Notas iniciais
Marta falou que gostaria de conhecer a família do Andrei. Imediatamente, ela viu, como num filme, os irmãos dele, os pais, os amigos, todos os atletas mais brilhantes da União Soviética, e seu avô Pierre, numa visita à Rússia, num almoço familiar, cujo tema de conversa era ela mesma. Pierre mostrava fotos de sua neta gênio, imagens pintadas por Êve, fotos do casamento, na casa de Ludmila. Pierre estava tentando conseguir autorização do partido para levá-los a todos, para a França, numa viagem de férias. Marta falou para seu anfitrião: — Dá para ajudá-los? —Lógico! Vou mostrar-lhe como fazemos isso...

Quando Marta viu a tremenda tormenta rodeando o navio, Andrei já havia dispensado a tripulação nas Ilhas dos Açores. Apenas os três entraram no redemoinho, que foi abrindo cada vez mais, enquanto a embarcação navegava dando contornos em direção ao fundo do mar. Quando atingiram chão firme, um buraco abriu e eles foram sugados por um aspirador gigante, como se o iate fosse um grão de areia. Marta desmaiou. Era muito para sua cabeça. Sabia que seus pais eram loucos, mas isso era demais para sua filosofia materialista dialética. Na verdade, ela já não sabia mais o que é que ela era.

O navio desceu no aeroporto de uma cidade embaixo do solo marinho.

Quando Marta finalmente recobrou a consciência, abriu os olhos e observou uma cidade igual a Nova York, com um lago, uma ilha no horizonte, ruas aéreas, e aviões bem minúsculos que volitavam para todos os lados. Depois, viu os marcianos. Eram padres e freiras da igreja católica, pastores evangélicos com suas esposas, muçulmanos com seus turbantes, índios peruanos, indiano hinduísta, bolivianos, pretos de tribos africanas, e o que mais havia eram monges com manto laranja, igual ao Dalai Lama, todos carecas. Percebeu que existiam homens de 2 metros de altura, loiros, vestidos de bailarino russo, esquisitos, iguaizinhos aos suecos. Também havia mulheres altas, como as modelos de passarela, embora não fossem tão magras. Havia as de busto gigante, nádegas redondas, quadris voluptuosos, eram na verdade “bombas” de sensualidade. Trajava roupas lindas, maquiagem, unhas perfeitas, mas pareciam misses em competição de concurso de beleza em traje luxo. Havia as loiras, cabelos vermelhos, azuis, verdes, nos penteados mais loucos.

Mas o que mais chamou a atenção de Marta, das misses de 2 metros, foram os movimentos. Tudo parecia em câmera lenta. Cadenciosas ao caminhar, com movimentos elegantes e sedutores. Exalavam perfumes diferentes, e possuíam o mais lindo sorriso.

Como todos eles eram telepáticos, Marta não entendeu seus 50 pedidos de “paquera”, desses homens fascinantes. E ela nunca soube que sua fama descera para esse lugar, e muito menos que seus concertos eram assistidos no cinema dessa cidade com profunda admiração.

Antes de Marta falar nada, pois havia milhares de perguntas trancadas na garganta, um monge tibetano chegou correndo, e falou para Andrei:

— Me permite ser o anfitrião de sua filha?

— Encantado... Ela é toda sua...

Com telepatia eles se falaram outra coisa:

— Mestre, que honra em conhecê-lo!

— Igualmente... Poderia cuidar de minha filha, e mostrar tudo para ela? Não a deixe frequentar festas, pois estes homens loiros hipnotizam as mulheres...

— São mesmo perigosos! Na verdade, eu e Marta somos antigos amigos, mestre. Chegamos juntos na Terra há 4 mil anos atrás, mas eu já reencarnei 40 vezes, enquanto ela ficou zanzando na vida espiritual, durante todos estes anos. A última vez que a vi estava roncando na Europa, a Lua de Júpiter... Não quis acordá-la...

Depois, eles se separaram.

Andrei e Êve foram levados para a Escola, ao encontro dos verdadeiros líderes da humanidade, enquanto o monge tibetano levava Marta para o templo da cidade para ver o “Espelho falante”. Essa era a maneira mais rápida de ensinar os mistérios do além, para uma herege como ela.

Enquanto caminhavam, Marta lhe fez uma pergunta direta:

— Monge também tem relações amorosas?

— Só quando descobre a mulher de verdade. Se ele não a acha, morre esperando ter mais sorte na próxima reencarnação...

— E você ainda é virgem?

— Depende do que é não ser virgem...

— Esquece! Sabia que ia fugir da raia! Eu me divirto comigo mesma, mas nunca tive um homem... Isso é o quê?

— Se amar a si mesma! E eu também me amo a mim mesmo...

Começaram a gargalhar.

Em seguida, entraram numa sala escura, onde havia algum objeto brilhando. O monge tomou-lhe a mão, caminharam sem sapatos, sentaram no chão com as pernas em cruz, e olharam com atenção, pois ia aparecer no espelho o que ela quisesse ver, como numa televisão gigante.

Marta falou que gostaria de conhecer a família do Andrei.

Imediatamente, ela viu, como num filme, os irmãos dele, os pais, os amigos, todos os atletas mais brilhantes da União Soviética, e seu avô Pierre, numa visita à Rússia, num almoço familiar, cujo tema de conversa era ela mesma. Pierre mostrava fotos de sua neta gênio, imagens pintadas por Êve, fotos do casamento, na casa de Ludmila. Pierre estava tentando conseguir autorização do partido para levá-los a todos, para a França, numa viagem de férias.

Marta falou para seu anfitrião:

— Dá para ajudá-los?

—Lógico! Vou mostrar-lhe como fazemos isso...

Imediatamente, as imagens desapareceram e um grupo de militares russos, reunidos no Kremlin, ficou nítido. Estavam discutindo o que fazer com Pierre. Alguns queriam colocar-lhe o “soro da verdade” para ele contar onde estava escondido Andrei, já outros falavam que era desnecessário, pois ele estava morto. E a discussão não tinha horas para terminar.

O monge deu um suspiro, esticou um braço, piscou os dedos e automaticamente a conversa no Kremlin mudou. Todos os militares e agentes da KGB estavam de acordo que Pierre era um homem bom. Um camarada fiel, e que Sergey e sua família podiam passear, viajar, pois isso mostraria ao Ocidente que eles não eram tão ruins assim.

Marta se abraçou ao monge feliz.

— Obrigada, obrigada! Você é mágico! Maravilhoso...

— Gostaria de conhecer meu apartamento?

— Não vai me hipnotizar, e se aproveitar de meu lindo corpinho, ou vai?

— Claro que sim...

— Então eu vou! Já estou hipnotizada?

— Ainda não...

E correram pelas ruas, mãos dadas, pois de repente Marta só queria amar e mais nada.

Quando chegaram ao apartamento, Marta sentou no colo dele vestida, para dar um beijo no seu monge. Sua boca era suave, doce, e ele cheirava gostoso. Nem precisava ser telepática para saber que esse macho seria minhoca rastejante atrás dela pelo resto da existência. E entregou-se a paixão. A primeira de sua vida.

Ao acordar do dia seguinte, o monge piscou os dedos. Um robozinho bem baixinho chegou com uma bandeja com sucos, vitaminas, frutas, pão, que comeram famintos. Assim que deram a última mordida no alimento para o corpo, grudaram as bocas para se beijar, e para esse assento reiniciar seu trabalho, de fazê-los feliz com o chamego.

Depois de um mês grudados como lemas de dia e de noite, sem fazer mais nada além de amar, ela perguntou:

— Eu nem sei seu nome, meu bem...

— Não deu tempo para contar! Stanislav. Aceita ser minha esposa nesta vida, na próxima, e em todas as encarnações futuras?

— Aceito, Stanislav. Como é que você é russo?

— Então daqui a 8 meses, vamos nos casar! E não sou russo. Meu pai tirou o nome de um livro que ele gostou...

—Oito meses? Seu russo de mentirinha...

— É o mínimo que dura o primeiro encontro...

— Todos aqui são tão maníacos, que nem você?

— Não! Eu sou o pior de todos eles...

— Então eu tive sorte! Eu amo você...

— E eu também! Acho que a amo desde esse dia em que me convenceu que a Terra necessitava de ajuda e me trouxe para cá! Eu sempre achei que era por causa de amor... De que você sentia algo por mim ali dentro...

— Eu trouxe você de onde?

— De um mundo em combate! Vou mostrar no espelho, quando quiser...

— E como é que éramos? Cara de bicho?

— Não! Mas eu tinha cabelos longos, e você tinha esses lindos olhos verdes e este corpinho maravilhoso!

— Mas, como é que falecemos?

— Num bombardeio. Como a nossa Segunda Guerra Mundial. Lutávamos contra inimigos canibais... Eles nos capturavam, levavam para o matadouro e comiam-nos...

Marta começou a gargalhar, tanto, mas tanto, que Stanislav teve que esperar que ela ficasse séria para reiniciar o namoro. Mexeu a cabeça com paciência. Ela era mesmo uma herege completa. Não acreditava em nada que fosse ligada à reencarnação.

Enquanto isso, Andrei soube que Paulo estava para chegar.

Paulo entrou na cidade num barco bem maior, com dez filhos em redor, abraçados em Paulina. A criançada correu de braços abertos gritando: — Vovô, vovô... E os rodearam. Êve nem sabia a quem beijar primeiro. E começou a se abaixar para dar o primeiro abraço numa preta de olhos lilases, de um aninho, igual a sua filha Areti. Depois beijou uma neta loira, igual a Diana, outra branca igual a Inês, um neto igual a Amon-rá, pois ela via seus próprios filhos através de seus netinhos. Afinal, vira seus filhos recentemente no espelho do templo com seu amado. Todos em forma em espirito, esperando-os para serem seus filhos, numa outra encarnação, pois Jesus, lhes dera detalhes desse futuro maravilhoso que teriam depois da morte.

Andrei e Paulo ficaram abraçados, emocionados, lágrimas escorregando, pois os homens dessa família eram assim mesmo. Derretia-se que nem manteiga. Êve abraçou Paulina, sua nora. E começou a fazer perguntas:

— Quando se casaram?

— Só depois de Armageddon. Tivemos muito trabalho, sabe... Eu entrei na Resistência alemã, e fiquei fazendo coisas impossíveis... Seu filho começou a me salvar de torturas, prisões, e foi ali que começamos a nos apaixonar. Mas essa guerra não dava trégua. Sempre fizemos amor na corrida. Só depois de uns 5 anos, conseguimos sossego para o amor de verdade. E de tanto amor fiquei prenhe de 9 em 9 meses...

— E você nasceu onde?

— Suécia... Sou mais velha do que você, uns 50 anos...

— E meu filho está com quantos anos?

— Vividos uns 500. Jesus tomou conta, sozinho, de quase toda a Idade Média, enquanto ele dormia. Paulo conta que enfrentou a Inquisição como um touro bravo. Mas Malaqui ficou doente, acho que você já sabe...

— Ele me salvou da morte, sabia? E está zanzando como espírito por aqui perto...

— Ele merece ser chamado de: filho de Deus!

Enquanto Êve e Paulina contavam tudo entre si, falando e rindo em dupla, Andrei e Paulo articulavam tudo com telepatia, rindo das fofocas delas. Beijavam as crianças em redor, todos caminhando com dificuldades, abraçados, apinhados, com os menores no colo. A neta preta ficou abraçada ao pescoço de Andrei e o beijava rindo com cara de anjinho, enquanto Paulo carregava um pequeno nos ombros. Paulo estava tão feliz com seu casamento, com seus filhos, que a chegada de seu pai foi o melhor prêmio de sua vida.

— Você toma conta daqui para frente, pai... Estou estressado... Eu nem tive lua de mel...

— É por isso que eu vim... Vai para “V de BETA”, deixe a Terra comigo...

— Obrigado, pai! Aceito! Cadê a Marta?

— Um monge tibetano a raptou! Perdeu-se! Tive a péssima ideia de pedir que cuidasse dela! O cara não a soltou mais...

— Minha irmã nunca mais vai tocar piano, pai...

— Concordo, ela finalmente encontrou seu macho! Não é esquisito, filho? Um monge? Pensei que eles fossem ascetas...

— Não, pai! Eles têm o poder de atingir o prazer “sem mulher” e não estou falando de masturbação! Eu tentei aprender a técnica, mas tirei nota zero. Não consegui...

— E eu nem gostaria de aprender! Como é que você reconstruiu Atlântida? Ela ficou igual, filho...

— Olha, foi coisa do acaso. Estava na Lua em busca de pergaminhos antigos, e me encontrei com a planta dela. E me diz a mim mesmo, que você ia gostar de vê-la um dia...

— Estou emocionado! Eu nunca me recuperei da destruição de Atlântida... Foi a primeira cidade que construímos. E esta daqui não tem terremotos?

— Não! A fenda subaquática está mais para o Leste. Também o isolamento desta Atlântida é maior. Ela está voejando dentro de outra câmara. Se houver cataclismos, só vai encher de água a câmera externa. Mais nada...

— Filho, vamos marcar o início dos nossos trabalhos, para mais um mês? Na verdade, esta é minha viagem de lua de mel...

— Vai para Lua, pai! Temos uns jardins maravilhosos, uns vinhedos de que vão gostar. Sei que você e a mãe gostam de um bom vinho nesta vida...

— Vou precisar de piloto, pois não sei nada de astronáutica. Aliás, sou o maior ignorante nesta vida. Na Rússia, sempre lia as primeiras dez páginas de meus livros. Suficiente para passar de curso raspando...

— Mas eu jamais estudei nada, pai... Esqueceu? Ah? Jesus ia para a Universidade e eu ia para a farra...

— E já se lembrou de quem é sua mulher?

— Não! A gente já se conhecia?

— Eu diria que você queria se suicidar quando ela morreu...

— Morreu de quê?

— De velha... Ela tinha mais de 600 anos...

— É ela, pai? Minha suicida de Agarta? Nossa, eu acho que esperei por ela uns 2.000 anos... Ganhei de você, pai...

E começaram a gargalhar alto. E falando com a boca desta vez, Adão indagou:

— Me diz, de todos os visitantes da superfície, quem é o Rei do mundo?

— Nenhum deles, pai... Só consegui saber que é a Maria Madalena reencarnada. Mas ela é o maior segredo da Terra. Todos a procuram, a KGB, a CIA, a Interpol, a Máfia, pois sabem que ela vai destroná-los sem piedade... Mas nem eu sei onde ela está, pai... A Maçonaria a protege como um bando de cães furiosos, desde antes dela sequer nascer... São os únicos que conhecem sua identidade secreta...

— Então a “Grande Irmandade Branca” ainda governa por baixo dos panos?

— Muito mais do que nós, pai... Muito mais.

Nos dias seguintes, o povo de Atlântida esperou com paciência que Andrei e Paulo regressassem de suas respectivas farras de namoro sem fim. As pessoas que chegavam nessa cidade sabiam que o amor era a coisa mais importante nos habitantes dessa cidade submersa. E eram comuns eles nunca terem pressa para nada. Parecia que em Atlântida a vida não passava, não transcorria, pois tudo era paz, calma e alegria. Mas os homens que chegavam da superfície, periodicamente, traziam notícias trágicas, sempre se perguntando uns aos outros: — O que vamos fazer? E tinham que esperar com os nervos à flor da pele que os mestres dessa cidade os ajudassem.

Na sua primeira palestra — pois o enorme ginásio estava abarrotado — Andrei viu gente sentada, até uns por cima dos outros, com homens com perguntas atravessadas na goela. Havia gênios da Terra, intelectuais e místicos. Muçulmanos sentados ao lado de rabinos judeus, presbiterianos ao lado de pentecostais, católicos ao lado de luteranos, hinduístas ao lado de budistas, e índios. Metade desse auditório eram índios da América, da África e da Austrália.

Da “Irmandade branca” Andrei encontrou somente 5 indianos. Eles representavam mais de 200 Escolas de mistério espalhadas pelo mundo. Escolas secretas, como os rosa-cruzes, maçonaria, ordem martinista, drusos, e outras de identidades desconhecidas.

Os espíritas da França eram a sensação do momento. Eles eram seguidores da filosofia deixada por Allan Kardec. E haviam chegado do Brasil uma congregação espiritual, do Candomblé e da Umbanda, com mães de Santo vestidas de branco, que chamava atenção de todos, pois corria o boato que Maria Madalena estava chegando ao Brasil, protegida por elas. O povo espiritual rezava para criar um mantra, para que Maria Madalena realizasse sua missão sagrada, em segurança.

Andrei iniciou a palestra falando do passado, do ano 3000 Ac. quando chegou desde Atalanta com uma frota de alienígenas, com o intuito de salvar a Terra de um futuro holocausto nuclear. Uns amigos, ao lado dele, mostraram com filmes as cidades de Atlântida e de Lemúria, ambas sucumbidas num enorme terremoto. Atlântida havia sido construída no mar das Antilhas, e Lemúria no Golfo de Iucatã, em cujo lugar levantou-se a primeira Universidade da Terra. A seguir expôs as culturas que floresceram durante a Antiguidade, com seus ensinamentos.

Mostraram aos alunos de Lemúria levantando as pirâmides do Egito, a grande muralha da China, as maravilhas da América Central, as admiráveis construções da Ilha de Creta, e depois falou que sempre, desde um início, haviam lutado contra a corrente. O que seus discípulos construíam, os homens em guerra destruíam. Apontou as grandes devastações como a invasão à Ilha de Creta, o incêndio de Persépolis, a conquista do Egito, e os ataques à cultura celta. Mostrou o arrasamento de Stonehenge, o maior observatório da Antiguidade, o aniquilamento de Cartago, onde não sobrou pedra sobre pedra, e por último os ataques na América às cidades peruanas. Ele não poupou detalhes. Desde o ano 3000 antes do nascimento de Jesus, até os tempos atuais, sempre, mas sempre, o que os homens de bem inventavam, os homens maus afundavam.

E terminou dizendo que a “Segunda guerra mundial” havia marcado o fim dessa luta entre o bem e o mal, e que os homens bons haviam ganhado essa peleja, portanto, o mundo era deles. Estava na hora de tomar o comando mundial, e fazer da Terra um paraíso. Como fazer isso? Pois bem, cada país teria que fazer sua própria revolução. Colocar a casa em ordem. A Rússia tinha que deixar de ser uma ditadura, para ser um país aberto, livre de oligarcas que ordenava ao povo o que se podia ou não se podia fazer. Onde quer que existisse um ditador, estava chegada a hora de derrubá-lo.

Também atacou firme o fanatismo religioso. O que os padres, pastores, e guias espirituais pregavam ao povo era mentira. Não existiam Deuses criadores de nada. Muito menos Filhos de Deuses. Não havia Deuses que dirigiam os destinos dos homens, e muitos menos que os castigavam. Se ajoelhar para Deuses, seja cantando ou rezando, era algo inventado por líderes espirituais burros, ou ladrões. Pessoas que nada sabiam como funciona o mundo espiritual, mas que se utilizava de “doutrinas sagradas” para pilhagem de dinheiro, como qualquer mafioso. Andrei falou, com firmeza, que só existiam pessoas mortas e gente viva. E que para se ajudar na luta contra a maldade, fazer a ligação entre os vivos e os mortos, era o único caminho verdadeiro. Tinham que batalhar contra o inimigo nas duas dimensões, na existência espiritual e na vida material.

Os Espíritas se ergueram como quem ganha uma aposta. Abraçaram-se, felizes, pois era a religião que mais se parecida com tudo que Andrei terminava de falar. Depois, todos os místicos se levantaram para aplaudir o mestre, pois ali dentro todos acreditavam na reencarnação. Difícil era falar disso, para seus amigos, fora dessa cidade.

Depois dos aplausos, Andrei respondeu a perguntas. A maioria das incógnitas era sobre a vida em outras dimensões do Universo. Os OVNIS existiam? E os ETs, como é que eram realmente? Até foi perguntado se ele não possuía um disfarce por cima de um corpo de monstro.

Desta vez Andrei deu boas risadas, e pediu para olhar outro filme. Mostrou o planeta “V de BETHA”, em todos seus detalhes, a seguir sua cidade de origem, Atalanta, e por último o mundo dos “Guerreiros intergalácticos”. Em todas as cenas, só havia gente maravilhosamente bela. Os mais belos eram de Atalanta. Os homens vestiam calça justa, peito nu, e uma musculatura própria de um Rei do Mundo. As mulheres eram fascinantes. Cheias de roupas semitransparentes, muito sensuais, joias à vontade, cabelos esvoaçando ao vento, compridos, encaracolados ou lisos, e tinha aquelas que desfilavam penteados dignos de concursos de belezas.

Quando as luzes acenderam, Andrei disse que metade da plateia era de bisnetos e tataranetos desses guerreiros. Imediatamente, homens altos com mais de 2 metros se levantaram, mostrando que a única diferença entre os homens, de um planeta para outro, era a inteligência. Andrei terminou dizendo que o QI deles era acima de 1000. Capazes de falar, telepaticamente e ao mesmo tempo, com 50 pessoas. E que ele, no passado, falava com 100. Mas, agora era apenas um mortal reencarnado, que mal falava telepaticamente com um, de cada vez.

Depois dessa palestra, veio o relax.

Robôs muito bem-educados trouxeram bandejas com refrigerantes, pastéis deliciosos, sanduíches, frutas, que foram espalhando por todo canto. Andrei foi rodeado por gente da França, e da Itália, que o conheciam através da imprensa, como um comunista fugido. Foi a vez de explicar que era um alienígena reencarnado, filho de russos comunistas, e que esse sistema de governo era bom. Mas infelizmente, os homens do poder eram tão facínoras quanto a máfia.

Quando as visitas começaram a subir nos iates, que os levariam para a superfície, uma Mãe de Santo brasileira entregou uma foto para Andrei. Telepaticamente, ela lhe disse:

— Tem que iluminá-la, mestre! Ela ainda não sabe quem é que ela é! Vai ter que prepará-la, a longa distância...

Andrei observou a foto e a reconheceu na hora, era Maria Madalena, mais ou menos com uns 40 anos. Abraçou a Mãe de Santo, e ficou a olhar. Parecia uma borboleta, caminhando cadenciadamente. Uma mulher da terra, que estava morando miseravelmente numa favela desse país. Como era antigamente. Mendigos de rua eram sempre os “reis do mundo”. Algo que ninguém poderia sonhar.

Quem preparou Maria Madalena foi Paulo.

Sozinho dentro do templo a visualizou trabalhando como operária dentro de uma fábrica. Ela suava cansada, mas feliz. Chegara ao Brasil fugindo da prisão de um país sob uma ditadura extrema. Salva, ela estava escondida, temerosa, mas segura. E começou a falar com ela durante o sonho. A fez lembrar-se do passado, quando era discípula de Jesus, do trabalho que realizara entre o povo, das fugas, e a seguir lhe mostrou outras encarnações, pois Maria Madalena vivera 10 vidas, após os tempos da missão de Jesus. Havia lutado na França contra os ingleses, na Inglaterra contra os espanhóis, na China contra os mongóis, e havia vivido como artista na Itália.

Para Maria Madalena não enlouquecer, a fez sonhar durante um mês, dia após dia. Fez na sua cabeça um resumo de sua existência. Não poupou detalhes. E por último lhe mostrou Ivani escrevendo a Bíblia. E depois João, casando com ela, e em seguida a fuga de Roma para a França, e por último João, viúvo, sozinho numa prisão, escrevendo o Apocalipse. E por último lhe pediu que escrevesse a continuação dessas histórias.

No dia em que Madalena começou a rascunhar num caderno, Paulo cedeu o trabalho para seu pai. Madalena ia fazer milhares de perguntas dali em diante. Andrei só teria que responder. Apenas isso. Como num telefone sem fio.

Notas finais
Para Maria Madalena não enlouquecer, a fez sonhar durante um mês, dia após dia. Fez na sua cabeça um resumo de sua existência. Não poupou detalhes. E por último lhe mostrou Ivani escrevendo a Bíblia. E depois João, casando com ela, e em seguida a fuga de Roma para a França, e por último João, viúvo, sozinho numa prisão, escrevendo o Apocalipse. E por último lhe pediu que escrevesse a continuação dessas histórias. No dia em que Madalena começou a rascunhar num caderno, Paulo cedeu o trabalho para seu pai. Madalena ia fazer milhares de perguntas dali em diante. Andrei só teria que responder. Apenas isso. Como num telefone sem fio.