Adeus minha querida Hazel Grace
2 Hazel
Notas iniciais
Acordo deitada no chão, em um lugar todo branco. Olho para mim mesma, parece que uma luz forte clara está se esvaído do meu corpo, e junto com ela vai-se todo o branco.
Noto que estou acima de uma sala, o chão em que piso é feito de vidro. Abaixo encontra-se uma garota deitada em um sofá.
Junto comigo, no teto de vidro, está uma menina agachada no chão, observando a outra em baixo.
Me levanto e levo a mão para puxar Felipe, mas ele não está ali. E eu estou respirando bem!
Ando até a menina. Ela vira o rosto e olha para mim. Primeiro sua expressão demonstra espanto, mas logo ela cobre com indiferença.
–Oi –falo enquanto me sento no chão, ao seu lado. Ela me encara, como se eu fosse um animalzinho de zoológico. Tenho a impressão de que a conheço. –Sou Haz...
–Eu sei –ela me corta. –Sou Caroline. Caroline Mathers.
–você é a ex-namorada do Gus! –falo me lembrando dela. Me encolho, assustada demais para gritar ou fazer qualquer outra coisa. –Mas como? Você está morta!
–Você também! –ela fala com nojo, sem olhar para mim. –E nem por isso eu fico soltando gemidinhos de medo! Você é ridícula, como ele pode gostar de você? Babaca.
Morta? Ela só pode estar brincando! Eu só posso estar em um pesadelo! Eu não posso morrer, tenho que ficar com o Gus! Ele precisa de mim... ele... ele precisa. Eu preciso!
–Eu não estou morta –falo rindo com sarcasmo.
–Sim, está. Ah dane-se, não vou discutir com você se está morta ou não, problema seu! Agora, porque está aqui? –ela me pergunta com frieza.
–Não sei –respondo. –Quem é ela?
Caroline puxa um papelzinho do bolso e começa a lê-lo.
–O nome dela é Jessie Velark, ela tem 16 anos. –ela abaixa o papel e encara a menina no sofá. –Não sei porque me mandaram a vigiar, eles disseram que “o destino dela está ligado a alguém” mas não me contaram quem.
–Então tudo que temos que fazer é vigia-la? O dia todo?
–Nós uma ova! Esse é o MEU trabalho. Você não vai roubar mais nada de mim como me roubou o Augustus! –ela fita meus olhos, suas palavras carregadas de raiva me cortam ao meio.
–Nunca tive a intenção de roubar ninguém! –me defendo.
–Teve sim! Eu vi todos aqueles beijos e carinhos, e eu não podia fazer nada. Nada! Porque eu estou morta! E sempre vou estar. –ela grita, enquanto se levanta. –Espero que você sofra tanto quanto eu sofri. Até mais do que isso. Você vai vê-lo com tantas outras garotas e vai querer matá-las, mas não vai poder porque a morte a impede. –suas palavras me fazem sentir como se estivesse levando um tapa na cara. Dor. Muita dor.
–Eu vou voltar pra ele –falo, meu rosto já inundado por lágrimas. Eu vou voltar...
–Como? –ela pergunta com nojo. –Não se pode controlar a morte, Hazel Grace. Aceite o fato.
Penso em uma boa resposta para dar a ela, mas de Caroline só resta fumaça.
Olho para baixo, a menina –Jessie- já não está mais no sofá.
Todo o lugar começa a brilhar, e logo não estou mais vendo uma sala. Vejo apenas branco.
O branco começa a diminuir, como da primeira vez. Percebo que me encontro na sala da Igreja. O lugar está lotado. Noto que todo mundo que está presente eu conheço.
O Isaac, o Patrick, meus tios e tias, meus avós, a Kaitlyn, o Gus com os pais, minha mãe e meu pai do lado de um caixão... Espera um pouco! Noto que minha mãe está agarrada em meu pai, chorando. Eu me aproximo e olho dentro do caixão.
Meu coração começa a bater mais forte. Minha expressão congela no rosto e eu grito. Sou eu.
–Não! Não! –vou até a minha mãe e tento a virar para mim, mas ela não se mexe. –Mãe! Eu estou aqui! Viva e bem aqui! –começo a chorar. .-Mãe por favor! Por favor...
Mesmo soluçando, ninguém nota a minha presença. Olho de novo no caixão, minha roupa preta de funerais destaca a minha pele morta.
Alguma coisa me chama a atenção e levanto meus olhos. Alguém está correndo porta afora. Reconheço esse alguém: Gus. Corro tentando alcançá-lo. Ele entra em um beco. Gus se encosta em uma parede e acende um cigarro. Observo boquiaberta.
–O que pensa que está fazendo? –me aproximo pisando firme, com raiva. –Gus pare com isso agora!
Tento empurra-lo mas parece que eu não tenho nenhuma força.
–Pare! Por favor pare Gus! Por favor... –falo entre soluços e lágrimas.
Ouço uma risada do outro lado do beco e reconheço a voz: Caroline.
Tento desesperadamente arrancar o cigarro de sua boca, mas não consigo.
–Gus! Gus eu morri por isso, pare... –sou interrompida no meio da frase por uma terrível força que me joga na parede. Tudo fica preto e ouço as palavras de Caroline.
“Não se pode controlar a morte”.
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