Admirador Secreto
4 Iluminação
Molly encontrou-se com Sherlock no saguão do hospital. O fato de seu último bilhete não ter ganhado uma resposta a atormentava, então ela decidiu que contaria o ocorrido para o detetive, talvez ele pudesse ter alguma ideia do que pudesse significar. Sherlock ouviu, sem demonstrar qualquer expressão – o que já era natural de sua parte – e permaneceu em silêncio. Chegaram ao restaurante que ficava apenas há algumas quadras do St. Bart’s, e enquanto olhavam o cardápio, Molly tentou pensar por si mesma. Não adiantava pedir pra Sherlock, só ela saberia quem poderia ser e o que significava. Ela que vinha, de alguma forma, se relacionando com ele. Então, assim como Sherlock sempre dizia: “Não olhe, observe!” foi o que ela tentou fazer. Reviveu cada acontecimento desde o primeiro dia em que começou a receber os presentes, até o momento atual.
– Você está quieta! – comentou Sherlock enquanto seus olhos deslizavam pelo cardápio.
– Estou intrigada! – respondeu ainda com a cabeça voltada para os pensamentos posteriores.
– Faça seu pedido e pensaremos juntos! – falou Sherlock fechando o cardápio e acenando para o garçom.
Molly assentiu e depois que Sherlock fez seu pedido, ordenou que o dela fosse preparado também. Assim que o garçom os deixou e retirou os cardápios, Sherlock encarou Molly.
– Chegou a alguma conclusão? – perguntou.
Molly se remexeu levemente na cadeira.
– Na verdade não, estou só juntando tudo por enquanto! – respirou fundo e completou – É difícil!
– Não, não é! – corrigiu o detetive.
– Você diz isso porque é o melhor detetive que existe! Eu sou uma pessoa comum, Sherlock!
– Está enganada! Apenas está se recusando a ver o que está estampado de forma óbvia! Além do mais, você já possui elementos suficientes!
Molly estranhou a resposta dada pelo detetive, e antes que pudesse interroga-la, o garçom chegou com as bebidas.
– Acho que você está me superestimando! – disse assim que o garçom se afastou novamente.
– Errada de novo! – disse enquanto bebia um pouco do chá gelado que havia pedido – Você estava melhor de manhã, Molly!
– Você fala como se estivéssemos jogando!
– E não estamos? Quem disse ontem à noite que estava achando divertido brincar de detetive! Brinque então!
Molly riu, por algum motivo aquelas palavras de Sherlock a empolgaram. Ele tinha razão, se era pra brincar, ela brincaria. Afinal, ela já tinha acertado um monte de deduções, segundo ele.
– Nosso almoço está chegando! –informou apontando para o garçom que se aproximava – Coma primeiro, depois você pensa sobre isso!
Molly concordou. O garçom depositou os pedidos dos dois na mesa e se afastou.
– E você, está trabalhando em algum caso? Foi ele que você foi resolver de manhã? – perguntou Molly enquanto se servia do filé que havia pedido.
– Estou em um caso sim, e realmente foi ele que fui resolve-lo pela manhã! Em bora não esteja totalmente resolvido!
– Por quê? – perguntou.
– Porque infelizmente para mim, não posso resolvê-lo sozinho dessa vez!
– De quem você depende?
Sherlock sorriu amigavelmente e pediu que mudassem de assunto. Sem entender o motivo, Molly concordou. Como o detetive sempre lhe contava tudo o que acontecia, Molly percebeu que talvez fosse um caso delicado e perigoso para ser falado no momento. A legista então lhe contou sobre os corpos que havia despachado de manhã. Contou sobre a forma como eles foram encontrados e as marcas que possuíam. Ela sabia que Sherlock gostava de ouvir sobre essas coisas. Era um jogo deles, Molly lhe contava os detalhes e ele tentava deduzir a forma como morreram, e ela dizia se ele estava certo ou errado. Ele nunca estava errado.
– O primeiro caso foi de afogamento, pelas características da pele, foi no rio, com uma pedra amarrada no calcanhar direito! – pensou um pouco mais – O segundo foi sufocado por conta da fumaça de um incêndio, provavelmente o que ocorreu ontem à noite na Churchill Street!
– Eu preciso mesmo dizer? – perguntou Molly em um sarcasmo debochado. Sherlock sorriu.
– Regras são regras! – respondeu.
– Está nada espantosamente correto! – disse com um enorme sorriso no rosto.
Os dois terminaram de almoçar e Molly pediu sua sobremesa, não que ela realmente quisesse, mas quis lembrar Sherlock que havia ganhado um desafio proposto por ele. Sherlock pagou a conta, conforme o combinado, e a acompanhou de volta ao hospital. De lá, os dois se separaram, Molly voltou ao seu trabalho e Sherlock foi para algum lugar que só ele saberia onde era.
Molly foi até o vestiário se trocar e abriu a porta do armário esperançosa. Nada novamente. Então decidiu que daria o próximo passo e pegou uma nova folha e escreveu.
“Por que não responde mais?”
Colocou o papel dentro do armário e o fechou. Suspirou desanimada, pensando se dessa vez teria alguma resposta e partiu para o necrotério liberar o restante dos corpos.
Depois de passar uma tarde toda examinando corpos e escrevendo laudos, Molly estava mais do que pronta para ir pra casa. Subiu até o vestiário e contemplou seu armário por alguns segundos antes de abri-lo. Respirou fundo e puxou a porta, e para sua surpresa, lá estava um novo bilhete.
“Eu já respondi!”
Molly leu confusa e releu mais confusa ainda. Quando foi que ele havia respondido? Prestes a escrever um novo bilhete, Molly teve seu cérebro invadido por um lampejo de iluminação. Todas os presentes, conversas, cartões e bilhetes passaram pela sua cabeça, e foi quando tudo pareceu fazer sentido e se encaixar perfeitamente. Pegou sua bolsa, casaco e cachecol e correu para a rua, acenando pro primeiro táxi que passou.
– Baker Street! – ordenou ao taxista.
Seu coração estava acelerado e a dificuldade para respirar era grande. Seria possível? Claro que era! Tudo se encaixava perfeitamente. Ela tinha que falar com Sherlock imediatamente.
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