Notas iniciais
Espero que gostem deste capítulo novíssimo em folha, diverti-me bastante a escreve-lo, até dei umas belas risadas pelo meio. :)

A minha vida tinha dado uma volta de cento e oitenta graus e tudo "graças" aquela última noite, e o facto de já não ter trabalho tinha me dado a oportunidade de me afastar dali, que era tudo o que eu precisava para não ter de o ver, e até agora estava a resultar porque nunca mais o tinha visto. Mas por mais que aquela distância me fizesse bem também me fazia sentir cada vez mais saudades das corridas. Só havia uma coisa que não tinha conseguido deixar naquelas cinco longas semanas... As minhas pequenas doses diárias assim como alguns copos. Resumidamente... Continuava a tentar não me envolver tanto naquela vida que antes tinha. E o melhor de tudo é que não interferia com o meu trabalho novo visto que só me dedicava a isso quando ia para casa.

Basicamente a minha rotina agora era dormir de manha, almoçar e conduzir uma hora para ir até à loja de roupa onde tinha arranjado um part-time. Quando a loja fechava voltava para casa e preparava-me para o meu trabalho noturno que ficava a duas horas de distancia. A expressão "trabalho noturno" soava mal mas não deixava de ser isso mesmo. Ainda assim, era um trabalho de respeito apesar do uniforme ser bastante reduzido. Aquele era o típico bar onde as empregadas serviam às mesas e os homens ficavam atrás do balcão. O meu uniforme era composto por uma saia do tamanho de um cascol digamos... mais largo e uma camisa branca pequena que me deixava a barriga à mostra e à qual tinha de dar um nó em vez de a abotoar.

Eu sei que não sou de roupa "compridas" mas aquilo era um pouco reduzido para o que eu costumava vestir, para além disso não fazia o meu género reduzir nos dois lados, ou reduzia na parte de baixo ou usava um decote mais revelador. Apesar disso não me importava porque essas horas não eram nada comparadas com a melhor parte do meu dia... Conduzir de um lado para o outro, que mais gostava desta nova rotina, era a longa distância que andava de carro.
Estava a iniciar mais um expediente quando dei com três caras familiares. Bem... a minha ideia era trabalhar longe para não ter de ver gente conhecida mas... Tendo em conta a de cabelo rosado e o acompanhante... Agarrei no meu bloco de anotar pedidos e fui até la. Sorte ou azar estavam na minha secção de atendimento.

– Boa noite. O que vão desejar? — Era o discurso que fazia habitualmente e frequente mente ouvia comentários babados mas estava habituada a dar a volta a isso. A caras deles quando me viram e a olhar me de alto a baixo foi de facto... Interessante, à falta de melhor palavra. — Não sei o que fazem aqui mas imagino...

– O que fazes tu aqui? — A Sah fez questão de acentuar o "tu". — Não me digas que...

– Sim, é o tal bar que te falei. Mesmo assim não te estou a ver num sítio como este mas...

– Culpa o Kiba, ele é que escolheu o sítio.

– Ohh Sasuke... Modéstia à parte mas aqui o Kiba tem muito bom gosto.

– És é um tarado, essa é que é essa.

– Prefiro a palavra apreciador.

– Se te faz sentir melhor contigo próprio... E tu... Estás diferente Yamanaka... Mudança de visual?

– Visual bastante profissional, dado que é o uniforme feminino.

– Só se for para a ocasião porque ia te perguntar onde estava a roupa mas...

– Menos Inuzuka... Estou a trabalhar, ok?

– Desculpa lá Ino mas é mais forte do que eu.

– O Uchiha tem razão, és um tarado.

– Obrigado por concordares comigo, é coisa rara.

– É, digamos que milagres acontecem.

– Ino... Eu sei que... Não te faz impressão andar assim no meio de tanto homem? — Aquela pergunta era tão Sah.

– Eu tenho um truque para isso. — Pisquei lhe o olho e ri baixinho.

– O Naruto ia adorar ver-te assim vestida... — Essa era dispensável Kiba mas ok, sou madura mais do que suficiente para ignorar esse comentário infeliz. Ainda assim o meu tom mudou sem o conseguir evitar.

– O que vão beber? Não posso ficar aqui na palheta. O salário é bom demais por isso quero manter este trabalho.

– Sabes que mais...? Escolhe tu, sabes melhor sobre as especialidades da casa do que nós.

– Volto já com as bebidas.

– Ah outra coisa... Nós esperamos pela tua hora de saída.

– Ok priminha. — Sorri-lhe e fui buscar as bebidas.

Quando chegou a hora de sair fui trocar o uniforme pelo vestido curto que tinha trazido. Fiquei parada ao vê-la dançar com o Sasuke. Antigamente ela não iria a sítios daqueles e se fosse ficava sentada o tempo todo. Agora divertia-se quando saia à noite e tudo graças ao Sasuke. Vê-los assim a dançar agarradinho deixava-me feliz por ela, tão feliz que não conseguia deixar de sorrir.

A noite até foi bastante divertida , dançámos e bebemos uns belos copos. E a melhor parte... Nao fumei nem um único charro, por respeito à Sah claro. Mas quando chegámos a casa estava tão cansada que adormeci vestida e tudo. Quando acordei na manha seguinte dei com uma Sah com cara de ressaca a fazer daquele café bem forte.

– Como é sentir a primeira ressaca?

– Não sei como aguentas isto. E não grites por favor... Ai meu Deus... — Ri-me mas eu também não estava lá com muito boa cara, tinha a cabeça a explodir. O mais engraçado foi vê-la correr para a casa-de-banho com a mão a tapar a boca. Enchi uma chávena com o café que ela tinha feito e dei um gole longo.

– Ahhh, abençoado café.

– Não volto a beber um único copo de alcool. Uma única gota, um único... — Lá estava de novo aquela cara de quem ia vomitar ali mesmo, nem sei como ela consegui falar antes de correr de novo para a casa-de-banho. — Por favor... Outra vez não...

– Café... Café... Café...

– Pareces um zombie, Uchiha. — Enchi uma chávena para ele e estiquei-lha. De nós os três ele era o que estava com melhor cara porque era o único só com cara de sono. Dei mais uns goles encostando me ao balcão antes de voltar a falar. — Onde deixaste a tua roupa, já agora? — A cara dele ao sentar-se e perceber que estava só de boxers fez me rir e depois com aquela deixa... Inédito!

– Ahn? Oh merda... Onde é que...?

– Talvez no quarto de uma certa rosada, não?

– Isso é óbvio, Yamanaka. Não te faz impressão ver um homem de boxers, pois não?

– Nah, nem por isso. Não sei se sabes mas não sou nenhuma virgemzinha inexperiente e púdica.

– De facto não és nada disso nao... Até és o oposto mas não sei se isso é bom ou mau.

– Já deves calcular que a tua opinião em relação a isso é me irrelevante, certo?

– Acredita que sim. Ino... Não leves a mal o que te vou perguntar mas... Da última vez o Naruto veio cá a casa... Porque o mandaste embora?

– Ela contou-te, não foi? Adiantaria alguma coisa ter-lhe pedido para ficar?

– Talvez sim, talvez não. E não, ela não me contou mas eu tinha dormido cá por isso ouvi tudo, até vos ouvi aos dois naquela animação toda. Durante quanto tempo é que vão continuar a fazer isto a vocês mesmos?

– Não estamos a fazer nada, só estamos a fazer o que achamos certo para nós. Ele fez a escolha dele quando percebeu o que tinha acontecido e disse o nome dela. Eu fiz a minha deixando isso para trás. Só isso.

– Ambos sabemos que não deixaste isso para trás. Quando adormeceste no caminho de volta para cá era o nome dele que chamavas. Isso quer dizer alguma coisa, certo?

– Era um pesadelo, ok?

– A julgar pela tua cara e pelos teus sons diria que era mais um sonho que envolvia nuvens mas... Tudo bem, queres seguir em frente. É justo e percebo isso mas não te esqueças que não podes seguir em frente se estiveres em negação. Só segue em frente quem enfrenta o que realmente sente. Lembra-te disso, Yamanaka.

Lá estávamos nos naquela nossa conversa meio que profunda por entre goles de café quando ela voltou à cozinha, pelo menos já parecia ter deitado tudo para fora. Quem diria que ele era bom a dar conselhos? E quem diria que eu o tinha ouvido e achado que ele estava certo? Uau... Bela manhã de revelações, Ino. Aquele dia foi realmente estranho para mim mas também também foi o mais sóbrio de drogas, talvez por isso mesmo... Esse foi o primeiro de dias, semanas... Tudo isso fazia a minha vida meio que surreal, como se não fosse mesmo minha. Era estranho...

Notas finais
Será que ela vai continuar afastada do seu pior vicio? Será que os outros sabem dessa noite que a Ino tanto tenta esquecer?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.