Capitulo Um

Primeiro dia, escola nova. Eu nuca me dei bem com escolas, não é atoa que já fui expulsa das três ultimas –um pequeno sorriso se forma no canto da minha boca- vejo em meus papeis que minha mãe buscou no dia da matricula que primeira aula seria de Português.

– Nossa! – Pensei comigo enquanto me encaminho para entrar na sala do Sr. Regis. – Acho que meu primeiro dia não poderia ser mais chato quanto será este. –Eu estava completamente enganada. – Quando entrei na sala, na quarta fileira de cadeiras verdes e brancas estava ele. Da pele branca, magro e alto. Cabelos lisos de um tom castanho alourado, olhos verdes como de um rio. Um verde totalmente diferente, lindo. Não queria que ele percebesse que eu estava olhando para ele, então simplesmente arrumei minha franja, abaixei minha cabeça e entreguei meus papeis ao Sr. Regis e fui escolher um lugar. O único lugar vago na sala inteira era em uma cadeira, atrás da dele. Aceito isso como uma dádiva do destino querendo que minha vida fique mais depressiva do que ela já está. A aula de português vai passando e eu não tiro meus olhos da nuca do menino. Fico arrepiada pois sinto que ele sabe que estou olhando para ele, fico meio sem graça e então resolvo olhar para o outro lado da sala, já que o quadro não é e nunca foi minha primeira opção. Eu não havia reparado, mas desde que eu entrei na sala essas três meninas que sentam uma do lado da outra, duas gêmeas loiras altas e muito magras e a outra da ponta era ruiva e bem branquinha. Quase não deu para notar que ela estava ali. Aquelas meninas realmente eram bonitas e com certeza elas eram as "Garotas Populares" da classe, sem dúvida alguma. Percebi isso logo quando elas estavam olhando pra mim, de cima para baixo. Menos a ruiva, a ruiva parecia querer prestar atenção na aula sobre Gramática. Na minha escola passada já tínhamos aprendido tal matéria, estávamos muito avançados em comparação a essa escola. Agora estou realmente desconfortável, elas continuam olhando pra mim, as duas gêmeas loiras. Não vejo nada de mais para que elas fiquem me olhando com esse olhar de “estou julgando você.” Tudo bem que estou com uma blusa da minha banda favorita e meus jeans surrados e meu All Star de sempre. Não dou muita importância para minha aparecia as 7:00 AM, meus cabelos longos, negros e minha franja podem estar desarrumadas mas não uma coisa pavorosa como transparecem ao me olhar.

Decido desviar o olhar novamente para a nuca do menino, mas não percebi que ele estava olhando para mim á algum tempo.

– Nova certo? – Ele me perguntou sorrindo. Seu sorriso era tão lindo, dentes branquíssimos. Ele era de tirar o ar, fiquei realmente encantada e um pouco envergonhada então demorei um pouco para reorganizar meus pensamentos e responder, mas finalmente tomei o folego que me faltava e o fiz.

– Sou sim, é...qual é o seu nome? – Perguntei sem jeito. Em baixo da cadeira onde ele não poderia ver eu estava nervosa, balançando minha perna e cutucando meu dedo com a unha.

– Meu nome é Gaspard Stovenger. Nome estranho e antiquado, eu sei, mas mesmo assim é meu nome. – Ele deu uma risada com aqueles dentes lindos e brancos e depois olhou pra mim. Com certeza esperava que eu retribuísse o riso. Estava nervosa de mais, minha mente não me permitia rir, agradeço pois poderia ser vergonhoso rir agora tão nervosa. – E sou nome, novata, qual é? –

Eu sempre odiei meu nome, e essa são umas das coisas que influenciam nas brigas diárias que tenho com a minha Mãe. Nunca me dei bem com ela, nunca depois da morte do meu pai. Ele morreu quando eu era bem nova. Eu tinha 10 anos de idade. Perder alguém importante aos 10 anos não foi tão fácil assim, ainda mais quando os pedaços dele foram expostos em frente a minha casa. Ninguém nunca entendeu esse tipo de assassinato e também o por que fizeram, logo com meu pai. Semanas e semanas minha mãe após a morte do meu pai passou na delegacia, tentando descobrir quem o matou e o por que. Nunca foi revelado, nunca teve uma explicação concreta da morte de meu pai. Minha mãe enlouqueceu quando não conseguiram explicar tudo a ela, os médicos disseram que ela ficou com uma depressão profunda, ate hoje ela toma os remédios indicados pela Dr. Eva. Sempre fui sozinha, deixada de lado. Mas isso foi muito bom, foi bom porque aprendi a me virar sozinha e nunca precisar de ninguém para absolutamente nada.

– Eu me chamo Cassie Rosest –Cassandra, na verdade, mas como odeio meu nome e quase todo mundo, exceto minha mãe me chama de Cassie então disse a Gaspard que meu nome era Cassie. –

-Um lindo nome, diferente e bonito, assim como você. – Ele disse sorrindo e tentando buscar mais informações para mais assuntos. Ele parecia querer conversar comigo.

Infelizmente quando ele iria abrir a boca novamente o sinal toca, a aula de Português passou voando quando eu fiquei perdida nos olhos verdes de Gaspard. Ele me ajudou a guardar meus cadernos em branco. – Ele reparou e deu uma risada pra mim. – Então andamos até a porta da sala conversando sobre a minha banda favorita. – Ele reparou em minha camisa. – Quando uma das gêmeas – Que não consigo identificar agora – Puxou ele pelo braço e o levou para longe de mim, a outra dos saltos esbarrou em mim, mas nem olhou para trás. A menina ruiva estava vindo logo atrás quando tropeçou em seu próprio cadarço. Fui ajuda-la a pegar suas coisas e as coisas das gêmeas loiras, conseguimos guardar tudo e então ela se apresentou.

– Oi – Ela disse apertando minha mão com a sua mão que estava vaga. – Meu nome é Elena – Ela deu um sorriso forçado. –

– Meu nome é Cassie. Você estava bem atrapalhada. – Dei uma pequena risada. – Qual é a das loiras? – Fui logo ao ponto –

– Ah, não liga não, esse é o jeito das minhas primas. A que possui uma pinta a baixo do canto do olho esquerdo é a Naomi Vissant, e a que não possui nenhuma pinta é a Michelle. Elas sempre foram assim. – Ela disse com a cabeça abaixada, ainda tentando se encontrar no meio da bagunça que estava. –

Não falamos nada até chegar ao meu armário, no qual Elena me ajudou a achar. As gêmeas Naomi e Michelle passaram por nós, nos fitaram com os olhos. Senti um frio imenso em minha barriga, já Elena abaixou a cabeça e me deu um tchau com a voz bem baixa, mal pude escutar, e então foi andando atrás das gêmeas loiras. Fiquei um bom tempo no corredor, matei as duas ultimas aulas de Matemática que eu tinha na segunda feira. Coloquei meus fones e simplesmente esqueci do mundo, escorada no meu armário. Quando de repente o sinal toca. Abro meus olhos assustada e logo levanto, vejo Gaspard saindo da nossa sala, ele ria com seus amigos quando me notou no armário. Deixou os amigos de lado e foi ao meu encontro. Fingi que eu não tinha o visto e então fiquei olhando para multidão de gente andando pelos corredores. Entrando nas salas e indo embora. Foi então quando ele sussurrou no meu ouvido.

–Cassie, a nova matadora de aula. – Fiquei tão arrepiada que deixei um sorriso escapar pra ele e ele logo sorriu de volta pra mim. –

– Eu sou nova aqui, não tenho culpa não é mesmo? – Disse ainda sorrindo para ele. –

– Verdade, mas cuidado, a maioria dos matadores de aula que conheço não chegam nem perto do segundo bimestre. –Ele estava mais perto de mim, me senti pressionada no armário. Conseguia sentir a respiração dele perfeitamente e o seu perfume. Nossa, o mais delicioso de todos que eu já havia sentido. –

–Pode ficar despreocupado que você não vai se livrar de mim tão cedo. – As palavras saíram rápido de mais da minha boca, não pude me controlar. E acho que do jeito que eu disse dei uma ideia a mais do que eu queria. –

Ele riu pra mim e se afastou quando as gêmeas voltaram com a Elena. Elas passaram por mim de novo, sendo que agora elas nem olharam pra mim. Elas ficaram encarando o Gaspard de uma maneira muito estranha. Não pude deixar de reparar na marca vermelha que estava no rosto de Elena e seus olhos vermelhos. Com certeza essas gêmeas fizeram alguma coisa com ela e tudo é minha culpa.

– Cassie, tenho que ir agora. Fiquei de resolver a lição superdifícil de Matemática que o professor passou na casa de uns amigos meus do Polo Aquático. – Ele disse não muito convicto e depois deu alguns risos como se tivesse fazendo uma piada com aquilo. Imaginei logo que era obvio que ele não iria fazer nenhum trabalho de matemática na casa dos amigos. Ele pode ter cara de santo mas tenho certeza de que ele não é. –

Antes que ele fosse, pediu meu celular e então trocamos nossos números. Fiquei confusa com toda essa conversa sem sentido e não disse nada, apenas dei um tchau com a minha mão e fui andando. Segurei-me para não olhar pra trás, mas não consegui ser forte. Olhei pra trás e ele também olhou, desviei o olhar e sai da escola na mesma hora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.