Admirador Secreto
1 Capítulo 1
Quase todos os dias são comuns e ordinários. Acordamos, fazemos as nossas tarefas e cumprimos com as nossas obrigações, e então voltamos para casa, onde dormiremos, aguardando o dia seguinte, onde tudo se repete. O que separa esses dias comuns de um dia extraordinário são as pequenas surpresas. Aquelas que não fazem parte do cotidiano, e quando acontecem, tornam nosso dia mais mágico e único.
Um dia ordinário estava prestes a se transformar em um dia extraordinário para Molly Hopper.
Começou pequeno, quando ela chegou ao hospital onde trabalhava, dentro do seu armário no vestiário havia uma carta. Ela buscou um remetente, mas não o encontrou. Abriu-a. Havia apenas um cartão, nada escrito à mão, mas impresso.
“Que seu dia seja maravilhoso, assim como você!”
Novamente procurou alguma assinatura, mas nada. Porém, mesmo sem saber quem havia enviado, sorriu. Aquelas simples palavras e aquele gesto tão singelo foram suficientes para deixar Molly sorrindo durante todo o dia.
No dia seguinte, assim que abriu a porta para sair de casa, encontrou uma cesta cheia de flores. Molly as pegou cuidadosamente e olhou em volta, pensando que talvez, quem quer que as tenha deixado ali, ainda estaria à vista. Nada. Notou um pequeno bilhete preso entre as margaridas e as flores do campo. Novamente, palavras impressas.
“Achei que elas são delicadas, assim como você! Espero que goste!”
Molly riu envergonhada com aquela situação. Depositou as flores na mesa de casa e partiu para o trabalho. Uma sensação de felicidade permaneceu em seu peito, arrancando suspiros aleatórios dela ao longo do dia.
Claro que uma curiosidade cutucava a garota, afinal quem seria seu admirador secreto? Alguém que deixou uma carta em seu armário e flores na frente de sua casa devia ser no mínimo, alguém que a conhecia bem. Talvez alguém que trabalhasse com ela. Mas quem poderia ser? A partir daquele momento, Molly passou a prestar atenção em todos do sexo masculino que, de alguma forma, se relacionavam com ela no trabalho. Desde o zelador até o diretor do hospital. Infelizmente, deduziu, todos eles eram excessivamente gentis e educados com ela, se ela fosse Sherlock Holmes, poderia encontra-lo com facilidade.
- É isso! – exclamou repentinamente em voz alta no laboratório.
Molly retirou seu celular do bolso e não demorou a escrever uma mensagem. Pronto, agora era esperar.
Quando estava indo ao vestiário para se trocar e ir para casa, novamente encontrou um envelope com um cartão dentro de seu armário, mas dessa vez, uma rosa acompanhava, presa ao envelope.
“Descanse bastante, você merece! Bons sonhos!”
Molly procurou novamente por alguma pista, mas nada. Fora aquela mensagem impressa, não havia mais nada que pudesse denunciar o remetente desses súbitos presentes.
Mas ela tinha esperança de descobrir, e a esperança bateu na porta dela às 20h, como no horário combinado.
Sherlock ouviu impassível ao relato da garota, desde o primeiro bilhete até o último, de como ela buscou tentar adivinhar quem seria, mas ninguém mostrava um comportamento fora do habitual, de que tinha certeza de que seria alguém do trabalho e de como estava curiosa para saber quem era.
- Molly, não achei que tivesse que te explicar isso, mas não sou esse tipo de detetive! – falou secamente após o término da longa história da garota. – Talvez devesse procurar um daqueles que segue o marido para ver se não há adultério, ou coisa assim!
- Por favor, Sherlock! Sei que prefere casos de assassinatos e terroristas, mas pra um cara como você, não vai levar mais de cinco minutos pra adivinhar quem é!
- Adivinhar? Eu não adivinho, Molly, eu sei! – rebateu Sherlock como se tivesse sido profundamente ofendido.
- Por favor! – insistiu a legista.
Sherlock respirou fundo, em sinal de resignação.
- Me deixe ver os presentes!
Molly sorriu e agradeceu, em alguns segundos voltou com os dois cartões, a cesta de flores e a rosa isolada que havia recebido. Sherlock olhou atentamente cada cartão, as flores e a rosa.
- Bem, não há muito que se possa tirar disso! As frases estão impressas, o que me impede de ver a pessoa através da caligrafia. O primeiro cartão está com uma pequena mancha de café, mas tenho certeza que isso foi você!
- Eu?! – indagou confusa.
- Você deve ter ficado empolgada com o recebimento desse cartão e ficou carregando ele pra todos os lados, não foi?! Manchou enquanto você tomava café na sua pausa!
- Como você sa...?
- Sou Sherlock Holmes, esqueceu?! – respondeu pomposo.
Molly fez uma expressão involuntária, como se estivesse chamando ele de exibido apenas com aquele leve torção dos lábios.
- Não dá pra deduzir muita coisa com isso! – falou por fim o detetive – Quando tiver mais presentes, caso volte à ganha-los, mostre-os pra mim, e vamos ver o que consigo!
Molly concordou e Sherlock saiu, sem nem ao menos se despedir direito. Apesar de já estar acostumada ao comportamento dele, Molly não pode deixar de gritar, sabendo que ele ainda estava a uma distância em que a ouviria.
- Boa noite pra você também!
Mas não houve resposta.
Molly sentou-se no sofá, encarando os pequenos presentes que havia recebido. Seu coração deu uma leve acelerada. Será que haveria alguma surpresa no dia seguinte?
Fale com o autor