Adversários Compatíveis

2 Próxima parada: chão


Notas iniciais
Aí vai o segundo capítulo! Eu escrevi meio com pressa e dei umas revisadas rápidas, então pode ser que vocês encontrem um erro ou outro.

O clima que já estava pesado, acabou ficando ainda mais quando Nobume parou de andar de repente. Era como se ela tivesse mudado de ideia e fosse aceitar lutar com ele, mas era só o que parecia.

"Eu estou com pressa, então é melhor desistir disso", disse a samurai tentando mostrar o quão desnecessário seria levar aquilo adiante. "Não vou lutar com você só porque está querendo."

"Me desculpe... Eu estou com tanta vontade de te testar que não vou conseguir me segurar...", com um olhar amedrontador e um sorriso escancarado, Kamui soltou as suas últimas palavras antes de atacar.

A moça mal teve tempo de se virar. Ele já estava na sua frente e pronto para dar o primeiro soco. Por muito pouco ela conseguiu desviar. Alguns fios do seu cabelo até foram arrancados com a força do vento causada pela mão do yato.

"Que rápido", impressionada, mas sem deixar isso transparecer em sua face, ela disse em pensamento.

Nobume reconheceu naquele exato momento que estava diante de alguém realmente forte. Se apenas ter que lidar com ele já estava sendo algo difícil de se fazer, lutar seria muito mais.

"Se você não reagir vai acabar levando uma surra... Vai deixar que eu faça isso?", perguntou ele com tom desafiador.

"Não vejo a menor necessidade de lutar com você, no entanto, não vou ficar parada se vier me atacar", ela respondeu sem um pingo de empolgação.

Logo após dizer aquilo, a jovem retirou uma faca japonesa de dentro do uniforme e colocou a caixa de dangos em um local próximo e seguro.

"Primeiro uma caixa de rosquinhas e agora isso...", ele resmungou. "Será que tem como guardar várias coisas dentro da roupa dela? Pode ser que seja como uma TARDIS. Talvez ela seja uma senhora do tempo..."

As vestimentas dela, que aparentavam não esconder nada, haviam escondido dois objetos bem visíveis, e isso não passou despercebido por Kamui.

"Além dos dangos que vou dar a Kagura, quero comprar uma roupa nova", ela, por sua vez, também resmungou. "Os fãs de Gintama devem pensar que eu só tenho o uniforme do Mimawarigumi... Bem, é quase isso mesmo... De qualquer forma, uma nova fase da minha vida começou e eu quero estar com uma roupa nova também."

Foram resmungos atrás de resmungos. Só depois de não encontrarem mais o que resmungar que eles decidiram focar no que realmente "importava" naquele momento: a luta.

"Acha que não sou páreo para essas duas espadas na sua cintura?", indagou o yato ao ver que a espadachim escolheu uma tanto, e não as katanas.

"Uma arma como esta vai ser suficiente.", respondeu Nobume logo após apontar a faca para seu oponente. "Não vou desembainhar minhas espadas para uma luta tão desnecessária."

"Se é o que você acha...", disse ele já partindo pro ataque.

A luta tão desejada por Kamui finalmente começou. Ambos tinham força e velocidade equivalentes, e ele logo notou isso ao ter que se esforçar para desviar e bloquear os golpes da samurai.

"Meu palpite estava certo dessa vez. Ela não é uma qualquer. Gostaria de ver qual o nível de habilidade dela manejando as duas espadas, mas pelo visto isso não vai acontecer..."

Por mais que estivesse empolgado, em seus pensamentos o rapaz lamentava pelas coisas não terem sido exatamente como ele queria.

Não estava sendo fácil para ela também. Havia momentos em que Kamui parava seus golpes com golpes e, para piorar, este sempre atingia o mesmo lugar do antebraço dela. Além da força e velocidade, podia-se ver claramente a sua esperteza.

"Vou ter que trocar de lado", disse Nobume para si mesma ao perceber que sua mão direita já não conseguia segurar a faca com a mesma firmeza de antes.

Ele só estava um pouco cansado e os dois golpes que o acertaram só lhes causaram arranhões. Contudo, a desvantagem da samurai não durou muito, pois com uma rápida troca de mão e um movimento ainda mais rápido, ela conseguiu fazer um corte consideravelmente profundo no braço direito do rapaz.

"Eu devia ter levado em conta que você é ambidestra", o yato falou dando um salto para trás e voltando ao seu estado normal. "Fui pego de surpresa por causa de um descuido meu."

"Pode ser que depois disso você fique mais atento", disse a moça com a mesma expressão e tom de voz de sempre.

"Bom, eu também tenho uma surpresa pra você", novamente com um sorriso psicopata no rosto, ele disse enquanto retirava sua sombrinha das costas. "Quero ver se realmente é boa em desviar."

"Isso não vai me surpreender. Além de não ser uma novidade para mim, eu já esperava que você talvez fosse usá-la."

Por não ter o costume de usar sua sombrinha em lutas, havia bastante munição nela, e isso só favoreceu o lado de Kamui, o qual pretendia dar tiros seguidos para que a samurai não tivesse sequer tempo de respirar. Num piscar de olhos os tiros começaram. As poucas pessoas que passavam por ali correram assustadas com o barulho.

"Entendo, você já deve ter conhecido alguém da minha espécie, mas tudo bem. Vou testar sua habilidade em desviar assim mes... Espera, não está desviando."

Ele mesmo se interrompeu ao perceber que Nobume estava cortando as balas no meio ao em vez de se esquivar delas.

"Nada mal! Vejo que você realmente é boa pra cortar coisas!", falou com empolgação.

A velocidade dela mal podia ser acompanhada com os olhos. Ao mesmo tempo em que cortava as balas ela avançava na direção de Kamui. Quando chegou, ele não teve outra escolha senão lutar diretamente.

"Eu queria guardar um pouco das minhas energias para usá-las contra uma pessoa em breve, mas posso ver isso como um treino para me preparar até lá", disse o rapaz já mais calmo e com seu tom de voz gentil.

Rapidamente ele firmou sua sombrinha no chão, se apoiou nela e desferiu um chute com o intuito de acertar o rosto de Nobume. Sem muita dificuldade, a jovem desviou dele, no entanto, ela não esperava que outro golpe viria logo a seguir... Antes que a samurai pudesse perceber, o yato já havia golpeado sua barriga com o joelho. Aquilo não só doeu como também a fez perder o equilíbrio.

Embora fosse seu adversário, a moça se segurou na roupa dele para não cair, e este, que não esperava tal atitude e não estava com os pés bem firmados no chão, acabou sendo surpreendido outra vez.

"Ei, não se segure em mim!", já perdendo o equilíbrio também, ele exclamou.

Era tarde demais para o jovem tentar se firmar e assim, conseguir se manter de pé. A próxima parada dos dois com certeza foi o chão.

Notas finais
Nota: TARDIS e senhora do tempo são referências a série Doctor Who. | Até o próximo capítulo, se eu puder e quiser postar.