Adversários Compatíveis
1 Um dango por uma rosquinha
Notas iniciais
O dia estava nublado. A chuva que acabara de passar poderia voltar a qualquer momento. Os moradores do distrito iam aparecendo aos poucos para aproveitar a trégua. Entre eles havia um certo yato, o qual estava apenas de passagem.
"O tempo por aqui está bem parecido com o do meu planeta... Isso faz com que eu me sinta em casa...", dizia ele para si mesmo enquanto encarava o céu.
Não muito longe dele, havia uma barraca de dangos, e o mesmo logo a avistou.
"Eu posso comer alguns antes de ir embora...", resmungou enquanto já ia fazendo seu pedido para a dona da barraca usando as mãos.
Alguns minutos depois...
"Aquela mulher... Acho que está vindo pra cá...", disse em pensamento ao notar que uma samurai se aproximava.
Ele, que estava sentado na ponta do banco em frente a barraca, fitava os olhos na moça que se sentava na outra ponta.
"Oh, me desculpe dizer isso, mocinha, mas os dangos que tínhamos acabaram agora há pouco", disse a dona da barraca assim que a viu. "Se não for um problema para você, poderia esperar os próximos ficarem prontos? Não vai demorar muito."
"Tudo bem", ela respondeu olhando de relance para a montanha de pratos vazios ao lado de Kamui. "Vou querer para viagem."
Não demorou muito para o yato se aproximar. Ele estava interessado naquela espadachim aparentemente forte. Ao vê-la puxar uma caixa de rosquinhas de dentro da roupa, logo teve uma ideia e puxou assunto.
"Ei, essas rosquinhas parecem boas. O que acha de fazermos uma troca? Meu último dango por uma das suas rosquinhas? Sei que por conta da diferença de tamanho entre os dois acaba sendo injusto, porém, se olhar de modo positivo, pelo menos não vai passar vontade enquanto espera a senhora ali fazer os seus."
Era uma proposta acompanhada de argumentos até convincentes.
"Os dangos não são para mim, mas como você parece querer muito uma rosquinha, eu vou aceitar a troca."
Embora a típica expressão fria da jovem não demonstrasse, ela estava de bom humor. Pretendia encontrar os Yorozuya e cumprir a promessa que Kagura a fez fazer. Aquilo de algum modo a deixou um pouco animada.
Por fim, a troca aconteceu, no entanto, havia algo de errado ali. Kamui logo comeu a rosquinha, já Nobume...
"Oh, deixei cair sem querer", disse a moça encarando o dango que "derrubou" numa poça de água deixada pela chuva.
"Mas que pena...", disse o yato com uma falsa expressão de surpresa.
"Seus dangos estão prontos, mocinha", a dona da barraca avisou já os levando até Nobume.
Ela apenas se levantou, pagou pelos dangos, os pegou, agradeceu e saiu. Não estava interessada em continuar com aquilo, seja lá qual fosse a intenção do rapaz que lhe deu um dango com laxante. Ele, por sua vez, também se levantou e pagou pela refeição, mas ao em vez de seguir seu caminho, foi atrás dela.
"Vai deixar por isso mesmo?", perguntou Kamui simpaticamente enquanto a seguia.
"Tenho mais o que fazer", respondeu Nobume com seu tom de voz frio.
"Entendo, mas não vai nem querer saber o motivo de eu ter feito aquilo?", prosseguiu fazendo outra pergunta.
"Bom, eu até cheguei a querer saber o porquê de você ter escolhido logo laxante", respondeu acelerando o passo. "Poderia ser veneno ou algo do tipo, mas como eu já disse, tenho mais o que fazer."
"Até sabia o que era... Como descobriu?", sem se importar com o desinteresse da samurai, ele perguntou ainda mais curioso.
"Notei o pequeno furo deixado no doce. Quando apertei, saiu um pouco do laxante, que era de uma marca barata, por sinal."
Apesar de não querer continuar a conversa, ela respondia as perguntas do rapaz acreditando que em algum momento ele talvez a fosse deixar em paz.
"Pelo visto você tem experiência com laxantes... Será que é experiente em lutas também?"
Dessa vez, Kamui fez a pergunta com tom de voz mais pesado. O olhar gentil e o sorriso amigável não estavam mais ali.
"Pela terceira vez, tenho mais o que fazer", respondeu novamente com frieza na voz.
Era como se Nobume tivesse olhos nas costas e pudesse ver o rosto do yato naquele exato momento. Um olhar sedento por sangue acompanhado por um sorriso que ia de orelha a orelha estampavam sua face.
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