Notas iniciais
Amon-rá viu finalmente Diana, abraçada com seu esposo Aruma, preocupados em contar suas estrelas. E depois observou Areti, cujas luzes a estavam indicando para ser Anjo. Seus homens possuíam ainda muito mais brilhos no peito, cujo fato indicava que todos eles iriam para o mundo de “A”, o lugar mais alto do Sistema ALPHA. Quando Diana sentiu os berros de Inês, de Amon-rá e do Peter, correu para eles, e Areti foi junto. Depois, as duas se encararam rindo. Haviam vivido uma guerra e nunca souberam que tinham os mesmos irmãos. Amon-rá as abraçou as duas de uma vez, e as lembrou de Jesus e Paulo, seus irmãos perdidos há muitos milênios.

Na vida espiritual, abraçados aos seus respectivos cônjuges, as almas dos filhos de Eva e Adão observavam emocionados seus pais levantando essa mansão. Os irmãos Inês, Jesus, Paulo, Peter e Amon-rá haviam feito um sorteio de sucessão nos nascimentos, e Caim, cujo irmão ganhara o primeiro lugar, já estava no ventre de Eva.

As esposas perguntavam aos homens o que é que eles construiriam para elas, futuramente, como demonstração de amor. Rama jurava construir para Inês um palácio como o Taj Mahal da Terra. Peter prometia a Miriam uma casa flutuante, no meio do lago. Paulo garantia uma casinha amorosa, porém pequena, na beira desse mesmo lago. Mas Jesus falava que uma barraca era a melhor pedida, e Amon-rá queria viver ao ar livre, como os guaranis da Amazônia. No máximo, ele ia levantar uma maloca de lama com folhas no telhado.

E as risadas das mulheres eram altas, pois as piadas se repetiam a cada dia.

Mas lá no fundo, todos estavam impressionados com o esforço de Adão, e viam pela frente uma vida feliz naquele planeta, dentro de uma casa maravilhosa. Ver Adão colocando tijolos embaixo do Sol, peito nu, e Eva fundindo metal com um maçarico na mão, para negociar com os Estagiários mais uma porta, ou uma banheira, derretia o coração de todos.

Amon-rá, deitado embaixo de uma figueira, disse para Jesus:

— Eu nunca pensei que meus velhos nos amassem tanto, cara...

— Pois é... Eles estão me surpreendendo... Acho que é a primeira vez que o velho pegou no pesado...

— Se Diana e Areti soubessem o que eles estão fazendo pelos seus filhos, elas iam querer nascer aqui também... Que pena que essa guerra está tão longe, cara...

— Acorda, mano, a guerra acabou faz tempo. E estão a ponto de morrer próximo de “V de ALPHA”... Bem pertinho daqui...

— Então, vamos ver elas? Ah?

— Bem, Paulo e eu nem as reconheceríamos mais! A gente separou-se quando morremos nessa guerra no mundo “V de BETHA”. Aliás, todos nos dividimos! Esses anjos são tão malucos, cara, pois na vida espiritual sequer nos perguntavam os nossos nomes, nem a filiação, nada. Enviaram Areti e Diana para a Terra e a mim e Paulo para um planeta estranho, cara, estava cheio de efeminados...

— Nossa! E foi ali que vocês viraram gays!

Enquanto Amon-rá recebia socos do irmão, Inês, Paulo e Peter riam até engasgar. Tempos depois, Inês perguntou para Rama:

— Vamos visitar minhas irmãs, querido? Todos vão conosco?

E em coro responderam:

— Vamos todos!

E com euforia se tomaram das mãos formando uma corrente, e cruzaram a imensidão. Chegaram a tempo de ver a nave dos guerreiros, de regresso da guerra, explodindo no espaço como uma bomba. Milhões de fulgores saíram dela. Claridades que pouco a pouco foram ficando mais nítidas, mostrando que essas luzes eram os espíritos dos guerreiros que acabavam de morrer.

Amon-rá viu finalmente Diana, abraçada com seu esposo Aruma, preocupados em contar suas estrelas. E depois observou Areti, cujas luzes a estavam indicando para ser Anjo. Seus homens possuíam ainda muito mais brilhos no peito, cujo fato indicava que todos eles iriam para o mundo de “A”, o lugar mais alto do Sistema ALPHA.

Quando Diana sentiu os berros de Inês, de Amon-rá e do Peter, correu para eles, e Areti foi junto. Depois, as duas se encararam rindo. Haviam vivido uma guerra e nunca souberam que tinham os mesmos irmãos. Amon-rá as abraçou as duas de uma vez, e as lembrou de Jesus e Paulo, seus irmãos perdidos há muitos milênios.

Depois, veio o abraço nos cunhados.

Amon-rá deu um aperto forte nos seus primos Sílvio, Miguel e Alexandre, filhos de Nestor, e também nas suas esposas Natália e Zezé. Depois abraçou Aruma, marido de Diana. De repente, era uma grande família feliz por se reencontrar, falando atropeladamente. Sílvio conversava detalhes dessa guerra para Rama, Paulo, Jesus e Peter enquanto Amon-rá falava para as irmãzinhas de “Z de ALPHA”, o lugar mais lindo do Universo. Depois, não poupava minudência, sobre a mansão que os velhos estavam construindo para eles. Inês ajudava nos pormenores, contava dos murais feitos de tijolos vitrificados para a cozinha, do forno de cerâmica para queima desses tijolos, era um papo sem fim.

Quando Aruma Júnior chegou perto, e perguntou para o pai: — Vamos, pai... um sussurro saiu da boca de todos.

Amon-rá falava que fazia tanto tempo que não se viam, para que a afobação. Podiam ir até “Z de ALPHA” ver seus velhos, e depois partir para “A de ALPHA”. Tinham uma eternidade para ser vivida. Para que a pressa?

Sílvio sabia que entrar na conversa do primo era a maior furada. Miguel e Alexandre também. Olharam-se entre si, e mexeram a cabeça com resignação, pois a mulherada estava eufórica. Areti ansiava rever a mãe, Diana também, e Zezé desejava conhecer os leões de juba azuis. E Aruma era pau mandado. Aonde ia a mulher, ele rastejava que nem minhoca. E Aruma Júnior era um guri crescido. Aonde ia o pai, ele corria atrás. Sequer tinha esposa.

E os irmãos concordaram em visitar Adão e Eva, deixando claro para os cunhados que depois de uma pausa breve, partiriam para “A de ALPHA”. Todos eles. Em linha reta e sem curvas. E todo mundo concordava. Ia ser só uma visitação para Areti e Diana matar as saudades da mãe. Só isso!

E a família viajou para o outro lado, contrariando as vontades divinas.

Quando chegaram ao lindo planeta “Z de ALPHA”, Sílvio caiu na risada dissimulada. A mansão era um canteiro de obras, em cujo lugar Adão era o único pedreiro, acompanhado só da mulher, que esmaltava tijolos numa barraca de panos, sozinhos no meio do mato. Além do que Eva estava com uma barriga gigante! Pareciam dois índios da Amazônia da Terra.

Mas Diana e Areti debulharam-se em prantos, travadas pela emoção.

Correram para abraçar a mãe, o pai, enquanto Amon-rá ao lado delas martelava nos seus ouvidos: — Olha como nos amam, irmãzinhas, estão fazendo tudo isso por nós... Quanto sacrifício! Estou tão orgulhoso deles... E Areti e Diana choramingavam e lacrimejavam, pois elas iam ter que ir para longe, e nunca mais iam ver os paizinhos.

Aruma não resistiu a essa cena. Abraçou-se na sua mulher, deu-lhe um beijo, limpou-lhe as lágrimas e lhe disse:

— Amor, se quer ficar aqui, eu também fico! Nem estou me importando com ser Anjo! E eu juro que levanto um castelo para você, com minhas próprias mãos!

Aruma Júnior, ao lado, cercou os dois, e prometeu que ele também ficava junto. Diana se abraçou aos seus homens, os beijou a cada um, sorrindo feliz, enquanto Amon-rá sorria sorrateiramente. Peter mexia a cabeça, incrédulo. A seguir, todos olharam para Areti.

Areti parou imediatamente com o drama. Limpou as lágrimas, se abraçou em Diana, e disse: — Um dia, nos reencontraremos de novo. Dá um beijo na mãe, e fala para ela que eu a amo muito, muito.

Enquanto isso, em meio do matagal, Paulo e Jesus mostravam para Zezé e Natália os leões de juba azuis. Gigantes elegantes, os animais mais lindos do Cosmos, junto aos hipopótamos, as girafas, os elefantes, os macacos, papagaios, com elas gritando como índias:

— Olha esse ali! Parecido com os africanos...

— Vejam as girafas! Elas têm o pescoço menor...

— Oh! Que gracinhas de hipopótamos... Olha, parecem até que sabem rir...

Sílvio foi o primeiro e se render:

— Está bem! Aceito ficar aqui, para que minha mulher, mais uma vez, tenha estes irmãos sem vergonhas e caras de pau.

Alexandre acrescentou:

— Então nós também ficaremos! Vamos ser índios em lugar de Anjos! Será que isso tem castigo, cara?

Rama falou para eles:

— Ao contrário, primos. Os Anjos ralam pela eternidade. Os homens deste planeta só namoram a mulher, e mais nada. O trabalho dura em média uns 1.000 anos, numa vida de 20.000 anos...

Miguel falou para sua mulher:

— Gostou, minha nega? Ficar juntinhos todo esse tempo namorando no mato?

— Adorei! E vou ser uma esposa dedicada, vou cozinhar para você e servir na boquinha! E vou lavar suas cuecas no rio...

E todos começaram a gargalhar, pois nesse planeta a coisa era assim mesmo.

Jesus lhes disse:

— Então sejam bem-vindos ao clã! Nossa! Vamos ser uma tremenda família! Será que chega mais alguém?

Aruma respondeu-lhe:

— Acho que meus irmãos ianomâmis da Amazônia estão todos aqui...

Diana gritou:

— E a Sira? Se o seu irmão Tana veio para este planeta, a Sira também chegou junto... Ou deveria estar... Nossa! Que saudades dela, meu amor!

E o coro de irmãos gritou:

— Mas quem é a Sira?

— A rainha da selva amazônica! Nunca ouviram falar das Amazonas? Vocês não estudaram História Universal, não?

Paulo falou:

— Irmãs, os únicos gênios desta família são vocês duas! Apenas Jesus e Peter são mais ou menos sábios. Somos um bando de ignorantes... Eu só sei ler e escrever...

Amon-rá se defendeu:

— Bem, eu pelo menos sei ler e escrever em 50 idiomas...

E baixou a descontração. Todos riam, faziam piadas entre si, enquanto Sílvio e seus irmãos mexiam a cabeça, pois tudo era verdade. Os primos eram ignorantes, trapaceiros, e no futuro teriam uma vida de bagunça generalizada, desde a infância.

Depois de algum tempo, mais calmos, o grupo de almas se locomoveu em busca de Nestor e Ana, pais de Silvio, Alexandre e Miguel. Percorreram o mato, e descobriram seu pai com uma luz na cabeça, numa caverna escura, catando morcegos para esterilizar. Pegava os bichos, e lhes dava uma batida nos testículos, com um dedo. Suficiente para destruir os vasos condutores de sêmen. Ao lado, Ana fazia a mesma coisa. Mas como Nestor estava improdutivo, estéril, compreenderam com pena, que iam ter que buscar pais adotivos.

E o triste giro ao redor do mundo em busca de pais aconteceu. Deslocaram-se examinando os homens, seus costumes, mas Sílvio e seus irmãos os achavam tão simples e ingênuos. Eram na sua maioria camponeses vindos de lugares muito distantes. Almas puras, mas sem passado de glórias nem grandes aventuras. Famílias como essas os trigêmeos não queriam ter, não.

De volta ao ponto de partida, sentaram na grama da mansão, para discutir o que fazer.

E Amon-rá teve uma ideia genial. Ele devia entrar no útero de Eva um mês depois do nascimento de Caim. E cedia seu lugar para seus primos com prazer. Nasciam de Eva, e Areti nascia de uma vizinha da avó Dina, loira, curvas espetaculares, recém-casada e em lua de mel. Como Areti achou bom, pois cresceria na casa vizinha de sua avó Dina, e seria nora de Eva, bem cedinho, todos ficaram de acordo com as mudanças. E esperaram impaciente o dia em que Caim, o primogênito, desse início ao nascimento de todos eles.

Notas finais
Depois de algum tempo, mais calmos, o grupo de almas se locomoveu em busca de Nestor e Ana, pais de Silvio, Alexandre e Miguel. Percorreram o mato, e descobriram seu pai com uma luz na cabeça, numa caverna escura, catando morcegos para esterilizar. Pegava os bichos, e lhes dava uma batida nos testículos, com um dedo. Suficiente para destruir os vasos condutores de sêmen. Ao lado, Ana fazia a mesma coisa. Mas como Nestor estava improdutivo, estéril, compreenderam com pena, que iam ter que buscar pais adotivos.