Adorable

2 1 - História de um garoto


Notas iniciais
JAM!!! Eu falei que ia por o segundo capítulo hoje!!
Boa leitura e... desculpem qualquer erro o/

*Aoi's pov*

Eu estava numa passadeira esperando um garoto que aparentava seus 18 anos passar. Foi quando o mesmo simplesmente desmaiou ali mesmo. Eu sequer pensei que poderia ser um roubo e fui a socorro do garoto.

Ele estava pálido, frio e seus lábios estavam secos, suas roupas sujas, o cenho franzido, e ele tremia muito. Sua pele era suave e a respiração afobada.

O ergui em meus braços já pensando em levá-lo para um hospital até que ele arregalou os olhos assustado e deu um grito de horror que me fez gelar por dentro.

Olhei para ele assustado, a rua estava vazia, apenas alguns carros passando rápido demais, tudo silencioso demais. O garoto espalmou a mão em meu peito num ato sem força, tentando se soltar de mim.

– Eu não vou fazer mal pra você. — sussurrei calmo. — O que fizeram com você…? — tentei reprimir minha vontade de o bombardear com perguntas.

– N-não… se envolva…comigo… — arregalou os olhos novamente, desta vez esperneando. — Me largue! — gritou.

– Você está fraco! — aumentei o tom de voz. Meneou um 'não' com a cabeça diversas vezes e novamente arregalou os olhos como se algo o estivesse assombrando e deu mais um grito desmaiando mais uma vez.

Confesso que todo o meu corpo tremia, medo, talvez. Tinha um garoto desconhecido nos meus braços, ele parecia louco com alguma coisa e dizia para eu não me envolver. Então porque eu ainda o segurava em meus braços?

Sem pensar levei o rapaz até meu carro deitando-o nos bancos de trás e dirigindo até a casa de Akira.

Uma angústia inexplicável tomava conta de mim cada vez que eu olhava para o garoto.

**********************

Assim que cheguei à casa de Akira toquei à campainha sabendo que ele me xingaria mas entenderia.

Vi Akira abrir a porta, confuso, ao me ver ali com o garoto no colo. Eu tremia tanto que Akira logo percebeu que era algo sério.

– Yuu… o que houve? Quem é esse garoto? — me perguntou calmo.

– Akira, me deixa entrar… — falei quase sem voz, um nó na minha garganta, os gritos do garoto não saiam da minha cabeça como se eu pudesse receber a dor que ele sentia, minha cabeça latejava e eu apenas deitei o garoto no sofá tentando me acalmar, uma angústia enorme batia no meu peito só de olhar para ele.

– Yuu... você está me assustando. — Os olhos de Akira eram como dois pratos de tão arregalados que estavam.

Recuperei o ar, tentando parar de tremer por uma razão que nem sabia qual era. Olhei para Akira finalmente contando o sucedido e ele pareceu tão confuso quanto eu, mas apenas disse que eu precisava descansar e que eu poderia dormir ali na casa dele por essa noite.

– Yuu, era melhor se nós acionássemos a polícia, ele pode ter fugido, ou ter sido sequestrado, sei lá. Ele maior de idade não é. E pelo que você me disse ele está com algum trauma. — Me olhou profundamente.

– A polícia não. — Disse robótico olhando para o nada.

– Então amanhã chamamos o Yutaka para ele ver o que esse menino tem, eu sou psicólogo não posso ajudar alguém que sequer consegue falar direito. — Deu um tapa de leve no meu ombro.

– Vem, eu vou arranjar um futon pra cada um. É melhor que ele fique do seu lado, não sabemos como ele poderá reagir. — Sorri aliviado para Akira. É mesmo ótimo ter amigos assim.

**************************************************************

Akira havia faltado ao trabalho por minha culpa. Eram 7 da manhã e Uke Yutaka ou Kai, já se encontrava analisando o sono do garoto.

– O que isso importa? — Perguntei para Kai que apontava algumas coisas num caderninho enquanto o garoto dormia.

– Muito Yuu. Olhe para ele. Acha que ele está tendo um sono tranquilo? — Fitei o garoto de cima abaixo, a angústia batendo em meu peito novamente, os gritos dele novamente me assombrando.

– Não... — respondi baixinho. — O que vai fazer?

Kai suspirou levantando da poltrona onde se encontrava e indo até a cozinha.

– Primeiro todos precisamos comer. E depois de satisfeitos poderemos cuidar do garoto. — Sorriu mostrando suas covinhas que tanto achávamos fofas.

Assim que Kai se dirigiu a cozinha vi que Reita estava com o olhar perdido em algum canto da sala e pouco tempo depois de ponderar sobre algum assunto desviou o olhar para mim.

– Quando o Yutaka souber o que ele tem o que você pretende fazer? — Sua fala saiu meio perdida quase como se não fosse para mim.

– Não sei. — Dei de ombros fingindo não me importar — Primeiro quero saber o que ele tem pra dizer. — Vi Reita acenar em aprovação, sabia que ele me conhecia muito bem e que não havia engolido minha falta de interesse fingida.

Logo Kai nos chamava para comer, saí ainda olhando para trás como se o garoto pudesse acordar a qualquer momento e ir embora correndo.

***********************************************************************************************

3 da tarde. Eu ainda estava na casa de Akira, ele e Kai jogavam vídeo game na sala, e eu ali petrificado olhando para o garoto que dormia com semblante pesado mas mesmo assim ferrado no sono. Suspirei já me levantando para ir para a sala quando ouvi um remexer no futon.

– NÃO!!!! — O grito ecoou pelo quarto e apenas vi o vulto de Kai passando por mim indo até ao garoto e pondo a mão em sua testa. O garoto arregalou os olhos cor de mel se preparando para dar outro grito e Kai apenas pôs a mão sobre sua boca o silenciando.

– Calma. Eu sou psiquiatra, não vou fazer nada de ruim com você, tá? — Respirei fundo fechando os olhos e voltando a me sentar na poltrona que havia naquele quarto. — Eu não vou te fazer mal, e eles também não. Entendeu? — Kai sorriu de leve e o garoto apenas o olhava nos olhos, o medo transbordando no seu olhar com um misto de insegurança. — Eu sou Uke Yutaka. — Fez um carinho nos cabelos castanhos do garoto. — Aquele loiro é Suzuki Akira. E aquele moreno ali, foi a pessoa que te encontrou ontem e te trouxe pra cá. Você desmaiou nos braços dele lembra? — O garoto fechou os olhos com força como que se tentando lembrar de algo e apenas meneou um 'sim'. — Pois é, ele é Shiroyama Yuu. E agora que já nos apresentamos vou te trazer comida. — Sorriu mostrando suas covinhas para o garoto que arregalou um pouco seus olhos em surpresa a tanta gentileza.

Vi Kai sussurrar algo no ouvido de Reita e logo saíram me deixando sozinho com o tal garoto. Já havíamos combinado isso antes. Se alguém tinha que falar com ele antes esse alguém era eu, por mais que eu tivesse quase certeza de que ele nada diria.

Me aproximei sentando no espaço que havia no futon sentindo o garoto se encolher. Suspirei.

– Se quisesse te fazer mal já teria feito ontem quando desmaiou, ou enquanto dormia. — Ele relaxou quase que imperceptivelmente. Me virei o encarando, ele novamente tremendo. — Sei que deve estar exausto e com fome mas por enquanto só quero saber seu nome.

– Eu não sei. Nunca me chamaram por um nome. — Falou rápido embolando as palavras e baixando o olhar.

– Certo. Não vou perguntar mais nada. Era só isso que queria saber, e se você não tem um... vou te que te dar um. — Olhei para o teto pensativo. Eu estava um tanto curioso. Como ele não tinha um nome? Mas eu deixaria as perguntas para depois, quando ele se estivesse mais calmo. Voltei meu olhar para ele sorrindo gentil. — Uruha. — Vi seu olhar confuso. — Até encontrarmos seu verdadeiro nome vou te chamar Uruha.

– Uruha é bonito. — Reita falou entrando no quarto com uma bandeja cheia de comida.

Vi Reita por a bandeja no colo de Uruha que olhou pensativo para a mesma.

– Eu juro que não envenenei! — Disse Kai com um falso tom de ofensa. Rimos e Uruha somente começou a comer. Kai olhava Uruha curioso enquanto ele comia e eu já sabia que ele apenas queria uma aprovação.

– Está gostoso Uruha? — O moreninho de olhos cor de mel apenas meneou um 'sim' em meio a colheradas. Sorri a ver que Kai abriu um sorriso de imediato, e logo ele vinha até mim.

– Aoi-chan, são quase 5 da tarde e eu hoje tenho que ver um paciente às 6:30. Tudo bem eu ir andando? — Sibilou baixinho. Ri daquilo, ele estava quase implorando, como se eu o fosse impedir.

– Lógico Kai, vai lá. — Ele tirou a franja do meu olho, aquele ato que só minha mãe fazia, e foi até Reita falando qualquer coisa com ele até se virar para Uruha.

– Uruha-chan? — O garoto levantou o olhar do prato agora mais calmo. — Estou indo trabalhar tá? Assim que puder venho te ver. Yuu me irá manter informado. — Uruha nada disse, nesse momento já tinha o olhar no prato de sopa erguendo a colher para voltar a comer. E se fosse outra pessoa eu iria querer socá-la por ignorar o Kai, mas aquela reação nele era simplesmente adorável e tímida, como se ele apenas não tivesse coragem de erguer sua voz para dizer algo.

Kai saiu e logo me encontrava com Akira ao meu lado sentado.

– Aki, eu hoje vou pra casa. E levo o Uruha comigo. — Ele assentiu, eu não poderia ficar ali para sempre pensando no que fazer com o garoto. E Akira sabia, talvez mais que ninguém que eu estava confuso e não adiantaria me estimular a tomar decisões que não aquelas que eu queria. Eu sabia que na cabeça dele o indicado era chamar a polícia mas ele não pressionava.

O silêncio reinou, apenas o barulho da colher contra o prato de sopa. E quando Uruha terminou e ergueu o olhar para a parede eu soube que era a hora certa para ir embora. Se deixasse para depois talvez eu perdesse a coragem e pedisse para Akira ficar com ele. E tudo isso porque eu tremia diante daquele garoto, porque eu não conseguia evitar um medo e uma angústia desconhecida. Eu não conseguia pensar direito.

– Quer mais Uruha? — Ele meneou um não e Akira tirou a bandeja do colo do garoto saindo do quarto com ela.

– Uruha, eu tomei uma decisão. — Falei alto olhando para minhas mãos que se encontravam pousadas sobre meu colo. — Você vai para minha casa comigo. Eu vou descobrir quem você é. Não precisa me contar agora, com o tempo você conta e- — Parei de falar ao ver Uruha retirar-se por debaixo dos lençóis vindo a até mim.

– Você quer saber quem eu sou? Com o tempo? Eu vivo aquilo a que chamam de vida sem uma razão e você quer que com o tempo eu te diga quem sou? — Ele sorriu amargo. — Não te posso dizer quem sou Yuu-san. Mas se lhe interessa posso lhe contar uma história. — Arregalei os olhos, de onde surgira toda aquela coragem? A sopa do Yutaka realmente não estava com algum remédio? Talvez algo que estimulasse a pessoa a falar... Mas isso não importava. Tinha Uruha minha frente disposto a contar a sua história, e isso era algo que jamais tinha pensado que aconteceria tão cedo. — Quer ouvir? — Meneei um 'sim' e ele se sentou sobre o futon.

– Era uma vez linda mulher, essa mulher era filha de uma prostituta que por sua vez obrigou essa linda mulher a ter o mesmo cruel destino que a mãe. Fruto de seus 'serviços' de uma só noite essa linda mulher deu a luz a um menino, e o criou até seus 5 anos, mas não pode mais cuidar dele pois morreu devido uma DST. Esse garoto então ficou aos cuidados de sua avó, essa não se importando com ele o vendeu, para um homem de 54 anos quando ele tinha 7 anos. Assim que o garoto fez 10 anos ele passou a ser abusado sexualmente por esse mesmo homem. — Arregalei os olhos o ambiente extremamente pesado, não conseguia acreditar. Kouyou com 10 aninhos apenas, sendo abusado sexualmente. — O nome desse homem era Takashima Kei, ele lhe deu um nome, Takashima Kouyou, quando Kouyou completou 12 anos Kei foi assassinado e ele passou a servir de brinquedinho sexual para os trastes daquela casa. Aos seus 14 anos se cansaram dele o venderam para uma rede de prostituição chinesa e ele foi obrigado a ir para lá. Porém 1 ano depois a polícia acabou com essa rede e todos os 'funcionário' foram liberados. Kouyou conseguiu voltar para o Japão mas acabou nas ruas, cheio de traumas. Ele acaba surtando várias vezes quando tem uma luta psicológica e sai correndo sem rumo em plenas madrugadas. Hoje com 16 anos vive na rua, dependendo da boa vontade das pessoas e tomando banho em banheiros públicos. — E em meio ao silêncio eu chorei. Chorei como criança. Chorei por ele que não chorava, apenas me encarava. Seco, sem vida. Ele estava assim.

– Afinal você tem um nome. — Akira falou surgindo na porta.

– É, eu tenho, mas nunca ninguém me chamou por ele por isso não é como se eu tivesse um. — Voltou seu olhar para mim. — Eu vou embora. Obrigada por tudo. — Fez uma reverência e passou reto por nós. Saí correndo indo até ele e segurando seu pulso. — O que foi? — Disse novamente seco, sem me olhar.

– Você não vai denovo para a rua. — Aquilo não foi um pedido, foi uma afirmação, mas ele parecia não se importar.

– Cuide de sua vida. — Tentou puxar seu pulso mas o segurei com mais forçar.

– Escuta aqui Uruha. Não me interessa se você quer ou não, mas é por uma questão de princípios que eu vou te levar para dentro da minha casa. E se você tentar fugir e insistir que não quer, eu vou te obrigar à força. — Falei sério, como ele provavelmente nunca teria pensado em me ver, pois arregalou os olhos tremendo um pouco. — Akira por favor telefone para o Saga, vou precisar de um advogado para entrar com o processo de adoção.

– O quê?! — Uruha gritou tentando se soltar novamente! — Você não pode fazer isso!

– Uruha, se eu fosse você desistia... O Yuu não vai te soltar. E ele é um cabeça dura. Esqueça. — Reita falou calmo pegando no celular para ligar para Saga. Sorri de canto para Uruha que me olhava como que desafiando. Mesmo que aquele olhar estivesse desesperado e angustiado ele fingia coragem. Era uma reação no mínimo 'adorável'.

Notas finais
Entãããõ... O que acharam do capítulo? Do Kai adorável? Do Uruha coitadinho? Do Reita gostoso e Aoi angustiado? Hum...? Obrigada por ler e... Deixa review? (pode xingar, criticar, eu gosto mesmo é que bote os comentários pra fora) Pode rasgar o verbo!!!! :D