Querida...

Você sempre estava rodeada de pessoas, rodeada dos seus irmãos e de seus amigos. Você sorria, gargalhava e caçoava dos outros semideuses.

Todos a viam como a grande filha de Ares, a inabalável, aquela que atormentava os outros e até a que não tinha sentimentos, mas eu via algo que os outros não viam.

Eu via que depois de seus grandes sorrisos (falsos) dava um sorriso pequeno de constrangimento ou tristeza, depois das gargalhadas estrondosas você se calava e só escutava e toda vez que você caçoava respirava profundamente, como a pedisse perdão por estar machucando outra pessoa. E para não achar que estou ficando louco todo dia no pôr do sol você está sentada na areia da praia, mas você não apreciava a paisagem. O passado estava em seus olhos, talvez o futuro, mas o presente é inexistente nesses momentos.

***

— Está pensando na La Rue de novo?

— Que? — perguntei para Nico em minha frente.

— É! Ele está! — Grover falou enquanto se sentava em minha mesa do refeitório.

— Estou o que?

— Pensando na Clarisse. — falou Annabeth sentando em meu lado.

— Estou tão previsível assim? — vi meus amigos afirmarem e deixei meus ombros caírem de desânimo.

— Juro que não te entendo Jackson. Como você pode gostar tanto de alguém ao ponto de esquecer o mundo em sua volta? E eu nem preciso lembrar que ela vive te esnobando, fazendo piadinhas sem graça e te fazendo de saco de pancadas. O que você viu nela?

Nico estava certo, mais do que certo. Só de lembrar-me da Clarisse o mundo em minha volta parecia sumir, talvez quando a questão seja ela o mundo nunca existiu pra mim.

Ela me esnobava? Sim!

Fazia piadas sem nenhuma graça? Com toda certeza!

Fazia-me de saco de pancadas particular? Nem precisa perguntar!

Mas o que eu tinha visto nela?

Ah, acabo de me lembrar. Clarisse tinha construído uma muralha em sua volta, mas a mesma fora rachada após á morte da Silena. Vi como ela se sentia pressionada por ser a única filha de Ares quando a ajudei a derrotar Deimos e Phobos e por último vi como ela tem grande estima pela família quando cuidou da mulher do Treinador Hegde.

— Não sei! — menti e mentiria de novo, pois eu tinha medo, medo do Nico ver tudo que vi em Clarisse. Eu era egoísta e possessivo, mesmo sabendo que Clarisse nem sabia dos meus sentimentos por ela, já considerava que apenas eu podia ver o seu lado mais humano.

— Talvez você seja um masoquista. — Nico jogou.

Dirigi meu olhar para Clarisse rodeada dos seus irmãos e amigos rindo e caçoando dos outros mesmo que soubesse que suas brincadeiras machucavam, ela não parava, talvez quisesse distribuir para os outros um pouco de sua vida amarga e triste ou talvez procurasse na dor dos outros o prazer de viver, que á muito tempo perdera.

É. Talvez eu seja um maldito masoquista.

Um maldito masoquista apaixonado por você, Clarisse La Rue.

Querida...

Você estava sentada, quando fui me ludibriar com suas complexas ações.

Você estava rindo de uma brincadeira maldosa, mas parou quando sentiu o meu olhar.

Ele te queimou, a verdade te queimou?

Tenho certeza que sim, já que você olhou!

Você viu em meu olhar a verdade, nada mais que a verdade!

Por isso desviou!

Não se preocupe querida!

Eu estou aqui, muito de longe, vigiando, a espreita para sua liberdade.

***

A espada ricocheteava o alvo diversas vezes, o suor escorria em forma de pequenas gotículas pelo meu rosto e minha respiração se tornava a cada minuto mais pesada, mas mesmo assim me negava a parar paro o descanso, eu precisava daquilo, necessitava esquecer e a única forma que pode encontrar foi à luta:

— O que esta fazendo? – e lá estava meu fantasma particular mexendo silenciosamente com meus pensamentos e sentimentos.

— Lutando! Não esta vendo? – sei que fui ríspido, mas era necessário.

— Isso não é luta Jackson! Você esta ficando velho, acho que vai ter que se aposentar do cargo de melhor semideus. Não me importaria de ficar com o seu cargo. – falou debochadamente, virei-me, ela estava sorrindo, seu monótono sorriso sarcástico.

— Me deixe em paz Clarisse, procure outra vítima. Não estou com paciência para aturar seus desaforos hoje. – virei novamente e recomecei a desferir golpes no alvo.

— Mas Percy, você sempre foi minha melhor vítima. Sabe que nunca te deixarei.

Você me machuca mais uma vez Clarisse, mesmo que não saiba, você dilacera o meu coração, suas palavras me dão esperanças, mas ao mesmo tempo acaba com o meu ser. Porque sou ingênuo e me dou esperanças, só que no fim lembro que existe o Chris e a esperança vai embora. Por sua culpa estou lutando mal, ver você ao lado de quem não te merece destrói o meu ser, mas eu não falo afinal vítimas não falam. Elas apenas sofrem, e eu sofro por você.

— Já que não vai me deixar em paz, lute comigo. Pensarei em deixar você ganhar. – ela sorriu um sorriso esnobe, pegou sua espada e começou a tentar me acerta, mal sabia ela que já me acertara. Bem no coração!

Querida...

Sou um maldito masoquista que só pensa em você!

Sofro em te ver nos braços de outro, mas mesmo assim não deixo de pensar em você!

Sou sua melhor vítima, melhor escravo, melhor apaixonado!

Mas você não sabe disso, pois continuo no anonimato!

No fim sou apenas um maldito masoquista que sonha em ter você!

Eu sei, sou ingênuo e vou continuar sendo!

***

Lá estava ela, em seu ritual diário. Olhando para o passado e futuro, mas nunca o presente, vendo e sentindo suas dores e se perguntando como seria o futuro, como eu queria ter coragem pra mostrá-la o presente afinal o presente é lindo, e ela não estava apreciando o seu presente. O sol estava se despedindo de um modo tão belo que eu queria poder chacoalhar seus braços e mandar você acordar para poder ver pela primeira vez de verdade o pôr do sol. Sem passado nem futuro, apenas o presente.

Querida...

Eu sou assim, vejo seu lado humano e desejo liberta-lo!

Vejo sua delicadeza e desejo guarda-la

Vejo o seu medo e desejo cura-la!

Afinal, eu sou assim e desejo abraça-la!

Notas finais
E aí, gostaram? Devo continuar ou parar de tenta ser uma escritora?