Adhara Black
4 Julgue pela capa e perca uma grande história
Notas iniciais
Logo após o jantar, as meninas se despediram de Draco e Blásio, e todos se recolheram. Adhara foi em direção aos dormitórios do salão da Sonserina, tendo como guia Pansy. Após se organizarem, cada uma deitada em sua cama, Adhara ainda encontrava-se extasiada em como sua vida estava virada de cabeça para baixo, o nervosismo era gritante em seu interior.
— Ainda esta acordada?- perguntou Pansy, que mesmo no escuro sentia a inquietação de Adhara.
— Uhum.
— Está nervosa?- não recebendo uma resposta, continuou- digo, no meu primeiro dia aqui em Hogwarts, eu fiquei muito nervosa, passei a noite inteira vomitando- riu, sendo seguida por Adhara.
— Que nojo- riu um pouco mais como se aquilo tivesse sido a coisa mais engraçada que tivessem lhe dito, sintoma do nervosismo. Ficando séria novamente- Por que esta me contando isso? Não é como se eu fosse vomitar.
— Por Merlin, eu sei- Pansy respondeu óbvia, era interessante como Adhara sempre estava na defensiva- Estou tentando lhe dizer que não é como se fosse errado você ficar nervosa, você tem o Draco, tem a mim, não vai estar sozinha.
Pansy podia ser muita coisa, e realmente era, mas não era má com quem gostava. Podia ser uma vadia- não negava- mas cuidava de seus amigos, pois era o que conhecia de mais próximo do significado de família. E era perceptível que a menina ao seu lado, também pouco conhecia desse significado. Pansy gostou dela, desde o momento que a viu entrando no salão, e não apenas por chamar a atenção — como ela mesma gostava de fazer — mas por ver que aquela garota forte, já havia sentido demais as rasteiras da vida. Essa menina seria digna de entrar na sua “família”.
— Obrigada- se sentiu muito agradecida- Só que Pansy- chamou a atenção da morena- Eu não sou uma boa pessoa, você sabe de quem eu sou filha, sabe que se eu tiver que te deixar para trás, eu vou, sem pensar duas vezes- aquilo era um aviso.
Adhara sabia que não seria conhecida como a melhor pessoa do mundo bruxo, e nem queria. Mas também sabia que não conseguiria ir à frente, sem ter aliados, ou amigos, como muitos gostavam de serem chamados.
— Você ainda não entendeu Adhara- respondeu Pansy- eu te conheço a poucas horas, mas eu sei o que eu quero, e sei até que ponto eu posso ir com você, vou estar ao seu lado, até quando tudo parecer errado.
Ela sabia. Sabia que chegaria um momento em que Adhara teria que ir sozinha, mas até que este momento chegasse, Pansy estaria ao seu lado.
— Só não quero criar ilusões Pansy- respondeu rápida- Estou aqui para completar um objetivo, e não vou me preocupar com terceiros.
Apesar de ainda não saber o que estava fazendo ali, Adhara tinha noção de que faria o que fosse preciso para ajudar a sua mãe e seus tios.
— Eu sei, você apenas acabou de me confirmar o motivo de eu gostar de você.
A essa hora da noite, acabava de se estabelecer uma união, que nem uma guerra poderia abalar, mesmo que não soubessem se estariam vivas no fim.
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No outro lado do castelo, um trio ainda encontrava-se acordado, tentando de alguma forma decidir por qual motivo certa morena estava no castelo.
— Temos que falar com Sirius- falou Harry atordoado- Ele tem que saber alguma coisa sobre ela. Ele tem que saber de alguma coisa.
Todos concordaram apesar das diferenças de interesses. Para Harry, a garota era um mistério, apesar de saber que era um problema, ela tinha algo que o prendia. Já para Hermione, ela era culpada, independente do que fosse, a garota exalava perigo. Rony não tinha muito o que dizer, mas tomaria as dores da irmã e dos amigos, já que no trem a morena não havia sido cortês com Gina.
Todos nessa noite foram dormir esperando uma resposta de Sirius, só ele poderia esclarecer essa história. Só ele poderia tirar as dúvidas que rondavam a cabeça dos alunos. E quanto antes às coisas fossem esclarecidas, mais rápido saberiam como lidar com a situação morena, de olhos claros e muito, muito bonita.
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Em completa sintonia, Adhara e Pansy acordaram, apesar de pela manhã nenhuma possuir um humor muito gratificante. Impecavelmente arrumadas, as meninas desceram as escadas já em cima da hora. Logo na entrada do salão encontraram Draco e Blásio.
— Bom dia minhas queridas- saudou Draco, posteriormente acompanhado de Blásio.
— Por favor Draco, poupe-me desse seu humor- reclamou Adhara dando um meio abraço no louro.
Seguiram em direção ao salão, onde fariam a primeira refeição. Assim que entraram, toda a atenção foi retida neles. Não apenas por serem os reis da Sonserina (alguns ainda permitiam dizer de todo a escola), mas também por estarem acompanhados da garota que até um dia atrás nunca havia sido apresentada a sociedade bruxa.
— É sempre assim?- perguntou a morena, que apesar de não se importar de receber atenção, estava muito cansada para aguentar todos os olhares sobre eles.
A noite anterior não foi das melhores para Adhara, a menina não conseguiu dormir tão bem. Muitas coisas rondavam a cabeça dela, em parte devido ao nervosismo de começar a estudar em Hogwarts, e por fim devido ao medo de falhar, pois sabia muito bem que sua mãe não a havia mandado apenas para estudar na mesma escola que ela já havia estudado, sabia que tinha algo mais intrínseco nessa história. Pelo menos nesse ano não iria ficar nem um pouco entediada.
Assim que sentaram e começaram a se servir, foram interrompidos pela mesma mulher que participou da seleção, Adhara lembrou.
— Com licença, estão aqui seus horários- prontamente lhes entregou seus horários.
Antes mesmo de responder, a professora já se encontrava do outro lado da mesa. O restante do café foi calmo e sem mais interrupções. Assim que passaram pelo corredor viram de longe o trio de ouro. Adhara não gostava nenhum pouco deles. Felizes demais, bons demais, perfeitos demais, isso não era real, ninguém podia ser assim.
O dia transcorreu bem, e apesar de nunca ter ido a uma escola, Adhara conseguia acompanhar muito bem as aulas. Tudo era muito novo para ela, e isso tornava ainda mais mágico. Porém algo estava a incomodando, e não, não era o fato dela estar sendo perseguida pelos integrantes do trio de ouro, mas um certo professor não tirava os olhos dela, professor Snape.
Durante a aula com esse professor, ele basicamente a encarava, e não, não era de uma forma nada romântica, mas com admiração e repugnância. Ela lembrava dele devido seus tios, mas nunca havia tido nenhum contato, não até o momento.
— Black- uma voz soou de longe atrás da mesma.
Ela não precisava nem virar para saber que um certo garoto com uma cicatriz e óculos, acabara de chama-la.
Harry
Esperei o dia inteiro para receber alguma notícia de Sirius, e já que ele não me retornou, tive que agir sozinho. Esperei que a Black estivesse sozinha, já que o Malfoy ficou o dia todo ao seu lado, para poder ter algumas respostas.
Ela ainda não virou, e sei muito bem que ouviu que eu a chamei.
— Preciso falar com você- decidi continuar, mas ela não virou novamente- Preciso que vire senhorita Black-tentei ser mais sério agora.
Nesse momento, ela virou e então, pude reparar em todos os seus traços, apesar de durante o dia tê-la seguido um pouco, em nenhum momento havia ficado tão próximo da menina. Ela era morena clara, com cabelos escuros e longos, sua boca era desenhada, quase esculpida. Mas o que chamava mesmo a atenção eram os olhos, traziam uma familiaridade e ao mesmo tempo um mistério, que o fazia querer navegar no mar brilhante que eles refletiam.
— Pare de encarar Potter, diga logo o que você quer – disse cortante
Sai do transe que me encontrava, vendo que estava a um bom tempo encarando a menina. Apesar do brilho dos olhos, a frieza com que falou meu nome, demonstrou que ele não podia se enganar com a beleza dela, a menina era a cópia de Belatriz.
— Temos que conversar- fui categórico
— Que eu saiba Potter, eu cheguei ontem, não acredito que eu tenha algo para falar com você.
— Muito bem Black, eu vou ser claro com você- ele chegou mais perto da menina- O que quer que você esteja preparando para mim, é bom que pare. Eu sei de quem você é filha, e não tenho medo. Já enfrentei coisa pior.
— Deixa eu te dizer uma coisa Harry— disse com ironia seu nome- Olhe bem pra mim- ela chegou mais perto, já sentindo a respiração dela contra ele- Você não é o centro do mundo. E não me conhece, não tente adivinhar.
— Por favor, Black, eu conheço você. Você não veio aqui sem nenhum interesse. Você é igual a todos os Sonserinos. Não tem nada de especial.
— Engraçado Potter, acredito que se eu não tivesse nada de especial, você não teria vindo aqui para me “ameaçar”- falou de forma irônica a ultima palavra.
— Esta avisada Black- saiu de perto dela- Pode falar o que quiser, mas eu conheço o seu tipo, e sei o sangue que corre nas suas veias.
— Julgue pela capa e perca uma grande história, Potter- disse a morena a medida que se afastava.
Assim que a Black passou pelo corredor, eu consegui respirar com calma. Aquela menina se continuasse assim, tiraria de forma rápida o meu juízo.
Autora
Adhara havia mexido com Harry, mas ele não sabia que a conversa que havia tido com ela, deixou-a com mais vontade de acabar com ele. Ninguém a ameaçaria e sairia impune. Se Harry achava que a conhecia, estava muito enganado.
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