Admirável Terra dos Deuses
4 Lefrich
Notas iniciais
Já havia se passado um mês desde o Dia de Qhoreno e a população ainda estava entusiasmada com a declaração de guerra proferida pelo Rei Lefrich, e a morte de um dos filhos de Eduuine.
A noite caiu e a lua estava a pino, mas as comemorações continuavam. Na Taberna do Rei Palgah, a maior taberna da cidade de Carfell, localizada na Rua Torre Cinzenta, pessoas comemoravam e bebiam ao som de várias músicas. Podia-se escutar claramente Loverick, o Lorde dos Lordes, uma canção criada há oitenta anos antes em homenagem ao Rei Loverick, que se recusou a acatar as ordens do Imperador Sywar e ser anexado ao Império. Além disso, Loverick, o Terceiro, expulsou uma pequena tropa enviada pelo Imperador com o intuito de matar o Rei. Graças a isso, Loverick foi exaltado pelo povo e com a canção criada em seu nome, ganhou a alcunha de Lorde dos Lordes e passou a ser chamado de Rei Loverick, o Lorde dos Lordes.
Agora, com o filho de Eduuine morto por Lefrich, as canções e poemas ganhavam um novo herói: Lefrich. Logo após os jovens terem terminado de cantar Loverick, o Lorde dos Lordes, começaram a cantar Lefrich, o Justiceiro, que passou a embalar a noite nas tabernas de Carfell.
Na Taverna do Rei Palgah, pessoas cantavam e dançavam ao som das grandes trovas e canções. Alguns jovens mais exaltados agarravam as garotas, distribuindo beijos e abraços. Vinho e cerveja eram servidos a toda hora, enquanto que as crianças se divertiam com toda a algazarra.
Enquanto isso, no Palácio de Carfell, a Mente do Rei, o velho Húr Vyses, assim como alguns homens próximos de Lefrich haviam desaparecido sem deixar rastros, deixando o Rei-Distante preocupado.
_ Não posso acreditar que os malditos conseguiram chegar até aqui e levar meus aliados mais fiéis – disse Lefrich indignado – Quando isso aconteceu Varathan? — indagou o Seeutenfell a um de seus conselheiros.
_ Não seiMeu Senhor! Na semana passada, estávamos todos reunidos na Sala do Conselho, depois disso, não vi Vyses, muito menos Lukkarg, quanto ao seu mensageiro eu já não o via havia dias – respondeu Varathan.
_ Tenho certeza que foram homens enviados por Eduuine para capturá-los, para com certeza se vingar da morte do herdeiro Barenzha. Pelos deuses! Pelo menos não levaram meus filhos – disse Lefrich
_ Glória aos deuses! Os seus filhos estavam em segurança, em especial, os gêmeos primogênitos Wybur e Wolffred, os herdeiros do trono. Agora a guerra oficialmente começou. Podemos formar alianças com as Grandes Ilhas das Pedras, as governadas por Horkro, Macynber e Talas — opinou o Conselheiro.
_ Claro, claro, com certeza. Espero com afinco o apoio deles – confirmou Lefrich – Prepare as embarcações no Porto das Renas, partiremos em breve para as Ilhas das Pedras, e lá estabeleceremos uma estratégia de invasão ao Império. Seria interessante também se as Terras do Ocidente nos apoiassem, seria de grande ajuda. Mande algum mensageiro para lá, e que depois siga caminho às Ilhas para lá nos encontrarmos, não temos muito tempo. Agora pode ir Varathan.
– Sim senhor – disse o Conselheiro se afastando, mas logo estacou e se virou, como se se lembrasse de alguma coisa – Uma última coisa Meu Lorde.
_Pois não, diga.
_ Um aldeão lá da Aldeia de Nazgganor, que fica bem próxima ao Rio Nikken, diz que foi pescar nas águas calmas e mornas do rio, e percebeu que algo estava vigiando-o. Olhou em todas as direções, porém, nada viu. Foi quando olhou em direção à densa Floresta Escura e viu dois globos vermelhos olhando-o intensamente. Diz o aldeão, que ficou durante um tempo observando aquelas bolas escarlate, e como a floresta é muito escura nada conseguiu ver, apenas isso. Mas, depois, os globos foram se aproximando até a beirada do rio, e foi quando o aldeão o viu.
Lefrich olhava Varathan com um olhar que ia, ao mesmo tempo, de dúvida e descrença a medo e suspense.
_ E viu o que? – indagou o Rei
_ Diz o aldeão, que a criatura era algo muito estranho, toda desfigurada, e totalmente preta, não negra, mas sim, preta, como o carvão. A criatura eratão magra que a pele estavacolada aos ossos, em algumas partes não havia pele, apenas ossos à mostra, sendo que no lugar dos olhos via-se um intenso brilho vermelho como o sanguetendo também asas diabólicas. O aldeão, assustado, voltou correndo, sem olhar para trás e agora está de volta à sua aldeia, mas em estado de choque. Depois que contou tudo a sua família, não soltou uma só palavra, está como se fosse mudo e com os olhos vidrados olhando para um só ponto, às vezes seus olhos vagueiam pela aldeia, mas nada mais.
Lefrich olhou com desconfiança para Varathan e proferiu;
_ As Criaturas da Noite, não existem meu caro. São uma lenda criada pelos aldeões para fazer com que suas crianças não entrem naquela maldita floresta – disse Lefrich duvidando de suas próprias palavras – Esse aldeão deve ter sofrido uma alucinação, nada mais – concluiu o rei gaguejando.
_ Bem meu senhor, eu não duvidaria das palavras de um aldeão, mas o senhor sabe o que faz, com licença, vou me retirar – respondeu Varathan saindo da sala.
Lefrich ficou olhando seu conselheiro sair da sala, depois disso, encarou o chão sem saber o que fazer. Foi até a janela de onde se podia ver toda a cidade de Carfell à sua frente, e dos dois lados, e atrás se podia ver as partes do grandioso Bosque Negro, com árvores de troncos escuros e até mesmo folhas negras, e atrás desse bosque, encontravam-se as aldeias. Para lá dessas aldeias, bem distante delas, encontrava-se a temida Floresta Escura.
Seu filho Wybur, um garoto esbelto e alto, de 16 anos, de cabelos negros e olhos cinzentos, típico dos Seeutenfell, entrou na sala e vendo seu pai daquele jeito, perguntou:
_ Está tudo bem contigo meu pai? Parece-me triste. O que há com o Senhor?
_ Está tudo bem comigo meu filho, não se preocupe – respondeu Lefrich.
_ É por causa dessa guerra não é? Não tema, os deuses olham por nós – respondeu Wybur confiante.
_ Sim meu filho, eles olham – afirmou Lefrich, olhando seu filho com compaixão, pedindo aos deuses que aquela história do aldeão não fosse verdade, pelo bem de seus filhos e pelo bem de todos.
_ Deixe-me sair agora, tenho que organizar os preparativos para a partida, devo chegar o mais rápido possível nas Ilhas das Pedras – disse Lefrich saindo apressadamente da sala, mas estacando e voltando a falar com o filho – Wybur, enquanto eu estiver fora você e seu irmão Wolffred devem governar com toda a honra e respeito que eu lhes ensinei. Promete que vai cumprir isso?
_ Sim, meu pai – confirmou Wybur – Enquanto estiver fora, eu e Wolffred conduziremos esse reino tão bem quanto o senhor.
Lefrich lançou um leve sorriso para seu filho e saiu. No caminho, o Lorde de Carfell viu o irmão gêmeo de Wybur, seu filho Wolffred, que veio correndo ao encontro de seu pai.
_ Pai!Acabei de confeccionar essa espada, não é linda? – perguntou Wolffred animadamente mostrando-a para Lefrich.
_ Sim, meu filho, sua espada linda! – disse o Rei admirando a espada de seu filho – conversei com Wybur agora, e vou lhe falar outra coisa: caso algum aldeão venha até nossa cidade, escute suas palavras sabiamente, não duvide de seu depoimento, é o melhor a fazer.
_ Claro, mas porque fala isso? Aconteceu alguma coisa meu pai? – perguntou Wolffred
Lefrich sentia a necessidade de contar tudo a seus filhos, mas decidiu esperar pelo momento certo a fazê-lo. Não seria adequado contar-lhes sobre sua conversa com Varathan nesse momento.Wybur e Wolffred não estavam preparados para tal, não ainda. Resolveu que os colocaria a pardisso assim que regressasse a Carfell.
_ Nada não meu filho – respondeu Lefrich. Não por enquanto. Pensou consigo mesmo – só para lhe dizer que confie sempre nos aldeões, eles sabem o que dizem – respondeu Lefrich voltando a seu caminho.
Wolffred viu seu pai caminhando e logo depois, encontrou Wybur na Sala do Trono olhando a cidade pela janela.
_ O que houve com meu pai Wybur? Ele estava estranho – disse-lhe Wolffred
_ Não sei irmão... Também queria saber – respondeu Wybur.
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