Adopted Children
5 Capítulo 5 - "Sorrir"
Notas iniciais
Londres, 03 de Julho.
Fazia apenas um dia que estava ali, os olhos rasos observavam irreversíveis as crianças brincarem, com sorrisos de orelha a orelha que ele sequer sabia de onde surgiam e porque surgiam. Olhava tudo atentamente do seu posto de batalha que havia apelidado amigavelmente de "Ichigo-tama" por um motivo bem incomum, mas não deixava de ser um motivo. O fato que já tinha visto de mais engraçado fora a surra que dois garotos tinham levado de uma garota de cabelos róseos porque haviam dito que ela estava gorda, o que era uma bem inverdade.
— Ei! — virou para o moreno do outro dia. — O que faz nessa árvore??
— Estou observando, não viu? — retrucou.
— Não estou querendo brigar. — avisou acenando as mãos. — Consegue achar a minha pipa?
— Vinte graus, sentido oeste. — apontou voltando aos galhos.
— Quê?? — pronunciou coçando a cabeça.
— Vá pra lá. — apontou a direção onde se via uma pipa preta com um desenho nela.
— Obrigado. — pronunciou correndo.
Aquele ate que não era um mal garoto, apesar do complexo de superioridade... Nada que fosse mais fácil de se lidar. Conhecia variados tipos de comportamentos, desde os mais envergonhados aos mais arrogantes e todas as pessoas, sem exceções, eram — no fundo — pessoas doídas, machucadas, sem auxilio ou confiança, simplesmente crianças presas.
— Yey! — afastou os olhos do moreno para observar um garoto ruivo perto da árvore.
— Mm? — murmurou apressando-se em olhá-lo.
— Você vai cair, desça daí. — avisou cruzando os braços.
— Sem problemas. — sorriu enquanto dizia. — Ichigo-tama é bem forte e eu sou muito bom em subir nas árvores.
— Ok — pronunciou equivocado. — Ah, meu nome é Gaara.
— Naruto.
— Naruto? — repetiu. — Uzumaki, right?
— Que coisa... — sussurrou. — Sobrenomes não são importantes.
— Você é um loiro bem estranho. — observou vendo-o descer pelo balanço.
— Quem disse que as pessoas tem que ser iguais?
— Então, nesse caso, devo descartar o Sabaku da minha apresentação.
— Sabaku No Gaara. Você veio do deserto?
— Não leve tudo ao pé da letra. Sobrenomes não são importantes, certo?
— Correto. — sorriu. — Gaara.
— Gaara. — chamou o pequeno "vampiro". — Obrigado, vamos.
— Sayonara. — acenou correndo com o moreno que já havia conseguido a pipa.
Sobrenomes, nem são tão descartáveis — murmurou baixo depois que passou para o chão. Sobrenomes sempre foram a base da tia, se não se reconhece uma pessoa pelo sobrenome, isto seria considerado um insulto de alto nível na sociedade. Mas aquilo seria deixado de lado ate ele completar 18 anos, ou depois que passasse por "aquilo". Era quase hora do café e ele seguiria do mesmo modo que no dia anterior, pegaria o café no refeitório e iria para o terreno. Certas pessoas achariam uma forma de desprezo pelos outros, ainda mais vindo de um pivete rico, mas tinha outra explicação.
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— Estão prontos? — a voz de Renshi ecoou pela casa ate chegar ao quarto onde os dois garotos estavam.
— Hai Renshi-sama! — respondeu o moreno puxando a mochila do chão.
— Vamos, Mamoru. — chamou o rosado. — Temos que chegar antes do almoço, ou o Renshi vai preso.
— Eu ouvi isso!
— Era pra ouvir! — retrucou puxando o moreno meio abobalhado.
Os três entraram no carro velho do Renshi e ficaram jogando conversa fora, o máximo que podiam para evitar o propósito dessa "volta" de carro. Como havia sido citado antes pela Mizuka, os dois deveriam ser entregues a instituição de órfãos chamada Lua e mesmo sendo difícil deixar Renshi, o rosado agia indiferente, já o moreno tinha aquela velha intuição de que nada daria certo.
— Então... — murmurou. — Acho que é um adeus.
— Tsc. Eu tenho certeza. — comentou desviando o olhar.
— Yey, eu não valho nada pra você, pequeno rato?
— N-Não. — murmurou em meio a soluços.
— Então tá. — sorriu afagando pela última vez a cabeleira do rosado. — Sayonara.
A caminhonete foi ligada e logo já poderia ser vista há quilômetros de distância. Os dois estavam parados na porta do orfanato, o rosado soluçando e o moreno com uma estranha sensação de medo, mas por ordens os dois entraram com as mochilas nas costas, observando o que lhes esperava do outro lado.
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"O que faz só, criança?"
A voz atacava outra vez, um tom embargado e rude.
"Vai ficar calado? Fale algo, eu adoro sua voz."
Riu de um modo prazeroso.
— Cale a boca. — mandou. — Você não existe.
"Ficar repetindo essa calúnia não vai fazer com que se torne verdade."
Desistiu. Recentemente, aquela voz tinha aparecido com frequência, diferenciando o assunto tratado, as vezes um pedido de morte ou ate mesmo tentativas de fazê-lo ceder a sua sede. Agora, o loiro apenas falava sozinho enquanto se empurrava no balanço, tinha acabado de se sentar lá. Era tão frio... Mas era necessário estar ali, pelo seu bem e pelo bem da sua sanidade. Aquela voz rondava tanto sua cabeça que seus pensamentos se nublaram, mas tornaram a ver o sol quando foi surpreendido por um abraço.
— Naruto-chan! — os olhos foram arregalados quando uma figura rosada o empurrou do balanço. — Are, o que foi?
— N-Natsu? — pronunciou fitando os lados e percebendo um moreno segurando duas mochilas com dificuldade.
— Presente! — brincou. — O que esta fazendo, Naruto-chan?
— B-Brincando, ora. — mentiu e praguejou mentalmente por não saber mentir direito.
— Ah! Esconde-Esconde não se brinca assim, vão te achar. — reclamou puxando o loiro do chão e correndo ate o moreno.
— Natsu-san, quem é ele? — apontou para o moreno meio corado.
— Ah! É mesmo, vocês não se conhecem. — sorriu depois de corrigir o erro. — Naruto-chan, este é Mamoru-kun.
— Yo! — saudou e o moreno pareceu abafar algo.
— Uzumaki-san. — abaixou-se tropeçando com o peso das malas.
— Natsu-san. — chamou emburrado. — Que maldade fazer isso com um garoto machucado. — e apontou para a mochila vermelha que certamente pertencia ao rosado.
— Hehe... — murmurou encabulado coçando a nuca. — Ele me ofereceu e eu deixei.
— Sei... — fitou o rosado de um modo irônico e depois ajudou o moreno.
— Obrigado, Uzumaki-san.
— De nada, só não carregue muito peso, ok?
— Deixa isso comigo! — gritou apanhando as mochilas e saiu correndo.
— Vamos, Mamoru, quando ele voltar já vai ser noite.
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— Onde é essa porta?? — berrou caindo no chão.
Decidiu descansar e depois continuar. Ele iniciou seu ataque de risos. Pra ele, os sons da noite eram divertidos, as buzinas dos carros, o miado dos gatos vira-latas, a briga dos vizinhos. Mas não era o motivo real; De pé, afronte dele, um ovo maior que de um avestruz embolava de um lado para o outro, quase despencando no laguinho perto dali.
— O que... — logo o ovo se partiu e um gato azul assustado pulou pra cima dele. — Ei! Saia daí!
— Meow — infelizmente o gato arranhou sua cara e fez sua cabeça de cama.
— Ahhh! — gritou jogando água na cara avermelhada. — Saia já!
— Prurr... — infelizmente para o rosado, o gato não estava nem um pouco afim de obedecer.
— Então fique aí! — emburrou levantando do chão.
— Dragneel? — indagou uma mulher esbelta que avistava um ponto rosa e cinza.
— Senhora McPhiie! — pulou assustado puxando o capuz cinza para a cabeça.
— Dragneel. — repetiu com conclusão. — O que faz aqui? O sinal já bateu, sabe?
— Desculpe, sra.McPhiie. — pronunciou. — Eu estive perdido e só agora eu consegui achar aqui. Não vai acontecer de novo.
— É melhor que esteja certo, para seu bem. — sussurrou prosseguindo com o fechamento da grande porta de madeira.
O rosado ficou verde, amarelo, azul e assim por diante. Conforme todos os olhinhos na sala o olhavam, ele procurou lama na calça que já estava bem velha, com a negação ele não fazia ideia do que estava errada, a não ser que... E acertou na mosca! Os presentes olhavam para acima de sua cabeça que balançava de um lado para o outro, tratando aquilo como algo impressionante, algo irreal.
— Ei novato. — chamou um garoto albino de sua altura. — Que droga é essa na sua cabeça?
— Mm? — pendeu a cabeça confuso.
— Senhor Fullbuster. — advertiu uma outra mulher. — De onde tirou estes modos?
— Desculpe-me. — disfarçou fitando o rosado de canto enquanto desempenhava seu papel bonzinho.
— O que está olhando?
— Estou vendo se isso na sua cabeça é alguma coisa ou ela é mesmo grande.
— O que você disse, ô esquisito?
— Eu disse — sorriu ao ver o rosado vermelho de raiva. — O que é is-
Uma cabeleira loira colidiu com ele e logo os dois estavam no chão.
— Naruto-chan! — exclamou vendo o amigo empurrar o mal encarado.
— Quem é você? — retrucou empurrando o Uzumaki para o lado.
— Naruto.
— O que foi? Tá olhando o quê?
— Nada. — sorriu fitando o albino. — Absolutamente nada.
— O que você disse? — gritou quase partindo pra cima do loiro quando uma mão mais corada o puxou pelo braço.
— Vamos. — chamou a mulher de antes.
— A barra ta limpa? — uma voz fina e vacilante ecoou.
— Sim, pode vir Endou. — sorriu fitando a escada.
— Quem é Endou? — o rosado olhou a escada e para sua surpresa, quem descia era o amigo de faixa laranja.
— Viu só? — iniciou o loiro. — Eu disse que ele só chegaria de noite.
— Oh! Como você é bom, Uzumaki-san! — exclamou admirando o loiro.
— Eu perdi algo? — soltou o Dragneel, totalmente estupefato.
— Ah. — notou o amigo atônito. — Desculpe, eu tomei a liberdade de te ajudar.
— E quem te pediu ajuda? — murmurou desviando o olhar para o chão.
— O que foi? — mudou o olhar e ficou curioso.
— Eu podia ter me cuidado! — reclamou quase pulando em cima do loiro, mas parando e cerrando os punhos.
— O que você...
— Eu não pedi ajuda! — interrompeu levantando os braços. — Posso me cuidar sozinho! Saía fora!
Logo as escadas foram friccionadas contra o chão causando um pequeno desabamento de poeira localizada nos degraus.
— O que deu nele? — voltou-se para o moreno que, com toda a certeza, havia tido mais tempo com o rosado.
— Bem... — murmurou tocando a faixa laranja. — Natsu-san tem um ego muito complexo, ele não se dá por vencido ou vingado até ter destruído aquilo com as próprias mãos, entende?
O loiro balançou a cabeça em sinal negativo e o moreno suspirou.
— Vou explicar de um modo bem simples, ok? — esperou o Uzumaki assentir. — Natsu-san quer que todos pensem que ele é forte, que não tem fraquezas, entende agora?
— Rosado fresco... — murmurou levantando do sofá e subindo as escadas.
— Não! — reclamou. — Que droga eu fiz?
Assim o Uzumaki seguiu o rastro do Dragneel e o Endou seguiu o rastro dos dois, um pensando em algum assunto que só dizia respeito aos próprios. Um frio gelado atravessou o corredor, mostrando que já passava das nove e que o inverno realmente estava chegando, não que isso afetasse qualquer... Mas fez o rosado parar no meio do caminho feito uma estátua, os olhos carvões pareciam tem pegado fogo.
— Ei, Natsu! — o grito do loiro pareceu afetar o garoto quase que imediatamente.
— Naruto? — pronunciou olhando os lados. — O que faz aqui? Não era pra me seguir!
— Escuta. — gritou puxando o mais novo pelos dois braços. — Eu não sou um defensor da justiça. Eu só fiz aquilo porque achei que iria gostar! Mas, olha. — pausou. — O que recebo em troca? Nada.
— O que acha que está fazendo?? — brandou retirando os braços do mais velho. — Não manda em mim! Eu também não te pedi nada! Eu realmente não quero nada! Porque fez isso??
O loiro ficou calado pela segunda vez em anos, fitou os corredores com pouco caso, brincou vagamente com o botão descosturado da camisa, bateu os tênis sujos de terra e voltou-se para o rosado ofegante, que parecia querer uma explicação agora e naquela hora, sem embolações ou mentiras e assim ficou fitando ele por um bom tempo, mas desistiu e suspirou correndo para a sacada, fazendo um gesto para que o rosado viesse também.
— Vê aquela estrela? — apontou para o céu estrelado. — Tia Bethie adorava.
— Mas o que isso tem a ver?
— Ela dizia que aquela estrela vivia sorrindo pra mim. — continuou sem se importar. — Agora, sozinho ou não, ela me parece tão desprezível. Tem vezes que a olho e a odeio por pensar que ri de mim, mas só arranjo uma desculpa para me tirar a solidão... Sorrir é muito mais que mostrar seus dentes, sorrir é uma ação de felicidade, de gosto.
— E pra que me contou isso? — emburrou olhando a estrela de canto. — Esse não era o assunto.
— Pirralho... — suspirou dando um tapa de leve na cabeça do mais novo. — Estrelas sorriem, tente sorrir como elas, mostrando que está feliz. Ah! E esconda esse gato se quiser ficar com ele.
— G-Gato? — gaguejou surpreso. — Que gato?
— Vou fingir que acredito. — sorriu levantando a mão e se dirigindo ao quarto.
— Ouviu, gato? — pronunciou abaixando o capuz e ainda olhando o loiro. — Você tem que se esconder.
— Meow — soltou descendo da cabeça e descansando no pescoço.
— Que folgado! — reclamou com uma veia saltando. — Seu gato desgraçado!
E iniciou-se uma briga entre gato e humano, felino e mamífero, entre outros singulares. A guerra só teve uma prorrogação quando o moreno chegou e infelizmente acabou sendo metido no meio, vítima de garras e punhos. Apesar de mal entendidos, Natsu e o tal gato se gostaram, fizeram as pazes e se tornaram amigos, a única coisa que incomodou o rosado durante a noite foi o modo como o gato foi parar até ele.
— Então? — gritou o homem sentado na cadeira de diretor. — É pra hoje?
— Já! — responderam começando o trabalho.
Logo ali seria a gravação de um comercial sobre o novo produtos das empresas Michiko, realizado pelo grande diretor, Nelson Jardins, mas nem ele e sua equipe contavam com olhos pretos observando tudo com água na boca. Acontece, de que o comercial era sobre um tipo de comida que faria até mesmo um dinossauro sair do ovo (tecnicamente), mas aquilo agradava outros paladares, como os felinos... E nada foi avisado.
— Croquete! — chamou e um garoto veio correndo com a placa.
— Comercial Varal, cena 1, ação!
O gato azul pulou entre os prédios, se embrenhando cada vez mais perto, tendo como alvo o "delicioso" croquete de gato ou qualquer outro bicho, só não contava que uma corda se partisse e ele tivesse caído no ovo de isopor, além de rolar rua abaixo até cair perto do córrego e ser achado pelo rosado.
— Acasos acontecem, não é, Happy? — sorriu deitando o gato em uma almofada posta no chão.
— Pare de namorar o gato e vá dormir, Natsu-san. — reclamou jogando um travesseiro no amigo.
— Cale a boca! — gritou jogando o travesseiro no loiro que continha um sorriso satisfatório.
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