Adversários Compatíveis

3 Qual resposta o tempo trará?


Notas iniciais
Eu estou pensando em terminar a história com este capítulo, mas posso mudar de ideia. Vai depender de vocês.

E lá estavam eles. Nobume caiu de joelhos, já que pouco antes de chegar no chão, empurrou o yato com a mão que o segurava e com isso pegou impulso para trás. Ele, que tentou cair sentado, foi de costas contra a calçada por causa do empurrão.

"Venci", disse a samurai enquanto deixava escapar um pequeno sorriso e ao mesmo tempo levava a mão até a barriga.

"Só porque está por cima, não quer dizer que ganhou, aliás, você caiu em cima de mim após ter levado um golpe meu", rebateu Kamui com um sorriso debochado, mas com uma expressão um tanto surpresa também.

"Bem, embora seja verdade, a última a dar o golpe fui eu, e quem está deitado no chão agora é você", ela prosseguiu.

"Não acho que aquele empurrãozinho possa ser considerado como um golpe, no entanto, acho que isso já não importa mais pra mim..."

"Está dizendo que o resultado da luta pela qual você implorou não significa mais nada?", perguntou Nobume um pouco confusa, mas já com a mesma expressão de sempre.

Ao ouvir aquilo, o rapaz respondeu um tanto incomodado: "Primeiro, eu não implorei, só fiquei enchendo o seu saco pra ver se você iria ceder ao convite. Segundo, eu não sei o porquê, mas alguns instantes antes da gente cair, comecei a desejar que você se divertisse ou pelo menos demonstrasse alguma emoção ao lutar comigo. Quando finalmente vi você soltar um sorriso agora há pouco, foi como se toda a luta tivesse valido a pena. Mesmo tendo sido no final dela, pude concluir que consegui fazer você sentir algo...".

"O que eu entendi é que você só estava procurando alguém para se divertir", falou com frieza. "Olhando bem, você parece já ter chegado na fase adulta... Não tenho nada contra gente grande que gosta dessas coisas, mas eu estava com pressa e você me fez parar só para brincar."

"Está vendo? É disso que eu estou falando. Você pareceu alguém sem vida o tempo todo. Desde o momento em que começamos a lutar, eu estava acreditando que cedo ou tarde você iria reagir com uma expressão de empolgação ou até mesmo de raiva. Como isso não estava acontecendo, cheguei a me perguntar se teria que te beijar ou algo assim."

Soltando uma breve risada, o yato se sentou.

"Obrigado por se preocupar... Mas por que achou que um beijo poderia ajudar nisso?"

"Não é óbvio? Os beijos costumam fazer as pessoas reagirem de alguma forma. Elas sempre acabam expressando alguma emoção, seja ela qual for. Por isso foi a primeira coisa na qual pensei."

"Entendo... Acho que você já teria me beijado se tivesse me conhecido um pouco antes."

Mal sabia Kamui que até pouco tempo atrás, Nobume fora uma mulher cujo olhar transmitia morte. Aquele brilho em seus olhos só passou a existir depois de um determinado acontecimento. Ele não fazia ideia.

"Então você era pior, hein?", disse o yato com seu jeito simpático e já se aproximando da moça. "Algo me diz que gostaria de ter te conhecido antes. Provavelmente eu não teria me segurado."

"E algo me diz que você está se esforçando bastante pra se segurar agora", disse a samurai ao ver que o rosto dele já estava bem perto do seu.

Seus rostos estavam próximos a ponto de ambos conseguirem ouvir a respiração um do outro.

"Realmente estou me segurando", ele sussurrou. "E agora não é apenas porque quero arrancar alguma reação de você."

Encarar aquele belo par de olhos vermelhos fez algo dentro de Kamui despertar. E não era como se nada estivesse acontecendo com Nobume, que sem perceber, se viu perdida nos olhos azuis do rapaz. Os dois ficaram daquele jeito por mais alguns segundos.

"Já vou indo", disse a moça se levantando.

"Antes de ir, deixe-me fazer umas perguntas", falou também se pondo de pé. "Qual foi a daquela pergunta sobre o beijo? Acho que até uma pessoa que nunca beijou ninguém entenderia o que eu quis dizer. Por que você me perguntou algo que estava tão na cara?"

"Ah, deve ser porque eu nunca beijei ninguém e também não tive a experiência de me apaixonar por alguém uma vez sequer", enquanto se virava para ir embora, ela explicou. "Creio que se juntar os dois motivos fará mais sentido."

"Sobre a parte de nunca ter se apaixonado, sei bem como é isso", disse o yato também se virando.

"Um homem que aparenta entender de sentimentos, mas que nunca teve o coração fisgado..."

"E uma mulher que aparenta ter experiência de vida, mas que nunca viveu um amor..."

"Embora eu tenha dito que nunca me apaixonei, não vou negar que senti algo naquela hora", deixando novamente um pequeno sorriso escapar, a moça admitiu.

"Digo o mesmo", disse o rapaz sem esconder a felicidade no rosto. "Se isso for um sinal de que vamos nos apaixonar um pelo outro, vamos acabar nos encontrando de novo."

"Mesmo que as circunstâncias sejam contrárias, vamos dar um jeito de fazer isso", ela completou.

"Assim espero", ele finalizou.

A vontade de dar meia volta e transformar aquele quase beijo num de verdade era grande, entretanto, ambos resistiram, pois decidiram deixar o tempo lhes dar uma resposta absoluta. Tanto um quanto o outro sabia que se voltassem atrás, tudo não iria passar de uma atitude por impulso. No fim, os dois seguiram seus caminhos, os quais eram diferentes, mas o pensamento que não saía de suas mentes era o mesmo.

"Se tivéssemos nos conhecido um pouco antes, talvez hoje nós já saberíamos... Qual resposta o tempo trará?"

Notas finais
Qual será a resposta? | Até um possível próximo capítulo, se eu puder e quiser postar.