“Odeio acordar e ver que estou sozinha, dia após dia, e saber que pelo resto do tempo ninguém estará ao meu lado.”

Lágrimas douradas

A claridade penetrou-lhe os olhos fazendo acordar do belo sonho que tivera. Puxou a coberta para a cabeça na vã tentativa de tudo ser escuro e voltar para seu sonho, ao lado dele, um misterioso cavalheiro que lhe concedia uma valsa.

Porém nada dera certo, o misterioso cavalheiro não apareceu novamente, muito menos sorriu, os olhos já não queriam ficar fechados, o estômago pedia algo que o cobrisse e estava ficando quente.

Com algum esforço Rin se levantou, deixando a coberta cair de seu rosto, passou a mão direita pela face enquanto os pés alcançavam o chão frio.

Andou até o banheiro sem muito esforço, viu no espelho que os cabelos estavam bagunçados, a face cheia de marcas da noite que tivera:

-Bom dia Rin. Disse á si mesma, sem muito êxito.

Trocou de roupa colando um vestido verde antigo que a mãe lhe dera antes de morrer. Primeiro fora seu pai, depois seu irmão e agora sua mãe. Era a sua única família, seu pai morrera em um acidente de carro, o irmão de overdose e a mãe não agüentou. Antes a casa violeta da Rua Miguel Faria era cheia, barulhenta e feliz. Os vizinhos constantemente reclamavam das festas até meia noite em plena segunda-feira. Rin sorriu ao lembra-se delas. Tudo era todos, e estes todos acabaram se tornando poucos, e os poucos se tornaram nenhum, tudo tão rápido...

Depois de vestida e de ter preso o cabelo num rabo de cavalo alto e bem-feito, foi até a cozinha, fritar um ovo. Para não perceber o silêncio que a cercava, Rin normalmente cantava, mas, hoje acordara sem vontade de cantar. Comeu em silêncio, o único som que se permitia ouvir era do garfo batendo na porcelana do prato. Fez tudo como de costume os mesmo gestos repetidos a cada manhã, acordavam ia ao banheiro, trocava de roupa, depois era a vez dos cabelos e por fim passar a tarde arrumando a casa. Tudo muito monótono.

O telefone tocou enquanto lavava os pratos, era Kagome uma amiga do colegial, estava convidando-a para ir ao teatro com os amigos Inuyasha, Miroku e Sango.

Todos os três estudaram juntos, eram muito amigos, na época de colegial Inuyahsa e Kagome namoravam assim como Miroku e Sango, hoje eram quase todos solteiros, Inuyasha namorava tal de Kagura e Kagome estava enrolada com tal de Naraku. Miroku e Sango apesar de afirmarem até a morte que o namoro havia acabado ás vezes eram vistos juntos, mas, muito juntos se é que me entendem caros leitores.

Rin aceitou a oferta, tinha mesmo que sair um pouco daquele ambiente. Desligou o telefone tinha que terminar de lavar os pratos para sair, olhou pela janela estava começando a chover, as gotas que caem hoje, serão as minhas lágrimas de amanhã, Pensou Rin.

Com certeza não estava muito feliz hoje, mas, o a ida ao teatro com os amigos iria ajudá-la a recuperar seu ânimo. Ela não tardou a descer a escada vestida numa calça jeans e uma justa blusa rosada de manga longa, as botas eram de cano longo.

Os quatro amigos conversam alegremente na fila do cinema, todos cumprimentaram Rin quando esta chegou:

-Que fila... Disse a garota.

-Mas, eu garanto gente vale a pena, a peça é muito boa! Disse Kagome.

-Você nos trouxe pra ver uma peça que você já viu?

-Sim. Disse Kagome inocentemente.

-Ah não! Todos disseram em uníssono.

-O que foi? Perguntou Kagome.

-Você conta a peça todinha... Começou Miroku.

-... E que os atores vão fazer... Terminou Sango.

-... E o que vão falar. Completou Miroku. Inuyasha soltou seu costumeiro

sinal de irritação:

-Feh!

-Gente se a Kagome está falando que a peça é boa, vamos confiar nela.

-Ah obrigada Rin, pelo menos alguém aqui tem consideração por mim.

A fila começou a andar assim como os jovens que esperavam nela. Quando Kagome se afastou o bastante para não ouvir, Rin disse:

-Vamos ficar longe dela. Todos concordaram.

A peça fora realmente maravilhosa, nada melhor do que uma boa comédia para afastar os males da vida, Pensava Rin. Assim que a peça acabara Sango propôs para que todos jantassem num restaurante chinês, bem perto dali:

-Eu acho bom. Disse Inuyasha.

-Eu não sei se devo ir, porque estou com pouco dinheiro e...

-Que isso Rin! A gente paga pra você... Disse Kagome – ... E além do mais o que você fará naquela casa sozinha?

-Bem eu...

-Está vendo? Nada absolutamente nada! Então vamos comer!

-A Kagome não está muito animada não Miroku? Sussurrou Inuyasha para o amigo.

-Eu não sei...Você a conhece melhor do que eu, então, diga. As faces do youkai ficaram rubras:

-Eu acho que...

Logo eles chegaram ao restaurante, o lugar aparentava ser calmo e pela quantidade de pessoas diria que a comida era no mínimo boa. Todos se se sentaram à mesa indicada pelo garçom e escolheram o que iriam comer Inuyasha pegando o cardápio e colocando de frente para o rosto sussurrou para Miroku que estava ao seu lado:

-Bankotsu está aqui, não deixe a Rin vê-lo.

-Onde? Perguntou o moreno.

-Na terceira mesa a nossa esquerda.

-Seu faro está cada dia melhor Inuzinho! Continue assim. Disse Miroku

batendo nacabeça do Youkai cachorro:

- EU NÃO SOU CACHORRO NÃO! Vociferou Inuyasha, atraindo toda a atenção do restaurante para si. As garotas se encolheram e rapidamente Inuyasha voltou á posição normal, fingindo que nada havia dito. Ficaram calados até a chegada do jantar:

-Nofa, efa comida ta uma delícia!

-Não fala de boca cheia Inuyasha, que coisa nojenta!

-Cala bofa Kafome! Kagome olhou para os dois lados e sussurrou:

-Senta! O barulho não seria muito grande se Inuyasha não tivesse caído em

cima dos pratos. O garçom chegou calmamente rodeado de outros Garçons que começaram a limpar a bagunça:

-Caso o senhor não se comporte terei que retirá-lo do restaurante.

-MAS FOI CULPA DELA! Disse Inuyasha apontando para Kagome, esta

fingiu que nada viu.

-Senhor não grite, está perturbando as pessoas ao redor. Disse calmamente o Garçom!

-EU ESTOU PERTURBANDO?! ELA ME FAZ CAIR DE CARA NO CHÃO E EU QUE ESTOU PERTURBANDO?!

-Seguranças, por favor.

-Não será preciso. Disse um youkai alto, de cabelos prateados e uma meia

lua na testa.

-Senhor Taisho, conhece este homem?

-Sim. Assim que o garçom foi embora Inuyasha sentou-se à mesa com os

amigos:

-Parabéns pelo show Inuyasha.

-Não enche Sesshoumaru!

-Inuyasha quem é ele? Perguntou Miroku. Sesshoumaru olhou para todos os

presentes na mesa, mas, algo lhe chamou a atenção, os olhos de chocolate

de certa humana:

-Sesshoumaru, meu meio-irmão. O youkai virou as costas, e começou a

andar em direção a sua mesa:

-Não quer se juntar a nós Sesshoumaru? Perguntou Kagome.

-Não. Kagome ficou pasma com a frieza do youkai.

-Ele é sempre assim? Perguntou á Inuyasha.

-Pior. Respondeu o Youkai.

-Inuyasha eu não sabia que você tinha um irmão.

-Com licença eu vou tomar um ar. Disse Rin.

-Ela viu o Bankotsu? Perguntavam-se.

Lá fora o vento soprava frio, passando pelos longos cabelos prateados de

Sesshoumaru. Este havia mudado de rumo ao sair da mesa de Inuyasha.

O vento trouxe até ele cheiro de lágrimas.

Notas finais
Tacham o que será que Sesshoumaru vai fazer?