Adopted Children
2 Capítulo 2 - Adeus.
Notas iniciais
PS: Se passa no mundo real, ou imaginário... Vai saber! Eu sei, é ridículo a escritora não saber diferenciar as coisas, mas vai lá.
Londres, 25 de Junho.
ESTRANHO
Tudo o que estava vivenciando se resumia a uma única palavra; Estranho. As pessoas a sua volta trajando preto em vestidos, capas, calças e chapéus, algumas até com véus. Não lembrava-se de que seu pai havia tido tantos amigos, já que ele passava a maioria do tempo enfurnado no seu escritório e só saia para vê-lo ou ajudar em seus deveres, um pai tão dócil e corajoso como um dragão. Engraçado se referir assim a ele, desde pequeno — menor do que já é — adorava quando ele lhe contava as histórias antigas de magos e dragões poderosos que eram tão bondosos e que lutavam junto ao lado de humanos honrados que carregavam espadas brilhantes. Adorava Igneel Dragneel.
Agora parecia estranho aquele amor, ele era bem bonito, os cabelos de um ruivo tão vivo quanto sangue, o corpo de um jovem e um modo galanteador. Ele meio que conteu um sorriso ao ter o leve pensamento de que a maioria das mulheres ali estavam dando adeus ao primeiro e único homem gentil que lhes aparecera na vida, mas o senhor o repreendeu com um beliscão. Praguejou mentalmente e fitou as pessoas que falavam palavras sem sentido, uma língua estranha chamada Latim.
Logo ele se viu na interpretação da palavra morte, o que ela significava? Aquele loiro de outro dia parecia saber tão certo o que era, sentia como se o loiro fosse alguém que tivesse dado o significado a aquela palavra. Certo dia haviam lhe dito que morrer não era tão ruim, porque tudo o que você houvesse feito na Terra seria usado para definir se iria para o Céu ou o Inferno. Duvidou que o velho caduco tivesse alguma razão, mas por algum motivo aquela afirmação parecia caber perfeitamente no dia de hoje.
– E agora. — o homem de "vestido" branco pausou levantando as mãos. — Juntem-se irmãos, vamos dar a nossa ultima oferenda ao morto.
Observou curiosamente todos os presentes se levantarem ou os que já estavam levantados, formarem uma fila e jogarem rosas ou outras flores no buraco contendo o caixão. Era estranho, porque o ofereciam rosas se ele já estava morto? Como se ele fosse acordar e apanhar cada planta. O homem o pegou pelo ombro e levou ate as fitas que prendiam o perímetro, deu-lhe um bouquet de orquídeas e o mandou jogá-las, ele pensou por um momento e já que vira todas as outras fazerem, que mal faria ele fazê-lo também?
– Que Deus esteja com ele. — o padre murmurou fazendo um sinal e alguns homens começaram a jogar terra no buraco, na tentativa de preenchê-lo.
– Pronto Natsu? — assustou-se ao ouvir a voz, agora embargada, do tutor.
– Hai, Renshi-san. — murmurou afrouxando o cachecol no pescoço e dando costas ao túmulo.
Agora era definitivamente um adeus. Era ótimo ter a sensação de estar protegido por uma pessoa, um ser quente e aconchegante, mas algo lhe dizia que aquela sensação estava perdida para sempre.
– Hey, Natsu. — o pequeno virou para o homem ao qual segurava a mão. — Eu também perdi meu pai. Não foi pelos mesmos motivos que o seu, mas eu o perdi.
– Renshi-san... — murmurou pondo uma das mãos no bolso do casaco. — Como é... Morrer?
O homem se assustou de inicio e deu uma leve tossida para disfaçar, mas o garotinho continuava a olhá-lo esperando pacientemente que o mais velho desse uma resposta.
– Bem, morrer é... Você me pegou nessa, Natsu. — comentou coçando a cabeça. — Vejamos, morrer é quando alguém, um ser humano ou um animal, pode ate ser uma planta, vai definhando aos poucos e no final acaba dormindo e sendo poupado da sua vida aqui na Terra. Entende? Morrer é como dormir, mas você não vai acordar no dia seguinte.
– Então, Igneel esta dormindo? — os olhos brilhantes indicavam que ele estava acreditando nesta história.
– Sim, ele esta. — sorriu afagando a cabeleira do rosado e o guiando ate o carro.
Natsu era um caso raro, ele era um garoto ingênuo que facilmente ou parcialmente acreditava nas coisas, mas Renshi havia sido encarregado de ser seu tutor, ate que ele finalmente estivesse apto para passar... Confessava que não era nada dificio, era certo que de vez em quando ele não acreditava em como ele pudesse aceitar aqueles fatos, mas era o melhor neste caso, já que seus sentimentos não iriam envolver a sua vida.
– Pronto cowboy? — o rasado exibiu um sorriso de gato ao ouvir aquilo.
– Hai! — gritou entusiasmado e vendo Renshi ligar o carro.
Um sorriso fino surgiu no rosto frágil do pequeno, não gostava de transportes, odeava trens, carros, bicicletas, tudo que tivesse rodas e se movesse. Pousou a cabeça no vidro e suspirou começando a enjoar, Renshi só saia de carro para qualquer lugar e não podia simplesmente irritar o homem com algo banal como um enjôo, então decidiu seguir calado durante o pequeno espaço de tempo que seguiria do cemitério Holly ate o Departamento. Ah! Se pudesse ao menos ficar em casa, enfurnado nos livros e anotações do pai, mas ele não poderia fugir, não poderia mesmo, já que ele havia tentado... Não que soubesse no que fugir daria, era apenas uma criançinha tola e criançinhas não tinham espaço no mundo que era exclusivamente dos adultos.
O inverno era mais feroz naquela época do ano, o rosado de quatro aninhos fitava curioso o pai levar algumas toras da floresta que seriam consumidas pelo fogo para que eles tivessem uma noite quentinha. Tentava perceber se as madeiras teriam alguma angústia ao serem mortas por um motivo irrelevante, mas ele não levantava questão de que não precisava de fogo, já que era quente por natureza. Correu para o pai depois que uma onda gigante de som invadiu as janelas, quebrando-as em questão de segundos. Os dois se olharam e ele fora mandado para o quarto, mesmo com algumas negações e existências, ele logo cedeu e se dirigiu para a escada sob o olhar do pai, esperando protegê-lo de todo mal existente por ali.
– Papai, o que acha que é? — murmurou agarrado ao cachecol e as barras de proteção da escada.
– Não sei. — disse enquanto analisava a branquidão do ar. — Eu já disse para subir.
– Mas... Eu quero ficar aqui. — desviou o olhar severo do pai enquanto dizia a frase incerto.
– Natsu... — divagou fitando o filho assustado que fingia ser corajoso.
– Papai. — resmungou cruzando os braços e virando com os olhos contendo lágrimas.
– Tudo bem... — cedeu passando a mão na cabeça. — Mas a qualquer sinal de perigo, fuja.
– Não sou de fugir.
– Hun... Falou o pirralho do fantasma...
– Pai! — gritou levantando as mãos e Igneel riu.
– Certo. — sorriu pegando a arma da sala. — Papai vai acabar com alguma coisa, não espere.
A porta foi aberta e uma corrente de ar frio invadiu a casa, quase apagando o fogo da lareira, mas depois ela foi friccionada e o silêncio reinou na casa. Cada segundo era precioso, alguma coisa estava lá fora e sentia que talvez um tiro de espingarda não resolvesse algo tão fácil, foi quando um tiro fino e alto estourou do lado de fora, ele pulou assustado com o barulho e deu alguns passos para trás esperando que o pai entrasse. Estranhou que alguns minutos depois de ir pra cama, a porta não foi ouvida e tudo permaneceu em silêncio. Onde o pai estaria enfiado? Ele teria entrado sem ele perceber? Alguma coisa havia... O pegado? Expulsou o ultimo pensamento quase que de imediato. Então a porta abriu, o som de passos foram dados e alguém riscou alguma coisa, que pareceu queimar em um som baixo, depois ela foi batida de novo.
– Pai! — o silêncio cortou com o grito do garoto descendo as escadas e vendo a casa em chamas.
Tudo o que pensava era a casa, o pai tinha feito aquilo com as próprias mãos, ele precisava deixar algo! Na tentativa, abriu as torneiras e jogou águas nas chamas, mas o fogo havia se alastrado pela sala toda, não havia mais nada a se fazer... Quando a porta foi aberta por uma onda de vento que ajudou um pouco a apagar o fogo. Pegou dois baldes e encheu de neve jogando na casa com desespero. Depois de tudo, a casa queimou pouco, no máximo algumas coisas chamuscadas... Arfou exausto quando terminou o trabalho pesado, as mãos congelavam enquanto ele se recuperava no chão da sala. Aquilo era muito, apesar de durão e um pouco bobo, Natsu era apenas uma criança de quatro anos, não sobreviveria sem alguém, e o pai estava longe no momento. Levantou tremendo e fitou a floresta, um branco gelo sem fim, mas não via Igneel... Agora aquele pensamento não parecia tão idiota assim... Mas o que teria deixado o pai perder? E a única coisa que importava, pra onde Igneel havia sido levado?
– Otou-san! — gritou andando com dificuldade pela neve quase na sua cintura.
Era ralho... Não havia mais ninguém lá... Ele estava sozinho...
– Otou-san! — tentou mais uma vez, agora caindo na neve.
Igneel... Tão forte... Quem em todo o mundo tinha derrotado ele?
– Otou-san... — murmurou agarrando a neve e chorando desesperado.
– O que faz aqui, pequeno? — uma voz tão leve e gentil lhe acolheu.
– Otou-san? — questionou levantando o rosto e vendo um senhor um pouco mais velho que o pai.
– Seu pai, hun? — suspirou puxando-o da neve. — Que tal vir comigo? Amanhã vamos procurá-lo.
– Ee. — concordou abraçando o velho e adormecendo nos braços quentes dele.
– Chegamos. — sorriu parando o carro e tirando a chave. — Vamos seu pequeno rato, tenho muito a fazer.
– Renshi-san... — murmurou meio enjoado e pulando do carro. — Odeio coisas que balançam...
– Eu sei... Vamos. — suspirou fechando a porta e trancando.
– Renshi-sama! Tenho um novo caso para você. — a secretária de antes os abordou com uma pasta.
– Hun... Mais um? — questionou folheando a pasta.
– Tem acontecido recentemente. — adicionou deixando os dois.
– Você fica bem sem mim? — fitou o rosado já sentado no banco de espera do salão. — Isso me parece um sim.
– Uh, Renshi-san. — pediu antes do homem atravessar a porta giratória. — Quem é desta vez?
– Isto é confidencial. — brincou dando um pequeno peteleco na desta dele. — Mas acho que posso te dizer... Um pequeno garoto vai participar da nossa força tarefa, estou indo busca-lo, ok?
– Ok. — sorriu logo que Renshi deixou a sala.
Força tarefa era só um modo de dizer, sabia que o novo garoto iria chegar porque tinha ocorrido algo parecido com o que ocorreu com ele. Renshi tinha certeza de que ele acreditava em tudo que saía da boca dele, mas o rosado não era tão idiota assim, existiam certas coisas que ele não tolerava. O modelo era o seguinte; Um garoto (geralmente era mais raro algo acontecer com garotas, talvez porque eram mais quietas) de cinco ou seis anos (pode ter até mais) que chegava com a ausência do pai ou da mãe (resumindo, de familiares) e era encaminhado para a sala da diretora, para que ele fosse sentenciado á um abrigo ou á algum conhecido, era simples.
– Jay-san. — chamou a secretária que conversava ao telefone por falta do que fazer.
– Hun? Te ligo depois. — pausou desligando o celular e notando o garoto. — O que é, Natsu?
– Sabe quem era exatamente aquele loiro da semana passada? — mostrou seus olhinhos brilhantes e ela nem resistiu.
– Naruto? — questionou e ele fez que sim. — Uzumaki Naruto, acho que tem a sua idade. Ele vem muito aqui, sabe? Parece que os pais morreram queimados e a tia em um acidente misterioso.
– Obrigado.
Agora ele conhecia o loiro, um tipo bem fácil de se ver, o típico órfão de pai e mãe que não tem onde cair morto, ou tem? Renshi tinha dito algo sobre os Uzumakis, algo que lhe passou despercebido agora, também não fazia questão de prestar atenção ao que o mais velho ensinava já que ele parecia viver em um mundo velho. Os pensamentos foram interrompidos pelo barulho da porta giratória, de um lado vinha o tutor e de outro o garoto novo, um moreno de olhos castanhos que fitava tudo com muito medo, talvez não gostasse de público.
– Oh... Você ainda esta aí, ratinho? — iniciou e Natsu se fechou. — Bem, não faz mal. Aceitaria um lanche?
– Hai. — gritou entusiasmado. — Uh, enquanto a ele?
– N-Não estou com fome. — negou acenando as mãos no ar e o estômago o denunciou. — Acho que um pouco...
– Tudo bem, vamos. — chamou puxando os dois para dentro.
– Ah... E-Espera! Eu não vou tão rápido. — reclamou apertando o passo e seguindo a dupla dinâmica.
– Tente fazer alguns exercícios, Mamoru, vai precisar. — alertou e o moreno correu assustado o mais rápido que ia.
– Renshi-san... — murmurou em um tom reclamativo. — Não o assuste.
Apesar do pai e ainda mais cedo a mãe, terem desaparecido da sua vida, ele não reclamava, se tinha de reclamar, fazia isto em alguns murmúrios e derramamento de lágrimas, se o pai era tão forte, porque ele não havia de ser também? A única coisa que ainda pensava era no que exatamente o assassino estava pensando ou tentando fazer quando o matou. Quem era, o que queria e o porquê de ter feito, perguntas sem respostas que rondavam sua pequena cabeçinha frágil que funcionava na base da curiosidade, como a maioria das crianças.
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