Adeus, papai
1 Capítulo 1
— Filha… Aurora… Não…
— Tony…
—Não ouse terminar a frase, James… Minha filha não está morta! — eu ouvia a voz do meu pai brigando com meu padrinho, mas meus olhos não se abriam de jeito nenhum.
Ao longo dos meus 19 anos sempre imaginei que morrer doeria, que seria algo agonizante, desesperador. Mas, ao me ver de fato nesse momento, percebi que se torna algo tranquilo, a dor que eu antes sentira pelas balas que haviam invadido meu corpo se dissipou, dando lugar a uma leveza nunca experimentada antes.
Eu não queria partir, não foi algo que planejei. Mas, ao ver meu pai sob a mira daquele robô, pensei de como seria a vida do meu irmão ou irmã que ainda estava na barriga de Pepper, não tendo noção do que estava acontecendo nesse mundo caótico, sendo obrigados a crescerem sem um pai, como eu cresci...Simplesmente, empurrei meu pai e recebi as balas em seu lugar.
Assim que atingi o chão, senti o gosto metálico na minha boca e minhas entranhas se contorcendo. Vi meu pai correndo em minha direção, mas meus olhos se fecharam contra minha vontade antes que ele chegasse ao meu lado.
Agora, estou escutando seus lamentos e pedidos, sem poder fazer nada. Ouço meu padrinho e Pepper gritando, mas meu coração bate cada vez mais devagar.
—Filha, não desista… Abra os olhos, querida… Por favor! — Tony implorava com a voz embargada, mas eu sabia que não poderia atender seus pedidos.
Me perdoe, papai, eu queria poder ficar…
Tony embalava o corpo da filha contra o peito, chorando compulsivamente. Sentia o sangue de Aurora manchando sua camiseta.
—Por que fez isso, sua pirralha? — perguntou encarando o rosto sereno da mesma — Quem vai invadir minha oficina de surpresa? Ou me acordar às sete da manhã com o som daquele bendito piano que você me pediu tanto para comprar? — soluçou — Vou precisar da sua ajuda para cuidar do seu irmão enquanto Pepper estiver no trabalho… Filha…
Rhoders estava ajoelhado do outro lado da afilhada, apenas observando o sofrimento do amigo e deixando suas lágrimas escorrerem. Pepper havia sido levada para dentro da Torre por conta do perigo do alto nível de estresse fazer mal ao bebê, mas a imagem da enteada sendo alvejada por tiros não saia de sua mente, não lhe dando a possibilidade de parar de chorar.
Ao ver o corpo da filha ser enterrado, Stark pensou que desabaria novamente. Mas, por mais estranho que fosse, ele ouviu a risada da filha, como das vezes em que ela conseguia lhe assustar quando estava ocupado na oficina.
Ao erguer os olhos vermelhos, teve o vislumbre de Aurora de pé, vestida inteiramente de branco, o observando com um sorriso triste no rosto.
—Adeus, papai! — disse apenas movimentando os lábios, antes de desaparecer.
Meses depois, ao segurar pela primeira vez Erick, seu filho recém-nascido, o bebê abriu os olhos, revelando incríveis e penetrantes olhos violetas… Os mesmos de Aurora!
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