Adrenaline Void
4 Desafio
Notas iniciais
Só me levantei da cama para ir trabalhar, a vantagem deste trabalho era só mesmo a proximidade de casa e o receber bem. Mas devia ser só mesmo isso... O dia não demorou tanto a passar como era costume mas ainda assim estava morta para curtir a minha liberdade. Fui para casa tomar um banho e arranjar-me. Vesti umas calças de ganga preta com rasgões nas pernas e um top azul da cor dos meus olhos com um decote algo revelador. Para dar o toque final ao meu look vesti um casaco de cabedal preto e calcei as botas pretas de salto alto. Perfeito! Ah não, faltava o meu rabo de cavalo habitual. Agora sim, estava pronta para dar uma abada a quem quer que me desafiasse. Se havia coisa que não podia faltar era esta: visão bem apurada.
Sai de casa só de telemóvel, carteirinha com dinheiro e chaves nos bolsos. Ia começar a diversão... Acendi um charro assim que me sentei à frente do volante e pus o cinto. Próxima paragem: spot da libertação. Pus-me lá num instante para não variar e assim que estacionei dei de caras com o meu "pesadelo" a correr. Sai do carro mantendo-me neutra e dei umas passas ao sentar-me no capô com as pernas dobradas sobre a parte lateral do carro. Mais uma vitória, não era? Pensando bem acho que nunca o tinha visto perder. Olhei em volta a ver se via a namoradinha dele mas nem sinal dela. Se calhar estava a trabalhar e não tinham conseguido os dois a noite de folga. Hipóteses possíveis por trabalharem no mesmo bar... Mas também que me interessava isso?
– Vejam quem finalmente apareceu...
– Eu é que não devia ter vindo... — Tinham de ser sempre aqueles dois a interromper-me os pensamentos? Bem, também com aqueles pensamentos de merda até agradecia e não era pouco. Olhei para eles, que tinham acabado de estacionar o carro ao lado do meu e saído logo em seguida. Sorri ao ver a minha prima e o cavaleiro motorizado dela.
– Vejam só quem fez uma aparição... — Sim, era uma aparição dado que a Sah raramente lá ia.
– O Sasuke convenceu-me a vir.
– Como é que conseguiste esse milagre?
– Tive de lhe prometer que não conduzia rápido com ela no carro.
– Então não a podes levar nas corridas.
– Como se ela me deixasse correr com ela lá dentro. — Riu-se mas a expressão da Sah foi tudo menos a de uma pessoa que se sentia em casa. Ela era mais para o género... Caseiro.
– Estão a ver o que vão apostar na vossa corrida? — Aquela voz assaltou-me a mente, o coração... Tudo. Ok, ele estava mesmo ali perto e com umas belas notas na mão mas que iam para o bolso dele. Disfarcei ao dar umas passas no charro e olhei-o como se nada fosse mas fiz questão de não fixar os olhos nos dele.
– Por acaso não mas não era nada má ideia, não. — O que fui eu dizer... A expressao dela passou de perdida a uma preocupada enraivecida. Ele acariciou-lhe a cara e olhou-a mais como que tentando acalmá-la. Se havia pessoa capaz de o fazer era definitvamnete ele.
– Não! Não, sasuke!
– É só por diversão, nem precisamos de meter dinheiro no meio.
– Ele tem razão, prima. É só mesmo para lhe provar que sou melhor que ele, nada de mais. — Ouvi-a soltar um ok no meio de suspiros cabisbaixos mas a preocupação ainda estava toda lá.
– E que tal uma aposta?
– Aposta? Boa ideia, Naruto. Tu quando queres...
– Quem ganhar curte com quem o outro quiser e sem reclamações, amassos incluídos. Ia aproveitar aquela aposta para lançar mais isca ao peixe... Sim, era a altura ideal! Era hoje que os ia juntar! Era hoje! Mandei o charro fora e ajeitei-me ao levantar-me.
– Combinado. — Dei um saltinho para ficar de pé e ajeitei-me ficando mesmo de frente para ele. Trocámos um olhar de desafio como se estivéssemos a dizer um ao outro: Game on!– Dá a partida, Sah.
– Nem pensem! Não faço parte dessa coisa! — Levantou tanto a voz como a cabeça. E nisto ficou ali feita estátua sem dizer mais nada.
– Eu dou, ponham-se a postos. Vejam é se não passam por cima de mim, ainda tenho mais corridas para ganhar.
– Fica descançado, Naruto. Nós poupamos-te mas não garanto essas vitórias todas que dizes vir a arrebanhar.
Pouco depois estávamos na linha de partida, os dois lado a lado a fazer os motores ouvirem-se em alto e bom som. Dando ele a partida ou não só tinha um objetivo: Ganhar! Olhei a zona de corrida focando-me no percurso. Era a minha hora de brilhar. Este era o meu momento! O momento em que me esquecia de tudo e fazia o mundo ser só meu, mesmo que fosse só por uns segundos. Cheguei rápido à minha total concentração, algo que era me era intrínseco naquelas alturas, e acelerei viajando por aquele mundo de velocidade e adrenalina. Apesar de ter a visão amplificada focava-me apenas no que tinha à frente. Aquele lugar era a minha segunda casa, o que fazia com que o conhecesse como a palma da minha mão e me fizesse sentir parte dele assim como ele parte de mim.
O Sasuke era um dos melhores corredores que já tinha visto mas eu também era das melhores e a prova disso era como estivemos renhidos o tempo todo mas no último instante... Estávamos tão perto da meta... Só mais uns milésimos de segundo... Bem, hoje parecia ter sido ele o vencedor mas haveria uma próxima e dessa vez ele iria ver o fumo a sair da traseira do meu carro a vedar-lhe o caminho e a visão.
– Ahahah! Toma lá, loira! — Acho que nunca o tinha visto tão contente por ter ganho como desta vez, pelo menos o ego dele estava bastante elevado. O que me lixava era eu ter perdido aquela oportunidade de ouro.
– Espera pela próxima, Uchiha. E será mais cedo do que imaginas. — Respondi-lhe saindo do carro ao mesmo tempo que ele mas não me mostrei minimamente abalada. A forma como falei a seguir foi fria até porque dispensava ter de me enrolar com alguém.- E já escolheste o meu alvo da noite?
– Ainda não mas vou conferenciar com a Sah, ninguém melhor do que ela para me ajudar nessa tarefa. — Após tratados os negócios que aquilo implicava voltámos para junto dela e no Naruto. A Sah não estava nada contente e prova disso era ela estar a ignorar o Sasuke de braços cruzados. Não pude evitar pensar se ela usaria aquela aposta para se vingar de mim que tinha parte de culpa naquela situação. Ela não me ia pôr a curtir com o Naruto mesmo ele estando com a Tenten, pois não? Ela era tão respeitadora nas coisas de relações que... Mas sinceramente.. Já não duvidava de nada, até porque pensando melhor... Nunca a tinha visto tão furiosa como estava a ver agora.
– Sah... — Era a primeira vez que a chamava assim ao pé de quem quer que fosse.
– Não precisam de me dizer nada, ele faz o que quer.
– Eu sei que só estás preocupada, eu percebo isso. A sério que percebo só...
– Tu queres morrer?! — Ele até falou bastante calmo e compreensivo mas não adiantou nada. Fiquei só a vê-la descarregar, bem precisava... Ele é que não merecia os murros que ela lhe ia dando no tronco e com uma força bastante considerável. Ele só a abraçava e ia passando-lhe as mãos pelas costas, levando a "punição" só a olhar para ela.
– Desculpa...
– Não peças desculpa! E nem penses que me voltas a trazer aqui! — Ainda demorou um pouco mas ela lá acalmou. Assim que a vi chorar de cara escondida no tronco dele percebi que o perigo tinha passado. Lá estavam eles no mel de novo. Pronto, crise ultrapassada. Talvez também me tivesse safado da ira dela e por conseguinte da "vingança" por tê-lo deixado correr comigo. Mas também não valia a pena estar a pensar naquilo.
Fui direita ao meu porta bagagens e tirei uma das garrafas de vodka que tinha guardadas em segurança. Só olhei o Naruto antes de a abrir e dar uns belos goles, não tardei a esticar-lha.
– Queres?
– Pode ser. — Ele também não se fez de rugado, agarrou-a e levou-a à boca. Enquanto isso voltava a sentar-me no capô do carro tal como tinha feito antes de aceitar o desafio. — É das boas esta...
– É não, é? — Deu um gole dos grandes assim que ele me passou a garrafa de volta ao encostar-se ao meu carro, ficando mesmo ao meu lado. Que saudades de sentir o corpo dele no meu... O toque dele... Aquele calor abrasador que tomava conta das minhas emoções e aniquilava qualquer coisa racional que existisse dentro de mim. Saudades daqueles beijos que lhe dava pelo meio só porque me apetecia. Os beijos desejosos de mais que lhe dava depois daquele momento único, carnal e escaldante... Momentos dignos de uma enorme bola vermelha no canto superior direito do ecrã. Lá estava eu... Estava de volta àqueles pensamentos e de olhos postos nos dele. Sentia os dele tão fixos aos meus que me pareceu ver a alma dele, até que me lembrei... Já não o entendia, porque também não conseguia perceber aquele namoro depois de ele me ter dito que não queria só sexo. Aqueles olhares...
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