Adorável complexo
5 Silenciosa...
Notas iniciais
Silenciosa...
Para os outros você é tudo, menos silenciosa, para eles seus gritos poderiam ser escutados até no Tártaro.
Para mim você era completamente silenciosa, seus sentimentos verdadeiros passavam despercebidos pela euforia e brutalidade que você se esforçava em ter vinte e quatro horas por dia. Você nunca falava o que queria, nunca demonstrava o que sentia.
Você é o completo e absoluto silêncio pra mim!
Mas saiba que até mesmo o silêncio grita, e você grita, grita porque tem seus fantasmas que persistem em existir.
***
Gotas grossas batiam nas janelas do meu chalé com violência, e vento soprava com fúria fazendo com que as folhas e os galhos das árvores acompanhassem sua dança sem sentido.
Aparentemente o Sr.D estava em um dia ruim, tanto que fizera cair um torrencial no acampamento impossibilitando que os campistas de seguirem suas rotinas diárias:
— Onde você estava ontem à noite? – perguntou Tyson direcionando com intensidade seu único olho em minha direção.
— Estava na praia, não estava me sentindo bem. – falei omitindo a parte de que certa pessoa me fizera companhia.
— O que Clarisse estava fazendo com você? – arregalei meus olhos e virei em sua direção surpreso.
— Anda me seguindo Tyson? Não sou nenhum adolescente problemático para ser seguido! – inconscientemente tinha acabado de afirma que Clarisse estava comigo.
— Sei que não é nenhum adolescente problemático e que é maior de idade e pode fazer o que bem entende com sua vida. Só fiquei preocupado por causa das Harpias e resolvi ir atrás de você. Só não sabia que você estaria muito bem acompanhado.
— E você acha que eu teria medo das Harpias?! Elas que deveriam ter medo de mim! – falei de modo tão arrogante que até mesmo a La Rue se surpreenderia.
— Sinto muito por me preocupar por um irmão que aparentemente me prefere longe de sua vida, e gosta de guardar segredos. – no auto da conversa nos dois estávamos exaltados e balançando os braços para enfatizar nossa indignação.
— E o que diabos eu estaria guardando de você, Tyson? – minha voz sairá alguns decibéis mais altos e pode ouvir os canos do chalé se agitarem, eu com certeza estava ficando irritado com meu irmão.
— Que esta apaixonado pela La Rue!
Silêncio. Era o que reinava naquele chalé após as palavras de Tyson, os canos se aquietaram e meu coração começou a bater fortemente contra minha caixa torácica, tanto que não duvidava que Tyson pode-se ouvir.
— Não estou apaixonado! – depois disso virei meu corpo para janela, voltando a contemplar a chuva que já se acalmava.
Ignorei Tyson, ignorei meu coração descompassado e ignorei a maldita verdade proferida naquela velha casa.
Silenciosa...
A paixão que tenho por ti é tão silenciosa, que eu mesmo me recuso a ouvir.
Mas o silêncio grita. Minha paixão também grita e isso vem me perturbando por um tempo.
Eu posso ignora-la? Fingir que não sinto?
Que eu não penso toda hora?
Talvez eu possa.
Afinal não é isso que você faz?
Espero sua resposta, mas o que escuto é apenas o silêncio!
Odeio que seja tão calada!
“Você a olha com a mais completa e singela admiração, e mesmo assim se recusa admitir que gosta da Clarisse. Se continuar assim, vai sofrer quando finalmente admitir pra si mesmo”
Tyson proferiu esta sentença antes de sair, mal sabia meu irmão que eu já sofria antes mesmo de admitir minha paixão por ti!
***
Chris Rodriguez estava morto, uma missão que foi dada pelo oráculo e que tivera um final trágico. Era até comum termos perdas, ninguém era imortal, principalmente um semideus que vivia em constante perigo, mas mesmo assim era um choque para o acampamento inteiro.
A morte é algo doloroso que nunca vamos nos acostumar o fim de uma vida e o desespero de outra que o conhecera. No fim éramos e seremos meros espectadores que infelizmente já sabem como será o fim do espetáculo, já sabe que não será o ultimo até que você seja o protagonista...
A queima da mortalha do filho de Hermes estava ocorrendo no mais singelo e completo silêncio ninguém ousava proferir nenhuma palavra, parecia que tínhamos desaprendido a respirar e nem mesmo o vento fazia sua dança soar em nossos ouvidos. Era mórbido ver a fogueira que antes aquecia nossas noites e ressaltava nossos sorrisos, agora tinha como serventia para simbolizar o fim de uma vida que foi tão importante para muitas pessoas do acampamento.
Olhei ao redor e vi que a pessoa que Chris mais influenciou não se encontrava ali para prestar o último adeus.
Suspirei e calmamente foi deixando a fogueira, o grupo e as lembranças de Chris para procurar Clarisse, porque querendo ou não ela precisava de mim.
Silenciosa...
É isso que você é
Ou pelo menos tenta ser.
Sei que você chora, bem baixinho.
Mas o suficiente para alguém escutar!
Esse alguém sou eu, então não limpe suas lágrimas.
Deixe-as caírem, com nunca caíram antes.
E quando lágrimas não forem o suficiente, deixe de ser tão calada!
Comece a gritar, porque talvez sua dor acebe.
E quando o grito não for o suficiente, converse, fale tudo o que você sente!
E deixe-me ser seu eterno confidente!
***
A praia do acampamento, o ultimo lugar que alguém pensaria que a La Rue estivesse, mas o primeiro que eu me lembrara. No fim estava certo, Clarisse novamente estava presa em seu mundo onde o presente não existe, o passado á assombra e o futuro é um enigma temido.
— O que esta fazendo aqui Percy? – a voz de Clarisse evidenciava que a mesma estava chorando há pouco tempo.
— Por que não foi na homenagem ao Chris? – falei já sentando ao seu lado.
Ela se manteve calada, como se tivesse medo de revelar o que sentia e pensava. Demorou alguns minutos até ela olhar nos meus olhos e responder por fim minha pergunta:
— Eu nunca disse que o amava! Nunca falei como apreciava nossos momentos juntos! Sempre me mantive o mais indiferente possível aos meus sentimentos. Pra que?! – as lágrimas se derramavam intensamente enquanto Clarisse desabafava e eu escutava – Pra mim perde-lo de repente. Ficar sozinha me martirizando por todas as palavras que não foram ditas e ouvidas? – Clarisse olhou pra mim como se pedisse socorro, então em um modo impensado me abraçou e continuou a falar – Eu fiz a mesma coisa com Silena! Mantive-me ignorante e indiferente a nossa amizade, ignorei o seu pedido de ajuda na batalha contra Cronos e por minha causa ela morreu, por meu egoísmo! Eu sabia que a missão de Chris iria dar errado, me mantive calada e perdi uma das únicas coisas que me importava nesse mundo!
No fim de seu desabafo Clarisse se manteve abraçada a mim, e a única coisa que pode fazer foi afagar seus cabelos, esperando que a mesma se acalmasse.
Silenciosa...
Talvez você se arrependa por ter sido assim!
Mas ainda da tempo, tempo para mudar, para renovar e ser plenamente feliz!
Deixe de ser a guerreira que não possui sentimento e só pensa em estratégia.
Liberte a mulher forte que você é, e que não tem medo de abraçar quem ama!
Se for difícil pra você, serei seu professor!
E ensinarei você a viver!
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