Notas iniciais
"The wait is over!!"
Em outras palavras:
"A espera acabou!!"
Primeiro, só demorei mais do que pretendia por que sofri um acidente doméstico... (bem trágico) Não foi tão grave, só pensei que ficaria cega de um olho... Maas já estou melhor: 100% :)
Ahhh :D O que foi isso?? Nunca vi tanta gente ansiosa por um capítulo como foi com esse. Sério mesmo, não achei que fosse causar tanto "furduncio", mas fico feliz de saber que estão gostando do ritmo em que estou levando a fic :)
E mais feliz ainda por saber que mais duas espécies floresceram no meu jardim!! Thayna e Adrielle, sejam muito bem vindas flores!!
Quanto ao capítulo de hoje, minha florzinha Jhessy foi a quem mais se aproximou de descobri o que deixou a nossa doce Amanda tão assustada. Isso mesmo flor, dentre os palpites que algumas arriscaram, você foi a que mais chegou perto da resposta. Por isso, o capítulo de hoje é especial para ti ^^
Espero que goste!!!
Boa leitura...

Entrou no quarto e viu Amanda olhando a chuva pela janela.

-Achei que já tivesse dormido.

-O que?... — surpreendeu-se com a chegada dele.

-Você parece cansada. — analisou ele.

-Não, eu, estou bem.

Amanda voltou a olhar para fora e Vitor, de onde estava, tentava descobrir o por que daquela expressão apreensiva no rosto dela. Ela lhe pareceu um tanto confusa e também desinquieta.

-Amanda...

-Vou dormir com a sua camisa de novo, tudo bem?

O rapaz apenas assentiu vendo que ela usava novamente a peça que lhe pertencia.

-É que, mais cedo eu perguntei as meninas se alguma das duas poderiam me emprestar um pijama mas, os da Emily nunca caberiam em mim e os que a Carla me mostrou... eu acho que não usaria.

Ela preferiu não entrar em detalhes quanto as peças que a última das amiga lhe ofereceu emprestadas.

-Mas eu gostei de dormir com a sua camis... q-quer dizer, não é isso, é por que ela é bem confortável, entende?

Amanda tentou se explicar rapidamente mas, à medida que fala, ficava cada vez mas vermelha de vergonha com o que havia dito. Não fora sua intenção dizer o que disse.

-Pode ficar com ela enquanto precisar, não se incomode. — disse ele calmamente.

A moça preferiu se calar, e, o barulho da água lá fora chamou sua atenção.

-Parece que vai chover a noite toda. — disse Amanda ainda encarando a chuva que começava a cair com mais intensidade.

-É mesmo. — voltou o olhar para janela também. — Nesse caso, vou pegar mais um cobertor pra que você não sinta frio durante a noite.

-Tá. — sentou-se na cama.

O rapaz revirou o guarda roupas e pegou dois cobertores, um para ela e outro para si.

-Aqui. — entregou o maior para a moça.

-Obrigada! — ela o agradeceu permanecendo sentada.

-Não está com sono? — questionou ele de pé, em frente a ela.

-Não, eu só... — voltou o olhar para a janela novamente.

Agora sim ele tinha certeza que algo estava errado com ela.

-Você tem razão, estou cansada. — disse enquanto desdobrava o coberto sobre seu colo. — Preciso dormir um pouco.

A moça acomodou-se na cama e deitou-se depois de desejar uma boa noite a Vitor. Ele por sua vez, apagou as luzes e deitou-se também.

Ambos deitaram para dormirem. Vitor ainda no sofá, enquanto Amanda permanecia na cama.

...

Naquela noite...

As horas passaram, e à medida que a noite se tornava cada vez mais escura, a chuva se transformava em um furioso temporal.

O mar estava agitado, os raios que caíam eram impiedosos, capazes de clarear toda aquela área. Os trovões eram ensurdecedores. A chuva caía de tal força no teto da casa que mais parecia granizo atingindo o telhado.

Vitor remexeu-se naquele móvel desconfortável. Já era difícil dormir ali, com todo aquele barulho tudo só piorava. Acabou acordando entre um estalo e outro mas permaneceu deitado. Agora sem sono nenhum.

E em meio a todo estrondo causado pelo temporal lá fora, Vitor pode ouvir um choro abafado dentro do quarto. Estaria ouvindo coisas, pensou ele ainda deitado. Sentou-se à procura daquele choro. Olhou em volta, mirou a cama e só o que viu foi um amontoado de cobertas. Era Amanda.

-Amanda. — sentou-se no sofá, chamou, porém ela não respondeu.

Correu ao encontro dela, sentando-se à beira da cama. Retirou algumas cobertas que a cobriam e a viu encolhida, chorando e tampando os ouvidos.

-O que foi? — perguntou estarrecido com a cena.

Assim que o viu, ela se jogou nos braços dele aos prantos.

Mais um trovão estourou no céu, o que fez com que a moça se desesperasse mais ainda, chorando e buscando refúgio nos braços dele. Foi então que entendeu, ela estava se escondendo do temporal. Mas porque?

-Vitor... — o chamou com a voz embargada pelo choro.

-Calma, eu vou ficar aqui com você. — a envolveu com os braços.

Vitor não sabia o que dizer, nem sequer sabia o por que de todo aquele choro dela. Apenas a abraçou na esperança de que isso a confortasse.

...

Demorou, mas o temporal enfim passou. Já era madrugada e agora uma chuva fraca caía lá fora.

Amanda havia adormecido nos braços de Vitor, que só dormiu depois que ela pegou no sono. Ele apoiado na cabeceira da cama e ela debruçada sobre se peito.

Vitor acabou acordando e, imaginando que ela estaria desconfortável estando daquele jeito em que estavam, tentou achar uma posição melhor para deitá-la na cama. Tentou acomodá-la vagarosamente, mas ela acabou acordando também. A moça assustou-se e agarrou-se a camisa dele, impedindo de se afastarem.

-Calma, o temporal já acabou. — tocou a mão da moça, que ofegava como se tivesse despertado de um pesadelo. — Só está chovendo agora.

Amanda olhou assusta para a janela.

-Nossa. — levou a mão cabeça e respirou.

-Você está bem? — ele a questionou preocupado.

-Sim, — sentou-se ao lado dele e levando os olhos na direção da janela mais uma vez.

Ele pode ver que Amanda ainda estava agoniada com a chuva que caía. O quarto só era iluminado pela luz da lua que entrava pela enorme janela que o quarto possuía. Deu pra ver que ela estava tremendo. E, vendo isso, Vitor achou melhor buscar um copo de água com açúcar pra ela.

-Me espera aqui, eu vou pegar u...

Mas antes que ele pudesse sequer levantar-se dali.

-Por favor, — pediu baixinho segurando a mão dele. — Fica aqui. Não me deixa sozinha. — pediu com voz trêmula.

Ele então parou ao senti-la esconder a cabeça em seu pescoço.

Ao ver toda aquela angústia, Vitor atendeu ao pedido dela, ficando onde estava. Aproveitou a proximidade deles e afagou os cabelos da morena na tentativa de consolá-la.

Instantes depois, a moça se acalmou então. Os dois continuaram sentados na cama lado à lado.

-Você deve estar me achando uma maluca. — afastou-se um pouco.

-Não posso achar nada, — a fitou preocupado. — não sei o porque de tudo o que aconteceu.

-Eu, geralmente consigo me controlar em temporais mas, esse, foi... acho que foi de mais pra mim. — disse com o olhar vago, mas ainda expressando medo.

Houve um instante de silêncio ali.

-Por que, — hesitou, mas estava curioso. — você não me conta?

Ela olhou para ele e desviou o olhar se voltando para suas lembranças.

-Isso, — baixou a cabeça ao começar. — foi por conta de mais um trauma que eu sofri quando criança. — parou, pensando em não continuar, pois não gostava de lembrar. — Pensei que tinha superado.

Amanda respirou fundo e começou.

- Eu tinha uns oito anos, a minha tia precisou sair e como eu estava dormindo, ela trancou a casa e saiu me deixando lá. Ela tinha a intenção de voltar logo então não viu problema em me deixar lá por uns minutos. Só que logo começou a chover, foi de repente. — ela tomou fôlego. — Quando eu acordei, o temporal estava no auge. Parecia que tudo estava desabando. Já era noite e tinha acabado a energia devido o mal tempo, estava escuro de mais. Eu não fiz outra coisa senão chorar e gritar, porque procurei minha tia por toda a casa e não a encon-trei... — o choro quis voltar. — Eu entrei em desespero... Já... já tinha perdido a minha mãe, sido abandonada pelo meu pai e..., e se ficasse sem a minha tia também... — sentiu um nó na garganta, não conseguiu prosseguir.

-Para, — a impediu de continuar. — já chega. — a abraçou involuntariamente, num instinto de proteção. — Esqueci isso e só tenta dormir.

Amanda recebeu o abraço dele se debulhou em lágrimas mais uma vez. Vitor apenas afagava os cabelos dela se recriminado. Acabou arrependido por ter pedido que ela lhe contasse toda aquela história. Principalmente ao ouvi-la chorar novamente.

Continuou ali com ela até que a moça dormiu.

Com ele não foi diferente. O lugar era bem mais confortável, ao contrário do sofá que estava antes. Sem falar que o calor do corpo dela, que era transmitido a ele por aquele abraço, deixava tudo ainda mais aconchegante.

Minutos depois, e ele, já vencido pelo cansaço e pelo sono, acabou adormecendo também.

...

Eram dez e vinte da manhã. Não chovia mais.

Ressonou, acordando em seguida. Abriu os olhos com dificuldade, seu corpo estava pesado e cansado. Efeito de uma noite mal dormida, pensou ele. A primeira coisa que viu foi o teto.

Ao tentar se mexer, sentiu um peso sobre seu braço direito. Virou o rosto e viu Amanda deitada. Ela estava de lado, voltada para ele e tendo a cabeça repousada sobre seu braço.

Parou por alguns segundos para admirá-la. Ela dormia tranquilamente, tinha um ar sereno e calmo no rosto, o que a deixava ainda mais bonita.

Achou melhor se levantar. Queria fazê-lo sem acordá-la.

Ficou de frente para ela e ergue o corpo um pouco para tentar tirar o braço de por debaixo dela. A moça se mexeu e acabou se aproximando e encurtando a pouca distância que havia entre eles. Agora, Vitor podia sentir o perfume dela invadir seus pulmões. Era um aroma fresco e ao mesmo tempo suavemente doce. Baunilha? Ele se perguntou em pensamento. Sim, bem sutil. Concluiu ele, porém havia algo mais. Era fruta. Segundos depois reconheceu o cheiro, lembrava maçã. Tinha certeza, era maçã. Inspirou propositalmente desta vez, pois havia gostado daquele cheiro.

Piscou duas vezes voltando a si e focando em seu objetivo.

Ele repetiu o movimento, tentando mais uma vez tirar o braço dali. Mas, por mais cuidadoso que estivesse sendo, de repente os olhos de Amanda começaram a se abrir, lentamente.

Então ele se viu diante daquele lindo par de olhos verdes. Os mesmos que todas às vezes se voltavam para ele com ar tímido e até hesitante.

Desta vez não foi diferente.

-Desculpa. — ela pediu ao perceber que estava sobre o braço do rapaz.

Amanda ficou nervosa por estarem tão próximos assim e com Vitor olhando fixamente para ela.

Inclinou-se devagar, afastando-se dele.

-Espera. — ele a impediu. — Eu, — começou com a voz mais calma e num tom agradável e baixo. — queria te pedir desculpas por te falado com você da maneira como falei... — não conseguiu encarar os olhos dela, estava envergonhado. — aquele dia.

Amanda ficou sem palavras com o pedido de desculpas repentino do rapaz.

-Me desculpe Amanda, eu não devia ter te tratado daquele jeito. Agi como um idiota. — reconheceu ele.

Apesar de achar que aquele não era o lugar e nem a hora apropriados para conversarem sobre o assunto, Amanda ficou feliz por ele ter tomado a iniciativa de se desculpar com ela. Vitor lhe pareceu estar mesmo arrependido.

-Tudo bem Vitor. Eu, eu já esquec...

-Mas não devia. — mirou a morena nos olhos finalmente. — Você não devia deixar as pessoas te tratarem como querem. Você tem que se impor também.

-Assim, como, como você faz? — questionou receosa.

-É... Não, mais ou menos. — se recompôs. — De qualquer maneira, não deixe que ninguém te trate mal, ouviu?! — pediu encarando a moça com certa preocupação.

Se acalmou. Talvez o que tinha presenciado naquela noite tivesse o deixado assim em modo de "proteção" para com ela. Vê-la em prantos e agonia com certeza não o deixou bem.

-Tá, eu, prometo tentar. — soltou um leve sorriso.

Promessa que com certeza não seria cumprida, pensou ele ainda olhando para ela. Pelo menos não por uma pessoa que só expressava bondade. Amanda era boa de mais, doce e certamente incapaz de guardar rancor de alguém. Por isso o perdoou tão facilmente. Concluiu ele concluindo também que já era hora de levantar dali.

-Desculpas por ter te acordado. — sentou-se na cama e olhou a moça ainda deitada. — Você...

-Eu estou bem. — puxou o cobertor até os ombros. — Não vou levantar ainda, se não se importar.

-Claro. — levantou-se. — Pode continuar deitada.

-Vitor!...

Olhou para o lado até seus olhos se encontrarem com os dela.

-Eu, é... Sobre ontem à noite... Não conta pra ninguém o que eu te contei, por favor.

-Tudo bem, eu não vou contar.

-Obrigada!

Deu às costas e saiu do quarto.

Amanda continuou deitada focada no que havia acontecido com sigo naquela noite.

Ela realmente achava que isso jamais lhe aconteceria novamente. Nem ao menos se lembra quando fora a última vez que passou por uma crise dessas. Desde que o fato que ela tinha contado a Vitor havia acontecido, ela começou a ter essas crises de pânico todas as vezes em que ocorria um temporal. As tempestades tinham se tornado sua fobia.

Mas depois de várias seções de terapias e aconselhamento psicológico, a moça conseguiu, enfim, super todo aquele trauma.

Afastou aquelas lembranças de seu pensamento, mas ainda se sentia angustiada. Lembrar de tudo aquilo não lhe fazia bem. Sentiu o coração disparar ao se ver sozinha ali. Respirou fundo tentando manter o controle.

Esticou o braço para fora do cobertor alcançando o celular sobre o criado mudo ao lado da cama. Mesmo que da primeira vez não tivesse conseguido, tentaria ligar novamente e ver se dessa vez conseguiria falar com ele.

Faziam mais ou menos quatro meses que não se falavam mais. E sempre nesses momentos em que ela se pegava mal por conta de seus episódios do passado, era com ele que Amanda conversava, desabafava e procurava refúgio.

Discou o número que sabia de cor. Desta vez a ligação foi direto para a caixa postal, nem sequer chegou a chamar. Parecia que não iria conseguir falar com ele, mais uma vez.

Entristeceu-se. Não tentou mais.

...

Apesar do temporal que havia acontecido naquela noite, o dia amanheceu agradável. O céu estava claro e limpo de nuvens, bem azul.

Paulo, Carla e Thomas estavam reunidos do lado de fora da casa, conversando.

O loiro estava sentado no quiosque arquitetado à beira da piscina, enquanto o casal de amigos estavam dentro da água.

-Não acham que é cedo de mais para estarem na água? — Vitor chegou trazendo um copo de suco na mão.

-Credo Vitor, então é mesmo verdade, você já acorda de mal humor. — implicou Carla.

O rapaz sentou-se em uma das cadeiras.

-Me deixa Carla.

A moça fechou a cara e decidiu mudar de assunto, ignorando o amigo.

-O dia amanheceu muito lindo, apesar de ter chovido pra burro ontem à noite. — comentou a moça saindo da piscina.

-Ué, choveu ontem, foi?

-Nossa Paulo. — Thomas soltou indignado. – Você não ouviu?

-Não estou surpresa, o Paulo dorme como uma pedra.

-Mas o que eu posso fazer se não ouvi nada.

-Jura? — perguntou Thomas. — Cara, parecia que o mundo tava caindo.

-Já disse, não ouvi chuva nenhuma. – defendeu-se.

-Bom dia aê! — soltou Vinícius em meio a um longo bocejo.

-Cadê a Emily? — perguntou Carla.

-Tomando café.

-Vou lá e assim faço companhia pra ela, sem falar que ainda não comi nada.

A moça saiu deixando os rapazes ali.

-Que legal, todos na piscina. — comentou Vinícius.

-Ei, não. Tá faltando a Amanda. — corrigiu Thomas.

-Ela ficou na cama. — Vitor esclareceu.

-Ué, hoje foi ela quem decidiu ficar até tarde na cama? — Paulo comentou.

-Ela não conseguiu dormir direito por conta do temporal. — disse apenas.

-Acho que ninguém conseguiu. — completou Thomas. — Com exceção do Paulo, né?!

-Sei... — começou enquanto sentava-se na cadeira ao lado do irmão. — Acho que o motivo talvez possa ter sido outro.

-Tipo? – perguntou ao perceber o olhar do irmão sobre si.

-Deixa pra lá irmãozinho. — soltou um sorriso perverso.

-Vai te catar Vinícius. — rosnou ele ao desconfiar do que se tratavam as insinuações do irmão mais velho.

-Calma aí, eu só tava brincando. — se defendeu bagunçando o cabelo do irmão mais novo.

-Então não brinca. — alertou.

-Tá, parei. — riu.

-Olha lá Paulo, — apontou Thomas. — o verdadeiro amor entre irmãos.

-Que lindo, não?! — brincou Paulo.

Vinícius riu junto deles, porém Vitor os ignorou, terminando de beber seu copo de suco.

-Que tal pegarmos as pranchas e cairmos no mar de novo mais tarde? — perguntou Paulo. — A água da piscina é boa mas tá calma de mais.

-Eu topo. — se adiantou Thomas.

-Ué Paulo, pensei que você preferia ficar aí na piscina? — indagou Vinícius.

-Não, só vim por que a Carla me chamou.- retirou-se. — Minha intenção era de esperar vocês para irmos surfar, só que vocês dormem mais do que as camas, eu hein?! — pulou para fora d'água.

...

Dentro da casa, na cozinha...

-Oi Carlinha! — a loira cumprimentou a amiga que entrava já enrolada na canga.

-Bom dia Emily! — abriu a geladeira pegando um copo de suco.

-Não me diga que você estava na piscina? — tirou uma das torradas da torradeira e a levou a boca.

-Até você Emily? — sentou-se à mesa. — Eu quero mais é aproveitar ué?!

-Estou vendo. — a loira riu e sentou-se com ela.

-Oi meninas!

-Ei Amanda! — cantarolou Carla, empolgada como de costume.

-Vem, senta aqui com a gente. — convidou Emily enquanto trazia um pote de bolachas para a mesa.

-Ué Carla, já tá de biquíni? — a morena perguntou.

-Essa não, outra. — falou com os ombros caídos. — Pois fiquem sabendo que hoje ninguém vai ficar em casa. — havia recobrado toda sua empolgação. — Vamos todos sair. — frisou.

-E pra onde? — Emily perguntou num tom de desinteresse.

-Sei lá. Qualquer lugar. Mas não vamos ficar enfiados dentro dessa casa de novo. Nem pensar. — afirmou.

-Tá doido! Eu não sei de onde você tira tanta animação, sabia?! — sorriu a loira.

-Não me venham com essa de que estão cansadas da viagem, hein?! — disse olhando sério para as amigas ali.

-Tá bem. — rendeu-se a morena.

-Eu não sou maluca de dizer não. — Emily se adiantou.

-Acho bom senhoritas! — sorriu divertida.

Vitor entrou pela cozinha enquanto as moças conversavam e riam.

-Amanda, posso falar com você?

-Sim.

Amanda fez que se levantaria mas a loira interveio.

-Não, fiquem aqui a Carla e eu estamos de saída. Vem Carla.

As duas se retiraram para área dos fundos. Ambas à procura de seus companheiros.

-O que você queria? — Amanda perguntou vendo-o sentar-se à mesa com ela.

Ele se acomodou na cadeira ao lado.

-Antes, me diz, como você está? Tem certeza que está bem depois do que houve?

-Estou sim, já passou. — soltou um leve sorriso com a presente preocupação dele. -E eu nem te agradeci por...

-Você não precisa me agradecer. — afirmou ele.

-Está bem. Então fala, o que você quer falar comigo?

-É sobre o acordo que existe entre a gente.

Amanda ficou pálida ao saber qual seria o assunto que ele queria tratar com ela.

Ele prosseguiu.

-Eu acho que isso já durou tempo de mais, e...

-Você, quer... apressar as coisas?

Questionou surpresa. Com certeza ela não estava preparada para enfrentar um casamento agora.

-É isso? — insistiu ela.

-Podemos ir para outro lugar pra continuar conversando?

Os dois se retiraram dali.

...

Chegaram à varanda da piscina mas só quem encontraram foi Thomas, que parecia estar voltando para dentro da casa.

-Cadê o meu namorado, hein?!

-Na praia Carla, surfando.

-Sério? Eu vou até lá então.

A moça correu animada em direção a areia.

-A Carlinha não muda. — sorriu.

-Pois é, parece que não. — comentou a loira. — Pelo que o Vitor falou, você e ela moram na mesma cidade, né?!

-Sim, mas faz um bom tempo que eu não a via. A gente se encontrava mais quando vinhamos as festas dos irmãos Navarro.

-Sim, você tem muito trabalho na sua empresa não é?

-Bastante. — sorriu ele. — Mais do que eu gostaria.

-Imagino. Só a minha loja já é o suficiente pra me deixar sem dormir às vezes, nem sei o que seria de mim se tivesse que administrar uma empresa no porte da sua. disse ela sorridente.

-Então você é dona de uma loja? Eu não sabia.

-Tem pouco tempo, é mais ou menos a mesma época em que eu e o Vinícius nos casamos.

-Sei. E a quanto tempo mesmos que vocês estão juntos, casados?

-São... — forçou a memória para lembrar-se. — Faz um ano e cinco meses.

-Nossa! Quem diria?!

-O que foi?

A conversa dos dois fora interrompida por vozes que se aproximavam de onde estavam.

-Sem pressa Carla, a gente vai hoje sem falta. — garantiu Vinícius.

Olharam em volta e viram Carla, Paulo e Vinícius vindo da praia.

...

No quarto...

A moça não sabia o que pensar. Sabia que um casamento seria o resultado da história deles, mas ainda não estava preparada para darem esse passo.

Amanda entrou na frente e Vitor depois dela, fechando a porta em seguida.

-Eu pensei muito nessa última semana e, acho que devíamos desistir de tudo isso.

Amanda ficou ainda mais surpresa com a decisão dele. Nem soube o que dizer. E ele continuou.

-Afinal, a sua tia já está melhor. Acho que, no fim das contas, era só isso que realmente importava ou valia à pena. — deu de ombros.

Amanda sentiu suas emoções darem uma volta completa dentro de si naquela hora.

A moça não soube distinguir o que estava sentindo. Ele estava a livrando daquele acordo sem sentido, mas, ela não sabia dizer o por que de ainda estar se sentindo encurralada. Só então Amanda se deu conta de que mesmo tendo passado tudo o que passou desde que começaram com o plano dele e principalmente nessa última semana, mesmo assim ela nunca havia pensado em desistir ou pedir isso a ele.

-Quando voltarmos, você pode voltar a seguir sua vida normalmente. E, a gente diz que brigou e terminou o namoro, ou não diz nada, afinal, ninguém tem nada a ver com a nossa vida.

Ela prestou atenção em cada palavra dita por ele e, ao vê-lo terminar, se pronunciou.

-O que exatamente te fez tomar essa decisão?

-Isso não importa mais.

-Foi pelo que aconteceu? — ela insistiu. — Por que se foi, eu digo que fui sincera quando disse que não me importo mais com nada do que houve. Você se desculpou e pra mim é só o que importa.

Vitor olhou mais uma vez para a moça à sua frente antes de se pronunciar.

-Está querendo dizer que não se importa em continuar com o nosso acordo? — ele se aproximou para olha-la nos olhos. — Mesmo depois que eu...

-Se for por conta do que aconteceu? — o interrompeu. — Não.

Ela mesma preguntou e ela mesma respondeu.

Dava para ver que ela estava tão decidida quanto no dia em que eles fecharam o acordo.

-Você cumpriu sua parte no acordo, e, eu também pretendo cumprir a minha. — afirmou ela.

Amanda respirou fundo depois de tudo o que disse. Nem soube dizer de onde estava tirando forças para falar tudo aquilo a ele.

Parecia que ela estava começando a aprender como se impor, pensou ele fitando a morena.

-Amanda... — ele aproximou-se um pouco mais.

E de repente a porta do quarto foi bruscamente aberta.

-Achei vocês! — adentrou o quanto eufórica.

-Oh Carla, estávamos conversando. — avisou Vitor.

-Atrapalhei alguma coisa? — perguntou impertinente.

-Já disse que estávamos conversando. — insistiu Vitor.

-Tá, mas agora não estão mais. — rebateu. — Vem Amanda. — pegou a moça pela mão. — Eu, você e a Emily vamos ficar na arei enquanto os meninos estaram surfando.

Disse puxando a amiga para fora do quarto.

...

O dia passou. Os rapazes foram novamente para o mar surfar e deixaram as namoradas tomando sol nas areias da praia.

À tarde, todos estavam de volta a casa. Carla e Paulo estavam aconchegados na rede que havia na varanda aos fundos da casa. Acompanhados de Amanda, que estava sentada num banco de madeira logo ao lado, conversavam entre si.

Vinícius, Vitor e Thomas estavam reunidos na sala, também conversando. Vinícius ficou ali com eles até sentir a falta da esposa e decidiu ir à procura dela.

...

-Estava te procurando.

Emily olhou por cima dos ombros e viu seu marido chegando.

-Tem certeza que não quer sair um pouco? — ele perguntou aproximando-se dela.

Vinícius adentrou na cozinha já abraçando a esposa pelas costas, porém a loira rejeitou o carinho.

-O que foi? — ele perguntou a vê-la se afastar.

-Nada. — abriu a geladeira para pegar um copo de água. — Eu não tô com clima.

-Você ainda tá assim porque...

-Não vamos falar disso agora, aqui... — despejou a água da jarra no copo, evitando olhar para o marido. — Nós combinamos.

-Então por que está me tratando com essa indiferença?

-Não é isso Vinícius...

-É sim. Já que era pra gente vir pra cá e ficar assim um com o outro, seria melhor se tivéssemos ficado em casa.

-Aquela lá não é a nossa casa. — soltou a indireta no ar.

-O que? O que você quer dizer com isso?

-Gente. — Carla entrou de repente. — Alguém sabe se ainda tem gelatina de uva?

O casal parou. Enquanto a amiga vasculhava a geladeira atras do que procurava.

Ambos chegaram a conclusão de que ali não seria o melhor lugar para eles conversarem. Principalmente Emily. E, diferente do marido, ela parecia não estar conseguindo fingir que estava tudo bem entre eles.

...

Já era noite, estavam todos reunidos na sala, exceto Emily. A televisão estava ligada enquanto o grupo de amigos conversava.

-Acho bom que todos estejam animados pra sairmos hoje à noite. — disse Carla sorridente e batendo palminhas.

-Já vou logo avisando que eu não vou. — disse Emily vindo do quarto para a sala.

-Emily. — reclamou Carla.

-Ué? — indagou Vinícius. — Por que não?

-Estou com sono. — disse apenas. — Mas divirtam-se vocês.

A loira acenou e passou pelos amigos na sala e foi direto para a cozinha. Vinícius deixou todos ali, indo atras da esposa.

-E vocês? — virou-se para o restante dos amigos. — Também vão dormir?

-Se a Amanda e o Vitor forem... — levantou a mão se prontificando a ir.

-Isso aí Thomas! — falou animada. — E quanto a vocês dois? — esperou a resposta do casal, já pensando no piti que daria se eles dissessem que preferiam ficar em casa também.

-Paulo, — Vitor começou no canto onde estava. — sinceramente, eu não sei como você aguenta o pique da Carla. — revirou os olhos entediado.

-Ah Vitor, deixa de ser chato... — ela tentou se defender.

-Isso é simples de explicar meu amigo. — abraçou a namorada. — Nós fomos feitos um para o outro.

-Tá, mas não acham que ainda é um pouco cedo pra isso, não?! — Thomas observou rindo.

-Concordo. — disse Vinícius. — Vou indo antes que isso pegue. — disse e retirou-se.

-E antes que o casal derreta de tanto açúcar. — disse Vitor desdenhando da cena.

-Amanda, sinceramente, — aproveitou a deixa — Eu não sei como você aguenta o mau humor do Vitor?

Carla não se conteve e gargalhou descontroladamente.

E ele, saiu assim que terminou de ouvir as palavras da amiga e de vê-la soltar um largo sorriso de deboche para ele.

-Vê se me erra Carla. — soltou ele enquanto saía.

-Não quero nem saber Vitor. — gritou Carla logo voltando a rir da cara do amigo. — Nós vamos e ponto. — sentenciou ela.

Notas finais
Só quero saber se vocês gostaram???
My God!! A curiosidade me corrói por dentro :) De vontade de saber se vocês gostaram ou detestaram TU-DO kkkkkkkk Please, não deixem de me contar, hein?!
Quaaaaase me esqueci de um detalhe...
Então, será que alguém aí ficou curiosa pra saber para quem foi que a tímida morena ligou?? (de novo) E por acaso alguém lembrou que essa pessoa já foi discretamente citada aqui?? Isso mais especificamente no finalzinho do capítulo 13!!
Pois então, aviso que esse alguém irá aparecer por aqui logo logo ^^ É mais um personagem para apimentar a história :D
Um beijo flores e esperem com carinho!!!