Admirável Chip Novo
1 Prólogo
Notas iniciais
Espero que gostem da fanfic, fiz com amor para vocês u-u
Ah, e apesar de não mostrar isso nos primeiros capítulos, a história se passa no Brasil!
Boa leitura!
Cinza. Essa é a única cor presente na capital. Vestes largas e rostos sem expressões compunham o visual de cada usuário presente. Eles eram praticamente robôs, como se parafuso e fluído entrassem no lugar de sua articulação. Não tinham mais sentimentos ou personalidade. Haviam perdido sua humanidade. Comecei a analisar cada um presente no local, entretanto, por mais que tentasse, não conseguia encontrar a alma das pessoas através de seus olhos.
Guardei minha pistola tentando escalar uma espécie de círculo de ferro, não sabia seu nome exato, mas pensava que era uma maneira dos que vieram antes de mim se divertirem. Meu falecido avô dizia que seus pais a chamavam de Roda Gigante. Quando estava numa altura suficiente me sentei em uma das barras, sentindo a brisa contra meu rosto. Suspirei enquanto tentava fazer meus cabelos castanhos pararem num rabo de cavalo.
—Jade! –Escutei uma voz masculina, um tanto que familiar.
Desviei meus olhos para baixo, ficando um tanto zonza com a altura. Foi quando vi Mateus me encarando, estava um tanto que nervoso.
—Como me seguiu aqui? –Falei, tentando disfarçar a risada.
—É fácil te encontrar. –Respondeu, segurando a barra de ferro ao meu lado. —Fiquei preocupado, você não deveria sair sozinha, principalmente para visitar a cidade. Podem te ver.
—Eu sei me cuidar.
Antes que ele pudesse responder, uma rajada de vento nos atingiu, me fazendo soltar das barras. Soltei um grito pensando que iria cair, mas minha calça se prendeu em alguns ferros pontiagudos. Mateus tentava me ajudar.
—Matt, olha para a entrada! –Falei desesperada, enquanto alguns dos usuários nos encaravam e corriam para nosso encontro.
—Vai atirar neles enquanto te tiro daqui ou prefere um convite? –Ele gritou.
—Vai à merda! –Respondi, pegando minha pistola.
Comecei a atirar em alguns usuários, errando mais do que acertando. Havia aproximadamente uns quinze subindo a roda, e outro grupo nos esperava lá em baixo. Um dos usuários puxou um tipo de alavanca enferrujada, fazendo a tal Roda Gigante começar a funcionar, nos levando para baixo. Mateus pegou uma de suas facas de caça e cortou o tecido, fazendo-me desequilibrar. Antes que pudesse cair, ele me segurou pela cintura.
—Sobe! –Falei, enquanto atirava na testa de um homem. —Se ficarmos parados irão nos alcançar!
Ele começou a subir desastradamente, colocando o pé em falso às vezes. Enquanto a roda girava, alguns usuários caiam contra o chão de pedra. Posso afirmar que isso nos favorecia. Atravessamos a roda, tentando chegar o mais perto possível do chão para então poder descer. Cinco metros foi o que conseguimos. Matt pulou primeiro, o idiota se “mostrou”, fazendo uma acrobacia no ar. Ainda deu um sorriso de deboche para mim.
Bem, agora é a minha vez.
Suspirei enquanto observava o chão. Um, dois, três. Pulei, caindo sentada e sentindo um choque no tornozelo esquerdo. Soltei um grito e me levantei.
Havia torcido o tornozelo.
Mateus percebeu e me ajudou, colocando meus braços sobre seu pescoço e começando a correr. Soltei-me dele e parei, atirando na perna de três dos usuários, os derrubando e atrasando os outros.
—Vamos. –Falei.
—Consegue correr sozinha?
Ignorei a pergunta começando a correr. Se doía? Claro, mas não podia nos atrasar, não podia colocar a vida de Matt em perigo. Corremos até a floresta e nos escondemos num “buraco” próximo ao penhasco. Conseguimos ouvir cada passo dos usuários tentando nos encontrar.
—Foram embora? –Sussurrei, enquanto massageava meu tornozelo.
—Acho que sim. –Respondeu.
Mateus se levantou e observou a floresta.
—Tudo limpo. –Sorriu, enquanto saia de lá.
—Já não aguentava ficar presa nessa merda. –Falei, pegando a pistola e saindo do local, aliviada.
Começamos a caminhar durante uma ou duas horas, até chegar perto de uma cerca elétrica distante da cidade. Digitei alguns números num teclado numérico ao lado. Após isso, pulamos a cerca.
Chegamos em casa.
No local havia entre quinze e dezessete cabanas improvisadas, algumas bem desgastadas e uma de madeira, onde guardávamos nosso armamento. Mais ao fundo uma pequena horta com duas mulheres trabalhando, Suzy e Elena. Ao lado um pequeno galinheiro. No centro do local havia alguns troncos deitados e uma grande fogueira apagada. Alguns barris espalhados guardavam água da chuva. No total éramos vinte e quatro pessoas, sendo oito mulheres, dez homens e seis crianças. Nosso líder, John, era pai de Mateus.
—Onde vocês estavam? –Disse John, se aproximando com uma expressão nada agradável.
—Na capital. –Respondeu Matt.
—Mateus! Sabes muito bem que não deve sair daqui sem autorização! –Gritou furioso.
—Senhor, não é culpa dele. –Falei.
—Vocês dois são uns irresponsáveis, e se um usuário os seguiu? Nós não temos armas e nem homens suficientes caso sejamos atacados. Já perdemos a maioria do nosso pessoal no antigo acampamento. Não quero que sejamos descobertos novamente. –Disse, saindo do local.
Realmente, não consegui. Ri descontroladamente, Matt ficou me encarando, mas logo começou a rir também.
—Ok, Mateus, agora é oficial, tu já tem o recorde de broncas na semana.
—Ah, cala a boca. –Respondeu, sorrindo.
—Já que o filhinho do líder não pode sair, e eu perdi metade da minha calça por culpa daqueles filhos da mãe, vou cuidar das minhas coisas. –Falei, já caminhando.
Entrei em minha barraca, sentando numa cadeira de madeira. Olhei para minha mesa, onde papéis, alguns H.W.C soltos e algumas ferramentas estavam espalhadas. Coloquei minha arma ao lado de uma mochila de couro. Suspirei enquanto esfregava os olhos. Levantei e fiquei de frente para um espelho velho, observando o rasgo da calça que ia desde a polpa do bumbum até a coxa. Retirei a roupa, ficando apenas com uma lingerie branca. Peguei uma calça jeans preta que estava jogada no chão e vesti, juntamente com uma regata branca e uma jaqueta de couro. “Cadê aquela bosta?” pensei, enquanto procurava minha bota de cano alto. Até que a avistei abaixo de minha mesa.
—Jade? –Sussurrou Mateus, enquanto entrava na cabana.
—Matt? O que quer? –Respondi, enquanto colocava as botas.
—Você sabe. –Falou, sorrindo.
Dei um sorriso de lado e me aproximei, agarrando seu pescoço e o beijando. Ainda não acredito que namoro um cara quase cinco centímetros menor que eu.
—É impressão minha, ou você cresceu Mateus? –Disse irônica.
—Engraçadinha.
Começamos a rir. Nossa risada, naquele segundo era o único barulho presente. Até os tiros começarem, até os berros infiltrarem o acampamento...
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