dessa pele, deteve o crescimento corporal dos meninos, estacionando o peso, e acelerando o amadurecimento dos pulmões, cujos órgãos estavam ainda sem dilatar na sua plenitude. Isolou-a do marido, dentro de uma cabine de cristal, pelo tempo de 15 dias, e se preparou para um parto embaixo da água como se fazia em Atalanta.

Mônica e Fernando se prepararam para ver o nascimento dos netos com afobação.

Fernando Júnior chegou junto, pois ia ser titio, e estava mais do que curioso. Adão preparou desta vez a piscina do terraço da casa de Fernando, e pediu ajuda a 5 médicos para atender o nascimento dos quíntuplos. Ao seu filho pediu ficar quieto, pois só estava atrapalhando, de tão nervoso que ficara. Fernando Júnior pegou uma câmera filmadora, e enfocou as lentes, numa distância de 3 metros. Pegou mais uma câmara que colocou no ombro, e filmou o nascimento, enquanto nas ruas de Atlântida seus amigos olhavam tudo numa tela gigante, pois esse parto mexera com a cidade.

Eva e Mônica entraram na água, para ajudar como enfermeiras.

Estendida num assento erótico, numa profundidade de 3 metros embaixo da superfície, com uma máscara com oxigênio no rosto, Noemi lançou o primeiro filho como um bólido. Adão o recebeu, cortou o cordão, e deu para Eva, que saiu com ele para superfície. Esperou que respirasse, e mergulhou novamente com a criança, para baixo da água, ensinando-o a segurar a respiração. Levantou-o, fez respirar e puxou das mãozinhas, fazendo-o bater os pezinhos. Só deixou sozinho quando ele nadava que nem peixinho. Mônica recebeu seu segundo neto e imitou Eva em tudo. Em seguida, Fernando chegava com o terceiro menino, e os médicos com os últimos a nascerem.

A seguir, os cinco filhos flutuavam, embaixo de holofotes, famosos só por nascerem em grupo. O mais engraçado era a cor dos cabelos. Uma menina cabeça vermelha e olhos verdes, igual à mãe, uma morena, pele escurinha, olhos azuis parecida com Areti, dois rapazes loiros e olhos azuis iguais a Mônica, e um moreno igual ao pai, e aos avós Fernando e Adão. Cada um deles com o peso de 2 quilos. Ficaram na piscina até que os cinco recém-nascidos nadassem sozinhos, um ao lado do outro, deliciando as pessoas com a miragem. Como todo mundo estava molhado, não dava para ver que Amon-rá chorava emocionado, feliz como nunca.

Noemi entrou em casa para deitar na sua cama, nos braços do marido. Um a um os meninos mamaram, dormiram, e ela também dormiu, pois estava esgotada. Quando acordou, estava escuro, com seu marido abraçado nela, quietinho, beijando seu pescoço, lhe falando o quanto a amava, e o quanto estava feliz. Dormiram abraçados até o meio-dia do dia seguinte, quando os 5 filhos chegaram no colo de 5 robôs babás pequeninos.

Uma semana depois, nascia Diana, filha de Eva e Adão, loiríssima, olhos negros e profundos, que não se parecia com ninguém. Mais uma vez, Fernando Júnior filmou tudo, pois Eva teve sua menina no Lago, entre peixes, cobras, e alguns lagartos. Com câmara aquática e máscara de oxigênio, Fernando Júnior fez sua melhor curta-metragem, mostrando o nascimento humano ao lado dos bichos. Diana saiu das águas como uma deusa. Respirou, mergulhou, nadou que nem peixe, ao lado do pai e da mãe, que ficaram junto dela fazendo acrobacias.

Amon-rá chegou a conhecer sua irmãzinha quando a festa estava começando em casa de Eva, com um banquete ao lado da piscina. Ele entrou com dois filhos no colo, Noemi com uma filha, e dois robôs com os outros dois. Todos eles vestidos de pequenos príncipes com roupas lindíssimas.

Quando Amon-rá viu sua irmã, não resistiu, e fez piada:

— Oi, pai, vejo que o loiro esperto passou também por aqui...

— Pois é, filho. Só você que se parece comigo... Estas crianças parecem um carnaval de cores...

E caíram em risadas.

Depois ficaram fazendo brindes junto aos amigos, e a muitos moleques, que chegaram carregados de presentes. Diana, que era beijada por todos os recém-chegados, mostrava seu sorriso dando gargalhadas gostosas. Poderia se dizer que ela nascera para ser feliz, e fazer a felicidade da família. Eva, deitada na beira da piscina, olhava para sua família e também sorria. Adorava seus filhos. Todos eles, mas eles tinham o poder de abandoná-la e fazê-la sofrer. Perguntou a si mesma: — Para onde será que minha loura vai correr?- Por que homem ela vai se apaixonar?

Adão veio a dissipar seu pensamento e falou-lhe:

— Sabe, meu amor, não é nesta vida que vamos viver rodeados de filhos, netos e bisnetos, e morrer rodeados de todos eles... Vai ser em outras vidas do futuro, em ALFHA...

— E falta muito para isso?

— Hum... Eu calculo que uns 150.000 anos...

E começaram a rir. Depois Eva sentou por cima dele enquanto Diana passava de um colo para outro na maior farra dessa cidade. E a doce rotina familiar se alastrou calmamente, com a felicidade dos papais.

Adão e Amon-rá ficaram em Atlântida por longo tempo esperando os meninos crescerem. Inês e Rama chegaram a conhecer as crianças, e ficaram passeando com o único filho, pois Inês continuava estéril.

Adão leu a mente deles para saber se estava na hora de mais um neto. Em seguida, perguntou a Rama se gostaria de aprender a controlar a gravidez com o poder mental.

— Isso é possível, sogro?

— É. O espermatozoide tem certas características como velocidade, formato e quantidade. Quaisquer mudança que houver nesses três itens evita a gravidez de acontecer. Em meu mundo, os adultos nos esterilizam na infância e nos devolvem a fertilidade depois do casamento, mudando geralmente o formato do nosso esperma.

— Interessante... E o que faz o sêmen ser fértil?

— A força vital. Homens fogosos são mais fecundos. Homens frios são menos férteis. A Índia está condenada a ser um mundo superpovoado...

Rama ficou vermelho até as orelhas. Depois riu, com ele mesmo, e se perdeu nos laboratórios para estudar sobre fertilidade masculina. Ao caminhar, crianças louras as havia em todo lugar, correndo, rindo felizes nesse mundo evoluído, escondido da barbárie da superfície. Atlântida estava cheia de crianças, pois os meninos estudavam nessa cidade até a idade de entrar na Universidade. Viajava-se para Lemúria aprender uma profissão, mas depois de formados voltavam para Atlântida, pois ali dentro a vida era diferente. Sempre casavam entre eles mesmos. Nunca ninguém se apaixonara por um homem ou uma mulher da Terra. Pelo menos até o dia em que Fernando Júnior nasceu.

Fernando Júnior aprendera fotografia e filmagens desde criança. Ele crescera ao lado do pai percorrendo o mundo. Conhecia todas as Ilhas, os desertos, viajara aos Polos onde a neve eterna estava cheia de vida, e suas filmagens eram as preferidas no Cinema de Atlântida. Ele era um gênio com as câmaras. Só que um dia, depois de uma viagem às Ilhas do Japão, chegou com uma guria abraçada nele, pedindo autorização ao pai para se casar. Fernando entrou em pânico. Fernando Júnior amava essa jovem até a medula dos ossos, e impedir o amor era algo que nenhum ser de um mundo superior tinha coragem de fazer. E sem saber o que fazer foi para Lua, se aconselhar com os sábios de seu mundo.

Frente ao “Espelho falante”, ele visualizou os médicos de “C de BETA” e lhes expôs o problema. Eles o aconselharam enviar Fernando Júnior e sua noiva para o “Mundo E de GAMA”, na quarta Dimensão, um planeta perto da Terra, onde havia cirurgia equitativa de longevidade.

A partida de Fernando Júnior deixou Mônica aos prantos. Ele foi congelado ao lado de sua amada Nohiki, na Base Lunar, colocados num foguete espacial, e cruzaram a imensidão como uma bala. Demorariam uns 20 anos para regressar.

Para se consolar, Mônica se concentrou na criação de seus netinhos. Ao lado de Eva, ela ajudou seus netinhos a crescer, estudar, junto a Diana, que cresceu com eles como se fossem irmãos. Durante todos esses anos que os meninos demoraram a se converter em jovens fortes e saudáveis, viajavam periodicamente para a Índia a fim de ver Inês e Rama, as Ilhas do Pacífico, junto aos alunos de Lemúria, ao Egito ver Quéops, que assombrava o mundo com sua pirâmide, ou, para as tribos dos Khoisans na África, onde os seis meninos corriam pela selva como índios selvagens.

Na África, Diana e suas duas sobrinhas subiam nas árvores em busca de frutas, que nem macaquinhas, mergulhavam no Lago Vitória para pegar peixes com a mão, e os filhos de Amon-rá saíam para caçar com os homens, ao amanhecer, empolgadíssimos. E para todos os lados, os felinos de Eva viajavam junto, igual aos macacos de Adão e aos cachorros peludos de Amon-rá. Enquanto os adultos se fechavam nas casas de madeiras, as crianças dormiam na casa de algum amigo, no chão, tampados com peles de animais.

Diana cresceu, como uma menina superdotada, pois aprendia com rapidez. Adorava pesquisar nos laboratórios, onde Adão dissecava bichos, e lhe mostrava seu interior, para ela saber como era a máquina da vida. Também adorava recolher insetos mortos na selva. Colocava-os numa caixinha, e os estudava no microscópio. Adão, sempre por perto, explicava as diferenças entre as espécies, e a linha evolutiva. Dessa maneira, ela sabia mais de biologia do que todos seus amigos. Enquanto suas sobrinhas olhavam para os rapazes lindos de Atlântida, ela era cega frente aos homens. Preferia os laboratórios, ao lado de Adão, aprendendo os segredos da vida.

Quando Diana e os quíntuplos chegaram à idade de frequentar a Universidade, Eva fechou as portas de casa, e se preparou para voltar a Lemúria lecionar junto com Adão. Abraçada à filha, ela falava:

— Meu anjo, você se prepare... O fogo dos primitivos é terrível... Eles vão querer comê-la viva...

— Não me assusta, mãe...

— Mas, é verdade... A melhor coisa a se fazer é aprender luta com seu pai, pois os machos vão ir atrás de vocês que nem formigueiro humano...

— Nossa!... Eu só gosto dos Khoisans... Tem deles na escola?

— Tem... E tem negros da América do Sul, bem escurinhos...

— Quem sabe um deles derrete meu coração?

E rindo, subiram na nave, junto de Amon-rá, Adão, que discutiam o que é que iam fazer dali para frente.

Chegando a Lemúria encontraram tudo funcionando como um relógio, graças à eficiência de Peter. Adão retomou a Direção dessa Escola, enviou o Peter para férias nas Ilhas do Pacífico, junto aos recém-formados, e ficou inspecionando os alunos que chegavam pela primeira vez. Eram Chineses, Japoneses, Núbios, Assírios, Indianos, Egípcios, Tibetanos, Elamitas, Eblaítas, e os Maias de sempre, pois viviam por ali mesmo. Abraçou-os a todos, um a um, explicando o que seria estudar naquele lugar. Depois, deu inicio à festa de boas-vindas, onde mestres e alunos se misturavam alegremente.

Os alunos antigos se encarregaram do show. Os africanos tocavam badulaques, os americanos flautas, e no fim, a dança tomou conta, com todos numa afobação generalizada.

Diana e seus sobrinhos olhavam curiosos, pois nunca haviam visto tanta bagunça, nem escutado tanto barulho em ambiente fechado. Ruído de homens e mulheres que falavam todos os dialetos da terra, tentando se entender uns com os outros. Enquanto Adão e Eva rodopiavam entre os alunos, como dois guris, Amon-rá ficava no meio deles, com Noemi sentada no colo, sempre se beijando, encorajando-os a cair na farra.

Mas, Diana foi para casa descansar. Infelizmente, esses terráqueos não fizeram seu coração esquentar. Apenas os filhos de Amon-rá caíram na farra. Junto a 3 cretenses mexeram ao ritmo dos tambores, enfeitiçados pelas mulheres. Afinal, eles eram belíssimos. Os loiros eram altos, magros, cabelos curtos e arrepiados, e o moreno o retrato vivo do Faraó do Egito. Suas escolhidas não resistiram a esses garotos, e depois da dança os levaram para o mato a um encontro mais íntimo.

E os estudos começaram. Diana e seus sobrinhos chamaram atenção já no começo, pela inteligência, e mais ainda, pela invencibilidade em duelos. Os filhos de Amon-rá eram imbatíveis em qualquer combate, e Diana era campeã de esgrima. Os únicos homens que a derrotavam eram seu pai e seu irmão. Só. Ganhou todos os campeonatos para iniciantes e sua fama de durona chamava a atenção, tanto quanto sua formosura. Ela tinha pernas magníficas, busto gigante, cintura mínima, e os cabelos além da cintura que aumentavam ainda mais sua beleza. Vestia saias curtas, sandálias amarradas na perna e um cinto na testa. Pintara ao redor dos olhos uma linha bem preta, com maquiagem definitiva, e aumentou o vermelho dos lábios, também com maquiagem eterna.

Depois de dois anos, Diana caminhava com dois homens ao lado que disputavam seu amor, todos os dias. Um japonês e um atlante. Lutavam os três com esgrima e com espadas primitivas, pois Mitsuo era o melhor espadachim dessa Escola.

Eva, sempre atenta, aconselhava sua filha se apaixonar por Fábio, o atlante, e evitar Mitsuo, para não ter que viajar a outro mundo em busca da longevidade. Afinal, os atlantes eram imortais que nem ela. Agora, os terráqueos faleciam como as moscas. Muito cedo. Expiravam na infância, na adolescência, na juventude, e não existiam homens com mais de 300 anos. Diana a consolava:

— Fica fria, mãe. Minha “cara metade” não está aqui. Quem sabe viajo para ver o tio Nestor, e o encontro lá, bem longe. O que acha, mãe?

— Não brinque, filha. Areti já me partiu o coração. Não repita a receita...

— Só estava brincando, mãe...

— Pois eu acho você muito pior que sua irmã. Vai me inventar algo muito especial. Eu sei. Sou vidente. Vai me abandonar e não sei por que, nem por quem, e não sei se é por causa de algum homem.

— Vocês deram o exemplo, mãe. Abandonaram meus avós, para vir brincar de aborígene num mundo atrasado. Eu não consigo entender, mãe. Não podiam ter falado “não”, manda outro, ou algo assim...

— Não, filha. Em Atalanta ser escolhido para uma missão, é como ganhar um galardão. Uma distinção. Um elogio. Não sei se me entende...

— Então? Se eu vou para outro mundo salvar uns periquitos, vai ser a mesma coisa...

— Periquito, é? Você anda é à procura de um homem das cavernas, sua bandida...

Diana abraçou sua mãe rindo da imaginação dela. Em seguida, foi para a Escola. Entrou num laboratório para analisar cinco ervas e preparar remédios para lesão cutânea. A lepra estava aparecendo em algumas tribos, e todos os médicos pesquisavam sua cura.

Quando Diana se formou em medicina, junto com seus sobrinhos e seus amigos de Atlântida, os lemurianos decidiram fazer uma viagem para “V de BETA”, pois queriam navegar um pouco. Abel estava se preparando para construir mais uma cidade, pois Atlântida estava superlotada de gente. Os velhos não queriam deixar os filhos, e todos esses guris estavam casando e parindo como nunca. Fábio, eufórico com essa aventura espacial, pediu Diana em casamento para acompanhá-lo nessa viagem numa deliciosa lua de mel. Infelizmente, ele recebeu em resposta um “não”.

Mitsuo fez a mesma coisa. Ele estava de partida para o Japão e queria que fosse junto como sua esposa, para levantar um grande Império. Mas ele também recebeu um “não”. Mitsuo foi embora prometendo casar com 5 virgens para se consolar da dor de cotovelo.

E Diana ficou só, pois seus sobrinhos foram ao Egito com Amon-rá, os formandos voltaram para casa, seus pais foram para Índia visitar Inês e o resto dos alunos viajou para as Ilhas do Pacífico. Ficaram em Lemúria Peter com sua namorada Miriam e mais uns 30 amigos médicos. A cidade ficou praticamente vazia

E foi numa conversa entre esses médicos que a ideia de estudar a América do Sul surgiu. Havia uma selva gigante, ainda não visitada, cujos homens eram canibais e comiam as pessoas assadas em fogueiras. Fernando Júnior os havia filmado várias vezes e ninguém tinha coragem de descer nesse Inferno. Mas essas filmagens mostravam estranhas plantas, que com certeza eram remédios de alto poder. Peter assegurava que com roupas espaciais ninguém os feriria. Eram a prova de lanças, flechas envenenadas, e também usariam malha no rosto, pois eles disparavam dardos no pescoço.

Diana elevou as ondas telepáticas para Adão e pediu autorização para essa aventura. Ele aconselhou usar botas até o joelho, pois as cobras matavam mais que os homens. Também deu receitas de vacinas, pois essa selva estava cheia de gérmens. Mosquitos que matavam com uma inocente picada no braço. Também deveriam levar uns 20 robôs para resgate e fuga, se alguma coisa lhes fosse acontecer.

E a grande aventura começou.

Notas finais
Havia uma selva gigante, ainda não visitada, cujos homens eram canibais e comiam as pessoas assadas em fogueiras. Fernando Júnior os havia filmado várias vezes e ninguém tinha coragem de descer nesse Inferno. Mas essas filmagens mostravam estranhas plantas, que com certeza eram remédios de alto poder. Peter assegurava que com roupas espaciais ninguém os feriria. Eram a prova de lanças, flechas envenenadas, e também usariam malha no rosto, pois eles disparavam dardos no pescoço.