Admirável Terra dos Deuses
2 Eduuine
Notas iniciais
Passadas semanas...
O dia começou mal para o Imperador Eduuine Barenzha. Seu terceiro filho fora sequestrado, os reinos de Inverno e Primavera não estavam oferecendo suficientemente militares para seu exército e mulheres para os prazeres dos Lordes, enquanto que os impostos dos reinos de Outono e Verão estavam atrasados. Além disso, os Jogos do Deus Branco estavam para começar, competições que reuniam homens e mulheres dos quatro Reinos das Estações, das Terras do Ocidente e das Grandes Ilhas das Pedras, para mostrarem suas habilidades em uma arena circular, onde vale todas as regras até a morte. Myrell Imperial, a capital do Império, fervilhava de pessoas na expectativa de começarem os jogos.
A cidade além de capital do Império era a capital do Reino das Campanhas, composto por longas planícies e campos verdejantes onde centenas e centenas de cavalos pastam e galopam pela região.
_ Não estou acreditando que pude deixar que eles levassem meu filho, se algo acontecer a ele, eu juro que esmagarei Lefrich – desabafou Eduuine, o Segundo, com o típico sotaque das Campanhas, pronunciando as vogais com um leve “biquinho” da boca. Eduuine tem por volta de 45 anos com cabelos em tom loiro-escuro e olhos verde-escuros, típico de sua família, vestido com couro fervido negro e usando a coroa de ouro, enfeitada com seis cavalos — a Casa Barenzha não pode ser humilhada dessa maneira.
_ Meu Lorde, estamos fazendo de tudo para resgatar teu precioso filho. Nossos guardas estão protegendo os demais, especialmente o primogênito, herdeiro do trono Tiko Barenzha e seu amado filho Bodkin, para que os distantes não possam mais sequestrar nenhum de seus sete herdeiros – disse nervosamente os Olhos do Império, o cargo mais alto, logo abaixo do Imperador, Godehear Grimmbold, com um típico sotaque dos sulistas, pronunciando as palavras de modo enfático. Grimmbold veio de uma cidade das Terras Sulistas do Reino do Verão. O homem aparentemente de sessenta anos, apresenta cabelos brancos e a pele bronzeada vestido com uma túnica de cetim dourada e larga na altura do antebraço.
_ Mas isso não acontecerá novamente, caso contrário, cabeças rolarão – esbravejou o Imperador.
Um jovem homem da guarda do palácio entrou na Sala do Trono esbaforido e com uma expressão de terror no rosto.
_ Meu Senhor! Acaba de chegar de Carfell uma encomenda endereçada ao senhor. Abrimos para o caso de ser uma armadilha e o que vimos não foi muito agradável – pronunciou o jovem tentando se acalmar
_ Ora, então diga logo meu rapaz, não tenho tempo para delongas – ordenou Eduuine já adivinhando o que era – Ande! O que era que tinha na caixa?
_ Vimos o corpo e a cabeça de seu filho, Meu Senhor – disse cautelosamente o guarda com medo da reação de seu Imperador – Seu corpo está conservado, pois devem ter passado em seu corpo o Óleo de Taryen, para que pudéssemos identificá-lo. Ele morreu bravamente nas mãos daqueles imundos longínquos.
A notícia atingiu Eduuine como uma espada afiada trespassando-lhe o coração. Ele ficou sem reação durante algum tempo, até que a verdade tomou conta de sua mente. O Barenzha caminhou calmante em direção à janela onde se via por todas as ruas, bandeiras douradas com um cavalo preto coroado empinado, o símbolo da Casa Barenzha, deixando lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Virou-se e encarou Godehear e o jovem, até que então soltou um grito profundo de dor.
Eduuine fitou-os por um longo período, e por fim, disse;
_ A guerra nesse caso é inevitável ... Já dizia o Imperador Maeron I, A Espada dos Deuses: “o único modo de higienizar o mundo é por meio da guerra”. Nesse caso, deixaremos o mundo mais saudável destruindo aqueles do lado de lá.
Godehear se lembrou do que tinha lido sobre Maeron I, A Espada dos Deuses, chamado assim, pois lutava na linha de frente do exército e era um exímio guerreiro, amado pelo povo. Maeron foi reverenciado em várias canções e trovas por toda Myrell Imperial.
_ Eu juro que matarei Lefrich com minhas próprias mãos! Ele há de pagar por isso! – praguejou Eduuine que se jogou em seu Trono pensativo consigo mesmo – encomendem o mais belo caixão de mármore que encontrarem para meu filho.
_ Como quiser Meu Senhor – disse o jovem guarda reverenciando seu Imperador e saindo da sala
Uma ideia pareceu tomar conta do Barenzha que se levantou de seu trono e começou a andar pela Sala.
_ Diga-me Godehear, os Jogos do Deus Branco estão para começar não é mesmo? – perguntou Eduuine
_ Sim, Meu Senhor – respondeu intrigado os Olhos do Império – mas, o que quer com isso?
_ Diga-me mais uma coisa: ainda temos aliados nossos lá em Carfell não temos? – indagou o Imperador
_ Sim, Meu Senhor — respondeu Grimmbold já adivinhando o que Eduuine pensava.
_ Esse ano, além das competições que todo ano acontecem, teremos uma nova competição. Quero que esses espiões capturem membros fiéis de Lefrich e tragam para cá, eles serão os participantes de uma modalidade dos Jogos desse ano que acabo de criar em minha mente. A morte de meu amado filho não será em vão – disse o Imperador.
_ Como quiser Meu Lorde – respondeu Godehear.
_ Sabe meu caro amigo – começou a dizer Eduuine – há séculos essas terras onde hoje impero conhecido como as Campanhas há muito tempo atrás, quando os Reinos das Estações ainda não tinham se formado, alguns viajantes desses tais reinos vieram até essa região na qual estamos hoje e acharam uma grande riqueza aqui. Logo vieram mais e mais pessoas em busca das riquezas dessa terra. Tempos depois, as cidades que tinham algo em comum se uniram originando reinos: o do Inverno, no Norte, da Primavera, no Oeste, do Verão, no Sul e do Outono no Leste. Esse lugar onde estamos cresceu e criou-se a cidade de Myrell, essa mesma onde vivemos. A ambição desses reinos para ter essas terras das Campanhas era tão grande que se iniciou uma guerra entre eles pelo domínio daqui, os grandes poetas deram o nome de Guerra das Estações para esse conflito e assim ficou conhecido em todo o mundo. Está prestando atenção Grimmbold?
_ Sim Senhor, continue, por favor – respondeu Godehear.
_ Foram décadas de guerra até que a Casa Barenzha, minha Casa, destronou do poder de Myrell a Casa Lefford e meus antepassados já fartos dessa Guerra das Estações sem fim em nosso território, decidiram expandir nosso domínio. Favorecidos pelo fato de que os quatro reinos estavam enfraquecidos devido à Grande Guerra, passamos a controlar toda a região das Campanhas e, com isso, os reinos já sem forçar para continuar essa disputa, declararam a paz. – Eduuine parou em frente à janela admirando a cidade de Myrell Imperial – Depois de formar seu próprio território, a minha família decidiu que devia se vingar daqueles que um dia mancharam de sangue nosso solo. Dessa forma, depois de décadas, marchamos rumo aos quatro cantos do continente, e como já lhe falei, os outros reinos estavam enfraquecidos, mas essa nova guerra cujo nome era Guerra da Conquista, nos foi dura. Depois de muitos anos de luta, conquistamos todos os reinos, e assim, surgiu o Império Barenense que hoje conhecemos, com Mellyrion I sendo o primeiro Imperador deste Império, sendo ele que oficialmente anexou todas as terras. Devido a isso, foi chamado de Mellyrion, O Princípio. O lema da Casa Barenzha já diz tudo: Nascer e Imperar, já prova que nascemos para governar o mundo – disse Eduuine se virando para Godehear – interessante não? Você com certeza conhece essa história não é?
_ Muito interessante mesmo, Meu Senhor, porém conheço-a bastante – respondeu os Olhos do Império de um jeito meio desconfortável, já que pertencia ao sul, às Terras de Verão.
_ Eu sei Grimmbold você não é daqui, mas você entende que é até uma forma de proteger o seu reino de uma possível rebelião não é mesmo? – perguntou Eduuine se recusando a ouvir uma resposta e já se preparando para falar de novo — convoque os Reis de Inverno, Primavera, Outono e Verão, a guerra está por vir e tenho que pressioná-los a me apoiar já que sou o Imperador deles, caso eles se recusarem a vir ameace-os.
_ Darei as ordens Meu Senhor — respondeu Godehear — por falar nos reinos, nós estamos em um período delicado, Inverno e Primavera não estão nos entregando militares o suficiente e Verão e Outono não estão suprindo a quantidade de imposto para o Império, creio que esse não é um bom período para declarar guerra, com todo o respeito Meu Lorde.
_ Veja bem caro Grimmbold, nosso exército é imenso, eu sei que Inverno e Primavera pararam de nos entregar militares para o exército, porém mesmo assim somos um grande exército. Além disso, eles mataram meu filho e não vou deixar isso barato! – disse o Imperador — agora vá enviar uma mensagem para os Reis, ande logo, odeio esperar!
_ Sim Meu Senhor – pronunciou os Olhos do Império que saiu da Sala do Trono pensando consigo mesmo: Onde é que isso vai parar?!
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